Boto fé na Gruta de Santo Antônio, o melhor restaurante de Niterói, tão bom quanto os melhores portugueses do Rio

Adoro aquela música que a Bethânia gravou em Brasileirinho, um dos seus melhores discos.  Ela começa assim: “Que seria de mim, meu Deus, sem a fé em Antônio”, linda.

“Que seria de mim meu Deus
Sem a fé em Antônio
A luz desceu do céu
Clareando o encanto
Da espada espelhada em Deus
Viva viva meu santo

Saúde que foge
Volta por outro caminho
Amor que se perde
Nasce outro no ninho
Maldade que vem e vai
Vira flor na alegria
Trezena de julho
É tempo sagrado
Na minha Bahia

Antônio querido
Preciso do seu carinho
Se ando perdido
Mostre-me novo caminho
Nas tuas pegadas claras
Trilho o meu destino
Estou nos teus braços
Como se fosse
Deus menino”

Que beleza. Adoro essa música. Na minha religiosidade difusa, tenho muitos santos de devoção. São Jorge, como amante do samba e dos botecos. São Benetido, como um apaixonado pela gastronomia, e também Nossa Senhora do Rosário, que com o padroeiro dos cozinheiros abençoa a linda festa que acontece em novembro, em Paraty, uma versão da Festa do Divino, tradição da comunidade de origem africana da cidade. São Sebastião, como carioca. São Francisco, pela humildade e pela simplicidade.

Desculpe esse prólogo religioso, mas a boa comida também me leva a Deus.

A Gruta de Santo Antônio, em Niterói, é um altar de delícias portuguesas, um relicário de tentações, com o perdão da palavra.

Um templo da gastronomia lusitana, onde o pecado da gula em vez de ser coibido, é estimulado. Oratório culinário.

Bolinhos de bacalhau,…

…pataniscas,…

… camarões à bulhões pato, escabeche de atum… são como uma oração.

O polvo grelhado na brasa é uma bênção.

Regar seus tentáculos com azeite português e a pimenta vermelha feita na casa, cuja ardência é glória, não penitência, é como batizar a comida com água benta. Abençoado óleo de oliva. Gloriosa malagueta.

O bacalhau merece louvor de todos os fiéis da boa mesa. Não fica dever aos melhores portugueses do Rio. É tão bom quanto Antiquarius, Adegão Português e Adonis.

Sua adega é um relicário de garrafas.

Dona Henriqueta é uma santa cozinheira.

Um almoço na Gruta de Santo Antônio é digno de missa em sua homenagem. Dominical. Com a presença do Bispo, com cantos gregorianos.

Seus doces conventuais perecem preces poéticas, feitas de açúcar em comunhão com ovos. Ave encharcada, cheia de graça.

Amém.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

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Uma resposta to “Boto fé na Gruta de Santo Antônio, o melhor restaurante de Niterói, tão bom quanto os melhores portugueses do Rio”

  1. Júlio Says:

    Único senão.Não é fácil de achar.Bom ir com o end e perguntar.

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