Archive for abril \27\UTC 2012

Petrópolis, a cidade (do bacalhau) imperial

27/04/2012

Até a Casa do Alemão e a Pavelka, dois emblemas da cozinha germânica de Petrópolis, se renderam ao bacalhau, servindo croquetes com o peixe de origem norueguesa e coração lusitano. Depois da reportagem do Eduardo Maia, que viu bacalhau vivo e com cabeça em seu local de origem, apresentamos um roteiro por endereços serranos especialistas em prepará-lo.

A Cidade Imperial tem tradição no preparo de pratos com bacalhau, a começar por um dos seus restaurantes mais clássicos, o Parrô do Valentim (tel. 24 2222-1281), inaugurado em 1978 em Itaipava. A casa às margens da estrada União e Indústria mudou de donos e passou por uma reforma recente. Mas o lugar ainda é um porto seguro para se deliciar com bolinhos de bacalhau e pratos preparados com esse peixe salgado.

Em Araras, o Oliveiras da Serra (tel. 24 2225-0520) é outra casa portuguesa, com certeza. O “pastel” de bacalhau servido ali é, hoje, o melhor da cidade. Frito na hora, chega à mesa quentinho, com massa saborosa e com boa quantidade do peixe.

Na região central de Petrópolis o bar Recreio (tel. 24 2231-1180) tem uma clientela fiel formada por moradores da cidade que não se cansam de pedir os bolinhos debacalhau, servidos em formato alongado, como um charuto.

No restaurante Leopoldina, do hotel Solar do Império (tel. 24 2103-3000), uma das receitas mais conhecidas da chef Cláudia Mascarenhas é o “bacalhau pensado na cama”, batizado assim por ter sido criado em um momento de descanso. O prato leva batatas ao murro, pimentões, alho e azeitonas. O restaurante serve ainda outras duas receitas com o peixe: uma casquinha com cream cheese e alho-poró e o bacalhau com natas da quinhas, que é gratinado com creme de leite, cebola e batata palha. Ainda mais carregado no sotaque português é o restaurante O Transmontano, no Bragança Palace Hotel (tel. 24 2244-9655), servindo, ora pois, várias receitas de bacalhau. A começar pelos bolinhos.

Índice de posts de cidades no estado do Rio de Janeiro: clique aqui.

CT Trattorie, a casa italiana de Claude Troisgros: na primeira semana, casa lotada, e boas impressões a respeito da cozinha

26/04/2012

Como eu já podia imaginar, a CT Trattorie, de Claude Troisgros, é um sucesso estrondoso nesse início. Almocei lá hoje, e a casa estava absolutamente lotada: sorte que a minha companheira de almoço tinha feito reserva, e já me esperava na mesa quando cheguei. Havia umas seis pessoas esperando lugar.


Casa lotada, muita gente falando alto, muitos rostos conhecidos, gente querida. Posso dizer, sem medo de errar, que hoje a CT Trattorie é um lugar não apenas para se comer bem, mas para ver e ser visto. Tá todo mundo lá.


Meu almoço, adornado com vinhos da Borgonha, foi simplesmente delicioso, confortável, aconchegante, divertido.


Começamos com o pão da casa, impressionamente delicioso, com casquinha daquelas bem crocantes, que fazem um barulhão quando mordidas. Uma beleza, dispensando qualquer coisa: nem qujeijo, nem manteiga, nem azeite (se bem que o boursin imerso em azeite e pimenta-rosa estava ótima, e caía como uma luva sobre o miolo saboroso).


Em seguida, duas entradinhas: uma espécie de carpaccio de cogumelos, com queijo e delicados croutons, que estava magnífica,…

…e um pratinho de conservas, com salmão, abobrinha, salada de feijão…Beleza.

Sem falar nos queijinhos: mozzarella de búfala e grana padano.


Depois, uma adorável massa com molho de cordeiro, saborosíssima, muito italiana, com farinha de rosca jogada por sobre tudo. Curti muito.


Encerrarmos com  um galetinho assado que eu vou te contar… Um show. E olha que franguinhos e galetinhos raramente me comovem, ainda que eu goste de comê-los. Mas este estava mesmo maravilhoso, servido sobre um creme de cogumelos, com um molho denso e saboroso, ladeado por cebolinhas grelhadas e alhos assados, na ilustre companhia de batatinhas fritas crocantemente deliciosas.
Ao final, o Claude foi a mesa, e, ao ouvir meus elogios, desafiou:
– Ah, mas você tem que vir à noite. Aí, sim, parece mesmo uma casa italiana.
Bem, nem preciso dizer que na semana que vem lá estarei eu novamente na CT Trattoria. Não sou homem de levar desafio pra casa.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro:clique aqui.

Uma seleção de matérias para aproveitar o inverno serrano

25/04/2012

Agora que o friozinho está começando a ficar gostoso, e na total falta de tempo de atualizar o blog nesta semana, fiz muma seleção de reportagens do Boa Viagem e posts no blog Enoteca sobre as cidades da serra fluminense.

Que vontade de acender a lareira, abrir um bom tinto e fazer uma comidinha bem gostosa!

Durante a visita ao Capril Genève, em Teresópolis, as crianças podem alimentar as cabras

Teresópolis-Friburgo: um circuito perto do Rio cheio de paradas para comer, comprar e se hospedar

Villa St. Gallen, o templo cervejeiro em Teresópolis

A boemia sobe a serra em direção a Teresópolis

Um roteiro por Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo

Trufas e bons vinhos no restaurante Il Perugino, em Petrópolis

Os melhores restaurantes de Petrópolis

Vinhos em Visconde de Mauá

Um lindo almoço no restaurante Gosto com Gosto, em Visconde de Mauá

Um fim de semana em Visconde de Mauá, agora com acesso asfaltado

No Crescente Gastronomia, em Friburgo, vinho da casa é mesmo da casa

Um passeio imperdível pelo Capril Genève, em Teresópolis

Restaurantes russo e português na lista de bons endereços gastronômicos de Teresópolis

Petrópolis, cidade imperial e capital da cerveja

Inverno vintage e frio em família na Região Serrana

Índice de posts de cidades no estado do Rio de Janeiro: clique aqui.

E MAIS: alguns passeios por cidades de Minas Gerais e São Paulo, que podem ser feitos em viagens de carro, programas também ainda melhores nos meses de outono-inverno.

Com lindas trilhas e cachoeiras, Aiuruoca festeja São João com boa comida e pousadas confortáveis

Tiradentes, a capital da cozinha mineira

Dona Licéia: sofisticação no Vale do Paraíba

Semana Santa: Paixão de Cristo à moda mineira

São Luís do Paraitinga: natureza é moldada para esportes de aventura como rafting e rapel

Aparecida recebe oito milhões de fiéis por ano, mas há poucos bons hotéis

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro:clique aqui.

Índice de posts de cidades no estado do Rio de Janeiro: clique aqui.

Terê Botequim: nove bares que merecem ser visitados na serra

19/04/2012

Terê Botequim: uma seleção de nove endereços imperdíveis

Um dos grandes méritos do guia Rio Botequim é conseguir se renovar a cada nova edição. Dessa vez não foi diferente.

Em primeiro lugar há o texto brilhante do Paulo Thiago de Mello, tratando com memória afetiva, conhecimento de causa e um olhar antropológico, com requintes acadêmicos, o que é essa instituição carioca, o botequim.

Depois de catalogar com ótimos textos e imagens todos os botecos mais clássicos do estado do Rio, agora o título faz um inventário dos endereços desconhecidos. São lugares ainda poucas vezes incluídos em guias de qualquer natureza. Alguns apresentam relativa fama, como o Galeto Sat’s, em Copacabana; o Bar do Horto, no Hortomercado de Itaipava, em Petrópolis; e outros foram pinçados a dedo em localidades como Paraty, caso do restaurante Netto; Ipiabas, em Barra do Piraí, o Zappa Bar; e Ilha Grande, como o Lua & Mar; ou mesmo no Rio de Janeiro, como o restaurante Faria, no Centro; a Merceria Arouca, no Cosme Velho; e o Bar Popeye, em Ipanema.

O guia está ótimo. Mas senti falta de representantes teresopolitanos, que já esteve presente no guia Rio Botequim em pelo menos uma edição, com a inclusão do Caldinho de Piranha, um botecão clássico do bairro de Agriões, especializado em pescados, além do acepipe que lhe batiza, uma encorpada e bem temperada sopa do invocado peixe pantaneiro, que fica uma maravilha quando regada com pimenta malagueta e azeite.

Aproveitando que tenho visitado Teresópolis regularmente, minha segunda casa, tenha frequentado botequins e restaurantes os mais variados.

Pelo menos nove deles poderiam ser incluídos em qualquer guia gastronômico que se faça do Rio de Janeiro, especialmente os que se dedicam a buscar coisas genuínas, de caráter tradicional, isso em forma de restaurantes clássicões, botequins de mais diversos perfis, biroscas pitorescas, pés-sujos e casas no estilos armazém de secos e molhados, e mesmo aqueles lugares que servem comida boa e barata em ambiente despojado.

BAR DO MINEIRO: Lugar simples, frequentado por famílias, casais e grupos de amigos, atrás de prazeres simples, com uma cerveja gelada escoltada por uma comida boa e barata. Os PFs são ótimos, mas a razão para uma visita a este botequinho simples e simpático é o raro chouriço, produzido em Além Paraíba (MG), além de uma costelinha de porco fabulosa. Tel. (21) 3097-2258.

BAR DO RANGEL: Você não dá nada por esse boteco simples com uma churrasqueira na porta… até provar o cupim e o peito de boi assados no bafo, a farofinha e o feijão. Mas não é só isso. A feijoada é maravilhosa. E, com alguma sorte, encontramos na vitrine aquecida um jiló fantástico, coberto com uma espécie de molho à bolonha, que também faz as vezes de recheio, ao lado de pedacinhos de quejo minas. Tel. (21) 2642-9039.

BIROSCA ROMANA DI SANDRO: O nome dá bem a noção do que se trata: um boteco italiano, que oferece boa comida a ótimos preços. O melhor são as massas acompanhadas de carnes servidas com molhos admiráveis, que podem ser comprados em potinhos para levar para casa (vale a pena). Prove a polenta com carne moída, a rabada, o ossobuco, o carneiro e o coelho assado. Não tem erros. Tel. (21) 2644-8484.

CALDO DE PIRANHA: Um dos melhores lugares do estado do Rio de Janeiro para comer peixes e frutos do mar. Além da sopinha que batiza a casa, vale provar o polvo ao alho e óleo e também o camarão acebolado no bafo, que ficam ótimos na companhia de brócolis. Para tudo ficar ainda melhor, peça uma porção extra de alho frito, e regue tudo iso com azeite e pimenta. Tel. (21) 2643-4908.

CAMPONESA DA BEIRA: Uma portinha discreta no Centro de Teresópolis serve bolinhos de bacalhau fantásticos (peça para fritar na hora), além de receitas com o peixe, com aquele preparo seguro de quem passou anos da vida ao fogão, caso da portuguesa Maria do Céu, que administra a casa ao lado do marido. Sob encomenda serve outras receitas, como cabrito assado. Tel. (21) 2742-1993.

CANTINHO DA VALÉRIA FERNANDES: São 113 sabores de pastel (como cordeiro com shitake) e cerca de 300 conservas diferentes, tudo preparado ali. Além dos petiscos, há um pequeno menu de pratos principais, e de outros que podem ser encomendados com antecedência, como o picadinho de javali ao alho. Tel. (21) 3643-6285.

LEITERIA SANTO ANTÔNIO: Apesar do nome, e da boa oferta de queijos e laticínios, o lugar é famoso mesmo por causa das empadas deliciosas, com massa delicada, servidas em versões com ou sem pimenta: as de carne-seca e de camarão, apimentadas, é claro, são as melhores. Mas também tem uma outra ótima, digna de nota, de palmito. Tel. (21) 2643-2435.

RISER DELIKATESSEN: Típico armazém, vende queijos, vinhos, conservas e produtos alimentícios variados. Mas também é ponto de encontro de moradores, que bebem cerveja de pé, consomem algumas das comidinhas disponíveis (com pão da padaria ao lado) e eventualmente até se juntam para cozinhar na pequena cozinha nos fundos. Tel. (21) 2742-9680.

TABERNA ALPINA: Endereço tradicionalíssimo, tem o charme da idade avançada, com garçons à moda antiga e cardápio idem. As especialidades alemães dão o tom: pato assado, salsichas, steak tartare, goulash e língua ao molho madeira estão entre os pratos mais indicados do menu, que também apresenta receitas típicas do receituário tradicional do Rio de Janeiro, como filé à francesa e escalopinho ao molho madeira com arroz á piemontese, além de uma generosa língua com purê de ervilha.. Para encerrar, goiabada com catupiry. Tel. (21) 2742-0123.

E mais:
Terê botequim, parte 2
Terê b otequim, parte 3

Índice de posts de cidades no estado do Rio de Janeiro: clique aqui.

CT Trattorie e Centro Gastronômico Lagoon: novidades serão inauguradas nos próximos dias

18/04/2012

Aqui da Sicília, linda Sicília, mando notícias tão fresquinhas quanto os deliciosos peixes que encontramos na ilha italiana: no próximo domingo o Rio ganha mais um promissor restaurante, a CT Trattorie, de Claude Troisgros, que vai funcionar no lugar do antigo 66 Bistrô, no Jardim Botânico. O cardápio será dedicado à cozinha italiana, terra da Olympe, mãe do chef francês.
Na semana que vem, se tudo correr bem, vou lá conferir a novidade, até para matar as saudades que já estarei sentindo do país mais saboroso do mundo.
Na sexta seguinte, dia 27, a cidade ganha mais um espaço dedicado à comida, com a inauguração do Centro Gastronômico Lagoon, no complexo do Estádio de Remo da Lagoa, com filiais do Quadrifoglio Caffè, do Pax Delícia e do Gula Gula, além de uma versão dedicada aos pescados, o Giuseppe Grill Mar, além do Lounge Bar San Remo, um bar de vinhos e tapas.
Dizem que a vista para a Lagoa é linda. Acredito, mas vou lá conferir mesmo assim, claro.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro:clique aqui.

A arte da cozinha, e a estética da comida: algumas considerações

17/04/2012
c

Sobremesa do restaurante Arnolfo, em Colle Val D'Elsa, na Toscana: parece Miró

Comer é um ato de tal nobreza, que eu acredito imensamente que um grande cozinheiro seja um artista. Embora muita gente, amantes da boa mesa (amantes mesmo?), inclusive, discorde disso, não resta dúvida de que cozinhar é um ato artístico de imensa relevância: há técnica, há criação, há imaginação, há filosofia, há fundamento e ideologia, há múltiplas maneiras de se compreender um prato, de se saborear uma receita. Já se sabe disso há tempos, e uma das maneiras de se referir à culinária é como “as artes da mesa”.
Um chef, e mesmo uma nonna italiana a preparar o seu tortelini, são muito mais artistas do que muitos músicos, escritores, cineastas, pintores, dançarinos, escultores e atores que andam por aí, incluindo vários que alcançam o sucesso. É uma arte que mexe com os sentidos todos: a visão, o tato, os aromas e, é claro, o paladar. Até a audição. Sim: não é uma maravilha escutar um ojo de bife crepitando na grelha ou a crocância da casca de um belo pão se rompendo? Comer bem emociona. Nos faz viajar. E até aquele família que produz um queijo da Serra da Estrela da maneira mais artesanal possível, é também um artista, como uma trupe de circo, que faz rir, que faz chorar, que faz as pessoas gozarem de felicidade.
Cozinhar é uma arte. E ponto.
É tão artístico o ritual do preparo de alimentos, que também podemos considerar a comida uma obra de arte do ponto de vista estético. Quando o Vik Muniz desenha com macarrão e molho de tomate, ou com chocolate, ele está fazendo arte. Para que a obra se perpetue, para que ela possa correr o mundo, ser exibida em galerias e museus, para isso é preciso que ela seja fotografada: a foto é o suporte.
Do mesmo modo, quando o Ferrán Adriá – e tantos outros cozinheiros, esmerados em fazer uma apresentação belísima dos seus pratos – criava as suas lindas receitas, com grande teor estético, com visual surpreendente, usando constrantes de cor e texturas, volumes e pigimentações, ele está fazendo arte visual, do mesmo modo que pintores, desenhistas, escultores. Não à toa o cozinheiro catalão foi o primeiro a participar de uma feira de artes, a Documenta, de Kassel, na Alemanha.
Seus pratos não foram degustados, foram exibidos. Isso é arte.
Nenhum artista influenciou tanto os cozinheiros quanto o catalão Joan Miró (seria coincidência ele ser da Catalunha, celeiro desse chefs revolucionários em termos estéticos?, como bem me lembrou o Pedro Mello e Souza. Acho que não).
A maneira do artista se expressar na tela é inspiração nítida para a maioria dos chefs que se preocupa em apresentar um prato. Os riscos grossos, traçados de maneira desuniforme, as construções redondas em contrapontos às retas, o negro, o vermelho e o amarelo pintando a louça branca, os traços volumosos, são a marca do pintor.
E podemos considerar, ainda, o cruzamento das questões estéticas com as receitas modernas, tendo como fio condutor o conceito de desconstrução. É o cubismo, o trabalho do Picasso, ao desmembrar um rosto, é a linha do construtivismo de Mondrián e Kandinsky, contraponto à desconstrução que virou uma obcessão dos chefs contemporâneos: é a feijoada da Helena Rizzo, do Maní, e a interpretação do Felipe Bronze, do Oro, deste mesmo prato brasileiríssimos. Geometria de uma receita.
Como muito bem lembrou o Luiz Horta, poço de cultura, o italiano Filippo Balla, nos anos 1920, já pregava esses conceitos. Ali, possivelmente nasceram os fundamentos da cozinha moderna, em termos estéticos, de apresentação. Era o movimento conhecido como futurismo. Era futurismo, na medida em que àquela altura era impossível de ser executado, faltava técnica, equipamento e conhecimentos científicos.
E vamos terminando por aqui, porque o assunto é quase interminável.

 

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro:clique aqui.

Sabor do Brasil, de Alice Granato e Sergio Pagano: um livro lindo e delicioso de ler e de olhar

16/04/2012

Gosto de livros, e mais ainda, de palavras, de fotografias e da comida. Aprecio a beleza, as coisas feitas com carinho e atenção. Por isso, eu fiquei tão feliz ao folhear o livro Sabor do Brasil. Por isso, achei tão lindo o livro Sabor do Brasil, da querida amiga Alice Granato, e do não menos admirável Sergio Pagano.

Poderia ser um livro de cabeceira, pela delícia do texto, capaz de embalar bons sonhos. Mas, pelo formato e espetáculo das fotos , merece mesmo lugar de destaque na mesa da sala.

Quando o seu amigo chegar em casa, e pegar o livro para folhear, diga, se achar necessário: “Não repare apenas nas imagens, leia”.

O texto é muito saboroso, recheado de referências culturais, poesia, com personagens maravilhosos. Lindo, lindo, lindo.

Aos cozinheiros, amadores e profissionais, vale também experimentar as receitas, meticulosamente escolhidas entre as mais expressivas do Brasil. Há chefs das antigas, e os mais modernos. Há doceiros de Tiradentes, restaurantes classudos e comida de rua, há modernis e tradicionais, há releituras de receitas clássicas, há pratos de teor ultracontemporâneo.

Ali, temos o Brasil mais gostoso e lindo.

O momento é outro, mas não me lembro de existir nada mais relevante para a cozinha brasileira desde Câmara Cascudo.

 

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro:clique aqui.

Índice de posts de cidades no estado do Rio de Janeiro: clique aqui.

A Sicília e o limão siciliano

13/04/2012


Embarco em minutos para a Itália, para uma viagem que inclui Roma, e as áreas vinícolas da Toscana e da Sicília.
Claro que a Toscana me anima. Mas o meu interesse maior é sem dúvida a Sicília. Tenho um imenso fascínio por esse ilha há muito. Adoro o limão siciliano.
E, como despedida, deixo uma listinha de coisas que adoro preperadas com a fruta.
Temos o cremoso risoto de camarões com limão siciliano, do Fasano al Mare (na foto), irretocável, delicioso.
O Meza também tem uma receita famosa parecida, ainda mais simples: um adorável risoto de limão siciliano, clássico da casa de Fábio Batistella.
No Stuzzi encontramos o limão siciliano recheado com rilette de salmão. Lindo e saboroso.
No Bazzar Café, temos o salmão grelhado com risoto de limão siciliano.
E é o arroz de limão a melhor companhia para os imensos e incríveis camarões, lagostinhas e lulas, delicadamente empanados, o Satyricon.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro:clique aqui.

Guy, um gostoso e agradável misto de bistrô, café, padaria e confeitaria, na Fonte da Saudade: já quero voltar

11/04/2012


Há lugares, sem uma explicação muito lógica, que demoro muito a conhecer pela primeira vez. Às vezes, mesmo morando perto, passam anos e mais anos entre a primeira referência positiva que tive a respeito de algum restaurante ou bar e a minha visita inaugural.

Foi assim com o Guy, na Fonte da Saudade, ali praticamente no encontro da Lagoa com o Humaitá. Neste caso, a demora é ainda mais injustificada, devido ao perfil do lugar, misto de padaria, delicatessen, loja de vinhos e bistrô. Ou seja, poderia ter ido para comprar pães ou doces, para abastecer a adega oo conhecer um novo rótulo de vinho, para almoçar, lanchar ou jantar,  para um belo café da manhã…

Pois estive lá no mês passado, e tudo o que sempre lia e ouvia a respeito da chef da casa, a Elba Ximenes, é a mais purta verdade.  Ele é pura simpatia, e faz uma cozinha gostosa, de base francesa mas aberta a influências italianas e asiáticas, em uma local muito agradável, numa casa de esquina: no andar de baixo, a padaria e a loja de produtos alimentares e bebidas, em cima, o restaurante.
No comando do salão, o competente e simpático sommelier Paulo Limarque, gente boa, que fez uma bela seleção de vinhos para a nossa mesa.

Recomendo firmemente o couvert, que tem os pães feitos ali, associados a uma seleção de gostosuras, com boursin de cabra, zestes  de laranja, azeitonas marinadas  e geléia de pimentão vermelho.
Ah, sim, e uma sopinha de batata doce com grana pádano, como abre-alas.


Acho uma boa, ainda, pedir as terrines, igualmente feitas na casa. Recomendo essas da foto,  a terrine de queijo de cabra com pimenta rosa e a de campagne.

E um prosecco para acompanhar.


Para começar, podemos pedir ceviche de frutos do mar, e uma deliciosa guiosa de pato caramelado com cogumelos. Nham nham nham.

Uma entrada tentadora, que me deixou com vontade de voltar à casa, são as coquilles saint-jacques gratinadas com noisete de maçãs verdes. Há, ainda, um bom repertório de saladas. Algumas chamam a atenção, como a de confit de canard com maçã caramelada, mix de folhas verdes e vinagrete balsâmico.

Boa pedida são os camarões grelhados com presunto de Parma, servidos com molho de laranja ao leite de coco e arroz de jasmim com manga. Delícia mesmo…

… ainda mais na companhia de um belo toscano branco, da Villa Antinori, uma das minhas vinícolas preferidas da Itália.

Há uma bela seleção de massas e risotos, que reafirmam certo caráter italiano ao menu. O risoto de costelinha suína
com banana da terra revela certa mineirice, já que a chef nasceu lá nas Minas Gerais.

Mas eu acabei mesmo foi me deliciando com as costeletas de cordeiro, muito saborosas,  grelhadas e servidas com arroz basmati, ragu de cordeiro e mini legumes à provençal.

Aí, fomos de Malbec, mas francês e não argentino, para acompanhar. Beleza pura.

Encerramos com a mesa compartilhando um bom brownie de banana com sorvete de tapioca e calda, e dividimos, ainda, uma…

… garrafa de Porto Tawny, o que é sempre bom.

Um café, por favor…

Pois agora preciso voltar. Porque o Guy não só fica na Fonte da Saudade, mas é exatamente isso, uma mina de boas redcordações, que queremos reviver. Essa coisa que nós chamamos saudades, e só nós, que falamos essa língua linda podemos sentir. Como dizia Fernando Pessoa:  “Saudades, só portugueses/ Conseguem senti-las bem/ Porque têm essa palavra/Para dizer que as têm”

É a mais pura verdade.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro:clique aqui.

Alloro, no Windsor da Avenida Atlântica: mais um bom restaurante italiano na cidade, com time competente na cozinha e no salão

04/04/2012

Estava já há bom tempo para visitar o Alloro, restaurante italiano que funciona no térreo do hotel Windsor, ex-Meridién, na Avenida Atlântica, prédio onde vivi lindas experiências gastronômicas, no Le Saint Honoré, uma perda muito sentida para o Rio de Janeiro, endereço antológico, com vista magistral da cidade, com lugar cativo na história da comida no Brasil.
Depois de adiar algumas vezes a visita, não resisti ao convite de um amigo paulista, que sugeriu um jantar ali, com outro colega em comum. E na sexta à noite, lá fomos nós.
Tinha uma boa expectativa, porque eles se esmeraram en formar uma boa equipe. Na cozinha, o chef italiano Luciano Boseggia, recém-chegado de São Paulo, que veio ao Brasil para trabalhar no grupo Fasano, famoso pelos risotos. No salão, João Pedro Lamonica, ex-sommelier do Garcia & Rodrigues. Além deles, vi outros rostos conhecidos atendendo as mesas.

Nos encontramos no bar. Gostei a carta de vinhos, que é variada, com ênfase naturalmente na Itália, com boa oferta de rótulos em taça. Mas o grande mérito é mesmo apresentar vinhos a preços razoáveis, armazenados em boas condições, servidos em ótimas taças, na temperatura adequada, coisa cada vez mais rara, em tempos de restaurantes com garrafas que custam a partir, sim, a partir, de R$ 120. Ali, pedimos esse Tegole 2007, um bom toscano, que custou razoáveis R$ 65. Muito justo. Esvaziamos duas garrafas, e depois mais uma, do Poggiotondo 2009, outro exemplar da mesma região, vendido a R$ 80, igualmente um preço justo para um restaurante.
Comemos bem, obrigado, mas o preço dos pratos está um tom acima, e não acompanha o mesmo raciocínio da carta de vinhos. Entradas custam entre R$ 42 e R$ 55, com uma seleção de sopas, abaixo dos R$ 30. Massas e risotos vão de R$ 58 e R$ 75, e os pratos principais podem passar dos R$ 100. Sobremesas? Entre R$ 19 e R$ 28.


Foi caro, mas tivemos uma noite generosa em comes e bebes, e principalmente, papos, variados e divertidos. Teve polenta de pato, e esse nhoque bastante saboroso.


Depois, um bom filé, com um risoto de funghi porcini muito bom. Muito bom mesmo, em termos de ponto de cozimento, cremosidade e qualidade dos ingredientes (repare no belo cogumelo que coroa o arroz).


Fechamos com um tiramisú. Acompanhado de uma tacinha de grappa.

Aliás, nos últimos três anos, especialmente desde o fim do ano passado, a cidade ganhou vários restaurantes italianos de qualidade. Primeiro o Quadrifoglio renovado, depois o Duo, depois o Vieira Souto,  sem falar num bem-vindo time de casas com perfil mais informal, voltada ao público mais jovens, muito próprios para petiscar entre amigos, como o pioneiro Stuzzi, a Bottega del Vino e o Quadrifoglio Caffè. Sem falar nas filiais: Gero Barra, o Duo que vai ser inaugurado no Centro, o novo Quadrifoglio Caffè no Lagoon… E ainda tem a rede Focaccia, a Primma Bruscheteria… A gastronomia carioca, realmente, está em ótimo momento. Mas isso seria tema para um outro post…

Grazie.

 

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro:clique aqui.