Archive for maio \31\UTC 2011

Agora é a vez do blog pedir dicas: quem conhece um lugar delicioso, pouco conhecido e pitoresco no estado do Rio de Janeiro?

31/05/2011

Na semana passada, via Facebook, recebi a dica de alguns amigos: “vc já foi no berbigão e seu antônio em niterói? acho que vc ia se amarrar!!”

Em seguida, outros amigos foram confirmando a tese de que esse bar é sensacional.

Conversando com outras pessoas, também ganhei mais impressões positivas sobre este lugar. E fiquei pensando em como ainda faltam endereços deliciosos que ainda não conhecemos, e sequer ouvimos falar.

Então, vou aproveitar e mudar de posição.

Agora para vou pedir dicas a vocês.

– Você conhece um lugarzinho assim, delicioso, pouco conhecido e pitoresco?

Vale em todo o Rio de Janeiro, e até nas cidade mais próximas (por exemplo, o boteco do torresmo, em Juiz de Fora, estaria valendo, assim como o Picimbar, em Picinguaba, localidade de Ubatuba).

É isso. Desde já, obrigado pela ajuda.

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Fotoblog: tudo azul no Jardim Botânico com o novo e incrível menu de Roberta Sudbrack

27/05/2011
 
“Tudo azul, não há mais embaraço entre nós”
 
Um dos melhores discos da música brasileira na minha modeta opinião se chama “Tudo Azul”, um encontro divino entre a Velha Guarda da Portela e Marisa Monte – e tem uma faixa com o nome do CD, que começa com a frase acima.
Gosto do azul, minha cor preferida. Por essas e outras razões, decidi manter a cor e a luz original das fotos do cardápio, azuladas pela iluminação que deu o clima da noite memorável da última segunda-feira (para ler a descrição dos pratos, clique aqui). A comida da chef é tão natural, a luz azul estava não bonita, que não quis nem clarear, muito menos mexer na cor. Só reduzi o tamanho.
 
Agora, pagando a promessa que fiz no post, e atendendo a alguns pedidos, publico as fotos todas do lançamento de mais uma coleção de Roberta Sudbrack, destaque de hoje no Rio, numa reportagem da Luciana Fróes, que coloca a chef em seu devido lugares, entre os grandes nomes da gastronomia, não no Rio ou no BRasil, mas no mundo. Sudbrack tem relevência mundial, e seus pratos estão na vanguarda da culinária ataul: são simples, valorizando o sabor de cada ingrediente, mas tratados com técnica e precisão. Há, sim, muita criatividade, mas também imenso respeito às tradições e aos próprios ingredientes.
 
 
 
Uma turma muito boa compareceu: além de jornalistas como Luciana Fróes, Fernanda Thedim e Robert Halfoun, spo fera, também estiveram por lá Moacyr Luz, Leo Jaime, Fernanda Abreu e Paula Toller, reforçando o caráter musical da noite de gala.
 
A visão da minha mesa. Tudo azul, e laranja.
 
 
 
 O primeiro ato, a “batata doce”.
 
 
Depois, manga, bottarga e tomilho.
 
 
A etapa seguinte foi o caldinho de clementina, um tipo de tangerina, com cogumelos e parmigiano.
 
 
Essa belezura de prato foi sucedido pela bendita comunhão entre atum, barba de milho e brotos. Brilhante.
 
 
Não menos incrível estava o prato que trazia pele de milho, foie gras e semente de figo.
 
 
 
 
 
 
Prendi a repisração ao receber a combinação de galinha caipira, batata, bottarga e raízes. O caldo, aromático e saboroso, foi derramado à mesa. Essa era a “galinha caipira”.
 
 
Depois, o tal peixe vegetal que tanto, mas tanto, me encantou: preciso repetir isso.
 
 
Então, me levantei para dar uma voltinha pelo salão, que estava verdadeiramente lindo.
 
 
Adoro estar nesse salão, amo essa cozinha…
 
 
… que tem até poesia na porta: “Passagem das horas”, de Álvaro de Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa (para ler o poema inteiro, que é grande, basta clicar aqui).
 
 
Foi quando veio o meu preferido, o robalo com milho doce e canjica. Obra de arte comestível.
 
Quando chegou o prato chamado de costela, milho, banana vi que estávamos perto do fim.
 
 
A primeira sobremesa foi uma composição harmônica de chocolate, farinha de mandioca e cacau…
 
 
… seguida pela cereja, pele de leite, tomilho.
 
 
Para encerrar, broinhas de milho recheadas com doce de leite.
 
 
 
 Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.
 

Todas as histórias da África do Sul

26/05/2011

 

Uma zebra em Pilanesberg, uma dos safáris mais acessíveis da África do Sul, a pouco mais de duas horas de carro a partir de Johannesburgo

Hoje foi publicada no Boa Viagem a matéria sobre Johannesburgo e o safári em Pilanesberg. Essa foi uma das melhores viagens da minha vida, diferente de todas as outras. Amei.

Então, resolvi deixar aqui, além do link para a matéria, também para todos os posts, nos três blogs que atualizei durante a viagem.

Primeiro, os posts aqui no Rio de Janeiro a Dezembro:
O meu primeiro safári
As cervejas sul-africanas: não deixe de prová-las
O Rio de Janeiro e a Cidade do Cabo: (quase) nada a ver
Cape Malay, a cozinha típica da Cidade do Cabo
O kudu e outros sabores sul-africanos
A caminho da África do Sul: apesar de o almoço no Mocoté ter furado, o blog tá animadão

No Blog de Bordo:
A despedida (de gala) da África do Sul
Fotoblog em Pilanesberg: dois dias e três safáris em 20 imagens
Emperos Palace: miniatura de Las Vegas ao lado do aeroporto de Johannesburgo
África do Sul quer mais turistas brasileiros
Fotoblog: na Cidade do Cabo, um almoço da autêntica cozinha Cape Malay
Fire and Ice: um hotel moderno e malucão
Pedaladas por Soweto
A caminho da África do Sul

 Na Enoteca:
Nomes estranhos, vinhos e girafas
– Fotoblog: vinhos e vinhedos de um dia saboroso na Cidade do Cabo e arredores
Nebbiolo e outras castas começam a ser cultivadas na África do Sul
O Cape Tawny e outros belos vinhos sul-africanos servidos no avião
Antes da Pinotage, um Bordeaux

O outono no Rio de Janeiro: uma maravilha

25/05/2011

 

 

A Festa do Divino em Paraty: temos dias lindos entre maio e setembro

 

Não entendo, e de certo modo fico até indignado, quando chega a primavera e vemos reportagens louvando a chegada da estação das flores. Estação das flores? Onde, meu amigo? Aqui no Rio é que não é. A primavera é a estação das chuvas, das tardes abafadas, dos dias feios, com poucas exceções. Um horror, o pior período do ano.

Em espantosa oposição, ninguém saúda o início do outono, ou quase ninguém.

Estranho…

O fato é que o outono emendado com o inverno é o melhor período em todo o estado do Rio de Janeiro. Nas serras o tempo seco e frio é delicioso. Na região de Paraty e Ilha Grande, tão úmida e castigada pelas chuvas entre novembro e abril, tem dias limpos, tardes azuis, noites estreladas, temperatura perfeita, de maneira que é possível mergulhar no mar de dia, e acender uma lareira à noite. Uma maravilha. E ainda acontecem, em Paraty, as melhores festas do ano: a do Divino, a da Pinga e a Flip, entre outras não tão sensacionais assim como essas três. Em Búzios, tão cheia e quente no verão, é como voltar no tempo. A Búzios de hoje, caótico, só existe entre dezembro e o carnaval, e também nos feriados. Mesmo nas férias de julho, em menor escala, como em todos os outros períodos do ano (maio, junho e agosto são os mais perfeitos), Búzios se transforma, volta no tempo. Parece Búzios de uns 15 ou 20 anos atrás. Sempre tem gente, mas o lugar fica tranquilo, e uma manhã na Azeda nesta altura do ano, é algo majestoso. A água limpa e gelada faz um bem ao corpo difícil de explicar. E à alma, difícil de entender. Sei que é bom, melhor que uma massagem num spa, reconfortante. Mesmo em Ipanema, um banho de mar invernal é capaz de levantar defunto. Experimente.

Veja os dias lindos que estamos tendo. Foi numa tarde da temporada de outono-inverno que tirei a foto do Corcovado que ilustra o alto desse blog. Aluz é imbatível para as fotos.

O fator mesa também importa nessa temporada. Traçar caldinhos de feijão apimentados, fazer sopas em casa, ficar de moleza à frente da lareira, um fondue, uma taça de vinho tinto, uma cachacinha até, fica tudo mais gostoso. Até namorar é melhor. Uma rabada é prato que se coma o ano inteiro. Mas que faz muito mais sentido no inverno, isso faz. Assim como o cassoulet e a nossa feijoada, uma perna de cabrito assada, uma língua de boi ao Madeira, uma dobrada à moda do Porto, um ossobuco alla milanese, um leitãozinho assado. E até um bom churrasco, que pede um tinto encorpado, e nessa hora são ainda mais benditas as costelas.

Ah, e como é bom comer no frio.

O sal da terra: a nova coleção de Roberta Sudbrack

24/05/2011

 

O robalo com milho doce e canjica: o melhor da noite, espetáculo

Dessa vez a chef Roberta Sudbrack não elegeu apenas um ingrediente, como já havia feito anteriormente com a banana, o chuchu e o quiabo. Na coleção 2011 de seu restaurante no Jardim Botânico, o tema da vez é “Da Terra e do Mar”, embalado por Dorival Caymmi, Jorge Amado, e também Fernando Pessoa.

Ah, mas misturar terra e mar é algo comum em muitos lugares, veja o “surf and turf”, o porco à alentejana e a paella valenciana.

Ah, mas você não vai achar que a Sudbrack vai se postar diante do óbvio, não é mesmo?

Sendo assim, o novo cardápio apresentando ontem revelou muitas surpresas, embaladas por luzes azuis que remetiam ao fundo do mar e tirinhas de papel nas quais se lia a descrição de cada prato, lembrando uma fitinha do Senhor do Bonfim (e foi mal a economia nas fotos, não deu tempo de separar mais, amanhã, quem sabe, faço um post fotográfico, com cada etapa desse jantar divino).

Tem sal e doce, contrastes de texturas, semelhanças. Harmonia. É arte. Tem vegetal imitando bicho, e bicho se fazendo de líquido. Tem dissimulações. Para dar o clima, luzes azuis dominavam o ambiente. Pura delicadeza, frescor sem fim. E tudo começou ao som de um texto de Jorge Amado, lido por Fernanda Montenegro, evocando músias de Caymmi. É doce morrer no mar…

A começar… pelo começo. O primeiro prato era chamado de “batata doce”, com aspas mesmo, o que já revela uma pegadinha. Era um bolinho de batata comum, com casquinha lindamente crocante, temperada com o já famoso pó de banana e com um doce da mesma fruta, além de uns grãos de flor de sal, que estavam presentes em quase todos os pratos, equilibrando o seu conteúdo, e causando certa tensão, valorizando cada receita.

A etapa seguinte era de um a simplicidade franciscana, que me fez pensar: como nunca antes alguém pensou em combinar manga com bottarga? Era uma fina fatia de manga, daquelas bem doces e alaranjadas, com cor de gema de ovo caipira, servida com um pó de bottarga e umas folhinhas de tomilho, segundo informava a tal fitinha, que me fieram pensar se tratar de coentro, e talvez fosse mesmo, quem sabe as duas ervas juntas?

Não tenho a exata certeza da ordem, mas penso que o prato seguinte foi o chamado Clementina, cogumelos, parmigiano. Era uma composição simples. A tal clementina é uma espécie de tangerina, miudinha e muito doce. O suco dessa fruta vem no fundo do prato fundo, e sobre esse caldo ácido e doce, ralinho e claro, são depositadas lâminas de cogumelos e parmigiano ralado. Fora de série.

Em seguida, ou talvez logo antes, foi servido um dos meus pratos preferidos da noite animada, o Atum, barba de milho, brotos. Era um atum aparentemente marinado, cortado em finas fatias, servido com barba de milho. Barba de milho, meus amigos, é isso mesmo que vocês estão pensando, aqueles fiapos, geralmente escuros, que dão à espiga uma aparência meio “cantor de rock”, com uma cabeleira desgrenhada. Só que a Sudbrack descobriu um milho pequenino, que desenvolve um cabelo branquinho e saboroso. E foram esses pelos cereais que brilharam nesta receita, possivelmente uma novidade gastronômica universal: onde já se viu usar cabelo de milho na comida? Os fiapinhos têm um sabor suave e marcante, que lembra aquela parte mais branca do milho, a parte de cima da espiga, com uma textura adorável. E ainda é um ingrediente bonito, porque beleza é fundamental.

Depois, surgiu à mesa um prato classificado como Pele de milho, foie gras, semente de figo. A tal epiderme era uma espécie de nacho artesanal e leve, crocante, sobre o qual foram colocados pedaços esfarelados de um foie gras, acho que uma espécie de terrine do fígado gordo esfacelada. Não percebi as sementes de figo, mas penso que a Roberta deveria ensinar os mexicanos a fazer nacho.

Outra etapa que causou surpresa foi o Peixe vegetal, talo de taioba, cianfotta. Bem, cianfotta é uma espécie de sopa italiana de vegetais, encorpada. E a taioba, uma folha grande e vistosa, que também é boa para se comer. Tudo certo. Mas e peixe vegetal? Esse é uma folhinha, chamada “peixinho da horta”, que tem uma textura de camurça, ou algo de veludo, e empresta um sabor marinho, especialmente quando é submetida a altas teperaturas. Pois a chef empanou cada folha numa massa leve de tempurá, e fritou em óleo quente. O resultado parecia, em forma e conteúdo, uma sardinha, com o requinte de a suas fibras lembrarem as espinhas flexíveis e inofensivas do peixe. Foi uma experiência formidável, que reforçou a ideia de que podemos ser facilmente enganados, no bom sentido, por um bom chef. É como o carpaccio de melancia do Claude, os os escargots de coração de galinha do Celidônio e o próprio kani…

Pois foi quando, segundo crê a minha memória, surgiu o Robalo, milho doce, canjica, uma obra de arte, com uma fatia do peixe grelhada e, acho, assada rapidamente de maneira delicada, servida com uma canjiquinha de milho que causou comoção geral. Para mim, foi o melhor da noite, um dos pratos mais memoráveis desse 2011 que já quase chega à metade dos seus dias – período em que, posso dizer, comi muito bem, obrigado.

Depois tivemos, ainda, um prato definido como Galinha caipira, batata, bottarga, raízes. Fiquei procurando um franguinho, e nada. Foi só provar para perceber que a ave estava apenas e tão somente no caldo, adicionado já na mesa, que pefumava o prato, marcado por um delicado purê de batata ladeado por uns vegetais refogados (acho que refogados, mas não sei mesmo…). Acho que foi nesta altura que os garçons serviram uma broinha de milho de fazer chorar de tão boa. Depois do jantar teve até um repeteco do bolinho de milho adorável, perfumado.

Para encerrar o percurso salgado, costela, milho e banana, uma doidera, quase uma alucinação, que por pouco não foi eleita a melhor da noite para mim. Mas o robalo me parece imbatível, insuperável. Mas e que costela, meu amigo, que costela.

Fechamos com uma espécie de mousse de chocolate com farinha de mandioca (isso mesmo), seguida por… não me lembro bem. Acho que era uma compota de cereja com “pele” de leite e tomilho. Sei eu que, depois e antes do café, serviram uma outra broinha de milho, essa recheada de doce de leite, o que é praticamente uma covardia. Pedimos bis.

E eu fico com aquela certeza de que não só a chef Roberta Sudbrack está em sua melhor forma, como também a sua cozinha é um caldeirão de surpresas. E cada vez mais. Sudbrack não é melhor que outros chefs, necessariamente, é apenas diferente. Ele imprimi a sua digital em casa receita. Diferente, competente, ousada, mas ao mesmo tempo, simples, respeitadora das características dos ingredientes, uma alquimista.

O uso da barba de milho entrou para a história, pelo menos para a minha história. E cada refeição no RS é uma bênção. Obrigado São Benedito, e todos os padroeiros da cozinha. Obrigado meu Senhor do Bonfim, e obrigado Iemenjá, obrigado, Bahia, obrigado, o mar.

Obrigado.

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Samba de segunda: Para começar a semana com animação, um roteiro com algumas das melhores rodas de samba do Rio de Janeiro

19/05/2011

O clube do Andaraí recebe o Samba do Trabalhador, de Moacyr Luz, nas tardes de segunda-feira

No Rio de Janeiro a semana começa sempre ao som do samba. Segunda-feira é um dos dias mais animados da cidade para quem aprecia uma boa batucada. Para os mais animados dá para dançar do meio da tarde até a madrugada. São mais de dez sambas de qualidade acontecendo em vários bairros. Para começar tem o Samba do Trabalhador, capitaneado pelo bamba Moacyr Luz, no Clube Renascença, no Andaraí, festa com clima bem familiar que começa ali pelas 16h, esquenta mesmo por volta das 18h e segue firme até umas 21h.

No comecinho da noite quem quiser pode migrar para o Samba da Pedra do Sal, que acontece neste lugar, uma espécie de beco na Gamboa, onde teria nascido o mais brasileiro dos ritmos. É uma roda animada e divertida, com muitos jovens e gringos e o que é melhor: acontece na rua, e é de graça. O Samba da Pedra do Sal, que era informal, foi legalizado pela prefeitura, e agora tem hora marcada para acontecer: das 18h às 22h30.

Depois é só migrar para a na Lapa, bem perto dali, onde também tem agito. No Carioca da Gema, uma das casas mais tradicionais do bairro, o puxador de samba Richahs comanda a roda. E, desde de novembro do ano passado, sempre às segundas-feiras, rola o Botequim da Cidade do Samba, no complexo carnavalesco que abriga os barracões das escolas do Grupo Especial, na Zona Portuária. Do outro lado da cidade segunda também é dia de samba, quando o grupo Molejo se apresenta no Barril 800 da praia da Barra da Tijuca, num dos dias mais movimentados do bar.

SERVIÇO
– Barril 8000 (Av. Sernambetiba, 8000, tel. 21/2433-1730, www.barril8000.com.br)
– Carioca da Gema (Rua Mem de Sá, 79, Lapa, tel. 21/2221-0043, www.barcariocadagema.com.br)
– Cidade do Samba (Rua Rivadavia Correia, 60, Gamboa, tel. 21/2213-2503, http://cidadedosambarj.globo.com)
– Samba da Pedra do Sal (Rua Argemiro Bulcão, 38, Gamboa)
– Samba do Trabalhador (Clube Renascença, Rua Barão de São Francisco, 54, Andaraí, Tel. 21/9628-9329)

P.S. – Este texto foi escrito para a edição de março da revista de bordo da TAM.

Clipper: boteco do Leblon sem frescuras (nem paulistas)

17/05/2011

Em primeiro lugar, uma breve justificativa da longa ausência dos últimos dias. Mudei de casa, uma loucura, como todos sabem.
No fim de semana atribulado, tive tempo de passear pelo Leblon na tarde de domingo. Passei no Cliper para um chope. Bebi três, no balcão, batendo papo com os atendentes. E acabei levando para casa um vistoso joelho de porco defumado, cozido no meio de vários temperos (cebola e tomate principalmente). Foi um sucesso  no almoço atrasado de Dia das Mães, acompanhando um delicioso papardelle ao creme de leite com manteiga de trufas e grana padano, sucesso total na companhia do Barão de Nelas Alfroceiro, um belo tinto do Dão.

Que delícia esse tal de joelho, que só é servido nos fins de semana. Muito bom.

Adoro o Clipper, entre muitas razões porque é menos badalado do que outros bares e restaurantes tradicionais do Leblon, como o Jobi e o Bracarense. Em janeiro marquei um chope com amigos no Jobi. Quando cheguei, achei tudo muito estranho. Estava lotado, o que até é comum. O que n]ao era comum eram os trajes das pessoas: homens de sapato de couro, calça social e camisa de botão para dentro (tinhha até blazer) e mulheres de salto e vestido longo, totalmente incompatíveis com o lugar e a ocasião. Chegando mais perto a gente entendia: eram paulistas. O mesmo se passa no Bracarense: só da paulista.

Mas no Clipper, não: este é dos cariocas e, por isso, as pessoas vão de chinelo e bermuda, quando não se sunga ou biquíni, com areia no corpo, parada estratégica antes de voltar da praia para casa.

Já frequento o Clippe há muitos e muitos anos, mais de 15 com certeza. Os primeiros contatos não tinham motivação boemia oiu gastronômica: é lá que a torcida do Flamengo comemora os títulos (muitas vezes com doses inaceitáveis de violência). É também ali que a galera vai quando o Brasil ganha na Copa (já perdi as contas de quantas vezes fui lá comemorar as vitórias da Seleção, inclusive a conquista do Mundial de 2002).

Também há razões mais, digamos, intelectuais para se ir até lá: em frente funciona o Cinema Leblon, que nem é tão cabeça assim, mas vá lá. O Clipper é um lugar perfeito para um chope depois da sessão, debatendo o filme.

Mas, como bom boteco que se preze, não é a localização tampouco o público o que mias importa, e sim os comes e bebes. Os PFs dos dias de semana são muito bons e baratos. Também gosto dos bolinhos de bacalhau e do caldo de feijão. E tanto o pernil quanto a carne assada, suculentos pra caramba, e bem temperados, funcionam muito bem cortados em pedaços pequenos, como apertitivo, assim como em fatias, recheando redentores sanduíches.

O chope é bem tirado e sempre bastante gelado, como gosta o carioca, com dois ou três dedos de colarinho. O grande é servido nos copos longos, mais vistos contendo água e refrigerante, assim como no Bracarense. E o pequeno vem no clássico formato “garotinho”.

Resumindo:
– O Clipper é um boteco que é palco das comemorações da torcida do Flamengo
– O Clipper é frequentado por cariocas de chinelo, e não por paulistas mauriçolas
– O Clipper tem pratos baratos no almoço dos dias de semana
– O Clipper tem ótimos petiscos
– O Clipper serve um chope delicioso

O Clipper é demais.
Espera-se que continue assim.
Paulistas, contamos com a sua compreensão.
Grato.

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O meu primeiro safári: muito obrigado, e que venham outros

11/05/2011

 

O elefante avistado hoje pela manhã, na segunda das três baterias de safári que estão no meu programa, que termina amanhã

Quando eu era criança eu gostava de ver Johnny Quest e de ler Tintim. Também adorava os quadrinhos do Tio Patinhas, especialmente quando ele pegava o Pato Donald e seus sobrinhos e saía pelo mundo. Na infância, um dos meus filmes preferidos era Indiana Jones.

A razão é que sempre tive fascínio pelas viagens, pelas aventuras mundo afora. E, nesse âmbito, nenhum lugar me causava mais curiosidade do que a África. O Egito e as pirâmides, o universo dos safáris, a cultura tribal, os leões, elefantes e girafas.

De maneira que estar aqui fazendo um safári na África do Sul, mais que uma missão de trabalho, é a realização de um sonho de infância.

E, entre todas as boas coisas da vida, realizar um sonho de infância é uma das mais incríveis.

Obrigado, obrigado, obrigado.

Esse foi, espero eu, o primeiro de muitos safáris na África.
A minha estreia no mundo dos “games”, como também é chamada a atividade, foi deliciosa.

– Chamamos de game porque é um jogo. Você pode ver, ou não, os animais – explicou o meu ranger, do Ivory Tree Game Lodge, em Pilanesberg, a cerca de duas horas e meia de Johanesburgo.

Girafas, zebras, gnus, impalas e kudus aos montes. E também búfalos. Com direito a um fecho de ouro. Já era noite quando a estrada em que seguíamos foi bloqueada por uma procissão de elefantes, que era o bicho que eu mais queria ver – simpatizo muito com os paquidermes.

Eram uns dez, pelo menos. Foram atravessando a pista lentamente, como que se estivessem se exibindo para nós. Por fim, uma mamãe elefante, com seus dois filhotinhos. Ela parou bem no meio da estrada, atrás de nós, e deu de mamar para os pequenos. Foi realmente lindo. Depois ainda apareceram uns hipopótamos.

Hoje vimos até um preguiçoso leão, além de muitas aves, rinocerontes e a mesma coleção de animais de ontem, e também um grupo de avestruzes.

Depois do almoço tem mais uma rodada, a última. E dos camados big five, só falta vermos o leopardo.

Obrigado, obrigado, obrigado. Mais uma vez.

P.S. – Mais tarde eu vou publicar umas fotos lá no Blog de Bordo e coloco o link aqui. Pronto, está aqui o link para as fotos.

As cervejas sul-africanas: não deixe de prová-las

10/05/2011

 

A cerveja Black Label, apreciada no "Mandela's Family Restaurant", em Soweto

Os vinhos sul-africanos são realmente muito bons, melhores até do que eu poderia imaginar, e sobre eles eu escrevo lá na Enoteca. Isso não significa que a gente deva ignorar totalmente as cervejas produzidas no país, afinal, eles foram colônia inglesa. Além da marca italiana Peroni, com forte presença nos bares de lá, assim como a holandesa Amstel, ambas produzidas na África do Sul, há boas marcas locais, quase todas seguindo o estilo pilsen, como nós brasileiros gostamos. Também tem um rótulo da Namíbia, muito boa, achada facilmente nos bares e mercados.

O nosso guia explica como é feita a cerveja artesanal, numa das paradas do passeio de bicicleta por Soweto

Meu primeiro contato com uma cerveja fabricada na África do Sul foi bastante diferente, durante um passeio de bicicleta por Soweto, história que contei lá no Blog de Bordo. Uma das paradas do roteiro era numa área com tradição da produção de uma cerveja artesanal bastante diferente das que estamos habituados: era azeda, e não amarga, leve e com sabor fraco, e só de longe remetendo às cervejas que conhecemos. Foi uma bela experiência, mas não posso dizer que a cerveja era boa, mas também não era ruim. Diria que foram goles antropológicos.

O chope da Black Label, no aeroporto de Durban: esperando voo para Johanesburgo

Nesse mesmo passeio, paramos na frente da casa de Nelson Mandela, na mesma rua em que também viveu outro Nobel da Paz, o bispo Desmond Tutu. Aproveitei para matar a sede no “Mandela’s Family Restaurant”.  Ali, pedi uma indicação ao balconista, que me sugeriu a Black Label. Uma bela cerveja, bem próxima do estilo que nós, brasileiros, gostamos: leve e saborosa, refrescante. Curti. É boa tanto em forma de garrafinha long neck quanto de chope, este ainda melhor (e é ele que mata a minha sede aqui no aeroporto de Durban, enquanto aguardo voo para Johanesburgo, de onde sigo, amanhã, para um safári pela região Pilanesberg).

A cerveja Hansa, provada num pub de Durban: leve e saborosa

Nos demais dias fui provando outras marcas, como a Hansa, que também gostei bastante.

O Rio de Janeiro e a Cidade do Cabo: (quase) nada a ver

09/05/2011

O famoso shopping do Waterfront: um lugar bonito, mas muito menos que o Rio

Antes de visitar a Cidade do Cabo sempre li muito a respeito da comparação que fazem com o Rio de Janeiro.

Mas que bobagem. Cape Town também é linda, mas muito menos. A única coisa em comum, senão serem duas cidades litorâneas com montanhas, é um bondinho.

Desculpa aí, mas o Rio de Janeiro não tem nada a ver com a Cidade do Cabo. Nadinha.

Eu gostei demais da Cidade do Cabo. Fiz um voo de helicópeto lindo, mas que não se compara com o que podemos fazer no Rio (como já tratado neste post aqui).

A única vantagem da Cidade do Cabo com relação ao Rio é ter, bem perto da zona urbana, uma região vinícola com centenas delas.

Isso, e só.