O segundo dia no Ponta dos Ganchos: parecido, e diferente do primeiro

Com todo aquele frio de dez graus, com toda aquela chuva, o único remédio para o fim da manhã e o começo da tarde de sábado era me recolher aos meus aposentos para relaxar. Sauna e hidromassagem com muita espuma, hidromassagem e sauna com muita essência de eucalipto.

Piscina aquecida panorâmica para dar uma refrescada.

Televisão.

Sauna. E fiquei nesse motocontínuo por umas duas horas.

Claro que abriu o apetite. E descemos ao restaurante. Lá, uma senhorinha mostrava a técnica de um bordado que é tradição local, herença dos açorianos que colonizaram Santa Catarina.

Estea era a minha visão no almoço até a chegada do Josimar Melo…

… com quem dividi antes do almoço uma pinga da região, feita a partir do melaço, como o rum.

Nem de dia o frio dava trégua. Ainda bem mesmo no almoço a lareira dava uma esquentadinha no salão.

Primeiro, a boa cestinha de pães.


Depois, uma duplinha de ostras ao vinagrete, pescada do cardápio de petiscos da praia.

Com espumante, é claro. Não, não era champanhe, mas o agradável Chandon Brut, lá de Garibaldi.

Saladinha com folhas, tomate e palmito, para começar levemente a refeição.


Em seguida, arroz de siri, além de…


..  polvo e camarões grelhados com legumes, acompanhado de um molhinho de alho bem legal.

Encerrei com telhas de chocolate com mousse de maracujá.


Uma soneca e uma sauna depois… Subi para o bar, onde acontecia uma degustação dos vinhos que acompanhariam o jantar. Coisa fina, muito boa.
Primeiro, champanhe Pol Roger, que nunca é demais.


Depois, um branco de responsa, o  Muscadet de Sévre et Maine Sur Lie Royal Oyster 2006, seco e mineral, seguido pelo…


… ótimo Fixin Domaine Pierre Gelin 2006, fresco e aromas de frutas negras e especiarias. Fixin é uma denominação da Borgonha, vizinha a Gevrey-Chambertin, que tem ótimos vinhos, a preços mais razoáveis que a média da região.


Para encerrar, um Tokaji de colheita tardia, mais leve e menos doce que os Aszú, rico e aromático, com aromas de mel a abacaxi maduro. Bons vinhos, que me pareceram adequados ao menu delicado da chef Paola Carosella.


De lá, descemos uma vez mais para o restaurante, para mais uma refeição memorável sob o comando da chef argentina do restaurante paulistano Arturito. Primeiro, lâminas de peito de pato curado, quase um presunto de Parma, servido sobre um brioche, com brotinhos. Par perfeito para o Pol Roger.

Depois, mexilhões à provençal absolutamente perfeitos. Ainda mais com um bom Muscadet.

O ato final entre os pratos salgados foi uma massinha caseira com coelho assado lentamente, desfiado, com pinoles tostadinhos. A foto está ruim, mas a comida estava sublime, ainda mais com o Fixin.

A sobremesa eu classificaria com uma obra de arte: confit de pêras, queijo manchego espanhol, crocante de amêndoas e alecrim, saba com trufas brancas… Um espetáculo de sabor, hamonia e texturas. Pobre fotógrafo, incapaz de retratar a grande desse momento memorável.
Encerramos com portos e charutos na varanda.

Na manhã seguinte, quando já salivava para repetir as gostosuras do café da manhã do dia anterior, vi que teria um novo menu para começar o dia: suco de manga com linhaça e água de coco, iogurte com papaia, granola e quinua e gomos de laranja com coco ralado. Variar é muito bom, mas ao menos o ótimo shot de couve, maçã e gengibre estava lá novamente. E eu, que sempre gostei de xote, fiquei a cantar:
“Cendo um cigarro de vez em quando,
Pra esquecer de pra alembrar,
Que só me falta uma bonita morena,
Pra mais nada me faltar,
Que só me falta uma bonita morena,
Pra mais nada me faltar….”

No caminho para o café, rejeitei o convite para a trilha: chovia e fazia frio. Não, obrigado.

Assim, o domingo começou cedinho, às 9h30, ao sabor de…

… sanduíchinhos de ervas e cenoura, presunto cru e até croque monsieur.

Eis que chega o café. 🙂

Depois, uma repetição da infalível fórmula ovos & ovas, dessa vez em forma de ovo molo com caviar. E, importantíssimo, uma bela torradinha. Ai ai ai.

Para terminar, tapioca com canela e doce de leite. Precisa explicação?

Voltei para o quarto. Acabou a preguiça. Dia de voltar para casa. Muito trabalho. Um cafezinho para dar um gás. A Sauna saideira. Mais um mergulhinho na piscina, mais uma sessão de hidro. A despedida.

O primeiro dia.

5 Respostas to “O segundo dia no Ponta dos Ganchos: parecido, e diferente do primeiro”

  1. Fotoblog: 24 horas deliciosas no hotel Ponta dos Ganchos em 31 imagens « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Por Bruno Agostini « Nascido em primeiro de julho: uma década de jornalismo O segundo dia no Ponto dos Ganchos: parecido, e diferente do primeiro […]

  2. Ana Flávia Dodl Says:

    Bruno, estou lendo um livro sobre a história estética da cozinha e lembrei de vc. Acho q vai gostar! “A mesa posta”, de Gualtiero Marchesi e Luca Vercelloni. Um beijo, Ana Flávia Dodl

  3. Juliana A Says:

    Café assinado é um luxo

  4. Alexia Says:

    Conheça melhor o Rio de Janeiro e descbra dicas de Hotéis, passagens aéreas, os principais pontos turísticos e como aproveitar o melhor da cidade maravilhosa, no reveillon, no carnaval, no verão ou no inverno.
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  5. iara Says:

    fantastico, penso que o senhor é um dos melhores giornalista do brasil em termos di gastronomia, eu nao moro no brasil,e sao 10 annos que nao vou no brasil, e voltarei esse anno em dezembro,para um evento culinario,e fiquei muito feliz em ler os articolos que o senhor escreveu,complemente,eu tambem sou uma chefe e trabalho em um bom restaurante em italia ,bravissimo,bravissimo,bravissimo.

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