Superchefs: uma noite memorável

Foi uma noite linda, que começou com um final de tarde – mais um – antológico na piscina do hotel Fasano: jazz de primeira na trilha sonora, muitas borbulhas e petiscos como croquete de pato com molho de laranja e mini bruschetta de tomate.

De lá, uma van nos levou ao Le Pré Catelan. Havia um clima de festa no ar, uma confraternização de chefs jamais vista: nada menos que os melhores cozinheiros brasileiros estavam lá. Brasileiros, não, porque tinha muito gringo: Claude Troisgros, Danio Braga, Francesco Carli, Frederic de Mayer, e o próprio anfitrião, Roland Villard. Reunidos na cozinha, os chefs saboreavam belos cotes de boeuf “o churrasco francês”, como dizia o Roland Villard a todo instante.

Saca só que carne.

Antes de começar  jantar os chefs se reuniram todos. Eles aplaudiram.
Havia uma certa decepção, porque eram esperadas mais pessoas (ainda assim, foram arrecadados R$ 62.500 – nos últimos dias o preço baixou de R$ 2.500 para R$ 1.250).
Logo depois, um breve discurso de Roland Villard e Felipe Bronze, os dois cabeças da organização do jantar. Bronze lançou a proposta.

– Vamos ver se, a partir de agora, todos os anos, conseguimos reunir novamente esse time de chefs para um grande jantar com renda revertida para alguma boa causa.
Proposta apoiada pelo blog.

 Foi ótimo.

 

Primeiro um quarteto delicado, com tartare de abóbora, polvo com endívia, rolinho de banana…

Depois, carpaccio evieiras e caviar mujol com ite de coco, lagostim e salada de palmito. O melhor da noite…

… junto com a enguia que vem em seguida, servida em forma de tempurá (demais, demais) ao lado deum tartare de robalo com yuzu.

A Cecilia Aldaz conduzia o serviço de vinho, com a habitual eficiência, e a beleza de sempre.

A próxima etapa foi bem curiosa: batata-doce com bernaise de chimarrão (o molho me pareceu bem interessante, e queria vê-lo com um bom peixe, como a enguia anterior).

Depois, ravioli de batata com camarões e provola, com espinafre, alcachofra e pesto.

Muito bom também estava o cordeiro em crosta de shiitake e pó de foie gras, com purê frio de pistaches e crocante de pupunha.

Para encerrar, uma tortinha de chocolate, com sorbet (de cupuaçu?).

Noite memorável.

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17 Respostas to “Superchefs: uma noite memorável”

  1. juliana Says:

    Coloque mais fotoso dos pratos!

    • brunoagostini Says:

      Oi, Juliana. Vou colocar, sim. A internet lá em casa hoje de manhã estava horrível (essa Net…)

      • juliana Says:

        Li em algumas matérias e blogs que os organizadores esperavam um quorum maior. Entretanto, percebi que muitos jornalistas e críticos foram como convidados e não desembolsaram um centavo para as vítimas da serra. Fazer caridade com o dinheiro alheio é fácil!

      • brunoagostini Says:

        Jornalistas e críticos, de uma maneira geral, não têm cacife para bancar uma ajuda dessas. Eu te garanto que eu não tenho. Fui convidado. O que deveria fazer na sua opinião? Recusar estar presente neste momento histórico? Dizer, ah tá, eu vou, mas quero pagar. Ou, ainda, me dá um descontinho aí.
        E cada um ajuda como pode: garanto a você que a minha parte eu fiz, por vários meios, de diversos modos, não apenas com donativos, mas também divulgando ações, como este próprio jantar, além de outros. E vou continuar estimulando as pessoas a subir a serra, que é uma ótima maneira de se ajudar.

      • Dri Says:

        Também fiquei com essa impressão ao ler os relatos em tantos veículos (blogs/colunas sociais/jornais) diferentes, mas como não posso garantir que os veículos onde os jornalistas trabalham (ou os próprios) não contribuiram com os R$2500, achei leviano começar a disparar acusações de oportunismo/caridade com o dinheiro alheio.

      • brunoagostini Says:

        E, por fim, que fique claro: eu não estava ali fazendo caridade alguma, estava trabalhando, como estavam os demais jornalistas presentes.

  2. Dri Says:

    Acredito que novamente, o problema foi o preço. Por mais nobre que seja a intenção e por mais estrelado que seja o time de chefs, R$2500 é proibitivo para a maioria, inclusive do público alvo. Não são tantas pessoas dispostas a desembolsar R$5000/casal num jantar… O que me leva a outro ponto. A tragédia foi realmente muito triste para toda a região, mas os hoteleiros e demais prestadores de serviço que me perdoem, mas eu não acho “uma sacanagem” hóspedes tentarem negociar estadias por R$100. A lei da oferta e da procura é uma via de mão-dupla. Do mesmo jeito que qdo a demanda estava aquecida esses empresários não hesitaram em inflacionar o preço das diárias, sem considerar “uma sacanagem” ter uma margem de lucro de 200, 300%

    Vejam bem, não estou defendendo nem criticando ninguém. Apenas acredito que todos tem o valor de cobrar/pagar o que acharem justo, sem serem taxas de aproveitadores, qualquer que seja a situação.

    • brunoagostini Says:

      Adriana, acho que você não entendeu a proposta. O jantar era só uma maneira de os chefs darem a sua contribuição a quem estivesse disposto a fazer uma generosa doação. O cara podia depositar uma grana para as entidades, poderia comprar muitos donativos, ou fazer isso de maneira prazerosa, numa noite única. Sobre o oportunismo de alguns numa hora dessa, acho deplorável, falta de caráter até, querer se dar bem no desespero dos outros. Acho feio, coisa de gente má, que é o que não falta por aí, como sabemos.

      • Dri Says:

        Eu entendi a proposta sim Bruno. Achei ela inclusive genial. Mais, achei lindo e emocionante ver como todos esses chefs, que poderiam ter virado o centro de seu próprio universo, prontamente se voluntariam para contribuir com o que eles fazem de melhor.

        Continuo achando apenas que aqueles que possuem R$2500 para doar fizeram suas doações no momento mais crítico, logo quando aconteceu a catastófre. A “imposição” da data, da cidade, do local do evento devem ter impossibilitado que muitos pudessem participar. Outros, como eu, que gostariam de participar pelo evento e pela parte solidária, não o puderam fazer por conta do valor do evento. Não estou dizendo que o valor seja injustificado, apenas acredito que esse tenha sido um dos fatores responsáveis pela ocupação menor que a esperada.

        Em relação a esse oportunismo, também acho que não é preto no branco. Eu acredito no princípio da auto-regulação do mercado e sinceramente não vejo diferença no comportamento dos clientes que querem pagar preços irrisórios x donos que aplicam margens de lucro extratosféricas. Eu, por influência da educação que recebi, NUNCA negocio preço de nada. Sou por isso mesmo, péssima para compras em comércios populares que necessitem desse tipo de habilidade. Parto da idéia de que todos têm direito a fixar um preço por um produto/serviço. Se cabe no meu orçamento, eu compro. Se não cabe, não compro. Por outro lado, se eu fosse dona de um empreendimento, não ficaria indignada com quem pede desconto. Eles também tem esse direito e eu acataria ou não.

        Pra mim, falta de caráter, oportunismo mesmo seria por exemplo pagar um produto/serviço com cheque sem fundos. Usufruir de algo sabendo que não honrará o compromisso é que é algo inconcebível para mim.

      • brunoagostini Says:

        Bom, momento crítico mesmo é agora, e os próximos meses, quando as pessoas terão que reconstruir a suas vidas. Pelo menos e isso o que se diz nesses lugares. NNa hora da tragédia, muita gente ajuda. Depois, todo mundo se esquece. O encontro também tem o seu simbolismo, uma reunião com os melhores chefs de Brasil.
        No mais, também sou um liberal, sempre a favor da autorregulamentação. Mas não me parece o caso, é oportunismo mesmo, e dos mais feios. Mas tudo bem, a discordância é saudável, e seus argumentos são consistentes. Mas eu acho feio fazer isso, e nunca faria igual. E gostaria de educar a minha filha de maneira que ela também não fizesse. Não acho legal se aproveitar dos momentos necessidade dos outros.

      • brunoagostini Says:

        E, bem… cheque sem fundo não se trata de caráter, mas de crime…

      • Dri Says:

        Só pra enfatizar o q eu já havia dito, EU Adriana, pessoa física, não negocio preço de nada nunca. Faz parte da minha personalidade. E procuro ajudar de forma contínua e consistente algumas causas q me são mais “chegadas”. Infelizmente no nosso país nós temos uma grande parte da população em constante estado de necessidade…

        Respeito a sua postura de achar falta de caráter quem tenta se hospedar pagando pouco, mas não consegui mudar minha opinião sobre o assunto. Mas espero que ao menos essa “discussão” aqui no blog tenha levado a mais pessoas a refletir sobre o assunto. Acho que pior do que concordar/discordar de algo é ser passivo frente a vida, se deixar influenciar pelo que é “gritado” pela sociedade a abrir mão da capacidade humana ao questionamento!

  3. Dri Says:

    OBS: As fotos estão, como sempre, muito bonitas! Me deixaram com água na boca…

    • brunoagostini Says:

      🙂 Você falou, fui rever e vi que estava faltando uma – tinha uma que aparecia duas vezes. Obrigado

  4. Rafael R. Says:

    É até sacanagem ler um post desses antes do almoço…

  5. juliana amorim Says:

    Oi! esse seu post me deu mais fome do que a minha geladeira pode me saciar… buáaaaaa snif

  6. Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Superchefs: uma noite memorável, histórica – e solidária […]

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