O maior show da terra

 

Só mesmo o Rei para me fazer algum dia torcer pela Beija-Flor. Acho que só se um dia fizerem um enredo sobre o Zico, o que, aliás, devia ser feito. E, queiram ou não, gostem ou não, o samba já entrou para a pequena lista de letras conhecidas por todos: “O beijo na flor é só pra dizer como é grande o meu amor por você” mal nasceu é já é um verso clássico.

Pior é que tô torcendo pela Beija-Flor. E também pela Porto da Pedra, que fez um desfile histórico em homenagem a Maria Clara Machado (a cena do fantasminha sobre a bateria garantiu lugar de destaque nas próximas retrospectivas sobre os momentos mais marcantes da história da Marquês de Sapucaí, pode ter certza). Pra Mangueira torço sempre. E tendo a simpatizar com o Salgueiro, daí a tristeza pelos problemas no desfile, e com a Portela, daí a tristeza pelo fogo – mas que orgulho, o desfile foi lindo. Acho lindo e sou um entusiasta do estilo Paulo Barros, e também gosto do caráter tradicional da Unidos da Tijuca, de maneira que vou comemorar se ela for campeã. A Vila também posso dizer que é agramiação adorada. Estou numa situação quase confortável: qualquer dessas que ganhe, fico feliz.

O que fica deste carnaval, do desfile das escolas de samba especificamente, é que de fato é o maior shor da terra, como dizia o samba clássico do Imperio Serrano de 1982: “A minha alegria atravessou o mar e ancorou na passarela. Fez um desembarque fascinante no maior show da terra”.
Hoje não resta dúvida que a Marquês de Sapucaí é palco do espetáculo mais grandioso e incrível deste planeta, a competição mais lúdica e técnica, apaixonante e imensa, parecida e diferente, tradicional e moderna, criativa e clássica. Não há apresentação artística, ou competição desportiva, que se iguale em magnitude e beleza. É como se cada escola fosse uma olimpíada, como se cada alegoria fosse uma Copa do Mundo, como se cada samba enredo fosse uma ópera, como se cada bateria fosse uma filarmônica inteira, e cada puxador fosse um tenor, sambista, e cada casal de mestre sala e porta bandeira tivesse a equivalência de um corpo de baile, balé de gala, e a comissão de frente fosse a artilharia de um exército de três mil e quinhentos homens que está na retaguarda, pronto para entrar em ação, invandindo a avenida.Não conheço maior expressão artística.

A Mangueira, a Portela, a Tijuca e a Ilha, o Império e o Salgueiro, Cubango, Rocinha, Cabuçu e toda a Alegria da Zona Sul.

E muito cá entre nós, se a questão fosse qualidade do espetáculo, a Globo transmitiria na noite de sábado para domingo o desfile do Grupo de Acesso carioca, e não das escolas paulistas. Com todo o respeito, Império Serrano, Unidos do Cubango, Acadêmicos da Rocinha, Estácio de Sá e companhia limitada são mil vezes melhores e mais bonitas que Gaviões da Fiel, Vai Vai, Rosas de Ouro, Tom Maior e seus pares. Ou vai me dizer que não são?

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2 Respostas to “O maior show da terra”

  1. Juliana Amorim Says:

    Adorei esse texto Bruno!

  2. Juliana Amorim Says:

    Ahh Só o Rei mesmo!!!! rsrsrs

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