O kudu e outros sabores sul-africanos

O kudu do restaurante Attic: saboroso, mas parece carne bovina

Um dos propósitos dessa viagem, para variar um pouco, é provar as especialidades locais.

Nesse sentido, o dia de ontem foi bastante proveitoso. Começamos fazendo um tour de bicicleta por Soweto (a rica experiência antropológica eu conto com mais detalhes lá no Blog de Bordo, d’O Globo). No passeio, paramos para beber uma típica cerveja local, produzida artesanalmente e consumida em grupo, com um passando a cumbuca para o outro. O sabor nem me chamou tanto a atenção, mas foi um momento fantástico interagir com aquelas pessoas. Foi a melhor parte do tour. Também provamos outra bebida típica, feita com milho e banana, não alcoólica, bem gostosa, que deve fazer sucesso com as crianças e, segundo eles, combate a ressaca.

No almoço provei o kudu, mamífero da família do veado, no restaurante Attic, muito bom, com bonita decoração e comida bem feita, alternando pratos clássicos com receitas levemente criativas. Depois de um agradável e aconchegante ravióli de camarão-tigre preto com molho branco, feito com espumante e manteiga, fui no tal kudu, servido com batatas dauphine, ervilhas e um molho de vinho tinto, além de um vegetal, tipo vagem francesa, mas com sabor mais forte e textura mais crocante. E a carne do kudu¿ Não é muito distante de uma carne bovina, mas um pouco mais dura, e com sabor parecido. Bom.

À noite jantamos no restaurante do hotel Saxon, o melhor da cidade, sensacional, com quartos imensos, um serviço impecável, suntuoso, mas sem deixar de ser muito chique. Depois de um adorável consomê de cogumelos, foi servido de entrada um carpaccio de springbok, outra mamífero da família do veado. Esse eu achei mais diferente e interessante: a carne era defumada, meia curada no sal, e a receita foi realmente feliz, combinando folhinhas de baby rúcula com nozes carameladas e um queijo fundido. Bom, muito bom.

Uma curiosidade: springbok é o nome pelo qual os torcedores sul-africanos chamam a sua seleção de rúgbi. Ou seja, está para eles como o canarinho para nós brasileiros.

 Depois tivemos, ainda, um delicioso, delicioso mesmo, creme de batatas com alho poro, seguido, no meu caso, por um cassoulet de peixe com ravióli de vieiras, que estava apenas bom (outros foram no cordeiro, que foi elogiado e, pela pinta, estava realmente muito bom). Fechamos com um bom suflê de café servido com sorvete de tiramisu.

Por fim, depois de perceber a minha curiosidade a respeito dos sabores típicos, o gerente do hotel, português, pediu para o garçom trazer para a mesa a carne seca típica do país. Ela veio em duas versões: uma lembrava presunto cru, com sabor intenso, cortada em lâminas finas de tamanho não uniforme, e também uma espécie de embutido, mas bem fininho e seco. Gostei, especialmente do “tipo presunto”. 

Adorei a comida no primeiro dia da viagem. Sem falar nos brancos, tintos e fortificados (tipo Porto) maravilhosos… Eles estão me fazendo cair de amores pelos vinhos sul-africanos.

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Uma resposta to “O kudu e outros sabores sul-africanos”

  1. Todas as histórias da África do Sul « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Janeiro e a Cidade do Cabo: (quase) nada a ver – Cape Malay, a cozinha típica da Cidade do Cabo – O kudu e outros sabores sul-africanos – A caminho da África do Sul: apesar de o almoço no Mocoté ter furado, o blog tá […]

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