Anotações de viagem: de Amsterdam ao Porto

 

Febo: quem disse que fast food é ruim? Os croquetes dessa rede são uma delícia, a apenas um euro

Adoro Portugal, como um todo, e seus comes e bebes, especificamente. Entre as delícias da cozinha lusitana eu aprecio, com interesse particular, o queijo da Serra da Estrela, produzido nas montanhas ao Norte do país.  Com sabor intenso e uma cremosidade inacreditável, é uma das obras-primas da gastronomia universal, no nível de um caviar ou de um bom presunto pata negra.

Além de amar a terrinha, também não gosto de ficar sem as minhas malas. Daí a dobrada alegria no dia de hoje: em primeiro lugar, estou a chegar ao Porto, para uma curta estadia em Celorico da Beira, uma dessas cidades encantadoras, para um encontro de vinhos e produtos regionais da Serra da Estrela, com direito a visita a um produtor deste. Em segundo lugar porque, enfim, pude reaver a minha mala, que despachei na tarde de sábado no Rio de Janeiro, e só me foi entregue hoje, pouco antes do meu embarque de Amsterdam em direção a Lisboa, onde pego outro voo para o Porto, para então encarar três horas de viagem até a Serra da Estrela – sem dúvida mais cansativo do que fazer um voo Brasil-Europa. Tive que fazer uma visita à H&M para comprar camisas, meias, cuecas e um casaco.

E, falando de Amsterdam… esse contratempo da mala me atrapalhou bastante. Perdi boa parte da primeira noite na cidade (em vez de chegar às 19h cheguei às 21h20 no hotel), além de toda a primeira manhã, sem falar em constantes interrupções na rotina para escrever e-mails ou ligar para a companhia aérea, a TAP, que aprontou essa comigo (aliás, como é bom, barato e eficiente o transporte de trem do aeroporto de Schiphol até o centro da cidade, na Centraal Station). Com isso, não deu para escrever nenhum postzinho sequer da cidade, que me realmente me seduziu: linda, boa para se caminhar, tem bares e restaurantes muito bons, pessoas divertidas e alguns museus, como o imperdível Van Gogh, realmente imperdíveis (ainda mais quando está em exposição temporária o mestre Pablo Picasso). E cadê o meu tripé para fotos noturnas???

Em Amsterdam é preciso provar a comida de rua, com especial atenção aos croquetes (a rede Febo é ótima: por um euro compramos um croquete de carne delicioso, com recheio cremoso e casquinha crocante), arenques (que rendem belos sanduíches) e batatas fritas servidas em saquinhos afogadas em encantadora maionese, três bons exemplos de que comer pode ser bom e barato.

A cerveja holandesa também é ótima, e vale a pena gastar um tempo nos balcões de seus bares e pubs, esses últimos também servem marcas britânicas, o que é sempre bom.

A cidade é mesmo linda, com prédios graciosos, monumentos e os canais, ah, os canais, que coisa mais linda. E os jardins? Nesta época do ano a temperatura começa a subir, e as pessoas se dizem mais felizes.?Qualquer pedacinho de terra pode virar um canteiro florido, e talvez os moradores de Amsterdam sejam as únicas pessoas, em todo o mundo capazes de criar um lindo jardim colorido numa superfície de apenas 10 cm quadrados. Visitar o mercado de flores revela uma quantidade de cores e formais vegetais inimagináveis.

As tulipas são mesmo muito queridas e admiráveis em Amsterdam, mais a planta mais idolatrada é sem dúvida a Marijuana: às 8h os famosos coffee shops já estão ocupados com maconheiros de todos os tipos, idades e trajes – a basta passar na porta de um deles para sentir a marola capaz de deixar um jamaicano doidão por uns 20 minutos – ou até mais.

Há muitos turistas nos tais coffee shops. Mas não tenho dúvida de que os maiores freqüentadores desses verdadeiros templos rastafáris são os arquitetos que projetaram a cidade, e para tirar essa conclusão basta olhar para os prédios: como são tortos para os lados e para a frente, alguns parecem que vão cair a qualquer momento.

Mas, agora pensando bem: será que é culpa dos arquitetos, ou eu que andei freqüentando muito esses coffee shops ¿

Outro aspecto interessante é a cozinha asiática. Assim como todo o mundo atual, há muitos restaurantes japoneses, chineses e tailandeses, mas também há muitos indonésios, porque a Indonésia foi colônia holandesa.

Há muitos restaurantes ótimos na cidade, e os frutos do mar estão entre os melhores que já comi (ostras e vieiras são inacreditavelmente deliciosas). O restaurante Bridges, no Sofitel, e o Yamazato, no Okura, são dois endereços fundamentais para os que apreciam pescados: no primeiro, são tratados à maneira francesa enquanto no segundo, à japonesa (jantei lá ontem com menu todo harmonizado com saquês, e foi incrível). Com vista para a cidade, o Le Ciel Bleu, no mesmo hotel Okura, combina ambiente elegante, com panorama impressionante da cidade, serviço impecável, apresentação primorosa dos pratos e, o mais importante de tudo, uma gastronomia formidável: é daqueles restaurantes que marcam a gente para sempre.

Os chefs estão muito felizes. Na Europa, primavera é, no mundo dos cozinheiros, sinal de fartura, alegria, novos sabores, cores e tempetos: as ervas crescem, os legumes começam a ganhar forma, peixes magros vão aparecendo. É uma festa.

Também visitei um restaurante de cozinha tradicional, o De Roode Leewin, assim como um chinês em Chinatown, que fica ao lado do Bairro da Luz Vermelha, a famosa zona de protituição, algo meio caricato, cheio de homens com cara de bobo observando as moças em trajes sumários nas vitrines, assim como turistas mulheres que ficam achando graça das minúsculas lingeries. Não sei não, esse mundo está mesmo perdido: o Bairro da Luz Vermelha me parece hoje mais inocente do que uma festa de criança, e se não é, certamente ali há muito mais pudores que a novela das 8…

Para encerrar, Rembrandt, um gênio, em sua praça

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2 Respostas to “Anotações de viagem: de Amsterdam ao Porto”

  1. Rogério Daudt Says:

    Concordo plenamente com você: Serra da Estrela é uma das obras-primas da gastronomia universal!! (adorei essa frase)
    Aguardo ansiosamente seus próximos relatos!!!
    Abs

  2. Fernanda Fonseca Says:

    Olha. Eu levaria os ma-ra-vi-lho-sos queijos da Serra para Amsterdam, com um bom Douro tinto, ficaria sentada à beira de um dos canais, olhando os prédios, tortos ou não, depende do ponto de vista (rsrsrsrs), sentindo o aroma das flores… I love Amsterdam e confesso que comidinhas e bebidinhas a parte, estou farta de Portugal… Talvez por sermos os portuguese que deram certo.. Ou não tão certo assim…?! Beijos, adorei o post e fiquei morrendo de saudades de Amsterdam e dos encantos dos canais, do hot chocolate inesquecível, das batatas fritas, dos Nasi Goreng, dos gatos holandeses e até da decadente Red Light Zone que na minha opinião, tem seu charme….

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