O menu tradicionalista e delicioso do chef Rafa Costa e Silva no Venga


O Venga estava mesmo precisando dar um tapa no menu. Apesar de mudar regularmente, o cardápio do bar espanhol não vinha me emocionando muito. Fiquei uns dois anos sem ir.
Gosto do lugar, mas não andava entusiasmado em ir até lá, mesmo morando a cinco minutos de caminhada do segundo – e maior – endereço do Venga, em Ipanema.
Quando recebi o convite para o lançamento do novo cardápio da casa, criação do chef carioca Rafa Costa e Silva, que depois de uns oito anos no exterior, tempo que o fez ter sotaque de gringo, volta ao Rio de Janeiro, onde pretende abrir um restaurante.
Enquanto isso, vai sentindo o terreno fazendo trabalhos assim como este.
Foi uma noite animada, entre amigos, com bom papo regado a bons vinhos, e um cardápio realmente muito bom. Simples, mas com ótimos ingredientes, e execução precisa.
– A nossa ideia não foi fazer algo próximo do Mugaritz, mas sim o que a gente comia nas nossas folgas, o que preparávamos para nós mesmo – conta o chef, em referência ao seu último restaurante no exterior, em San Sebastiá, no País Basco, cidade que é refência em gastronomia.
São 11 pratos no total: dez salgados, e um doce.


Tudo começou ao sabor da ensaladilla rusa (R$ 14), um potinho com salada de batatas com pepino em conserva, azeitona, cebola roxa e anchovas, muito bom, e que ficaria ainda melhor com mais uma carga do peixe salgado. Para dar um croc croc, e até servir de talher, levando a comida à boca, havia uns palitinhos bem-vindos, tipo grissini.


Depois, uma tenção chamada pintxo euskadi (R$ 14), formosa composição: uma base de torrada de bom pão, crocante, crocante, frito no azeite, coberto com alioli de cebolinha francesa, pimiento de piquillo e ovo. A glória da simplicidade, cuja composição de cores presta homanagem ao País Basco. Merece hino em louvor.


A etapa seguinte foo a brandada de bacalao (R$ 16), um creme feito com o peixe servido com chips de batatas. Bom.


Marisqueiro que sou, curti imensamente os tigres (R$ 16), que são mexilhões com jamón e bechamel, servidos na própria casca. Beleza.


Cremoso, o falso risotto (R$ 18) era feito com massa tipo “orzo”, que eu chamaria de risoni, com jamón e parmesão.


Esses primeiros cinco seriam as entradinhas. Agora, os pratos principais, servidos em pequenas porções, que se diga.
Outro dos meus preferidos foi a minihamburguesa de atún (R$ 27), no formato ideal para ser devidamente abocanhando, para se comer com as mãos, temperado com molho de pimiento de piquillo. Para quem gosta, um complemento providencial, lâminas de pepino numa espécie.


E fomos em frente, degustando o bacalao en piperrada (R$ 28), que vem a ser um bastãozinho empanado de bacalhau servido com um refogado de pimentões e cebola.


Parti para dentro dos calamares en su tinta (R$ 27), que são lulas cozidas em sua própria tinta, servidas com tortinha de arroz salteadas.


Foi então que chegou o meu preferido da noite, extamente ao lado do pintxo euskadi: a castilla de cerdo (R$ 20) era uma costelinha de porco assada perfeitamente, caramelizada, agarrada ao osso, claro, acompanhada de uma compota de maçã verde que fez toda a diferença. Deu vontade de pedir bis. Fiquei com vergonha, e fui em frente.


Para minha sorte o próximo prato, e último do percurso salgado, manteve o alto nível: a carrillera de buey (R$ 27) tinha um toquezinho de brasilidade: a bochecha de boi de cozimento exemplar no vinho tinto foi servido com purê de batata baroa (e não mandioquinha, como escrito no menu: isso é palavra de paulista, carioca fala baroa, ou o nome completo, batata baroa. É o mesmo que chamar meio-fio de guia, carteira de motorista de carta, contra-cheque de holerite, monografia de TCC, menina de mina ou sanduíche de lanche… Será que o menu é o da filial paulista do Venga?). O toque de mestre, no caso, foi acrescentar ao purê cremoso “trocitos” de chorizo, originando mais um acompanhamento adequado, mas fundamental na composição da receita.


Fechamos com o flan (R$ 12), um pudim de leite enriquecido com redução de laranja e um toque de flor de sal.
Bravo!
Seguramente, desde que o Venga abriu as portas no Leblon, foi a melhor refeição que fiz ali.
Depois, ainda ficamos na calçada, falando de comidas, de premiações, de estrelas, de jornalistas que agem de má fé, dos absurdos preços dos imóveis no Rio de Janeiro, de sócios
Eu tinha implicado com o Rafa Costa e Silva há um tempinho atrás, porque ele teria dado depoimentos um tanto questionáveis a respeito da gastronomia carioca, dignos de que não conhece a realidade da cidade. Conversando com ele vi que não foi nada disso. O problema era outro, os interlocutores. Entende?
Bem-vindo ao Rio, chef.
Acho que você merece viver aqui, na cidade de São Sebastião. Com todo o respeito a San Sebastián…

 

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro:clique aqui.

2 Respostas to “O menu tradicionalista e delicioso do chef Rafa Costa e Silva no Venga”

  1. J Blumberg Says:

    Agua na boca!!!! Que menu fantastico e que apresentação magnifica de cada prato! Bravo!!!

  2. leonardoazevedo Says:

    se cada prato custasse a metade ou 1/3 do que custam, valeria uma nova visita…triste que na espanha um pincho desses custa 2 ou 3 euros…sem contar as taças de vinho, cava a um euro, 1,5..ir a um bar de tapas e gastar 200 pilas é demais

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