João de Barro: asas à tradição no Centro do Rio de Janeiro

Na primeira vez que fui ao Beco das Sardinhas, numa happy hour de sexta-feira há uns dez anos atrás, eu passei pela porta do restaurante João de Barro. O lugar me chamou a atenção, em primeiro lugar porque eu tenho especial admiração por essa ave com vocação para a arquitetura, que constrói lindos ninhos usando apenas o barro – no Uruguai e na Argentina o bicho é chamado de “hornero”, que seria em tradução livre “forneiro”, em português, isso porque a sua casinha tem formato de forno de barro, daqueles para assar pizzas, e mais recentemente esse apreço só fez crescer, quando descobri que o pássaro gosta de morar em vinhedos (a foto foi feita na Bodega Bouza, bem pertinho de Montevidéu, na viagem que fiz no fim do ano passado). Pois desde aquele ano de 2002 eu tinha vontade de visitar o restaurante João de Barro.

Passava pela porta e lia o cardápio, cheio de pratos com nomes de frequentadores, e ficava invariavelmente com vontade de entrar. Vontade essa que cresceu imesamente ao saber que o seu Augusto Vieira, maitre e sócio do restaurante Málaga, bem perto dali, trabalhou por anos no João de Barro. A casa tem, naturalmente, esse espírito acolhedor, representado pelo dono sempre presente, pelos garçons com décadas de casa, pelo cardápio clássico.

Pois finalmente almocei por lá dia desses (estava combinando de ir com o Joaquim Ferreira dos Santos, mas não resisti…).

Aproveitei que tinha um compromisso pela manhã no Centro e cheguei ao João de Barro logo depois dele, exatamente às 11h30, hora de abertura da casa.

Claro que fui o primeiro cliente do dia. O vitral não é algo que eu chamaria de belo… Mas acredita que eu curti?

Dispensei o couvert, mas acabei aceitando os croquetinhos servidos pelo garçom, que não incluiu os acepipes na conta, simpaticamente. Pouco antes eu havia pedido uma garrafinha de vinho, daquelas de 187ml, de um dos meus produtores preferidos, o português Paulo Laureano.

Com muita dúvida no coração, quase pedi um prato marinho, instigado pela seleção de receitas que transitam entre combinações clássicas, como polvo à espanhola, cavaquinha ao thermidor, moqueca de frutos do mar e bacalhau à lagareiro, e outras mais raras de se ver, como cherne ao molho de mel e mostarda com arroz de açafrão, e uma série de pratos batizados com nomes de clientes assíduos.

Quem sabe como maneira de ter que voltar em breve, já estava simpatizando bastante com o lugar, acabei pedindo o prato do dia: naquela terça-feira era um arroz de rabada, e sempre que existe uma rabada no menu eu fico tentado a pedir. Vou ter mesmo que voltar, porque não só escolhi o arroz de rabada, como achei muito bom.

Não espere um risoto italiano. Era arroz comum mesmo. Mas o que vale, neste caso, é o sabor da carne, o tempero exato: havia boa quantidade de rabada misturada ao arroz, e havia também uns pedaços especiais, daqueles miudinhos, coroando o meu PF chique. Custava R$ 37,90 e dava até para duas pessoas (que não tivessem muita fome: eu deixei quase metade, e olha que estava muito bom, mas havia uma tarde de muito trabalho em seguida, e fechar jornal com sono é muito ruim).

Pulei o café, e fui para o jornal, seguro de que não vai demorar muito para eu voltar ao João de Barro. De preferência, carregando o Joaquim…

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Agora, o cardápio (clique na foto para aumentar e facilitar a leitura).

Começo pelo fim, mostrando os “Pratos dos amigos” e as sobremesas.

Os pratos do dia e as sugestões do chef.

Entradas, saladas, sopas e carnes…

Frutos do mar, aves e massas…

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro (e umas crônicas como essa): clique aqui.

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3 Respostas to “João de Barro: asas à tradição no Centro do Rio de Janeiro”

  1. Juliana Amorim Says:

    “Obrigada SENHOR por existir o Bruno Agostini! Que encontra e legitima lugares incriveis para seus leitores!”
    Bruno vc me faz acreditar que mesmo com essas obras chatíssimas no Centro da Cidade ainda há motivos para se acreditar! Parafraseando o cara: “YES, WE CAN!”

  2. raq Says:

    Oi Bruno, estou até envergonhada de pedir isso, acho que estou sendo abusada, mas você me indicaria um lugar para almoçar sábado próximo à feira da praça xv?

  3. Admar Célia Brennnad Says:

    Nossa! Esse lugar é maravilhoso, os garçons super educados e os pratos uma delicia, vale a pena visitar.

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