Filé de Ouro, um senhor bife

O filé mignon à Oswaldo Aranha: carne perfeita

Há restaurantes que a gente adora, mas ficamos tempos sem visitar, mesmo que eles estejam sempre ao nosso alcance. Isso se passou entre mim e o restaurante Filé de Ouro. Tinha almoçado lá pela última vez há uns cinco anos, talvez até seis. Sei que foi pouco depois da reforma que, de fato, melhorou o lugar. Mas arrancou-lhe certo charme. Depois da ampliação reunida com a mudança no visual, aquela havia sido a minha única visita a este mitológico restaurante do Jardim Botânico, célebre por muitas razões. Em primeiro lugar, historicamente sempre recebeu gente da TV Globo, perto dali: havia apresentadores de TV, atores etc. Mas com o Projac a frequência de celebridades caiu bastante, mas sempre há rostos conhecidos lá. Também são famosas as filas na porta nos fins de semana. A razão disso tudo é o terceiro motivo dessa fama toda: o tal do filé que batiza a casa.
Há muitos argumentos para se visitar um restaurante, mas a boa comida é sempre o principal e melhor delas. O bife de mignon do Filé de Ouro é exatamente isso, uma desculpa irresistível para se entregar aos prazeres da carne. Estive lá por esses dias, e comi um Oswaldo Aranha que no conjunto até apresentava falhas, mas tinha um naco perfeito do corte que não faz muito tempo era o mais nobre de todos, mas com a chegada de picanhas untuosas, de boas costeletas de cordeiro, de prime ribs suculentas e outras preciosidades carnívoras, o bom filé mignon ficou meio apagado. Eu mesmo ando preferindo quase sem concessões as delícias acima mencionadas.
Isso porque fazia tempo que não visitava o Filé de Ouro, que tem esse nome antiquado, e por isso incrível, e também serve a carne que lhe dá o nome de maneira exemplar. Em primeiro lugar há de se considerar que se trata de uma carne magra, que é macia por natureza, mas muitas vezes se torna fibrosa por manuseio inadequado (e isso inclui cuidado na armazenagem e no corte, busca de fornecimento confiável e regular e, por fim, preparo correto). Impressionante é que a carne chega com maciez e suculência digna de partes mais adiposas do boi. Há uma pincelada de gordura, defumada pelo fogo intenso, que vem um bocado da carne, um bocadinho só, e mais um pouquinho, pitadinha só, de algum tipo leve de óleo. Claro qure pedi o ponto do chef, mas salientando como sempre o meu gosto pela carne rosada e sangrando. Recebi uma tira retangular com as pontas arredondadas pelas formas naturais da carne. Era alto, algo como pouco mais de dois dedos, com uma casquinha daquelas bem seladas, até com pontos carbonizados, que compõe o leque de sabores ideal de uma boa carne. Só de olhar deu para ver que estava muito bom. Mas estava excelente. O bife estava fofo, fofo. Acho que não conseguria cortar o filé na colher, como gostam de se vanglorirar certos restaurantes argentinos, muito bons por sinal. Nem queria. Foi um prazer imenso ir fatiando a carne, em pedaços finos, mas que traziam um naco completo da iguaria: tinha a camada exterior, queimadinha, que em seguida era substituída por uma carne pálida, sem cor, que logo dá lugar à porção rosada, que tem tens mais claros nas pontas, com miolo cru. Achei perfeito. Porque além do ponto exato de cozimento, do corte preciso, havia o tempero coerente, com pouco sal, valorizando o sabor, a suculência e a boa origem da carne.
Mas, tudo bem, nem tudo são flores. Quis trocar arroz por farofa num prato, e não pude. Escolhi o filé mignon à Oswaldo Aranha, que veio com as fritas à portuguesa, que já comi melhores, a farofa de ovos, boa mas sem brilho, o feijão insosso, sem cremosidade alguma, seco, e o tal arroz, que nem toquei, como de hábito. O alho torrado que vinha por cima estava no ponto ideal, bem tostadinha, mas sem ainda queimar a ponto de se tornar amargo. Nem liguei para a qualidade, no máximo média, dos acompanhamentos. O filé realmente me bastou. Preciso voltar, para ver se estou exagerando, e o que recebi foi uma sorte, ou se, de fato, como eu acredito, o Filé de Ouro tem um bife realmente precioso como metal nobre.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

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2 Respostas to “Filé de Ouro, um senhor bife”

  1. Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Filé de Ouro […]

  2. Manoela Penna Says:

    Reparou que todos os garçons têm que usar uma estrelinha do Botafogo no crachá? Ordens do patrão. Hahaha
    No mais, concordo com vc – carne como poucos fazem. Beijos

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