Um dossiê amoroso sobre a rabada no Rio de Janeiro

A rabada cozida em baixa temperatura, desfiada e servida com musseline de cará, molho de ostras e pimenta sishuan do Sawasdee, a razão deste post de hoje

Depois da ausência forçada dos últimos dias por razões tão variadas quanto muitas viagem, muito trabalho e computadores de casa ruins, o blog volta à ativa tratando de um tema verdadeiramente adorado por mim: a rabada.
A inspiração veio de uma visita recente ao tailandês Sawasdee, no Leblon, que adoro, mas ainda acho o de Búzios bem melhor, especialmente por causa da vista, impagável. Pois o chef Thiago Sodré, filho do Marcos, criador do restaurante e ainda à frente das cozinhas, é quem pilota os woks e fogões da casa da Dia Ferreira. E vez ou outra o rapaz vai colocando novos pratos no cardápio. Entre as novidades recentes está uma rabada, fusão de tradições ibéricas e europeias de uma maneira geral com ingrediente brasileiro e tempero asiática. Calderião de influências que deu origem à rabada cozida em baixa temperatura, desfiada e servida com musseline de cará, molho de ostras e pimenta sishuan. Ou coisa de maluco. Muito boa. Vale ir até lá para provar o prato, a melhor receita do ótimo menu de inverno, em cartaz há pouco mais de um mês. Eu também curtir bastante o Shangai Noodle Soup, uma sopa feita com massa fina de arroz com caldo de pato, tofu e folhas de agrião. Belezura.
Mas o tema hoje é a rabada, essa novidade do Sawasdee me encheu de vontade de provar mais uma rabada no fim de semana, e se o fogão já estiver funcionando na casa nova de Teresópolis, certamente vai ter rabada ou amanhã ou no sábado.
Também me peguei pensando sobre algumas rabadas memoráveis. Tem a do restaurante Trigo, em Petrópolis, com polenta e agrião, daquelas reconfortantes, fortes e suculentas, uma maravilha.
Entre as receitas menos usuais, temos o caldinho de rabada, obra de arta do Adonis, em Benfica. E também o bolinho de rabada do feijão branco, do Aconchego Carioca, primo próximo do clássico bolinho de feijoada.
Ultimamente tenho visto bastante risotos de rabada com agrião, e costumam a ser muito bons, como o que é servido no Málaga, no Centro.
NO MAM, o restaurante Laguiole serve outra versão do arroz de rabada, mas no lugar do grão o chef Pedro de Artagão usa (ou usava, porque o menu do restaurante muda bastante) risoni, uma massinha que tem formato de arroz.
A rabada com agrião e arroz (ou polenta, ou ambos), este prato clássico do Rio de Janeiro, quando não está nos menus regulares de restaurantes tradiconais, quase sempre aparece ao menos uma vez por semana, como sugestão do dia. Quarta-feira, por exemplo, é dia de rabo de boi no Adonis, que serve rabada com batatas, agrião, arroz e polenta, risoto de rabada e arroz de rabada.
Já no Bar Redentor, em Ipanema, o preferido dos taxistas, o prato é servido às segundas, quartas e sábados.
Enquanto isso, na Adega do Cesare, na rua Joaquim Nabuco, ali na zona de transição de Ipanema para Copacabana, a receitas é servidas religiosamente todas as quartas-feiras.
Já em Copacabana, no Bar Barata Ribeiro, localizado na própria, serve a rabada às quintas-feiras. E assim é por toda a cidade: todo o dia é dia de rabada no Rio de Janeiro.
Não posso esquecer do Galeto 183, o Bar da Dona Ana, aqui pertinho do jornal. Também às quartas a rabada estrela o menu, não em carreira solo, mas como item mais nobre e saboroso do angu com polenta, uma maravilha.
Às sextas, rabada com agrião é o prato do dia em dois clássicos do Leblon, o Alvaro’s e o Degrau.
No Buteskina, em Copacabana, é servido um pastel de rabada. No Giuseppe Grill, por sua vez, há o Panelinha de rabada com funghi porcini e purê.
Uma das receitas clássicas do Danio Braga é o parmentier de rabada, um dos melhores pratos que já comi na Locanda della Mimosa, em Petrópolis.
Na Alameda, em Botafogo, uma das receitas mais famosas, desde os tempos de Petrópolis, é também um parmentier de rabada, mas esse leva escargot, que é a especialidade da casa. Fica bárbaro, posso garantir.
Também tenho imensa saudade da rabada deliciosa que ficava exposta na vitrine aquecida do finado Rei do Limão, o pequenino e original, em Teresópolis, onde eu apreciava os melhores caldinhos (de feijão, de mocotó e de inhame, principalmente) da minha vida, espetaculares. Que saudade… e ainda tinha a moela… Que saudade…
Também lembro, saudoso, dos tempos em que descia de Teresópolis na tarde de domingo, e descia da Linha Vermelha para comer uma rabada numa bararaca qualquer da Feira de São Cristóvão, isso nos tempos pré-pavilhão. O consolo é que as cozinheiras do pedaço continuam fazendo, e muito bem, este prato em lugares como o Barracão do Aconchego, a Barraca da Chiquita e o Estação Baião de Dois.
Em Portugal, também podemos comer memoráveis rabadas, como a que é servida no restaurante Café Alentejo, em Évora.
– Foi a melhor rabada da minha vida – disse-me o meu mestre Célio Alzer. E quem sou eu para duvidar. Preciso voltar a Évora, urgentemente.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

Anúncios

8 Respostas to “Um dossiê amoroso sobre a rabada no Rio de Janeiro”

  1. ve Says:

    Comi uma sábado, PF, num boteco que fica na princesa isabel que, inclusive, já foi tema da coluna pé sujo do rio show. Deliciosa!!!! E mais: baratíssima! R$ 9,90!

  2. rafael Says:

    Eu tenho uma predileção pela rabada no serafim, da rua alice.

  3. Letícia Koeler Says:

    Precisa provar o Arroz de rabada do Casarão 1881, no Centro!

  4. Filipa da Gama Says:

    O risoto de rabada do Joaquina da Cobal Humaitá (sábados) também é digno de nota!

  5. Felipe Barbosa Says:

    Amooo Rabada! E como vc tbm tenho alguns lugares prediletos. Para mim a melhor rabada no estilo botecao e do bar da gema infelizmente so e servida no domingo. No cadeg tem uma rabada muito boa que e servida na terça-feira no poleiro do galeto.
    Agora, a rabada do Antiquarius e literalmente a melhor de todas … apesar de caro vale cada centavo. Tambem e servida na terca.
    Fica as dicas e vou seguir o seu roteiro.
    Adoro o seu blog

  6. Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Um dossiê amoroso sobre a rabada no Rio de Janeiro […]

  7. beatriz Says:

    não gostei !
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  8. beatriz Says:

    desculpe eu qria escrever no meu face isso e saiu ai
    desculpeeeeeeeee

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: