Pomodorino: bom, bonito, barato e um pouco inconveniente

Ravióli de vitelo com molho cremoso de cogumelos: delícia que custa uns R$ 32

A cozinha italiana, na minha opinião, é a mais aconchegante de todas. Uma massa, envolta em molho, seja de tomates maduros, seja de cogumelos ao creme, seja um pesto aromático, é como receber carinho na língua, é como afagar o estômago.  O fenômeno se repete em todas as regiões do país, da dieta mediterrânea do Sul às receitas calóricas do Norte. Uma salada capresa regada com azeite, um minestrone fumegante, uma pizza, um espaguete à bolonhesa, uma lasanha, um risoto daqueles bem cremosos, um brasato al Barolo e tantos outros são pratos que nos aproximam do Céu: é a elevação gastronômica da simplicidade, a culinária franciscana, a bíblia em forma de alimento, uma missa que se come, uma reza que se faz saboreando.
Restaurantes italianos deveriam ser baratos, e na Itália encontramos casas que servem uma comida sublime, a preços bastante convidativos. No Brasil não é muito fácil hoje em dia encontrar um grande restaurante italiano onde se possa ir comer todos os dias. O Pomodorino, na Lagoa, é um desses poucos lugares em que um casal pode jantar muito bem com menos de R$ 100 (dependendo da fome e da sede, dá até para colocar um vinhozinho nessa soma aí). Conta pontos a favor a localização privilegiada, na porção ipanemense da Lagoa, com vista bonita, num ambiente agradável. Escolha uma mesa na varanda envidraçada, sem dúvida um dos locais mais aprazíveis e – porque não dizer? _ românticos da cidade para uma longa refeição, seja de noite estrelada, seja numa tarde ensolarada (de inverno, ok?).
O problema é que ir ao Pomodorino exige planejando: não dá para chegar assim, ali pelas 21h, e dizer: “E aí, vamos jantar no Pomodorino?”. Como a casa não aceita cartões de crédito, o que é inacreditável nos dias de hoje, temos que passar no banco e sacar dinheiro antes de chegar ao restaurante (não, não uso cheque), o que é um baita inconveniente. Assim, vou menos ao Pomodorino do que gostaria. Ainda assim, no ano passado eu jantei lá umas três vezes. Comi bem em todas, e saí satisfeito com a comida e com o valor da conta.
Esse ravióli de vitelo aí da foto, que me fez refletir sobre como é aconchegante a cozinha italiana, é um prato fantástico, com recheio delicado, massa bem feita e saborosa, e um molho admirável, com cogumelos de qualidade em quantidade suficiente para deixar a receita equilibrada, tudo ainda melhor quando cai aquela chuva de parmesão ralado. Não estou com absoluta certeza, mas acho que custa uns R$ 32. Sim, R$ 32, uma porção farta. Delicioso.
No fim, prove o tiramisu.
A carta de vinho é muito boa, com rótulos adequados ao menu (leia-se boa oferta de italianos) e preços novamente atraentes.
Vá ao Pomodorino, vale a pena. Só não se esqueça de passar no banco, ou de pegar o talão de cheques.

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15 Respostas to “Pomodorino: bom, bonito, barato e um pouco inconveniente”

  1. Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Pomodorino […]

  2. Dri Says:

    Como você bem sabe, eu acho no mínimo estranha essa política do grupo em não aceitar cartões. A principal desculpa, de que seria para manter os preços baixos por não pagar taxa de administração para as empresas e receber mais rápido não cola. Se é esse mesmo o caso, porque não aumentar os preços do cardápio e oferecer desconto proporcional para pagamentos em cheque e espécie? Acredito que é oferecendo opções para todos os bolsos e gostos que um restaurante conquista sua clientela…

    • brunoagostini Says:

      Ao menos, em defesa dos donos, devo dizer que sei de muitos casos de pessoas que foram pegas de surpresa, foram embora e depois fizeram o depósito. Beijos

  3. Eduardo Says:

    Eu já passei uma saia justa no Artigiano certa vez por causa dessa prática. No final apareceu apareceu uma máquina daquelas antigas, com papel carbono… Apesar disso, voltei algumas vezes ao local, bem como ao Pomodorino. Sobre a forma de resolução sugerida acima para essa polêmica não-adoção dos meios de pagamento eletrônicos, formalmente isso não é permitido; infringe o código do consumidor: http://www.procon.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=299

  4. Dri Says:

    Que a prática não é permitida pelo código do consumidor eu sei, assim como todos nós sabemos que no mundo real ela existe em diversos lugares, não só em restaurantes. Não é nada incomum um lojista oferecer desconto para quem paga em dinheiro ou cheque, especialmente de clientes cadastrados….

  5. Rodrigo Says:

    Sobre cartoes, acredito que seja por princípios mesmo. Por mais que a propaganda nos faça crer que é impossível viver sem eles, a vida sem eles em TODOS os casos, seria mais prática e barata. Não somente pelos 3-6% de taxa por CADA transação. Não somente por receber 30-40 dias depois somente. Não somente por pagar de 80 a 120 reais mensalmente por cada máquina disponível no estabelecimento.

    Desaprendemos a andar com dinheiro pelo fato de não termos segurança pública, ok. Daí a achar NORMAL não andar com dinheiro e somente usar cc, é coisa de carioca. Ou de brasileiro, como preferir. Pessoas normais ainda usam dinheiro.

    Em tempo: nos meus negócios, também aboli todo o tipo de cartões de crédito/débito. Estranham de início, mas após as explicações acima, aceitam e concordam. E ao contrário do que eu também pensei, há 2 anos, quando tomei esta atitude, não impediu o crescimento do faturamento em nenhum momento nem perdi clientes por conta disso.

    Abcs,
    Rodrigo

    • Leonardo Manso Says:

      Caro Rodrigo, concordo plenamente com sua opinião. Sobre cartões de débito ou crédito, sem a intenção de demonizá-los – pelo menos totalmente – os tenho e os utilizo com critério. Em particular no Brasil, além de onerarem, significam uma grande fonte de renda para os operadores financeiros, anuidades, juros exorbitantes, taxas de antecipação, outros. Induz os menos descontrolados a gastos não programados, aquisições por impulso, isto sem dizer, que muitos nem sequer conferem suas faturas. Bem, este espaço é destinado ao prazer da gastronomia, não é? Vai ver que é por isso que o Pomodorino, à moda antiga, adotou receber dinheiro ou cheque. rs. Abraço. Leonardo Manso

  6. Maria de Fatima Rodrigues Cassibi Says:

    Ontem, sábado dia 19 de maio, fui ao Pomodorino para almoçar e estava fechado. Nao sabia. Ainda bem, pois estava com pouco dinheiro em espécie, como de costume. Iria pagar com cartão. Cheque eu ate tinha, mas hoje quase nao uso. Agora já sei. Só abrem sábado a noite. Dai, fomos ao Margutta. Que maravilha, tudo de bom! Amei. E olha, eu sou exigente!!! Nao perdi a viagem e valeu sair de Niteroi. Agora, se Deus quiser, virarei freguesa. Poucos restaurantes te deixam saudades. Esse foi um deles.

  7. Leonardo Manso Says:

    Sou um apaixonado pelo Pomodorino.
    Uma casa romântica com suas luzes sépias, decoração e ambiente aconchegantes conquistam quem chega já pelos jardins de entrada.
    Garçons simpáticos, discretos, e pelo que vejo, tradicionais na casa. Um indicador de entrosamento e boa convivência no ambiente de trabalho.
    O couvert, simples, porém cheio de sabor. Grissinis crocantes de gergelim, um ciabata sempre quentinho, potinhos de um bom azeite aromatizado com pimenta rosa (pra quem conhece e pede) porque foram substituídos por uma saborosa pastinha de azeitonas.
    Uma carta de vinho sortida em sintonia com o bom padrão do cardápio. Preços justos e uvas variadas. Não resisto aos primitivos que muito bem acompanham um bom jantar entre amigos. Não tem mulher que não aprecie esta casta de uvas pouco badalada.
    Risotos, camarões, vieiras, filés chegam à mesa com um discreto ritual, que agrega classe e distinção aos comensais.
    Agradabilíssimo ambiente em que famílias e casais apaixonados degustam as iguarias cheias de sabor.
    Sobremesas não são meu forte, mas minha filha adora o profiteróles em calda aquecida.
    Na hora de pagar, sem problema. Acho justo e compreensível o porque de não aceitarem cartão. Já tive a satisfação de sair e depositar o dinheiro na conta deles. Opção oferecida pelo maitre.
    O que me conquistou no Pomodorino? Esse jeito jeito simples, maduro e criterioso de oferecer um atendimento justo e respeitável a seus clientes.

  8. claudiagracacouto Says:

    Acho um absurdo um cliente passar por este inconveniente de não poder pagar com cartão de crédito. Não existe justificativa para um restaurante ou qualquer estabelecimento não receber pagamentos em cartão. Hoje em dia ninguém mais usa cheques nem muito menos dinheiro. É obrigação de todos os restaurantes aceitarem cartões e emitirem cupom fiscal para todos os valores recebidos. Esta pratica é conhecida no Artigiano, Ana e Pomodorino. Acho muito inconveniente e não me senti nada bem ao ser informada que meu cartão não seria aceito quando fui no Ana. Depois fui informada por um amigo que os outros dois restaurantes são dos mesmos sócios e por isso tem a mesma politica.

  9. João Franco Says:

    Acho justo e certo trabalhar seguindo sua determinação, agora acho muito impositivo é o uso dos cartões de créditos, enfiado goela abaixo dos brasileiros porque era moda nos Estados Unidos.
    Os espertalhões acharam uma forma de ser sócio de seu estabelecimento ficando com parte do faturamento..Alem do agravante de que através do rastreamento dos gastos registrados nos cartões, a RF ira dentro de algum tempo fazer o cruzamento com as declarações dos modernosos. Hi ai mané? vai reclamar pra quem?

  10. João Paulo Says:

    Aceitam cartão de debito ?

    • Leonardo Manso Says:

      João Paulo,

      sou cliente do Pomodorino, portanto minha opinião é isenta de interesse próprio no assunto.

      Não aceitam cartões de qualquer tipo, débito ou crédito.
      Aceitam cheque ou dinheiro.

      Isto portanto não deve servir de impedimento para que vc tenha uma experiência agradável de saborear uma boa comida, um couvert diferenciado (ciabatas e sticks quentinhos) uma carta de vinhos equilibrada, excelente custo x benefício, preços justos, num ambiente aconchegante e atendimento de bom nível.

      Julgo ser um dos melhores restaurantes do Rio.

      Abrc

      Leonardo Manso

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