Terê botequim, parte 3: o fim da trilogia de bares serranos, ao sabor de costela no bafo, bolinhos de bacalhau e linguiça artesanal

Finalizando a trilogia Terê Botequim, apresento mais três botecos dignos de nota, que servem comida boa e barata, em ambientes simples (até que eu descubra outro bar que valha a pena). Lugares que poderiam perfeitamente estar listados em guias como o já clássico Rio Botequim, do meu amigo Guilherme Studart, que em suas duas últimas edições também passou a explorar o interior do estado.

São três lugares absolutamente distintos. O primeiro deles é a Linguiça do Padre, na estrada Teresópolis-Friburgo, que conheço de muitos outros carnavais. Ali, por volta de 1988, 1989, quando eu entrava na adolescência, era um passeio razoavelmente corriqueiro em família: ia para a Roça com o meu pai, com minha mãe, com meus tios e irmãos. O feijão pode ser cotado como um dos melhores que se tem notícia, com uma cremosidade exemplar, enriquecido com carnes. Uma coisa de doido. Hoje a especialidade da casa, às margens da rodovia, numa propriedade que também se dedica à agricultura hidropônica (depois de Epcot Center, num contexto experimental, foi ali que vi pela primeira vez essa moderna técnica de cultivo de alimentos), é o embutido que lhe batiza: trata-se de uma linguiça em forma de “U”, que pode ser comparada para levar para casa, ou consumida ali mesmo, de preferência ao lado do ótimo tutu. Vale a visita.


O segundo lugar, chamado Custela do Manel, apesar de toda a sua aparência simples, é um dos melhores lugares que conheço para comer uma boa costela no bafo. A carne chega no ponto perfeito de cozimento e sal. Sim, desmanchando-se ao toque do garfo. Ou da colher, como queira.


Repara só.

Para acompanhar, basta pedir uma porção de farofa, puxada no alho frito, par perfeito. Muita gente, especialmente nos fins de semana, vai até lá para buscar o rango da família. Vai por mim: com R$ 50 dá para comprar carne para uma família numerosa, coisa de oito ou dez pessoas. Há outros cortes, como picanha, além de linguiça, mas o destaque fica mesmo por conta do costelão, vendido a peso. Aos domingos, e só neste dia, também são servidos um ótimo feijão tropeiro com torresmo e um razoável arroz de carreteiro. E da-lhe pimenta! Feita ali, é ótima. Acopanhamos tudo com uma boa Therezópolis Gold. Sim, a vida é bela.


Encerramos a série com um lugar bastante pitoresco, o Armazém do Portuga, um boteco que funciona no clube Casa de Portugal, no Centro da cidade. Há vidros coloridos, piso preto e branco, num ambiente que me remete à infância, e de que muito gosto. Acho bonito o lugar.


Ainda por cima, a painéis de azulejo típicos de Portugal, decoração que adoro.

Os bolinhos de bacalhau me parecem muito familiares, lembrando a receita da bisavó, diferente da combinação entre apenas entre o peixe e a batata, usando também outros temperos, com cebola, alho e pimentão, resultando uma massa cremosa que é frita sob a proteção de uma leve camada de farinha. Evidentemente que tudo fica melhor quando usamos azeite e pimenta.
Além dos bolinhos, há bons pratos com o peixe. E, nas noites de quinta a sábado, tem uma boa música ao vivo rolando.
Pois é. Descobri que Terê tem uma louvável seleção de botecos. E eu cá, sinto falta de outros dois lugares que bem poderiam estar aqui. Tenho saudades do Bar Ângelo, na Pracinha do Alto, onde comia lindos sundaes, bananas splits, baurus e escalopes ao molho madeira com arroz à piemontese. E também do miúdo Rei do Limão, o original, que funciona numa portinha, bem perto da Igreja de Santa Teresa. Além de caldinhos abençoads (até hoje é o melhor caldinho de feijão que já provei, e ainda tinha de mocotó, ervilha e inhame, entre outros, todos deliciosos) conservados quentes em garrafas térmicas a virine exibia moelas divnas, fatias de língua bovina, ambos afogados em um molho fantpastico, e uma rabada de parar o trânsito. Era baratinho, baratinho. Ia sempre. Iria até hoje. Pena, que pena que acabou. Muita pena.

E mais:
Terê botequim, parte 1
Terê botequim, parte 2

Índice de posts de cidades no estado do Rio de Janeiro: clique aqui.

Anúncios

3 Respostas to “Terê botequim, parte 3: o fim da trilogia de bares serranos, ao sabor de costela no bafo, bolinhos de bacalhau e linguiça artesanal”

  1. Renato Says:

    Caro Bruno,

    Fiquei sem saber que bar é este segundo, o da costela, estou programando um fim de semana na serra e costaria de experimentar esta costela.

  2. Carmem M. Rocha Says:

    Luana, indico o restaurante que fica na subida da Serra quasi chegando no Soberbo. tem uma vista belíssima e tb comida gostosa. Muitos doces caseiros. Vvó C
    Carmem

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: