Park Hyatt Masters of Food and Wine, em Mendoza: o segundo dia

 

Por incrível que pareça, o segundo dia foi ainda mais calórico e gostoso.
Começar o dia com folheado de doce de leite é um acinte delicioso que fiz questão de cometer.

Mais assanhado ainda é emendar numa galette de róis, apreciada na casa do artista plástico Sergio Roggerone, um ateliê deslumbrante com dois quartos que recebem hóspedes, uma piscina magnífica e vários espaços aconchegantes, porque o cara, afinal, também é arquiteto.

O programa da manhã era esse: adocicar a vida com a comida de um chef poderoso, craque pâtisserie, cujo nome não tive o cuidado de anotar. Ele arrebentou. Além da gallete de rois ele nos brindou com um festival de potinhos sensacionais e belos.

Aliás, como dizia Vinícius: as muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental.

O chef é especialista em chocolates, e fez umas cinco ou seis versões de bombons fabulosos.

Esse trio de pralinés era algo sublime: um de castanha de caju, um de chocolate e outro mais classicão, de chocolate.

Um close no doce de leite com café e chocolate, composição perfeita, com um crocante adorável por cima, uma cremosidade bárbara.

E essa tortinha de morango, que só de olhar me faz salivar lembrando da suculência da fruta, a textura sedosa do creme.

Para quem abusasse dos comes e bebes, havia uma ambulância sempre a acompanhar o grupo. Não há notícias de alguém que tenha precisado, não se sabe como.

Lembrei até daquele forrozinho das antigas: “Meu amor tem cheiro da flor do alecrim…”

Depois, tomamos uma atitude providencial: degustamos azeites na Zuccardi, o que, como se sabe, forra o estômago, permitindo abusos etílico-gastronômicos.

Vimos como é feito o óleo de olivas, tipo extra-virgem, extraído a frio. Adorei o aroma desta fábrica.

E havia muitas caixas cheias de azeitonas, uma beleza.

Degustar, às 11h, um azeite não-filtrado produzido naquela mesma manhã foi um momento sublime: como é bom azeite fresco, picante e persistente, momento histórico para mim.

O almoço, como manda a regra das boas maneiras, começou com espumante (champenoise, por favor).

E novamente apreciamos o azeite Novello, só não era o feito no mesmo dia (aliás, a Zuccardi tem um programa, gravado no rótulo, chamado “Veni a cosechar”, no qual recebe turistas para participarem da colheita das azeitonas, vendo todo o processo de produção até o óleo estar pronto – como muito se faz com o vinho.

O primeiro prato era a carne de vizcacha em dois tipos de preparo: um consome e uma espécie de bruschetta, com a carne deste roedor em vinagrete de figos, já ia me esquecendo de dizer, uma espécie de coelho, primo próximo do peruano cuy, por sua vez um porquinho-da-índia andino. A carne é saborosa, e lembra mesmo coelho, tanto que o chef usou as castanhas portuguesas no tempero (lapin au marron, sabe como é, clássicos não falham).

Em seguida, linguado servido com molho delicioso. Mas a grande bossa da receita foi o talharim de alho poro, que estava afogado no caldo, lâminas deste vegetal levemente cozidas, algo simples, surpreendente e delicioso.

Fechamos com um cordeiro servido com endívia recheada com pêra, marmelada de abóbora e uns pequenos cogumelos, feliz combinação.

Fechamos, uma ova, porque havia a sobremesa, uma composição com pérolas de tapioca, sorbet de menta e limão (pura refrescância) tortinha de chocolate e até uma cereja molecular.

Sobre as nossas cabeças, no almoço, uvas que pendiam do parreiral.

Olha que bonito.

De noite, jantar na Bodega Trapiche, muito linda (para quem, com o eu, começou a gostar de vinho, como se pode ler aqui, bebendo Trapiche Malbec, um momento emocionante, sem dúvida).

O jantar foi impecável sob todos os aspectos. A cozinha dos irmão Nicola e Alberto Carro, gêmeos com restaurantes em Miami e Nova York, é italiana clássica, à prova de erros.
Primeiro, berinjela com mussarela de búfala, um molho de tomate impecável e manjericão.

Depois, um risoto de vieiras com aspargos, que estava muito passado, mas até gostoso (fazer risoto para 200 pessoas penso que seja algo impossível.

O prato principal era um filé ao Barolo com polenta, muito bem executado pela dupla.

Foi quando um pessoal se levantou das mesas e começou a cantar, …

… cantar,…

E cantar… a beleza de ser um eterno aprendiz… 
Foram canções folclóricas de Mendoza, e um clássico do cancioneiro italiano, como homenagem aos chefs e à família Trapiche. E para todos nós. Um brinde. Parecia ópera. Foi lindo, foi erudito.

Foi realmente uma beleza. Teve gente na mesa que chorou. Eu quase. Me arrepiei, marejei os olhos… E pouco depois, fechei-os. Porque hoje o despertar era às 7h para viajarmos até a Catena Zapata. Mucho gusto.

Mas, antes de mais nada, comi a melhor pannacotta de toda a minha vida.

O primeiro dia
O terceiro dia

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3 Respostas to “Park Hyatt Masters of Food and Wine, em Mendoza: o segundo dia”

  1. Crib Tanaka Says:

    que vontade de viajar pra lá!

  2. Park Hyatt Masters of Food and Wine, em Mendoza: o terceiro dia « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] de Janeiro a Dezembro Por Bruno Agostini « Park Hyatt Masters of Food and Wine, em Mendoza: o segundo dia A chegada na Provence […]

  3. Park Hyatt Masters of Food and Wine, em Mendoza: o primeiro dia « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] bonito, gostoso e posicionado estrategicamente para um almoço antes de descer para o Rio Park Hyatt Masters of Food and Wine, em Mendoza: o segundo dia […]

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