Bar do Rangel, em Teresópolis: pé-sujo de verdade, com pernil, cupim e peito de boi fabulosos, e muito mais

Na manhã seguinte, a quentinha ja fria com pernil acebolado e farofa de torresmo

No domingo da semana passada, num churrasco na casa de amigos, em Teresópolis, falávamos de botecos bem sujinhos com comida incrível.

Foi então que um convidado começou a listar as virtudes de um pé-sujo no Alto, o Bar do Rangel, ou do Luizinho, como seria mais conhecido (não estou 100% seguro a respeito dos nomes, porque não anotei nem fotografei: não esperava que iria escrever um post a respeito dele, mas estava tudo tão sensacional que preciso dividir com vocês a dica espertíssima). O torresmo era o assunto em questão, e veio à tona depois que eu louvei as virtudes do  Bar do Bigode, em Juiz de Fora, cuja especialidade é o torresmo, servido de três maneiras diferentes: a versão mais comum, para comermos feito pipoca, e perfeito para enobrecer caldinhos de feijão, feijodas e feijões-tropeiros, a chamada tira, uma fatia generosa, com boa quantidade de carne e, por fim, a ponta, a parte mais nobre, espécie de picanha do torresmo. Mas isso pode ser assunto para um outro post. Hoje o tema é  pé-sujo de Teresópolis.

O boteco está na Rua Gonçalo de Castro, mais precisamente no bairro do Ingá, pertinho do Colégio São Paulo, que fica do outro lado da rua. Não tem erro: é o bar que fica na esquina de uma viela, a Vila Santo Antônio, mais conhecida como Buraco da Gata. Você vai ver duas daquelas churrasqueiras que assam as carnes no bafo, uma espécie de varanda coberta, com duas ou três mesinhas, e um pequeno salão. Não tem erro. Repare no aroma. Uma delícia.

Pois assim que cheguei do Rio na sexta-feira passada, fui até lá dar um confere. Pedi uma cerveja e fiquei do lado de fora.

Logo, logo o Luizinho apareceu, não para falar comigo, mas para dar uma olhada nas carnes que assavam desde as 10h da manhã. Eram 14h30 aproximadamente, e elas ainda não estavam prontas, segundo ele percebeu. Tinha peito e cupim. Estava com um cheiro ótimo, misturando aromas defumados e carne gorda assando, que se não soubesse domque se tratava diria ser costela.

Gostei do lugar. Voltei mais tarde, depois de passar em casa e relaxar um pouco na sauna do Comary.

Fui buscar a filha na escola. E lá fomos nós ao Bar do Rangel. Como receberia um amigos em casa, com as filhas, e não estava muito disposto a cozinhar, além da curiosidade a respeito das carnes do Bar do Rangel, decidi encomendar umas coisinhas pro jantar.

Para me decidir entre o cupim e o peito de boi, pedi para provar os dois. Maria também:

– Humm, papai. Tá tão gostoso. Vou querer vir sempre aqui – ela disse.

Claro que eu topei.

Estava tão boas as duas carnes que pedi uma quentinha com metade de cada uma, no capricho. Fiquei tão animado, estava tão gostoso, que fui espiar o balcão, e nele havia uma daquelas vitrines aquecidas. Lá dentro da estufa, uma costela de boi e também um pernil de porco acebolado com aparência fantástica. Pedi os dois, para complementar a janta.

– Melhor levar só o pernil, a costela você prova outro dia, já parecida com o que você está levando – respondeu o Luizinho.

E quem sou eu para discordar?

Então, para complementar, pedi uma porção do tal torresmo que despertou o assunto, quase uma semana antes – sem me lembrar de que a farofa da casa era preparada com torresmo e batata palha, como tinha dito o sujeito, a quem serei eternamente grato por  ter me apresentado a esse boteco, pertinho da minha casa, lugar que nunca tinha chamado a minha atenção.

No fim, quando resolvi que iria saltear as carnes na frigideira na hora de servir, para dar uma esquentada, pedi uma cebola crua, explicando o propósito.

– Ah, posso te dar uma cebola, claro. Mas vamos fazer melhor. Vou capricar na quantidade de cebola do perfil, aí, você usa na hora de fazer o peito e o cupim, que tal?

Não tô dizendo que esse bar é demais!

Assim, foram quatro quentinhas: uma com peito e cupim, outra com pernil acebolado (com muita cebola), uma de torrresmo e outra de farofa. Somando com as duas garrafinhas de cerveja long neck que bebi enquanto esperava o preparo de tudo, mais um Tridents para a filha, e um copinho de Matte Leão, a minha conta ficou em R$ 50.

Até o meu camarada Raul, que jamais tinha provado um cupim, por causa da gordura, acbou experimentando, e adorou.

Comemos eu, a Maria, ele e as suas duas filhas, a Luana e a Bebel. Meu irmão chegou mais tarde, e também fez uma boquinha. Abrimos um Embocadero, belo tinto espanhol, e depois um Brabncaia, um Chianti Classico da melhor qualidade. Carnes tão deliciosas assim, mereciam vinhos à altura. Encerramos com a lúdica bouche de Noel, do Sofitel.

Mesmo alimentando seis pessoas no jantar, ainda assim sobrou pernil (esse tanto que aparece lá na foto do alto deste post, feita em casa, já na manhã de sábado).

Levei para o Rio as duas quentinhas. Para o almoço, esquentei na própria frigideira, liberando o caldo do tempero. Foi um lindo almoço, antes de viajar para a França (Alsácia e Paris). Ficou uma maravilha com uma taça do Santa Cristina 2009, um belo vinho toscano, com ótima relação custo-benefício, produzido pela Antinori.

Ainda sobrou um pouco de pernil e farofa. Antes de sair para o Galeão, dei a dica para o pai de que havia uma joia na frigideira – e mais de meia garrafa do Santa Cristina aberta (e que o vinho ficara maravilhoso com a carne). Também foi o almoço dele. Então, calcula comigo: com R$ 50, apenas R$ 50, cinco aldultos comeram fartamente (três na primeira noite, dois no almoço de ontem), e mais três crianças. Uma pechincha comovente. Vou atender, é claro, o pedido da Maria, para voltarmos sempre.

Entre outras razões, porque há muito a se provar: tem a tal costela, tem o camarão ao alho e óleo, tem o peixe frito…

O Bar do Rangel foi uma das maiores surpresas dos últimos tempos. Absolutamente imperdível.

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2 Respostas to “Bar do Rangel, em Teresópolis: pé-sujo de verdade, com pernil, cupim e peito de boi fabulosos, e muito mais”

  1. Marcio Tend Says:

    Bruno, eu me hospedo sempre na pousada Chamonix, nessa mesma rua, já reparei nesse lugar, eu sou adepto aos pés sujos, mas, confesso que não tinha visto com bons olhos esse local, porém, após a sua dica, quem sabe na próxima vez que eu for a Terê com mulher e filho (carnaval) eu nao dou uma passada. Abração!!!

  2. Índice de posts de cidades no Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […]  Teresópolis: – Camponesa da Beira: um lugarzinho pra chamar de seu – Dona Irene: refeição de czar (e mais: um fotoblog) – Que frio: um sábado gostoso na serra – Orquidário Aranda: pra não dizer que não falei de flores – St. Gallen: mais uma cerveja deliciosa feita em Teresópolis – Caldinho de piranha, polvo e pimenta para esquentar – Tempêro com Arte: bom, bonito e barato, um restaurante para todas as horas em Teresópolis (e o favorito da filha) – Taberna Alpina, em Teresópolis: tudo como antes, o que é uma delícia – Vamos subir a serra? Os programas mais gostosos de Teresópolis – Casa do Alemão x Pavelka: quem é melhor? – O Bar do Mineiro teresopolitano – Bar do Rangel, pé-sujo de verdade […]

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