Yalla by Amir e o amor pela cozinha árabe: uma casa moderna desperta uma antiga paixão

Com menos de cinco anos eu tinha grande prazer em ir ao pediatra. Não que gostasse de estetoscópio, termômetro e otoscópio, mas sim das esfirras do Baalbeck, que há mais de 50 anos serve comidas árabes na Galeria Menescal, em Copacabana, endereço do meu primeiro médico, dr. Geraldo Leme.
Pois passei a infância assim, indo feliz ao pediatra, porque no final tinha a recompensa em forma de esfirra.
Em paralelo a isso, quando em tinha uns seis ou sete anos, 1li por 1982, 1983, uma família de libaneses, fugindo da Guerra Civil no país, tornou-se minha vizinha, na casa de Teresópolis, onde passava férias, feriados e fins de semana. E depois chegaram mais imigrantes de origem árabe, de maneira que tabule, esfirra, quibe, carneiro assado e outras delícias étnicas passaram a fazer parte de maneira ainda mais corriqueira no meu cotidiano. Até pão eles faziam ali. Adorava a versão com za’atar. E a coalhada seca? Com hortelã e cebola picadinhas (foi assim, aliás, que passei a adorar cebola), regando com azeite e suco de limão. O sabor da simplicidade e da leveza, a valorização do frescor do ingredientes, a preservação dos sabores originais, as técnicas ancestrais de culinária… Tudo isso se entranhou em mim a partir dali, na mais tenra infância. Ah, e o halawa, e de gergelim, e toda aquela família de doces com massas folheadas, com pistache, mel, água de flor de laranjeira… Loucura total.
Lembrou-me bem, que ali aos dez anos, quando comecei a me aventurar na cozinha, preparando uns rocamboles para a família, eu tinha orgulho, e até certa pretensão em dizer que, entre todas, a cozinha árabe era a minha favorita (como se eu conhecesse muita coisa àquela altura).
Pois até hoje a comida árabe me comove, de maneira que o Amir está entre os meus restaurantes preferidos (para pedir em casa, é o melhor, junto com o Antiquarius), assim como o Cedro do Líbano e o Sírio e Libanês – também acho que o Árabe da Lagoa é o melhor quiosque do Parque dos Patins, pogramaço, e tanto o Baalbeck quanto a Rotisseria Sírio e Libanesa são dois dos melhores lugares para comer rapidamente no Rio, e até aqui, na lanchonete do Globo, o meu salgado preferido, que vale como almoço nos dias mais corridos, é a esfirra de carne, seguida pelo quibe (o pão de queijo também dá Ibope).
Todo esse imenso sentimentalismo gastronômico de hoje, essa revisitação da infância, foi motivada por umas fotos que encontrei. do Yalla by Amir, versão الوجبات السريعة  (fast food em árabe) do melhor restaurante árabe do Rio de Janeiro, inaugurado há cerca de dois anos, na rua Dias Ferreira.
Adoro o lugar. Estive lá três ou quatro vezes, e em todas elas – todas – a proprietária, Yasmim Habre, filha do dono do Amir, estava lá. Ia a mesa perguntar se estava tudo correto. Quase tudo: só as batatas fritas não me agradaram, meio massudas. Todo o resto me encanta, começando pela sopa fria de coalhada com pepino, refresco e leveza numa tarde quente, assim como a salada de feta com tomate e azeitonas pretas, dois ótimos começos. Também há salgados (quibe e esfirra), pastinhas com pão árabe e arroz com lentilhas, além de uma pecaminosa seleção de doces. Mas o foco da casa são mesmo  os sanduíches: o shawarma de cordeiro (na foto do alto) mantém o nível da casa original, em Copacabana, simplesmente fantástico. E vale por uma refeição.  Bela refeição.
O lugar é simpático, pequeno e moderninho, na medida para um lanche rápido e saboroso, sem pesar no bolso nem no estômago.

 

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro (e umas crônicas como essa): clique aqui.

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4 Respostas to “Yalla by Amir e o amor pela cozinha árabe: uma casa moderna desperta uma antiga paixão”

  1. Lica Says:

    Bruno,
    Na Veja Rio Comes e Bebes de 2001, saiu a noticia que a Yasmin Habre não faz mais parte da sociedade ( http://vejario.abril.com.br/edicao-da-semana/kebabs-rio-642644.shtml ), por isso o restaurante não leva mais o By Amir no nome.
    Dá uma confirmada nesta informação.
    Grande abraço.

  2. brunoagostini Says:

    É mesmo? Que coisa. Estive lá pela última vez em setembro, talvez outubro, e ela estava lá, como em todas as outras vezes. Vou dar uma ligada lá. Obrigado pelo aviso. Um abraço!

  3. Bárbara Says:

    Ainda acho o Baalbeck, da Galeria Menescal, o melhor deles; além de ser o mais barato.

    O Cedro do Líbano e o Sírio & Libanês, já tiveram seus dias de glória, mas hoje são caros e a comida não vale tudo isso.

    O Amir, bem, o Amir é caríssimo.

    O texto não fala do Arab, da Av. Atlântica, comida árabe-judaica, à quilo, muito boa. E as maçãs assadas com damasco, são de comer de joelhos, rezando.
    SARTEMM !!

  4. raquel Says:

    também adoro o yalla. eu estava viciada na (no?) muhammara de lá.

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