O último rango em Paris

 

O último dia da viagem, para mim, é sempre importante. São muitas as razões. A principal delas é que, por melhor que tenha sido a jornada, estou sempre transbordando de alegria por voltar para casa. Adoro o regresso, prefiro mil vezes a volta do que a partida, e já escrevi sobre isso aqui. Mas, além disso, busco sempre me dar alguns luxos no último dia, como um grande jantar, ou, então, uma noite num hotel superior. Dessa vez eu nem busquei nada: reservaram para mim uma senhora suíte no Le Bristol. Gosto é de dormir bem, e cedo, para estar descansado para encarar um voo, que é sempre chato, a não ser que a gente esteja na executiva, ou na primeira classe, aí é até tolerável, e certamente esses é um investimento que vale a pena aos que podem pagar, o que não é o meu caso.

Hoje acordei às 5h30 para pegar meu voo às 10h30 no Charles de Gaulle. Dormi feito um anjo. Também, pudera: tive uma noite de gala, numa das suítes do Le Bristol, que é quase do tamanho do meu apartamento, imenso, com sala,…

… quarto com poltrona e cama imensa, e um banheiro daqueles de filme. Estou pronto, poderia voar até o Japão descansado assim.

Tudo conspirou para um fim de viagem perfeito.

O dia rendeu bastante. Andei, fotografei, comi e conversei muito. Boas histórias, ótimas descobertas, fotos bonitas. Fico feliz quando o trabalho corre bem. O almoço no restaurante Hotel Du Nord, bistrozinho simpático, com paredes de azulejos, chão quadriculado e comida boa e barata, foi ótimo.

Voltei para o hotel exausto, e vi que não pude confirmar o meu jantar no Ducasse. Em compensação, aqui no Le Bristol estava acontecendo uma degustação de vinhos de Bordeaux.

Entre outros belos rótulos, provei esse aí, nada mais nada menos que um Chateau Tour Du Pas St-Georges 1982, um espetáculo. Estava sublime, evoluído, macio e complexo –  e foi, disparado, o melhor vinho dessa curta viagem. Uma jóia.

Sente só a cor.

Depois, jantei no Restaurant 114 Faubourg (levando comigo o Chateau Tour Du Pas St-Georges 1982). Também foi a melhor refeição da viagem, isso se considerarmos apenas a comida, porque o encontro com a Cris Beltrão, na noite anterior, quando abrimos muitas garrafas, e pedimos muitos acepipes no bar Glou, uma ótima dica, foi sem dúvida o momento mais divertido de todos, afinal, não há boa comida que supere a companhia de um bom amigo – e ainda encerramos a noite com um bom Bordeaux em outro bar das redondezas, cujo nome não me lembro, e isso não tem nenhuma importância.

Mas, voltando a ontem, o jantar foi divino. Tudo começou com um ovo recheado de carne de siri, e uns temperos que não identifiquei, mas que formaram um delicioso conjunto de sabores.

Ele abriu o caminho para um extraordinário atum levemente selado, temperado com uma pastinha de gengibre, e umas sementinhas crocantes de gergelim, com vistosa saladinha ao lado.

Delirei, até porque, a sommelier conseguiu melhor o   que já era ótimo, ao servir um Bordeaux branco e um rosé de responsa, escolhas acertadas para valorizar o prato.

Depois, uma carne de porco de preparo exemplar, com a carne entremeada à gordura, um arraso, na companhia de uma rara sobrassada, além de uma tortinha de legumes bonita. Fiquei sem palavras,…

…até porque, me dediquei também a apreciar os vinhos, dois Bordeaux bem escolhidos, muito bons.

Para encerrar, um mil folhas de tirar o chapéu, de caramelo com baulhilha, massa ultracrocante, seguido por um macaron de pistache que, meu Deus do céu, não fica nada a dever ao Pierre Hermé – tinha ainda uma balinha de caramelo com maracujá que vou te contar um negócio.

Pulei o café, queria dormir cedo, e antes da meia-noite estava fazendo isso, me sentindo um anjo deitado nas nuvens, no caso, o edredon macio, felpudo.

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5 Respostas to “O último rango em Paris”

  1. Fabio B Says:

    Bruno, as fotos estão deliciosas, incríveis…
    Ah se todos ultimos rangos fossem assim…
    Abc
    F

  2. marina couto Says:

    nossa, babei.. 🙂

  3. Cris Beltrão Says:

    Brunô, amigos sem dúvida são o melhor tempero pra qualquer refeição. Já que a gula também é sua bússola, este encontro será só o primeiro de vários. beijos já saudosos. Cris. A propósito, foi TUDO o título do post!

  4. Cris Beltrão Says:

    já!!!!!!! voltei agora. E já com sede.

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