Clipper: boteco do Leblon sem frescuras (nem paulistas)

Em primeiro lugar, uma breve justificativa da longa ausência dos últimos dias. Mudei de casa, uma loucura, como todos sabem.
No fim de semana atribulado, tive tempo de passear pelo Leblon na tarde de domingo. Passei no Cliper para um chope. Bebi três, no balcão, batendo papo com os atendentes. E acabei levando para casa um vistoso joelho de porco defumado, cozido no meio de vários temperos (cebola e tomate principalmente). Foi um sucesso  no almoço atrasado de Dia das Mães, acompanhando um delicioso papardelle ao creme de leite com manteiga de trufas e grana padano, sucesso total na companhia do Barão de Nelas Alfroceiro, um belo tinto do Dão.

Que delícia esse tal de joelho, que só é servido nos fins de semana. Muito bom.

Adoro o Clipper, entre muitas razões porque é menos badalado do que outros bares e restaurantes tradicionais do Leblon, como o Jobi e o Bracarense. Em janeiro marquei um chope com amigos no Jobi. Quando cheguei, achei tudo muito estranho. Estava lotado, o que até é comum. O que n]ao era comum eram os trajes das pessoas: homens de sapato de couro, calça social e camisa de botão para dentro (tinhha até blazer) e mulheres de salto e vestido longo, totalmente incompatíveis com o lugar e a ocasião. Chegando mais perto a gente entendia: eram paulistas. O mesmo se passa no Bracarense: só da paulista.

Mas no Clipper, não: este é dos cariocas e, por isso, as pessoas vão de chinelo e bermuda, quando não se sunga ou biquíni, com areia no corpo, parada estratégica antes de voltar da praia para casa.

Já frequento o Clippe há muitos e muitos anos, mais de 15 com certeza. Os primeiros contatos não tinham motivação boemia oiu gastronômica: é lá que a torcida do Flamengo comemora os títulos (muitas vezes com doses inaceitáveis de violência). É também ali que a galera vai quando o Brasil ganha na Copa (já perdi as contas de quantas vezes fui lá comemorar as vitórias da Seleção, inclusive a conquista do Mundial de 2002).

Também há razões mais, digamos, intelectuais para se ir até lá: em frente funciona o Cinema Leblon, que nem é tão cabeça assim, mas vá lá. O Clipper é um lugar perfeito para um chope depois da sessão, debatendo o filme.

Mas, como bom boteco que se preze, não é a localização tampouco o público o que mias importa, e sim os comes e bebes. Os PFs dos dias de semana são muito bons e baratos. Também gosto dos bolinhos de bacalhau e do caldo de feijão. E tanto o pernil quanto a carne assada, suculentos pra caramba, e bem temperados, funcionam muito bem cortados em pedaços pequenos, como apertitivo, assim como em fatias, recheando redentores sanduíches.

O chope é bem tirado e sempre bastante gelado, como gosta o carioca, com dois ou três dedos de colarinho. O grande é servido nos copos longos, mais vistos contendo água e refrigerante, assim como no Bracarense. E o pequeno vem no clássico formato “garotinho”.

Resumindo:
– O Clipper é um boteco que é palco das comemorações da torcida do Flamengo
– O Clipper é frequentado por cariocas de chinelo, e não por paulistas mauriçolas
– O Clipper tem pratos baratos no almoço dos dias de semana
– O Clipper tem ótimos petiscos
– O Clipper serve um chope delicioso

O Clipper é demais.
Espera-se que continue assim.
Paulistas, contamos com a sua compreensão.
Grato.

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12 Respostas to “Clipper: boteco do Leblon sem frescuras (nem paulistas)”

  1. Renan Oliveira Says:

    Concordo! Ou então pro Mc Donald’s.

    abs
    Renan

  2. Jorge Says:

    Prezado Bruno,
    Sou admirador do seu trabalho, inclusive aproveito muito as suas dicas de vinho.
    Não acredito que um cara viajado, que experimentou e celebrou tantas diversidades e aspectos diferentes dentro do mesmo país (vinhos de boerdeaux x vinhos do Rhone, temperos do norte x temperos do sul da Italia e por ai vai…) estimule essa bobagem de RJ x SP!
    Todos são bem vindos no RJ, onde quer que vão não é mesmo/
    Se assim não fosse, nós também não vamos deixar os gringos na copa do mundo tomarem chopp no Clipper e dizer ao mundo como é bom?

    • brunoagostini Says:

      Rapaz, que bobagem. Isso é só uma brincadeira, adoro São Paulo. Mas que graça teria a vida sem esses zoações? Adoro a diversidade. É claro que todos são bem vindos. O que não nos impede de dar uma provocadinha, né? Um abraço

  3. Majô Says:

    Bruno, concordo com tudo que vc disse, também adoro Sampa. O problema é que os Bares estão perdendo sua principal característica, despojamento e personalidade…Eu adorava voltar da praia e sentar na calçada do Clipper ou Bracarense, com sua carne seca desfiada, seus bolinhos de mandioca e o Chico correndo de um lado para o outro no balcão. Não é nostalgia, simplesmente uma saudade de um Rio de Janeiro mais descontraído e menos amedrontando pela violência e desmandos dos governantes. Apesar de tudo o Rio de Janeiro continua generoso, distribuído alegria… Grande abraço.

  4. Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Clipper […]

  5. Glória Maria | Advertising Network Says:

    […] Clipper: boteco do Leblon sem frescuras (nem paulistas) « Rio de … […]

  6. patrícia Says:

    Lindo, se não fossem os paulistas, provavelmente esse país já tinha parado.
    Desculpe-me, mas nós, paulistas é que comandamos o Brasil.
    Sem a gente, provavelmente o Brasil teria voltado a ser uma selva.
    Além do mais, no Rio de Janeiro há muitos engravatados que realmente trabalham e que vão a bares no final do expediente. Logo, os cariocas não ficam só na vadiagem como vc quis dar a entender. Carioca trabalha também. Talvez não tanto qto os paulistas, mas trabalham.
    Cuidado para não passar a imagem de que todos os cariocas são vadios, que passam o dia na praia, curtindo a vida, enquanto o resto do pais rala.
    Bejin
    Patrícia

  7. Simone Castelo Branco Says:

    Freqüento o Clipper a séculos! Do tempo em que a mesa era só mais um dos banquinhos de sentar, lembra? (mudou? Tem tempo que não vou lá!) Adoro!!! Bjks!

  8. Luís Says:

    Boa, cara. Gostei da dica, apesar de ser paulista. Nossa diversão é invader sua Praia. Te encontro lá. Abr. Luís

  9. Juliano Says:

    É ridículo generalizar igual você fez. Eu sou paulista, frequento o cliper, o braca, etc. e adoro andar de chinelo, bermuda, chinelo, etc. e conheço milhares de cariocas mauriçocas que adoram andar arrumados. Esse lance de ficar criando guerrinha entre paulistas e cariocas é uma das coisas mais ridículas que existe.

  10. Marta Bartira Meirelles Says:

    Tem uma PAULISTA CAIPIRA QUE AMA O CLIPPER E INDICA rsrs SAUDADES!!!

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