De volta ao Olympe: uma noite triunfal na casa de Claude Troisgros, que vai abrir uma tratoria italiana no mês que vem

Claude Troisgros mudou de ideia. Em vez de uma filial do CT Boucherie, sucesso absoluto no Leblon, ele vai inaugurar no lugar do antigo Bistrô 66, na Jordim Botânico, em um mês, um novo projeto: a CT Tratoria.
– Minha mãe nasceu na Itália, como massa desde criança. Sempre tive vontade de abrir um restaurante italiano – explica o chef francês. – Estamos há um mês fazendo massas todos os dias. O povo pensa que massa é só ovo e farinha, mas tem um monte de tipos, e estamos acertando o ponto, é difícil fazer uma massa delicada – disse o Claude (lá dentro, na cozinha, eu via Thomas, seu filho, cozinhando uma espaguete).
Claude sabe de massas. Já comi coisas maravilhosas ali, como um ravióli aberto de baroa, além de risotos no ponto exato, com cremosidade, volume e sabor.


Ontem estive, depois de quase um ano de ausência, novamente no Olympe. Ainda não tinha visitado a casa na esquina da rua Frei Leandro com Custódio Serrão, no jardim Botânico. A nova fachada está uma graça, com tijolinho aparente. Lá dentro, não notei mudança alguma.
Combinei com um casal de amigos, que conheci em viagem fabulosa pela Alsácia. Comemos muito bem por lá. Para manter o nível, poucos lugares no Rio, e o Olympe é um deles, claro.
Quando o chef deixou a cozinha e foi até nossa mesa, ficou difícil resistir à oferta de provarmos o menu confiance, de R$ 330, quando deixamos Troisgros escolher os nossos pratos. Fiquei com vontade até de fazer meu cardápio, optando pela fórmula de R$ 285, com duas entradas, dois pratos principais e uma sobremesa. Fazia tempo que não comia a famosa codorna ao molho de jaboticaba. Mas, em uníssimo, escolhemos o menu do chef, o que ali é sempre garantia de felicidade.


Começamos com um capuccino de cogumelos, quentinho e acolhedor. Começamos é modo de dizer, porque é sempre impossível não se deliciar com os biscoitos de povilho ao curry, e ao pão com manteiga, trio que integra o couvert, simples, direto, saboroso, perfeito para iniciar os trabalhos.


O primeiro prato propriamente dito, depois de “divertirmos as bocas” foi um fantástico foie gras, entremeado com palmito, espécie de terrine, com camadas delicadas, finas. Preciosidade servida com rapadura, sim, rapadura, e uma pequena dose de cachaça, além de sal negro do Havaí, da marca Bendita.


– Sou eu que produzo essa pinga, com um grupo de sócios, numa fazenda de Cataguases – diz o Claude. – Vamos engarrafar com o meu nome a partir de agora – revela.
Preciso dizer que estava um espetáculo? Ainda mais com um bom e fresco Borgonha branco na taça.

A etapa seguinte foi um dos pratos mais encantadores dos últimos tempos, um ovo poché cozido no borscht (sopa de beterraba) sobre batata palha, com perfume de trufas…

…e um caldo de carne, delicada e aromático. Emocionante.


Em seguida, um lindo lagostim confinado em rolinho crocante de batata doce, composição valorizada pelas ervinhas que enfeitavam o prato, deixando um rastro de erva doce, com o amarguinho delicado de pequenas folhas de agrião, o a tensão salgada de um pedaço de alcaparrão.


Depois, um cherne fresco e bem grelhado, com um naco de biscoito de polvinho preparado em forma de lâmina, com um pirão de tucupi. Uh-lá-lá!!!


Encerramos o percurso salgado com um lombo de cordeiro em crosta de açaí (sim, açaí), servido com o já famoso mil folhas crocante de aipim, daqueles acompanhamentos que tornam qualuqre prato melhor, daquelas receitas felizes que estão longe de ser coadjuvante. Para completarm uma lâmina delicada de aspargos frescos, e um rico molho de vinho tinto.

Nas taças, um belíssimo Bordeaux.


Encerramos com três sobremesas. Um cheese cake de cupuaçu,…

…um trio formado por harumaki de doce de leite, creme brulée e uma mousse de chocolate apimentada, …

…além do sempre delicioso “crepe passion”, criado em 1982, um crepe com massa tipo suflê com calda de maracujá.
Depois, café e adoráveis petit fours. Ah, sim, e  uma dose de poire bem geladinho.
Depois dessa, dormi nas nuvens.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

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5 Respostas to “De volta ao Olympe: uma noite triunfal na casa de Claude Troisgros, que vai abrir uma tratoria italiana no mês que vem”

  1. Déborah Says:

    Temos certeza que a comida e o lugar são magníficos. Sempre que podemos, vamos ao CT e saímos extasiadas. Beijos Cariocas da Clara. http://www.cariocasdaclara.com

  2. Alain Ingles Says:

    Excelente. Não posso mais postergar… Abr

  3. Marisa Vianna Says:

    que marrrrraaaavilha!

  4. Troisgros Brasil Says:

    Obrigada pelo seu post Bruno, é muito bom saber que nossos clientes estão satisfeitos. Compartilhamos no nosso facebook e twitter!

    Um abraço de toda a equipe Troisgros Brasil.

    https://www.facebook.com/troisgrosbrasil
    http://twitter.com/#!/troisgrosbrasil

  5. Ana Paula Fernandes Says:

    Ai que saudades…. Tenho que voltar logo! Sou fã!

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