Archive for junho \28\UTC 2012

La dolce vita: os novos restaurantes italianos no Rio de Janeiro

28/06/2012

O Rio de Janeiro tem uma antiga tradição de bons restaurantes italianos. Mas de nunca se viu tantas novidades como de pouco mais de um ano para cá, quando a cidade ganhou quase uma dezena de boas casas nesta categoria. O último a aderir foi Claude Troisgros, com a inauguração da CT Trattorie. E algumas dessas boas novas já estão gerando frutos, com filiais, como o recém-inaugurado Quadrifoglio Caffè, no complexo Lagoon, e o Duo, que brevemente abre as portas no Centro.

CT Trattorie – A nova casa do chef francês Claude Troisgros é como uma homenagem à mãe, Olympe, que batiza o seu restaurante gastronômico, nascida na Itália. O cardápio da casa, inaugurada no lugar do antigo 66 Bistrô, na Lagoa, ali pelos lados do Jardim Botânico, faz jus ao nome do lugar, baseado no receituário clássico do país, com bom repertório de saladas e antipastos, que ficam expostos em uma bancada refrigerada, massas e risotos, alguns pratos de carne e toques de brasilidade, como no fetuccine à carbonara, com pupunha e carne-seca. Outras receitas, porém, seguem a linhagem tradicionalista, como o polpetone e um ótimo penne com molho de cordeiro, salpicado de farinha de rosca. O couvert é um capítulo à parte, devido ao pão delicioso, servido com bolinhas de queijo de cabra no azeite.
Av. Alexandre Ferreira 66, Lagoa. Tel. (21) 2266-0838.

Duo – Inaugurado no final de 2010, foi um dos primeiros dessa nova leva de restaurantes, resultado da parceria do maitre Nicola Giorgio com o sommelier Dionísio Chaves, egressos do grupo Fasano, onde se conheceram. Sucesso total na Barra, consegue manter altos níveis de excelência, na cozinha e do serviço do salão, vai abrir uma filial no Centro em breve. O ambiente é agradável, com paredes de tijolinho, mesas de madeira e bancos de couro, com uma vistosa adega que chama a atenção, defronte ao bar. O menu apresenta receitas italianas, mas quase sempre com algum toque autoral. O tartare de atum, por exemplo, é servido com com broto de rúcula e pimenta rosa, enquanto o polvo ao azeite de ervas recebe a companhia de um pavê de batatas. O setor de massas caseiras merece atenção, em pratos como ravióli de cordeiro com fondue de parmesão e agnolotti de batata baroa com cherne e tomate cereja. À noite, há pizzas.
Av. Érico Veríssimo 690, Barra da Tijuca. Tel. 2484-4547.

Stuzzi – A ideia do lugar é ser um bar de tapas alla italiana, servindo um repertório de pratos muito próprios para serem compartilhados à mesa. Pode-se escolhar entre as mesas na simpática varandinha, além das que ficam junto ao bar, mais altas, ou as poucas que ocupam o pequeno e simpático salão. O grissini de polenta com chutney de tomate e gorgonzola revela a face criativa do chef Paula Prandini. Ele cria receitas bem ajustadasm como a batata rústica trufada com crispies de Parma e ovo frito, o limão siciliano recheado com rilete de salmão, o strudel de queijo de cabra com legumes e a bruschetta de feijão branco com atum e cebola roxa. Vale a pena explorar as sobremesas, que mantém o alto nível: o tiramisu, com mascarpone de verdade, leva um toque de frutas vermelhas, a mousse de nutella com farofa de avelã e raspas de chocolate e o crumble de maçã com amêndoas e creme fresco são escolhas certeiras.
Rua Dias Ferreira 48, Leblon. Tel. 2274-4017.

Quadrifoglio Caffè – Filhote do Quadrifoglio, que foi repaginado há cerca de três, e logo voltou para a lista de melhores restaurantes do Rio de Janeiro, a versão Caffè tem perfil mais informal. Apesar de ter sido inaugurado em janeiro, já ganhou filial, no recém aberto centro gastronômico do Lagoon, no Estádio de Remo, na Lagoa. O cardápio tem boas pedidas, como a mozzarella de búfala com anchova no pão de miga, croquete de arroz arborio com queijo taleggio e carpaccio de peixe branco com cítricos, para começar. Entre os pratos principais, há massas, risotos e carnes, como nhoque com molho de tomate-cereja confit e lagostins, pernil de vitelo assado e linguado em crosta de ervas com castanha-do-pará. Uma encerrar, um doce que já é um clássico do Quadrifoglio do Jardim Botânico, o diamente al variegato, tão lindo quando saboroso, um chocolate crocante, recheado com calda do próprio, além de avelãs e laranja.
Rua Dias Ferreira 147, Leblon. Tel. (21) 2294-8749.

Bottega del Vino – Segunda casa da dupla Nicola Giorgio e Dionísio Chaves, tem um perfil mais jovem, seguindo a linha de bons endereços para beber comendo pratos servidos em pequenas porções. O menu, enxuto, foge das obviedades, listando pratos como o fígado com polenta e a costelinha de porco com purê de feijão branco. Um dos destaques são os patês, que podem formam uma pequena – e deliciosa – degustação. Outra boa pedida são os mexilhões gratinados ao forno, assim como o filé com molho de Chianti e juliana de legumes crocantes. Entre as boas pedida é a carne de javali curada em sal de zimbro regada com azeite de carvão e o clássico saltimbocca à maneira romana, um escalopinho de mignon com presunto cru e sálvia ao molho de vinho branco, servidos com nhoque. Para a sobremesa, tiramisú, pannacotta e sorvete de trufa branca ao limoncello.
Rua Dias Ferreira 78, Leblon. Tel. 2512-6526.

Vieira Souto – Instalado em uma das últimas casas na orla da Zona Sul Carioca, o Vieira Souto tem no maitre e sommelier João Souza, ex-Terzetto, a sua alma. Ele cuida do salão, com um olho na cozinha, e ajudou tanto na montagem da ótima carta de vinhos, com uma bela seleção de rótulos, fugindo da mesmice reinante, quanto do cardápio, que aposta na tradição italiana. Em ambiente arejado e claro, com boa espaço entre as mesas, o serviço é eficiente, e o cardápio apresenta receitas italianíssimas, como pansotti de galinha d’angola com fonduta de cebola e açafrão, o tagliatelle ao pesto com cavaquinha e alcachofra, o ossobuco servido com risoto de agrião e o lombo de cordeiro em crosta de pinole acompanhado de feijão branco. Os doces seguem a mesma fórmula: semifreddo de pistache com calda de frutas e um admirável tiramisú estão entre as escolhas certeiras.
Av. Vieira Souto, 234. Ipanema. Tel.: 2267-9282

Alloro – O chef italiano Luciano Boseggia chegou ao Rio para comandar a cozinha do Alloro, que funciona do térreo do Windsor Atlântica, no prédio do antigo Meridién. Ele faz ali o que já fazia em São Paulo, onde chegou para trabalhar no grupo Fasano: receitas clássicas italianas, com uma ou outra pitada autoral, com destaque para os risotos e para as carnes. Assim, são as melhores pedidas os pratos que combinam esses dois elementos, como o filé mignon com risoto de funghi porcini e o chamado pente de cordeiro, um vistoso corte com ossos aparentes, acompanhado de um arroz cremoso.
Av. Atlântica 1020, Copacabana. Tel. 2195-7857.

Essa reportagem foi escrita para a revists Wish Report.

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Uma deliciosa viagem pelos sabores do Brasil segundo a ótica francesa do chef Demien Montecer, no restaurante Térèze

26/06/2012

O chef francês Demien Montecer está há dez anos no Brasil, quase cinco deles no Hotel Santa Teresa, à frente do restaurante Térèze.
É um dos mais belos da cidade. Arejado, rústico, com muita madeira, piso de cimento. Chique.
Para marcar a data ele criou um novo cardápio, que já vinha se desenhando há quase um ano, quando havia visitado pela última vez o restaurante, em Santa Teresa, bairro que, por si só transforma qualquer programa em algo mais legal.
O menu, anunciado como mon carnet de voyage des saveurs du Brésil…” é uma singela homenagem à cozinha brasileira. Ao mesmo tempo em que usa ingredientes nacionais para emolduras receitas e ingredientes tipicamente franceses, ele também faz o contrário, usando ícones gauleses, como o peito de pato tratado como picanha no espeto, e a trufa que condimenta o caldo de feijão. O resultado é um cardápio equilibrado e saboroso, com pratos bem bolados e de apresentação impecavelmente bela. Irreverente e lúdico. Um dos menus degustação mais interessantes atualmente no Rio de Janeiro.

Ainda mais se for assim, como a sorte que tive. Num desses lindos domingos ensolarados típicos do outono que acaba de passar, visitei o restaurante para almoço, na agradável companhia de sua assessora de imprensa, a doce Thais Genuíno.

Numa tarde agradavelmente fresca, começamos brindando o dia com agradáveis borbulhas.
Tim tim.


Com a flûte em mãos, uma tapioca crocante, tão delicada que foi batizada de “renda” envolvia como sanduíche um pedaço lindo de foie gras. Flor de sal, pimenta e uma folhinha fresca davam um relevo. Ao lado, um risco escuro de chutney de caju e um copinho de cachaça com cupuaçu. Que rufem os tambores. A festa vai começar.


Pois o passo seguinte, olha só, era o tal caldinho de feijão. Pois bem. O creme espesso, veludo, tinha farofa de castanha, um raviolizinho de cogumelos trufados. Voilá! Vive la France!


Passamos para um bom Bordeaux branco. Fresco como a tarde.


Sauvignon Blanc com queijo de cabra é daqueles casamentos perfeitos. É sempre bom tê-lo no início de uma refeição.

Sim, neste caso o delicioso queijo de cabra do Capril Genéve, em Teresópolis, vinha numa linda composição: um pedacinho seu, empanado em castanha-do-pará e servido com geleia de cupuaçu era um dos três montinhos, que vinha unidos por uma fina lâmina de palmito, tostadinho e crocante. Os outros dois?


Pelo ângulo reverso: saladinha de pupunha com jambu, e uma folhinha da planta amazônica que dá uma ligeira ardência na língua.


Prosseguimos com as costeletas de tambaqui na churrasqueira com vinagrete de vegetais ao maracujá doce, servidas com mousseline de banana d’água.


Havia um quiabo cortado ao meio, e grelhado, por debaixo do peixe. Repare que delícia. Se você não gosta de quiabo, deveria provar esse. Preconceitos morrem. E soam as trombetas!!!


O chef Demien está bem acompanhado. No salão a jovem sommelier Lívia Guerrante foge do trivial, propondo boas harmonizações. Como a para esta receita acima.


Que tal um Bordeaux tinto para um prato de lulas? Muito bem. Esse prato aí de cima é a lula lua cheia. O bicho é recheado com paçoca de carne-seca, servido sobre um delicioso e delicado creme de berinjela.
E fomos em frente.


Peito de pato, grelhado em forma que lembra uma boa picanha no espeto.

Servido com uma molho de açaí. Bom, muito bom.

Agora, sim, a picanha. Inverte-se os papéis, e a carne mais adorada pelos brasileiros para um bom churrasco vem ao lado de um irresistível naco de foie gras, em mais um capítudo dessa interessante trama de sabores e amores franco-brasileiros que Demien criou.


Para encerrar, um parque de diversões adocicados.

O chamado “menu expérience” custa R$ 260, e deve ser encomendado antecipadamente através de reserva. No cardápio, ele é definido como “uma viagem gastronômica imaginada pelo chef Demien Montecer inspirada na cozinha e nos sabores da terras brasileiras”. É isso aí. E a grande maioria dos pratos pode ser pedida separadamente no cardápio regular. O “menu du jour”, servido de segunda a sexta, no almoço, custa R$ 85 é uma boa possibilidade.

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Restaurante Le Gite d’Indaiatiba, em Paraty, um lugar lindo e com comida deliciosa: imperdível é pouco

25/06/2012

O Le Gite d’Indaiatiba, em Paraty, é um dos meus restaurantes preferidos em todo o estado do Rio de Janeiro. Não existe nada igual. A cozinha, além de saborosa, tem uma autenticidade incrível. Entra ano, sai ano, o menu não muda. Frequento o restaurante há uns sete ou oito anos. Acho que nunca vi um prato sair nem entrar no cardápio.

O lugar é resultado do feliz encontro de uma mineira com um francês. Alguns chegam de helicóptero, outros sobem as encostas da Serra do Mar de carro. É para se gastar horas ali.

A varanda, escancarada para a mata, tem vista para o mar (lá ao longe).

Tem até rede, para uma sesta depois do almoço.

O salão é superagradável, com uma ótima biblioteca. Vemos a cozinha, e acompanhamos o preparo dos pratos, que acontece a ritmo lento, para todos poderem curtir o cenário e o clima da casa. Podemos passear pelos jardins, taça de espumante em punho, para ver as plantas. Há lindas orquídeas. Há muitos pássaros.

Pelo conjunto da obra, resultado da equação entre a ótima cozinha e o ambiente fabuloso, o Le Gite d’Indaiatiba é o restaurante mais imperdível de Paraty. Está um pouco afastado do Centro, mas é aí que reside grande parte do seu sabor.

Imperdível é pouco. Pães, geleias e chutneys são feitos ali mesmo. Comece com o ceviche de robalo com frutas e com o ravióli de taioba. O ceviche de peixe fresquíssimo com suco de laranja e frutas vale qualquer esforço.

No frio vale pedir a sopa de cebolas.

Entre os pratos principais, destaque para os camarões “red hot chilli pepers”, com os crustáceos deliciosamente apimentados e grelhados no ponto perfeito, servidos com arroz de pitanga.

Um close no meu prato preferido.

Também recomendo o curry de lulas com leite de coco e o peixe com manga e gengibre. Ou seria o peixe com manga o meu prato preferido?

Tão bom quanto a refeição é esperar por ela na cachoeira ou na piscina de água natural.

Lá do alto, no meio da floresta, o Le Gite d’Indaiatiba, a 16 quilômetros do Centro de Paraty, se divide em dois. Do lado direito da estrada, a pousadinha de poucos quartos, rústica e agradável, a sauna e a cachoeira.

À esquerda, subindo a escadinha que corta a mata, está o restaurante, com uma varanda escancarada para a Baía de Paraty emoldurada por bromélias e árvores verdejantes e, logo acima, está outra delícia do lugar, a piscina, comprida, comprida, uma raia de natação, com água fresca e geladinha que desce límpida das montanhas.

Além de tudo isso, a comida é bárbara. Muitos clientes chegam, fazem o pedido e correm para um banho de cachoeiras, e esse ritual transforma o Le Gite em um dos melhores e mais agradáveis restaurantes do Rio de Janeiro.

Para terminar, tarte tatin.

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Margutta lança menu executivo às sextas: mais um ristorante italiano com cardápio de almoço muito atraente

23/06/2012

O almoço executivo é sempre uma boa oportunidade de se visitar alguns dos melhores restaurantes pagando um preço bem mais em conta que o cardápio convencional da casa. É assim em toda parte, e o Rio não foge à regra. Mas com uma particularidade: por aqui, as melhores pedidas parecem estar concentradas nos endereços italianos. O menu mezzogiorno, servido de segunda a sexta, é a maneira mais interessante, considerando preço, qualidade, ambiente (de dia é bem mais lindo o lugar) e pratos disponíveis, de se fazer uma refeição no Gero. Quadrifoglio, La Fiducia, Fasano al Mare, Vieira Souto. Olha só a lista. Entre os restaurantes de alta classe, não me lembro de conheçer outros que tenham cardápios executivos melhores que esses.
Desde a semana passada o Margutta, em Ipanema, ajuda a confirmar essa tse. O ristorante italiano, dos melhores da cidade em peixes e frutos do mar, enfim passou a abrir para almoço em um dia útil: sempre às sextas.
No segundo dia de funcionamento eu fui lá conferir. Entrada, prato principal e sobremesa custam R$ 44. Sem o primo piato ou o dolci, a fórmula sai por R$ 38 (eu dispenso a sobremesa fácil, fácil). Acho o preço muito, mas muito bom (e lá embaixo eu publico uma foto do menu).


Além de sapecar umas pizzas brancas,…

… comi a mozzarella de búfala à milanesa em molho de tomate.
Gostei tanto do molho bem equilibrado que investi no nhoque de baroa com ragu de carne. Já tinha me decidido pelo prato, quando descobri a cereja no bolo: não era um bolonhesa qualquer, mas feito com ossobuco. Agora, então, não resta mais dúvida do que pedir.


Belo nhoque. Massa leve, delicada, que acomoda o molho delicadamente em sua superfície, que é garfada lambuzada e brilhante, revelando gostosa maciez. A carne está desmanchada no caldo espesso com base em tomates e, outra surpresa não anunciada no menu: o molho era enriquecido com lâminas de cogumelo, colocadas possivelmente só no fim do cozimento, quase cruas. Conjunto maduro, harmonioso. Realmente, um achado.
Pulei a sobremesa. Desculpe.

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Agora, o cardápio (para ler, basta clicar na foto para ela aumentar de tamanho).

 

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Escondidinho: restaurante no estilo bom, bonito e barato faz jus ao nome

21/06/2012

O Rio tem muitos restaurantes com ótima comida, a preços atraentes, que ficam bem escondidinhos. O Centro é pródigo no assunto. Um dos meus preferidos é o… Escondidinho. Que fica ali, camuflado na Rua dos Barbeiros, que ganhou esse nome por concentrar muitos desses profissionais. Hoje, a rua é famosa (mas não muito) por conta do restaurante.

Onde mais comer uma cabeça de cherne? Só mesmo no Escondidinho, localizado atrás de uma portinha de alumínio que esconde um pequeno salão, sempre lotado. Porque a comida é boa, muito boa, e relativamente barata. Mas a cabeça de cherne, iguaria rara, custa R$ 155, mas dá para três.

A costela de boi com farofa de ovos chega à mesa, gigantesca, lambuzada em molho escuro e denso, um perfume irresistível. O menu do dia é imperdível. Tem capa de filé, às segundas, rabada, às terças, cozido, às quartas, frango com quiabo, às quintas, e um concorrido lombo de porco cozido no feijão-manteiga, às sextas.

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O Caranguejo, em Copa: botecão perfeito para o pós-praia ou a pré-night

19/06/2012

O melhor a se fazer ali é ficar nas mesinhas do lado de fora, ou mesmo no balcão

O Caranguejo, em Copa, é um dos botecos mais deliciosos do Rio. Para início de conversa é ótimo para um pós-praia ou uma pré-night.

Você até pode pedir uma mesa e se acomodar no pequeno salão aberto para o movimento da Barata Ribeiro. Até porque, experimentar o bicho que dá nome à casa, quebrado com martelinho não é lá algo muito confortável para se fazer de pé.

Mas o melhor mesmo d’O Caranguejo é ficar por ali, postado junto ao balcão, ou nas mesinhas do lado de fora, pedindo quantos chopes forem necessários para acompanhar os salgadinhos expostos na vitrine aquecida.

A empada de camarão é campeã de pedidos, e vive ganhando prêmios de melhor da cidade.

Também merecem atenção o pastel de camarão e caldo de siri completam uma lista de acepipes perfeitos para acompanhar as rodadas de chope. A casquinha de siri também bate um bolão. Além, é claro, das patinhas de caranguejo, da manjubinha frita e da sopa leão veloso.

Se a fome for grande, vele investir em pratos que usam pescados frescos de boa procedência, como os enormes camarões à provençal, o badejo à belle meuniere e o polvo com arroz e brócolis. Clássico, tambémm, é o brochete de camarões com lagostas.

Sobremesa? Pra que?

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Livros, sandubas, saladas e muito mais no Bazzar Café, nas Livrarias da Travessa

15/06/2012

Adoro a Livraria da Travessa. E não só porque o atendimento é ótimo e a seleção de livros muito boa. E nem apenas porque eles…

… exibem com destaque o meu livrinho entre as edições mais cariocas numa mesa logo na entrada das lojas. 🙂

Gosto muito, entre outras razões, porque além disso tudo, e do lugar ser agradável, há sempre um Bazzar Café a nos esperar.
Agora que me mudei para pertinho da filial de Ipanema dessa carioquíssima rede de livrarias, o lugar virou em endereço bastante frequentado.
Antes de embarcar para a viagem para a Flórida, da qual me despeço hoje, cheio de saudades de casa, eu fui lá almoçar. Porque ali é um lugar gostoso, com pratos leves e ligeiros, que podem ser acompanhados por alguns bons vinhos vendidos em taça.


Gosto muito do hambúguer de picanha com cheddar e cebola roxa, que foi o meu pedido na última visita.

Um detalhe mais de pertinho. Nham nham nham nham nham!!!!!

O capítulo sanduíche está entre os setores preferidos: além do suculento cheesebúrguer, encontramos cachorro quente de vitela com cebola roxa, e os deliciosos molhos da grife, o cronque monsieur, o rosbife com mostarda na ciabatta e uma adorável combinação entre queijo e cabra, pesto, rúcula, creme de beterraba e castanha de caju. Para acompanhar, batatinhas fritas ou saladinha.
Ainda preciso provar mais coisas, porque o menu me parece muito apetitoso e confortável. Entre os meus preferidos estão o bife à milanesa com risoto de tomate e pesto de rúcula, o atum com molho de saquê e teriaki com arroz oriental de gergelim e passas e o penne ao molho de tomates com azeitonas kalamata, alcaparras, alho confit e um toque de aliche. Agora que chegou o inverno, as sopas aparecem como ótima pedida: recomendo a de palmito pupunha. E, durante o ano inteiro, as saladas estão sempre entre as melhores pedidas: tem a caesar, clássico infalível, e um carpaccio com a carne levemente grelhada, servida com rúcula, parmesão e balsâmico.
E que tal um milk-shake para encerrar? Ou uma banana split? Ou pudim de leite?
E um bom expresso com os café da casa, muito bom.
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Agora, o menu (clique nas fotos para ler melhor, com elas ampliadas).

Tapas, entradas, pratos principais e grelhados.

Prato infantil, sanduíches, tortas salgadas, sobremesas e o café da manhã (que ainda não fui provar, mas vou logo, logo).

 

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O fim anunciado da Chaika: triste não é acabar, mas entrar em decadência

14/06/2012

Não, não fiquei triste com o fechamento da Chaika. Não mesmo. Já esperava o desfecho.
Fiquei, sim, e não, assim, de sopetão, muito chateado foi mesmo com a decadência da lanchonete mais clássica de Ipanema.
O fim do Gordon, sim, me deixou arrasado. Mas isso foi há mais de 25 anos…
A Chaika já vinha mal faz tempo. Tinha perdido o caráter, a identidade. Não sou acompanhar a evolução do mundo, e a decadência de Ipanema. A especulação dos imóveis, a vida noturna cada vez mais modorrenta, os bares de grife e restaurantes sem caráter…
Fazia tempo que não ia até lá. Queria levar a filha para comer cheeseburguer e beber milk shake. Quem sabe um sundae. Mas não fui. Acabamos indo a lugares mais gostosos. O sabor mais gostoso da Chaika ultimamente era a saudade.
Era muita gordura hidrogenada e pouco sabor.
Com todo respeito aos órfaos e às viúvas, o Chaika foi ficando medíocre. Ruim mesmo.
Hoje, a Chaika é só um retrato na parede. E como dói.

 

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El-Gebal, o árabe mais charmoso do Saara, com o melhor babaganuj do Rio: obrigado, Guilherme Studart

09/06/2012

Tanto quanto viajar, visitar restaurantes e provar vinhos, cultivar boas fontes é algo fundamental no meu trabalho. Preciso de gente que me de indicações quentes, boas dicas. Pessoas que eu confio, e cuja opinião eu muito prezo.
Um desses caras que eu confio inteiramente é no Guilherme Studart. Não apenas quando o assunto é boteco, mas também restaurantes tradicionais, daqueles que, não se sabe bem as razões, são pouco conhecidos.


Já tinha recebido, não me lembro mais de quem, uma indicação de que o restaurante árabe El-Gebal, na rua Buenos Aires, no Saara, era altamente recomendável. Não me lembro a fonte, mas era daquelas mais confiáveis. Tanto que entrei no site, peesquisei, e estava para visitar o lugar desde o final do ano passado.
Pois há algum tempo eu me encontrei com o Guilherme Studart. Acho que falávamos de comida árabe. Não sei bem. Certo é que à certa altura ele disse:
– O melhor babaganuj do Rio é o do El-Gebal.
Pronto, para um amante da culinária árabe, e da berinjela, como eu, isso soa como uma ordem. preciso ir logo, pensei.
O problema é que, no verão, para ir até lá almoçar eu preciso pegar um táxi. O restaurante está a apenas 15 minutos do meu trabalho. Perto, numa tarde de inverno. Um suplício entre setembro e maio.
Quando as temperaturas baixaram, num dia de rotina tranquila na redação, provavelmente uma quarta-feira, incentivado pela temperatura amena, lá fui eu. Provei o babaganuj, realmente fantástico, o melhor da cidade, pelo menos entre os que eu já provei. Comida quibe, comi esfirra. Coalhada. Foi um almoço delicioso, só de petiscos.
Despreparado para a ocasião, não levei a câmera. E voltei caminhando, pensando por quais razões tanto se fala em Sírio e Libanês, e no Cedro do Líbano, quando o assunto são restaurantes árabes tradicionais do Saara, e nada se fala do El-Gebal, que me parece ser tão bom quanto os dois, com um ambiente ainda mais agradável, e serviço infinitamente mais cordial e simpático (não que os outros sejam ruins, mas o El-Gebal tem um time de garçonetes para lá de simpáticas, e o dono, que fica no caixa, controlando o movimento do salão, é igualmente uma simpatia). Por que será? Faço o mea culpa, já que eu mesmo não o conhecia.
O fato é que o El-Gebal entrou para a minha listinha de preferidos. E logo que pude tratei de voltar lá.
Dessa vez, claro, com câmera.


O salão é lindo, num estilo meio art déco que em parte me fez lembrar do Bar Lagoa, com direito até a um balcãozinho, na parte da frente.
O lugar tem vários usos. Pode ser uma pausa ligeira, para um almoço rápido, no balcão repleto de gostosuras, voltado para a rua, uma linda estrutura de madeira, com vitrines aquecidas,…

… onde reluzem quibes e esfirras,…

…além de uma seleção de doces árabes delicisos em tamanho grande …

… ou pequeno, tipo coquetel.
Mas o melhor mesmo é ir com calma, para curtir o ambiente agradável, e comer sem pressa.
Com calma, e com fome, coisa que ainda não fiz.
Na última visita, no meio de uma semana corrida, almoçar ali foi como visitar um oásis num deserto. Precisava comprar DVDs para gravar cartões de memória com fotos de viagens recentes, para poder abrir espaço para as imagens da Flórida, de onde escrevo no momento. Bom, se é para ir ao Saara, que almoce no El-Gebal.


Pedi um prato só, uma kafta com molho de tomate, servida com arroz com lentilha e cebola frita. Reguei o arroz com azeite. E comi deliciosamente, sentindo os sabores do tempero perfeito, com toque de canela.
Na hora do café, uma porçãozinha indispensável de docinhos.
Agora, preciso voltar, para provar o menu degustação, uma espécie de rodízio, com vários itens do cardápio, que pode ser visto logo abaixo.
Farei isso. O mais breve possível. Aproveitando que o inverno está aí, se anunciando.
A única coisa que me intriga é o seguinte: o El-Gebal está ali há mais de 50 anos (foi inaugurado em 1958). Como é que eu não conhecia, e nem tinha ouvido falar até o ano passado?

Bem, um cafezinho e a conta, por favor.

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Agora, o cardápio (clique na foto para ampliar a imagem).

Peixes, porções e combinados.

Os dois tipos de rodízios, as sobremesas e as bebidas.

Pastas, saladas e recheados.

Quibes, carnes e aves.

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Morcilla dulce o salada?

06/06/2012

Se existe uma coisa que eu adoro, e que tenho dificuldade de encontrar, ainda que seja algo tão comum em quase toda a parte, menos no Brasil, é uma boa morcela (ou choriço, ou morcilla, em espanhol, e tantas variantes de nomeclaturas para algo muito simples: linguiça de sangue). Sempre que encontro, eu traço. E, quando não acho, vou ao encontro.
Adoro, e tenho dificuldade de encontrar. A primeira coisa que faço quando chego a Buenos Aires, há unas dez anos, é pedir uma morcilla. Faço o mesmo em Montevidéu. E essa é parte da imensa alegria que sinto em viajar para os lados do Rio de La Plata: a morcilla.
Se você é como eu, e também aprecia este embutido escuro temperado no sangue, não pode deixar de ir ao Esplanada Grill. Coisa séria. Coisa fina.
Recentemente eles lançaram duas morcillas: a normal e a doce. Ambas são imperdíveis.
Ontem, aproveitando que viajaria no começo da noite, fui até lá para provar as novidades, feitas na casa. Estão, ambas, a doce e a salgada, devidamente aprovadas.
Ainda dei a sorte de encontrar dois amigos, bebendo um vinhaço como esse Montelig 2005. ô, sorte.
Acabei me lembrando da minha primeira visita ao Uruguai. Em 2003, acho. Meu espanhol era precário, mas já era fã da morcilla. Quando pedi uma, o garçom veio dificultando a parada: “Dulce o salada”.
Salada, por favor.
Quando chegou o embutido negro, sem alface nem rúcula nem tomate, eu estranhei, ainda que nada disso fizesse falta no momento. Só achei estranho: cadê a salada?
Sem saber que salada significava salgada, e também ainda me iniciando no mundo das morcillas, achei que o embutido viria bem com uma saladainha, ou então com um doce.
Quanta ingenuidade…
Fato é que a morcilla, sejam “dulces” ou “saladas” me encantam.
Adorei saber que posso ir provar ali tão pertinho de casa.
Recomendo.

 

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