Archive for janeiro \30\UTC 2012

Quadrifoglio Caffe: novo italiano da cidade já está funcionando, no Leblon, com cardápio e ambientes mais informais que a casa original do Jardim Botânico

30/01/2012


As boas novidades na gastronomia carioca não param. Depois de Irajá, Vieira SoutoBottega del Vino e Brigite’s, é a vez do Quadrifoglio Caffè.

Abriu as portas na quinta-feira passada, na Rua Dias Ferreira, no Leblon, o Quadrifoglio Caffe, filhote mais informal do clássico restaurante do Jardim Botânico, que está vivendo uma fase fabulosa desde que passou por reformas, ganhando novos sócios, há cerca de três anos. Hoje, para mim, é o melhor italiano da cidade, e olha que temos uma seleção respeitável, com nomes domo Gero e Fasano, Duo, Terzetto, D’Amici, Vieira Souto, La Fiducia, Cirpriani, Margutta, Pomodorino…
O novo Quadrifoglio Caffe já abriu lotando, mesmo sem fazer alarde. Quando soube da novidade, lendo a coluna da Luciana Froes, na sexta passada, decidi que iria jantar lá depois do trabalho.
O lugar está bem bonito, com muito vidro, permitindo a entrada de luz natural, e plantas, com decoração que privilegia a madeira, uma beleza.

E lá fui eu. Cheguei umas 22h30, e mesmo assim a casa estava lotada. Não tem problema, eu me acomodei ao lado do bar, e ali pedi uns raviolli fritti, uma massinha delicada recheada com ricota, presunto e azeitona, e frita, lembrando um bom pastel de massa caseira, que é servido com um molhozinho espesso e equilibrado de tomate.
O cardápio é mais simples que o do Quadrifoglio, apostando em combinações clássicas, receitas consagradas em várias regiões da Itália. Animador.

Para acompanhar, o bom Villa Antinori branco 2009, que me fez companhia por toda a refeição, disposto que estava a ficar nos pescados.

Quando consegui a minha mesinha na gostosa varanda,…

…aceitei o couvert gostoso, simples, com cestinha de pães, um grissini muito amável, um potinho com pepino e cenoura crus e um outro potinho com azeite, daqueles bem picantes, do jeito que eu gosto.

Depois, pedi o antipasto del pescatore, combinação de três pequenas porções: uma saladinha de lulas e camarões (esses últimos, uma delicadeza, cozidos levemente no vapor, quase crus, puro frescor), sashimi de namorado e tartare de salmão. Uma beleza.

Para o prato principal pesquei do cardápio o nhoque com lagostins e tomatinhos-cereja, uma alegria marinha.

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Agora, o menu.

Primeiro, o de café da  manhã, servido diariamente, uma boa sacada, aproveitando o talento do chef Lomanto Oliveira no preparo de pães e doces. Promete ser um sucesso, ainda mais nesse período pós-Garcia & Rodrigues (basta clicar na foto que elas aumentam, facilitando a leitura).

Agora, o cardápio principal. A parte de cima, com entradinhas e sopas, e …

a parte de baixo, com as massas e risotos, os pratos principais e as sobremesas.

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A Marisqueira: clássico dos frutos do mar (ou “Sei não, acho que empobrecemos”)

26/01/2012

Como jornalista, tenho horror a restaurantes sem site, e gostaria muito que todos mantivessem seus cardápios atualizados e com preços, o que é uma raridade aqui no Brasil, mas não na Europa e Estados Unidos.

Como frequentador de restaurantes, porém, nutro imensa simpatia por esses lugares, que parecem parados no tempo. Geralmente não é só questão de tecnologia: a decoração, o cardápio, os garçons, tudo remete a tempos idos, inclusive a presença constante do dono, controlando o caixa lá detrás do balcão, vez ou outra circulando por entre as mesas para ver se tudo corre bem.

É exatamente assim no tradicional A Marisqueira, clássica casa de peixes e frutos do mar em Copacabana, em plena Barata Ribeiro. Havia muitos anos que não comia lá. Mas não sei bem porque, outro dia me bateu uma baita vontade de ir jantar ali.

Desconfio que a vontade tenha nascido do desejo de comer um bom peixinho fresco, o que é cada vez mais difícil aqui na cidade, embora o Rio seja uma cidade litorânea. A sedução veio da memória daquela vitrine refrigerada que guarda os mais variados pescados.

Fui por duas noites seguidas. E descobri uma vantagem: ao contrário dos restaurantes badalados da cidade, é fácil para na porta (das 21h às 6h), sem ter que pagar manobrista nem nada. parei, nas duas vezes, o meu carro bem na porta.

Na primeira cheguei bem tarde, depois das 23h, após sair do fechamento, na noite de terça. Estava decidido a comer os bolinhos de bacalhau…

…e também as alheiras de Mirandela. Foi o que fiz, com imenso prazer.

Os bolinhos de bacalhau estão entre os melhores da cidade: fritos na hora, chegam quentinhos, com uma textura inacreditável, cremosa, com tempero perfeito e sabor equilibrado. Derramei azeite e pimenta, numa alegria quase incontrolável. Com aquele climão de marisqueira praiana portuguesa, como tantas na região de Matosinhos, no Porto, lembrei-me do avô, que tantas vezes ali me levou quando tinha uma padaria perto dali, coisa de 23 anos atrás.

A Marisqueira já era, aliás, à esta altura, um restaurante clássico da cidade. Tinha, porém, mais fama do que hoje em dia – quando, por mais incrível e contraditório que isso possa parecer, as pessoas “entendem” mais de comida, e buscam os restaurantes da moda, estando assim sujeitos a chefs incompetentes, preços surreais e filas. Ver fila na porta de lugares como o Venga e a Prima Bruschetteria, e salões monumentais como o d’A Mariqueira vazios me dá até calafrios, uma certa tristeza e penso, como bem escreveu hoje o Veríssimo, sobre telecatch e MMA: “Sei não, acho que empobrecemos”.
Empobrecemos de espírito, mas ficamos mais ricos. Não nos importamos em pagar mais caro para comer pior…
A Marisqueira é telecatch, a Prima Bruschetteria é MMA. Compreendeu? Grande Veríssimo!!! Mas isso é assunto para outro dia.

Só queria escrever sobre A Marisqueira.

Não é um lugar propriamente barato. Mas também não é caro (o menu completo está lá no fim do post). Considerando que muitos restaurantes desprezíveis, desses badaladinhos, chegam a cobrar mais de R$ 30 por uma porçãozinha ridícula, daquelas que precisamos comer umas dez para nos sentirmos realmente alimentados, gastar R$ 50 para jantar peixe fresco (linguado fantástico, ok?) precedido de bolinhos de bacalhau pode ser considerado uma verdadeira pechincha. E ainda tem guardanapo de pano, e eu acho insuportáveis os guardanapos de papel.

Pois na primeira noite gastei apenas R$ 25. Foram R$ 10 da meia porção do bolinho de bacalhau maravilhoso, e outros R$ 15 de uma alheira de Mirandela louvável, saborosa e com pouca gordura, uma massa gloriosa (repara na foto, dela cortada) feita com alho (é claro), miolo de pão e carnes de porco e frango, coisa fina, nada daquelas sobras, tudo bem delicado, tudo bem saboroso e uniforme, uma delícia aos apreciadores desse embutido tão lusitano, que nos conduz diretamente ao Norte de Portugal, onde é produzida a iguaria. Foi com imensa alegria que descobri mais um ótimo lugar para comer uma boa alheira, como o Adegão Português e o Astor, que serve uma versão admirável, com fritas e ovo frito.

Gostei muito, mas era tarde, e queria voltar logo para casa para descansar. Ademais, três bolinhos de bacalhau e uma alheira é o suficiente para me matar a fome noturna. Fui embora, não sem antes curtir um belo e delicioso toucinho do céu.

Voltei ontem. Cheguei mais cedo. Até tinha decidido ir direto ao ponto, escolhendo logo o meu prato, que por sua vez já estava eleito desde a noite anterior: peixe (badejo ou linguado) à belle meunière. Mas quando o garçom perguntou se eu queria uns bolinhos de bacalhau para começar, foi impossível dizer não, de tanto que havia adorado a experiência da noite anterior.

Enquanto ele foi fazer o pedido à cozinha, escolhi o linguado, à belle meunière, com batatinhas cozidas, como manda a regra. Muita alegria. Chegou prontamente, no instante exato em que eu terminava os bolinhos.

Melhor ainda que os tais bolinhos de bacalhau foi depois deles provar um filé de linguado fresco e delicado, grelhado à perfeição, coberto com aquele molho clássico de manteiga, alcaparras e camarões, com toquezinho de alho e cheiro verde. Vez ou outra, umas gotinhas de limão davam uma bossa a mais. Sublime!

Quando o garçom trouxe a bandeja de docinhos (se não me engano, do mesmo pessoal que monta barraquinha no Cadeg), fui nos ovos moles, que estavam bons, mas podiam ser bem melhores.

Com todo o respeito à modernidade e às assessorias de imprensa, de tantos amigos queridos, mas eu adoro os restaurantes clássicos, sem recursos de marketing, plano de negócios e sem assessoria de impresa, desses que tem comida boa apenas, só isso. Como a Marisqueira.

Fui embora feliz nas duas noites com essa mariqueira carioca com inclinações ibéricas, que tanto me lembro a querida terrinha portuguesa. Acho que hoje vou almoçar no Rio Minho…

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Agora, o menu.

Os pratos individuais.

Couvert, entradas, peixes (os pratos são para dois e, quando está escrito “2p” serve até três pessoas)…

Carnes, sobremesas…

E os vinhos. Fique nos portugueses, por favor.

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Manjericão, em Teresópolis: a pizzaria que começou a ensinar o carioca a comer pizza, acabando com a piada de paulista

25/01/2012

A pizza de queijo de cabra com castanha-do-pará e escarola refogada, uma das melhores pedidas da casa

Na falta de praia, samba de qualidade e Cristo Redentor, paulista tenta sacanear carioca dizendo que aqui botamos katchup na pizza. Piada velha, que deixou de ser procedente de maneira definitiva há uns dez anos (mesmo que alguns ainda coloquem, mesmo que haja pizzas medonhas por aí, como há em São Paulo também). Mas o processo começou antes. Eu diria que há 22 anos, quando abriu as portas, em Teresópolis, a pizzaria Manjericão, numa casinha de esquina muito simpática, no bairro do Alto. Havia uma linda plantação da erva que batiza o lugar, e quando passávamos pela rua, sentíamos o aroma, uma beleza.
Se não me engano, foi uma das primeiras pizzarias do estado do Rio a abolir frescos de katchup e mostarda sobre as mesas, ao mesmo tempo em que Danio Braga e Eduardo Cunha começavam a fazer ótimas pizzas também na serra, em Itaipava (mas isso foi um pouco depois, em 1992).
Foi na Menjericão que aprendi a comer pizza. Massa fina e crocante, feita com água mineral, assada no forno a lenha, com coberturas mais capricahadas, usando ingredientes frescos e alguns importados, que começavam a chegar ao país.
Era um grande prazer adolescente ir ao restaurante. Foi ali que aprendi, por exemplo, o que era taxa de rolha, quando levei uma namorada para jantar mas, na dureza dos meus 17 anos, não tinha  dinheiro para pagar o vinho, então comprei no supermercado uma garrafa.
Foi ali que aprendi o que é molho pesto, estrela de uma das melhores pizzas da casa.
Desde a inauguração, não passei um ano sequer sem ir até lá. A filha adora, porque além de gostar de pizza, curte bastante o parquinho do lado de fora, uma estrutura de madeira que entretém as crianças.
As pizzas, de tamanho individual custam ali entre R$ 22 (a simples, de mussarela, e R$ 37, algumas das chamadas “especiais”, como a que combina queijo de cabra, castanha-do-pará e escarola (ou chamariam chicória?) refogada, a minha preferida atualmente. Também curto a trifolate, que combina três cogumelos, e a manjericão, que leva o tal molho pesto (sendo que a receita dali é um pouco diversa da original, levando creme de leite, para dar uma consistência interessante quando assada).
A casa já teve até estrela do Guia Quatro Rodas, se não me engano a única pizzaria do Rio a ganhar tal honraria, mas pedeu (acho que não merece mesmo). Mas continua sendo um ótimo lugar para um jantar, com pizzas deliciosas, preços legais, e uma carta de vinhos, embora modesta, vendida a preços justos, com boas taças etc. Tanto que vive lotada nos fins de semana. na minha última visita, no feriado passada, dia 20 de janeiro, fui jantar lá com a filha. Dividimos a pizza de queijo de cabra, a pedido da moça. Esperamos 20 minutos na fila e, quando fomos embora, por volta das 22h30, tinha ainda mais gente esperando mesa.
Pois é. Não parece, mas o manjericão já tem 22 anos. Quem disse que o que é bom dura pouco?

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Pomodorino: bom, bonito, barato e um pouco inconveniente

23/01/2012

Ravióli de vitelo com molho cremoso de cogumelos: delícia que custa uns R$ 32

A cozinha italiana, na minha opinião, é a mais aconchegante de todas. Uma massa, envolta em molho, seja de tomates maduros, seja de cogumelos ao creme, seja um pesto aromático, é como receber carinho na língua, é como afagar o estômago.  O fenômeno se repete em todas as regiões do país, da dieta mediterrânea do Sul às receitas calóricas do Norte. Uma salada capresa regada com azeite, um minestrone fumegante, uma pizza, um espaguete à bolonhesa, uma lasanha, um risoto daqueles bem cremosos, um brasato al Barolo e tantos outros são pratos que nos aproximam do Céu: é a elevação gastronômica da simplicidade, a culinária franciscana, a bíblia em forma de alimento, uma missa que se come, uma reza que se faz saboreando.
Restaurantes italianos deveriam ser baratos, e na Itália encontramos casas que servem uma comida sublime, a preços bastante convidativos. No Brasil não é muito fácil hoje em dia encontrar um grande restaurante italiano onde se possa ir comer todos os dias. O Pomodorino, na Lagoa, é um desses poucos lugares em que um casal pode jantar muito bem com menos de R$ 100 (dependendo da fome e da sede, dá até para colocar um vinhozinho nessa soma aí). Conta pontos a favor a localização privilegiada, na porção ipanemense da Lagoa, com vista bonita, num ambiente agradável. Escolha uma mesa na varanda envidraçada, sem dúvida um dos locais mais aprazíveis e – porque não dizer? _ românticos da cidade para uma longa refeição, seja de noite estrelada, seja numa tarde ensolarada (de inverno, ok?).
O problema é que ir ao Pomodorino exige planejando: não dá para chegar assim, ali pelas 21h, e dizer: “E aí, vamos jantar no Pomodorino?”. Como a casa não aceita cartões de crédito, o que é inacreditável nos dias de hoje, temos que passar no banco e sacar dinheiro antes de chegar ao restaurante (não, não uso cheque), o que é um baita inconveniente. Assim, vou menos ao Pomodorino do que gostaria. Ainda assim, no ano passado eu jantei lá umas três vezes. Comi bem em todas, e saí satisfeito com a comida e com o valor da conta.
Esse ravióli de vitelo aí da foto, que me fez refletir sobre como é aconchegante a cozinha italiana, é um prato fantástico, com recheio delicado, massa bem feita e saborosa, e um molho admirável, com cogumelos de qualidade em quantidade suficiente para deixar a receita equilibrada, tudo ainda melhor quando cai aquela chuva de parmesão ralado. Não estou com absoluta certeza, mas acho que custa uns R$ 32. Sim, R$ 32, uma porção farta. Delicioso.
No fim, prove o tiramisu.
A carta de vinho é muito boa, com rótulos adequados ao menu (leia-se boa oferta de italianos) e preços novamente atraentes.
Vá ao Pomodorino, vale a pena. Só não se esqueça de passar no banco, ou de pegar o talão de cheques.

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Sandubas naturebas: dois hambúrgueres saudáveis, diferentes e deliciosos

19/01/2012

Será que endoideci?

Hambúrguer do Joe & Leo's: em várias versões, todas deliciosas

Gosto muito dos hambúrgueres do Joe & Leo’s, e suas receitas variadas, da versão com picanha, cheddar e cebola roxa do Bazzar Café e também daquela assada em forno a lenha, da Forneria São Sebastião.

A Maria também adora o hamburguinho do Joe & Leo's: ainda não levei ela para provar os naturebas. Será que vai gostar?

Mas, acredite você ou não, tenho tido mais prazer ultimamente ao comer versões mais naturebas – quem sabe fruto do propósito de levar uma vida um pouco mais saudável a partir de 2012, para poder pelo resto da vida comer a minha rabada com copinho de pinga de vez em quando.

O fato é que o hamburguer de soja do Universo Orgânico, servido com cogumelos, tomate, brotos… com um molho incrível de tomate, versão deliciosa e leve de katchup, e uma maionese  de açafrão com caju germinado que é demais. Além de delicioso o sanduba é levinho, levinho.

Não sei se estou maluco, se fui abduzido, se estou delirando na busca de uma vida mais saudável. Acho que não. Mas o fato é que o melhor hambúguer da cidade hoje para mim é esse exemplar vegetaria. Sim, também acho isso muito estranho.

Para ver a receita, é só clicar aqui.

Nunca fui de comer na praia, só Biscoito Globo e Sorvete Itália, e os sandubas fenomenais do Uruguaio, no Posto 9. Espetinho de camarão? Empada? Coxinha de galinha? Jamais? Sanduíche natural? Só os que um francês que vivia no Vidigal e vendia os sandubas ao lado de um cão simpático (o cara era muito famoso, porque fazia combinações fantásticas, mas morreu assassinado, misteriosamente, ali em meados dos anos 1980. Uma pena). Como dizia, nunca fui de comer na praia, mas já tinha provado, umas duas vezes, o Hare Burguer, preparado por um figuraça que andava pelas areias de Ipanema, vendendo os seus sanduíches com receitas inspiradas e nomes espirituosos, todos preparados com carne de soja, porque o sujeito é vegetariano. Uma verdadeira maravilha. O cara foi alçado ao estrelado com o Guia de Comidas de Rua. teve uma sacada empreenderora, sabendo que tinha um bom produto em mãos, e resolveu abrir uma loja.

Galeria River: centro de enconto comercial do Arpoador andou caidaço, mas voltou a ser ponto de encontro de surfistas e skatistas

O local não poderia ser mais apropriado, a Galeria River, que tem tudo a ver com praia, Rio de Janeiro, vida saudável, espaço que andou decante nos anos 1990 até uns cinco anos atrás, mas que voltou a ganhar movimento de gente interessada em surfe, skate, patins, roupas praianas e grunge, enfim, um mundo diverso, divertido e curioso.

Hare rock shutney mango fly, o meu saboroso e leve pedido

Fui lá ontem para almoçar um sanduba, aproveitando que estava ali pelos lados do Arpoador. Achei mesmo uma delícia o Hare rock shutney mango fly (chutney com “s” mesmo), feito com harbúrguer de soja, muito bom, mango chutney, castanha de caju e queijo gouda “da lua jupteriana I.O.”.

O colorido, alegre e divertido cardápio

O cardápio é bem divertido, e quem bem definiu foi o crítico da Vejinha Fabio Codeço, que escreveu que as descrições  dos sandubas são uma diversão a mais. E são mesmo. O site deles também.

Para ver maior, clique aí na foto de cima, para ler os textos e observar os detalhes. Os sandubas são bem bons, e quero provar os outros.

Só o suco podia ser melhor, menos doce. É boa a ideia de combinar laranja, limão e tangerina, o Hare Harmonia, mas podiam espremer tudo na hora, e não colocar açúcar.

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Villa Sankt Gallen: a cervejaria mais bacana do Rio inaugura o Bistrô 1912 no próximo dia 2

18/01/2012

Agora está confirmado: segundo Vinícius Claussen, que está tocando a operação da Villa Sankt Gallen, cervejaria sensacional inaugurada em novembro em Teresópolis (para ler mais, com mais fotos e imagens mais detalhadas, clique aqui), o Bistrô 1912 vai ser aberto no próximo dia 2 de fevereiro, dia de Iemanjá, aliás.

Eu, assíduo frequentador da cidade, estou animado com o cardápio, que terá receitas com vieiras e costeletas de cordeiro. A filha, vai ficar ainda mais. Na semana passada, queria comer um polvo no Caldo de Piranha. Sugeri á moça:
– E aí, vamos comer um polvo?
– Ah, não tem vieira?
Garota esperta… Não sabia de nenhum restaurante teresopolitano que servisse vieiras. Agora eu sei. Maravilha.
No andar de cima vai funcionar a Abadia, lugarzinho acolhedor, com cardápio voltado ás iguarias suíças, especializado em fondues e raclettes.
– Esse deve ficar mais para perto do inverno. Vamos com calma, abrindo aos pouquinhos – diz o Vinícius.
Por isso que o lugar vive lotado.
Já provei o menu quase todo, em umas sete ou oito visitas diferentes, desde as primeiras, que originaram os posts. Acho as cervejas realmente muito boas, e nem sei dizer qual eu amis gosto. Acho que a Red Ale. Mas sem absoluta convicção.

Entre as cervejas, a Rubine (sim, estou numa fase vermelha) e a Weissbier são as preferidas.
No cardápio, as entradinhas de que mais gostei foram as coxinhas de frango marinadas na Cerveja Therezópolis  com lúpulo,  que são servidas com um adorável e surpreendente molho de rabanete; a costelinha de porco e o mix de salsichas, produzidas pelo Alemão da Serra. Mas posso dizer que gostei ainda do caldinho de feijão, servido com chantilly  salgado; do filé aperitivo acebolado feito na cerveja escura tipo Ebenholtz; da linguicinha recheada com queijo e também de uma receita exclusiva, um bolinho de cevada com bacon e linguiça (os componentes da cerveja entram em vários pratos) Entre as receitas de mais substância, amei o marreco assado; o eisbein e o kassler; servidos com diversos acompanhamentos, como salada de batatas, chucrute e um purê de ervilhas bem legal. Ah, sim, a farofinha é bem gostosa. Também é uma boa e original pedida para acompanhar os pratos o Reis Mit Roggen, ou seja, arroz com cevada.
Para encerrar, está mais que aprovado o bolinho de chocolate com sorvete de framboesas. Nham nham nham. Meu preferido.

Para ver o cardápio de comida, em forma de simpático porquinho, é só clicar na foto aí em cima que ela aumenta de tamanho.

 

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Casa do Alemão, o lar doce lar do melhor croquete de carne do planeta, e de um sanduíche de linguiça antológico

16/01/2012

Dois croquetes e um sanduíche de linguiça: almoço rápido e delicioso na estrada a caminho de Visconde de Mauá

Estamos cercados, no melhor e mais saboroso dos sentidos, pelos alemães. Com a inauguração recente de uma filial na rodovia BR-101, em Itaboraí, que nos conduz à Região dos Lagos, o carioca, que já tem filiais da tradicional rede na Barra e no Leblon, agora tem mais uma deliciosa opção de parada para comer quando sai do Rio.
Estar à beira da estrada é tradição da marca, que me alegra desde que me entendo por gente, nas paradas nas lojas que ficam uma defronte à outra, na Rio-Petrópolis, em Duque de Caxias. Quem vai para a Região Serrana, a para Minas Gerais, Brasília etc, tem as duas filiais mais tradicionais. Quem pega a Dutra, rumo a São Paulo, ao Vale do Paraíba e tantos outros destinos, encontra uma Casa do Alemão no começo da Rodovia que liga as duas maiores cidades do Brasil. Agora, os que seguem para a Região dos Lagos, bahia e todo o Nordeste, além do Espírito Santo, é claro, tem a nova unidade do grupo. Fica faltando apenas uma filial na Rio-Santos, para estarmos deliciosamente cercados pela Casa do Alemão, onde estive mais uma vez na semana passado, no trajeto entre Teresópolis e Visconde de Mauá, com escala de uma noite em Itatiaia.
Tenho uam relação antiga, amorosa, fiel e eterna com a Casa do Alemão. Primeiramente, eu acompanhava a dupla croquete e sanduíche de linguiça com Mineirinho, já que por acordor comerciais o refrigerante não podia ser vendido no Rio (reza a lenda, era uma proibição da Coca-Cola). Depois, já adolescente, passei a variar, pedindo vez ou outra salsichas e salsichões (vermelhos e brancos), lagarto defumado, lyoner, além das saladas com  kassler ou eisbein, já acompanhados com um ou dois chopinhos, hábito abolido com a Lei Seca.  Tem a língua defumado, que tanto aprecio, e os brioches de queijo. Tudo com bastante mostarda escura, de preferência.
Até hoje adoro os biscoitos amanteigados, mas os doces, que um dia já tanto apreciei, hoje me parecem completamente sem graça, ao contrário do canudinho com chocolate nas pontas e do chocolatinho com amendoim. Amo.
No freezer lá de casa sempre tem linguiça do Alemão, que ficam maravilhosas nos churrascos. Também não faltam salsichas e salsichões, e bastam uns minutinhos na água fervente para eu ter um sanduíche glorioso.
Vida longa ao alemão, que serve o melhor croquete do mundo, e os melhores sanduíches de linguiça do Rio.

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Alvaro’s: a cara do Rio com sabor de mil novecentos e antigamente

09/01/2012

O pastel da casa e o chope servido no copo baixo: duas marcas registradas do clássico restaurante do Leblon

Uma das ausências no Guia do Gosto Carioca que eu mais senti foi a do Alvaro’s, no Leblon. Notei que, mesmo gostando desse lugar, que me foi apresentado pelo avô ali no comecinho dos anos 1980, ele não estava, nem no guia, nem aqui neste blog. Que pecado! Em primeiro lugar, porque é a cara do Rio, serve alguns clássicos, como os pastéis fritos na hora, pedido de 11 em cada dez frequentadores. Além disso, a comida tem aquele sabor de mil novecentos e antigamente, aquele receituário tradicional da cidade, com receitas como badejo á belle meunière, camarões VG à milanesa com arroz à la grega, polvo à espanhola, picadinho carioca, bacalhau à braz (prato antológico), escalopinhos ao molho madeira com arroz à piemontese, filé à Oswaldo Aranha, carne-seca-desfiada com purê abóbora, capa de filé e tantos outros. O cardápio, claro, é com revestimento de couro, e os guardanapos, de pano. O polvo, esse bicho delicioso, mas de preparo difícil para chegar á perfeição, é um dos melhores da cidade (para ler o cardápio, clique aqui). Sem contar que é hoje o melhor e mais autêntico dos restaurantes-uisquerías do Leblon, com a morte do Le Coin (temos, ainda, o Le Coin II e o Degrau, mas o Alvaro’s, sem dúvida, é o melhor dos três). Enfim, o Alvaro’s é um clássico. Um clássico que adoro, que é mais que um restaurante, que trás lembranças da infância, da adolescência, do começo da fase adulta, onde já estive umas três vezes com a filha, e com umas três ou quatro namoradas. É um lugar que me acompanha por toda a vida. Meu pai conta que foi ali, nos anos 1950, talvez começo dos anos 1960, que ele bebeu pela primeira vez, um copo de uísque, para se sentir homem, como diz, recordando o dia.

Senti tanto a ausência do Alvaro’s no meu guia, que na noite de lançamento, em dezembro, eu fui jantar lá, depois do evento, com a mãe e o tio. Comi um inusitado filé à zíngara, bem-sucedida combinação de mignon com língua bovina e presunto, tudo afogado naquele molho madeira antológico.

Tornedor ao Alvaro's: filé alto, servido em molho madeira com champignon (o arroz, ao fundo, é puxado nesse caldo espesso, e fica uma delícia)

Outro dia resolvi ir almoçar lá também, e dessa vez experimentei o tornedor ao Alvaro’s, servido afogado em molho madeira, com champgnon e arroz puxado nesse mesmo molho, salpicado com salsinha. Achei uma delícia, carne no ponto certo, com interior rosadinho, molho espesso e saboroso envolvendo o mignon.
Fiquei pensando: jamais saí decepcionado do Alvaro’s.

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Bretagne: padaria e bistrô de Olivier Cozan, no Leblon, abre as portas com boas propostas, mas é preciso ajustar os ponteiros

08/01/2012
Na onda de novos restaurantes cariocas, a última casa a abrir as portas foi o Bretagne, depois de Irajá, Vieira SoutoBottega del Vino e Brigite’s.  Há méritos, mas também erros na nova casa, que funciona no lugar do finado Le Bronx, que jamais tive sequer coragem de entrar: se o nome era ruim daquele jeito, imagine a comida…. O serviço no Bretagne está complicado, o que pode ser considerado normal: acontece nos primeiros dias, e eu pessoalmente não vejo mal nisso. Vi pessoas indo embora por causa da lentidão, e cheguei a morrer de rir com uma situação. A Miúcha, irmã do Chico, sentou-se na mesa ao lado da minha, com uma amiga. As duas pediram escargots. Estavam com ótima aparência. Os caracóis foram servidos com o clássico pegador.
– Mas e cadê o garfinho? – perguntou a cantora.
Muito sem jeito, e meio que sem saber do que se tratava, o garçom foi lá dentro.
– Não tem, o fornecedor não entregou.
– Então me traz um palito, qualquer coisa pra gente tirar o bicho aqui de dentro.
E lá voltou ele, com uns palitinhos…
Mas, ao menos, a dupla elogiou bastante o sabor. E manteve o bom humor.
– Até que está muito bom.
E rasparam o prato com os pães da casa. Mas não quiseram pedir o prato principal.
Acho que com o tempo as coisas se ajustam. O lugar ficou bonito e agradável, com varandinha, um pequeno salão na parte debaixo, ao lado de um bar e um espaço dedicado à venda de pães, biscoitinhos e outros artigos de padaria.
Achei que o lugar tem uma proposta bacana, de menu de jantar a R$ 54, com entrada, prato principal e sobremesa. A conta fica ainda melhor quando sabemos que a casa não cobra pela água filtrada, pelo couvert (na noite de sexta era uma cestinha de pães com uma manteiga temperada com curry, boa sacada). Mas se o lugar quer se tornar referência em padaria precisa melhorar bastante a qualidade. Os pães que provei (comprei alguns para levar para casa) não estavam bons. Não eram ruins, mas também não eram bons.
Ao contrário da padaria, eu gostei da cozinha. Pedi um creme de cogumelos com toque de trufas, bem presente. Achei meio desleixado a forma como a cumbuquinha chegou, veja como estava ressacado, como se tivesse sido aquecido no microondas. Bastava alguém dar uma mexidinha depois, não se pode servir assim. E foi o que fiz. Dei uma mexida e a suave crosta que se formou sumiu. E, o que importa de verdade é que a sopinha estava bem gostosa.
Melhor ainda foi o prato principal, um risoto de rabada com agrião, que estava bem cremoso, com arroz al dente e uma carne muito saborosa, se desfiando. Uma beleza. Porção fartíssima, não cheguei ao final.
Ficou ótimo com o vinho, que custou R$ 80. Preço ok.
A sobremesa foi uma bavaroise com morango. Estava ruim, inaceitável. Só consegui provar. O melhor, acredite, era a laranjinha de enfeite…
No final, o saldo foi o seguinte: a comida do Bretagne é bastante boa, e o lugar é bonito, os preços são justos, mas o pão precisa melhorar e o serviço, esse é mais fácil ajustar, também.
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Andar pela praia até o Leblon…

07/01/2012

O pôr do sol de janeiro, em Ipanema: a foto é de verões passados, ok?

Caminhando do Arpoador ao Leblon, com o verão escancarado à minha frente, fiquei pensando sobre a estação. Solzinho no coco, para fermentar a ideias.

A primeira coisa que me veio a cabeça foi a certeza de que se houvesse metade, ou menos, de turistas o verão no Rio seria muito mais legal.

Por mim, iam embora os paulistas e os mineiros. E os gaúchos. Deixando, é claro, as paulistas e, principalmente, as mineiras. Sim, e as gaúchas, é claro. Façam-me o favor.

A segunda coisa que reparei foi em como está fazendo sucessos as bicicletas alaranjadas do banco, que parece até que foram inventadas pelo Cesar Maia. Curioso notar que pelo menos metade das pessoas que usam o veículo não sabem andar direito. Parece que vão caiar a qualquer instante, com o guidon tremilicando, caras de assustados. Isso porque estão de cara para a praia de Ipanema. Imagine a expressão dos sujeitos se trafegassem na Marginal Tietê… Deviam alugar bicicletas com rodinha. Tô falando sério.

Outra coisa que notei nos ciclistas-publicitários. Eles deixam as bolsas nas cestinhas. Não façam isso. Em Amsterdã há muito larápio que pega as coisas que estão nas bolsinhas da frente do povo incauto que pedala pela cidade. Imagine aqui…

Pois também reparo que paulistas adoram falar ao telefone na praia e no calçadão. Oito em cada dez pessoas que passam conversando no celular têm sotaque incunfundível.

Por fim, terminei o passeio pensando na frase “o que vale é a intenção”.

Caramba, mas que bobagem. Quanta gente se tornou medíocre acreditando que “o que vale é intanção”. Não, o que importa é fazer bem feito, no prazo determinado, no menor tempo possível. Fazer  bem, e rapidamente. Claro que boas intenções são sempre um ótimas, ponto de partida para se fazer qualquer coisa. Mas não é o suficiente.

Vejamos, por exemplo, o novo pacote que o nosso brilhante governo quer fazer para estimular o turismo, que é no fundo o tema dessa crônica.

Eles dizem que, para chamar mais estrangeiros para nos visitar, vão diminuir os impostos dos aparelhos de TV e ar-condicionado para os hotéis, e que farão o mesmo com o querosene de aviação, para baratear as diárias e as pasagens…

Acho que a intenção é boa, mas a ideia é um equívoco total, parece coisa de doidos, tese formulada num manicômio de políticos. Já viu algum país atrair turista baixando imposto de eletrodoméstico e combustível? Parece piada. Talvez seja…

Vim para casa escrever. Agora, com licença, vou voltar para a praia para um mergulho redentor.

Desse jeito, vou sempre trabalhar feliz e, desculpe o pleonasmo, com a alma lavada, de água salgada.