Comer, e não ter a vergonha de ser feliz, brindar, e brindar, e brindar, a beleza de ser um eterno aprendiz”

Ultimamente, muita gente tem me perguntado qual é o melhor restaurante do mundo, para mim. E do Brasil? E do Rio? E de Ipanema? E da Rua Dias Ferreira?
Muito difícil responder com precisão. Sei lá… Tantas experiências marcantes, refeições inesquecíveis.
Depois da revolução gastronômica promovida por Ferrán Adriá, com reflexos até hoje em todo mundo, a resposta veio deliciosa: vamos valorizar o produto, interferir pouco em seu sabor, usar poucos elementos em cada receita.
Atualmente, técnica culinária de vanguarda, a meu ver, é ir à feira. Isso é o que mais faz diferença.
Por isso, o Noma está ganhando destaque. Não é que o restaurante dinamarquês seja ruim, ao contrário, certamente é muito bom. Mas não é o melhor, não pode ser o melhor. Mas está na vanguarda.
Essa mesma posição é compartilhada pela chef Roberta Sudbrack, que vem galgando posições no mundo da gastronomia justamente por atuar valorizando a sua matéria-prima, o frescor dos ingredientes, o sabor original.
O mesmo acontece no restaurante La Madia, em Licata, na Sicília, uma das mais impressionantes refeições de toda a minha vida, um arroubo marinho, o Mediterrâneo de maneira nua, e quase sempre, crua. Carpaccio de gambero rosso, sardinhas em geleia de água do mar com maionese (em vez de ovo, o chef Pino Cuttaia usa ovas… de atum: uma glória).
Até comer ali, achava que a melhor refeição da minha vida havia sido no Per Se, em Nova York. O Daniel foi um estrondo, assim como o Jean-Georges, o L’Atelier. Mas o Per Se foi insuperável na Grande Maçã.
Miami, Miami. Camo cada vez melhor ali. Impressionante. Daniel Boulud, e agora Jean-Georges. Makoto, demais. Cecconi’s.
London, London, idem, idem.
Houve momentos grandiosos aqui no Brasil. O Menu Amazônico do Roland Villard, no Le Pré Catelan; e o menu Krug, no Kinoshita, em São Paulo, harmonizada com uma das mais nobres etiquetas de vinho do mundo, um champanhe, com o perdão da palavra, explosivo e delicado, como a cozinha do chef Tsuyoshi Murakami, genial.
São Paulo é uma delícia, embora não pareça: Mocotó, Maní, tantas cantinas italianas, tantos japas formidáveis. Tanta gente, tanto chef competente. No Due Cuocchi, delirei. NO Tre Bicchieri, vi que a felicidade pode ser servida em forma de comida italiana.
Tive um almoço digno de sultão gourmet no restaurante libanês do Diwan L’Auberge, no megalômano Hotel Emirates Palace, em Abu Dhabi. E como foi delicioso devorar a imensa costela de boi do restaurante 1884, de Francis Mallmann, em Mendoza, na Argentina. E o que dizer dos jantares antológicos no Tomo 1 e no La Bourgogne, ambos em Buenos Aires?
E da manhã que passei num produtor de queijo da Serra da Estrela, experiência emocionante, que culminou com um convite ao nosso pequeno grupo para uma visitinha à cada da família, onde foram servidos embutidos, presunto, pães e o queijo, claro, além de vinhos, tudo produzido por eles.
Agradeço pela oportunidade de almoçar na Fortaleza do Guincho, em Cascais, e no hotel Yeatman, no Porto, duas – entre tantas – refeições de gala em Portugal. E o Gambrinus, meu Deus? Que vieira era aquela???
Ah, mas que sorte é visitar Paris a trabalho, e comer em restaurantes estrelados e bistrôs simples, em padarias e feiras… Roma, divina: come-se bem e barato, a glória da gastronomia.
Posso agradecer a Deus pelas refeições que fiz no Castello di Ama, preparados e servidos por um casal muito simpático. Uma simples salada de feijão branco é capaz de nos levar ao céu.
A Espanha, e seuas tapas, e o Entretapas, e suas receitas clássicas preparadas com precisão. O Oro, que sempre surpreende, com pratos que mesclam carinho com tradição, modernidade e técnica apurada com bons ingredientes. O Oro é uma joia.
O Quadrifoglio, que parece estar cada vez melhor desde que Kiko Faria e Lomanto Oliveira assumiram a cozinha. Dois craques no recetuário clássico italiano, com boas doses de inventividade.
O Pau de Angu, em Tiradentes, as lagostas do Guido, em Boipeba, na Bahia, o jantar longo no Aquavit, em Brasília.
As tantas visitas ao Le Gite d’Indaiatiba, em Paraty, e ao Antiquarius, no Rio. O Gero, infalível, onde jamais comi mal, apesar de ter visitado a casa, no barato, umas 60 ou 70 vezes. É sempre ótimo.
O Bazzar, onde me sinto em casa, na companhia de tanta gente querida. Onde tenho refeições eternas, memoráveis, entre comidas, bebidas e papos maravilhosos. Carpaccio de pato com queijo de cabra e tomilho, salada de feijão-santarém com tartare de tomate… Tantas delícias.
Gente, e o bolinho de feijoada do Aconchego Carioca??? Ou a carne-seca do Amendoeira?
Tem a Roberta Sudbrack, onde cada refeição me causa emoções dignas de poemas, de obras de arte. Roberta Sudbrack, não tenho dúvida, é artista. Olympe
Mais radical que voar de asa delta, fazer rafting em corredeiras fortes ou rapel na cachoeira, foi provar o turu, na Ilha de Marajó. Mas é isso aí, ajoelhou tem que rezar, quem disse que escrever sobre comida é mole? Em compensação, na mesma ilha amazônica, comi filé de búfalo com requeijão de búfala: nasceram um para o outro, casal perfeito.
Tive momentos de rara alegria e felicidade à mesa no Paraíso Tropical, em Salvador. E me lembro bem de um almoço memorável, na Ilha Grande, em dezembro de 1987, aos 11 anos, com o pai e uns amigos dele, pescadores. O Badué, fera dos arpões, matou uma multidão de peixes, além de lagostas, polvos, vieiras… Levamos tudo, ainda vivo, praticamente, para um restaurante, simples, simples, em Palmas. Separado o filé mignon para ser preparado para nós. Uma outra parte foi para pagar a cerveja que eles beberam e a Coca-Cola que me refrescou, além do preparo dos peixes. O restante, era meu, e coube a mim negociar. Aprendi ali que comida verdadeiramente ótima precisa, por natureza, ser simples, usando ingredientes frescos.
Tanta coisa me esqueci… Mas tenho certeza…
Foram muitas emoções.

Como dizia Gonzaguinha, em sua mais célebre canção: “Comer, e não ter a vergonha de ser feliz. Brindar, e brindar, e brindar, a beleza de ser um eterno aprendiz”

 

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2 Respostas to “Comer, e não ter a vergonha de ser feliz, brindar, e brindar, e brindar, a beleza de ser um eterno aprendiz””

  1. Eduardo Says:

    Realmente, dar uma opinião sobre qual o melhor restaurante do mundo não é uma tarefa fácil, aliás acho impossível, porém o que ficou provado (para até para os mais ufanistas) é sobre onde se come melhor: São Paulo x Rio de Janeiro. De acordo com os verdadeiros conhecedores do assunto, um restaurante paulistano foi eleito entre os 5 melhores do mundo. Aos representantes cariocas coube um honroso 71º lugar com nossa talentosa Roberta Sudbrack. Acredito que agora esteja – definitivamente – encerrado o assunto em relação a essa total incomparável disputa.

    • brunoagostini Says:

      Sim, Eduardo, o júri patrocinado da Restaurant encerrou o assunto… rsrsrsrs esse seu comentário carece de sentido… Um abraço

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