Park Hyatt Masters of Food and Wine, em Mendoza: o terceiro dia

Primeiro, um café reforçado, para aguentar o dia longo. A tortilla estava ótima.

 

O terceiro dia começou com uma visita à vinícola Catena Zapata. Bem, nem é necessário dizer que tudo o que começa com Catena Zapata é bom. O panorama é fantástico, de cara para os Andes e suas neves eternas. Uma beleza.

 

A bodega lembra uma pirâmide maia. Eu achei do tamanho e forma do pavilhão mexicano de Epcot Center, ms com recheio muito mais saboroso.

 Nas entranhas da linda bodega visitamos a perfumada sala de barricas, e tivemos uma prova incrível dentro da cave que abriga a coleção da casa, com o enólogo. Apreciamos ali o Catena Zapata 2007, um vinhaço que ganhou 98 pontos do Robert Parker.

Subimos até o mirante que tem essa vista aí. Com a taça do Catena Zapata nas mãos.

 

Subvertendo a lógica natural, terminei o passeio com os brancos.

Depois fomos almoçar na Rutini, um dos melhores momentos da viagem por duas razões. A primeira a brincadeira que aconteceu antes da refeição, uma gincana com os participantes divididos em quatro grupos, tendo que advinhar três tipos de uvas recém-colhidas, o suco em fermentação de três vinhos e, por fim, três vinhos retirados das barricas. É preciso dizer que o time brasileiro ganhou, jogando na casa dos argentinos. Eu, que não tive participação na nossa vitória, errando as minhas sugestões, brinquei que isso era uma prévia da Copa América, que será disputada lá este ano. O almoço aconteceu em lugar raro, no alto do galpão com os imensos tanques de fermentação. Demais isso.

A segunda e principal razão foi a comida em si. O chef brasileiro Rodrigo Oliveira, e não há nenhum patriotismo nissi, prepareu a melhor refeição do festival. Foi demais. E os vinhos estavam adequados e à altura. Esse aí em cima foi o primeiro prato: cubos de tapioca e queijo de coalho com molho de manga e pimenta. S-E-N-S-AC-I-O-N-A-L. Dá vontade de ficar jogando esses dadinhos a vida toda. Cadê o tabuleiro de War, ou, como diriam os argentinos, TEG, ou seja, Tática Y Estrategia de Guerra (no mapa hermano, a título de curiosidade, a Argentina é maior que o Brasil…rsrsrsrsrsrs Ah, esses argentinos e a sua mania de grandeza. Adoro)? Cadê?

Depois vieram mais dadinhos, dessa vez eram de peixe amazônico com feijão-manteiga, paçoca de torresmo e “castanhas do Brasil”, desconfio que de caju e do Pará. E sempre um coentrinho pra temperar.

A galinha d’Angola, ou gallina de Gunea, para os “castellanos”, estava simplesmente sublime, e a foto não deixa dúvida a respeito disso. Interresante é que os acompanhamentos eram “maíz de Xerém y legumbres”. Legumes sei que são legumes, assim, genericamente (no caso, tomatinho cereja, cenoura…), mas milho de Xerém será que é lá do sítio do Zeca Pagodinho?

Mas aí chegou a carne de sol, e imagino que a foto já fale por si. Mas quero acrescentar que foi a melhor da minha vida, e percebi os argentinos intrigados com o resultado final, sabor e suculência, tostadinhos de grelha, sal na medida, uma verdadeira loucura que me levou a questionar: mas porque que razão serviram tão pouco¿¿¿ Até agora sinto o seu sabor, e acredito que esta sensação vai durar para sempre. Ainda bem.

A sobremesa, criação do chef Osvaldo Gross, do argentino IAG, até tinha potencial (torta de chocolate afogado em vinho Rutini Dulce Encabezado Malbe com creme de pistache, damascos confitados e sirop de cacau epicé. Mas a esta altura, e depois de tantos pratos e vinhos, a torta estava grande demais, pesada demais. Só dei uma garfada.

Havia participantes e jornalistas de todo o mundo: Brasil, EUA, Inglaterra, Chile, Japão… Mas a única bandeira que vi quando saí da Rutini foi a do Brasil, ao lado da Argentina (em janeiro, quando estive no Chile, em todas as bodegas eles hasteavam uma bandeira do Brasil, mas era sempre do mesmo tamanho do país anfritrião. Ah, esses argentinos com mania de gtrandeza… Adoro).

O jantar, preparado pelo chef Martin Molteni, do restaurante argentino Pura Tierra, também foi muito bom. Tinha um pessoal assando umas carnes, preparando o prato principal. Que perfume delicioso de carne e fumaça. Mas isso foi depois. Primeiro teve pacu assado em forno de barro com limão em conserva sobre “chupe” de batatas montadas em mussarela e babatas andinas douradas. Legal.

Depois, vibrei com as mollejas glaceadas com melado de cana, cogumelos desidratados, funcho em calda de limão e batata confit. Amo molleja!!!

O prato principal era a tal carne que aromatizava a bodega no início do programa. Uma “bondiola”, ou seja, uma espécie de lombinho de porco, com mel de especiarias “ruta del norte” com tomates, bulbos de cebolinha branca e pimentões assados.
A sobremesa, não fotografada, também estava muito boa: cone de chocolate recheado de crème brûlée com mousse de caramelo e biscoito de avelãs.

E a noite se encerrou com um show de tango.

Muito bom, por sinal.

 Quero dizer, a noite, e o festival, se encerraram para mim. Porque chegando ao hotel ainda rolou um festão que foi até umas 4 da madrugada, segundo minhas fontes. E ontem, domingo, no último dia do evento, ainda haveria um almoço na Cheval des Andes, com direito a partida de pólo.
Mas eu tive que abdicar desse fechamento de ouro, e fui dormir cedo logo depois do jantar, para pegar um voo de manhã para Santiago, onde fiz conexão para o Rio. Por motivo nobre. Já desfiz as malas da Argentina. E logo começo a fazer outra: desta vez para uma temporada de oito dias na França, com prioridade na Provence, uns dias no Vale do Loire e uma passadinha por Paris.

O primeiro dia
O segundo dia

E vamos lá.

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2 Respostas to “Park Hyatt Masters of Food and Wine, em Mendoza: o terceiro dia”

  1. Park Hyatt Masters of Food and Wine, em Mendoza: o segundo dia « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Bruno Agostini « Park Hyatt Masters of Food and Wine, em Mendoza: o primeiro dia Park Hyatt Masters of Food and Wine, em Mendoza: o terceiro dia […]

  2. Vanessa Diego Says:

    Bruno,

    Qualquer mortal pode participar deste evento?

    Obrigada

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