Capricciosa lança mozzarella bar (e quanta diferença da muçarela de antigamente para a mozzarella de agora)

Quando eu era criança a muçarela era um queijo amarelo e gorduroso, vendido em pacotes de plástico, um blocão borrachudo, muitas vezes fatiado na hora, e geralmente usado para forrar pizzas. Na verdade, era assim até a minha adolescência. Pensando bem, até o início da idade adulta.
De repente aquela gororoba gorda e esfarelenta, rançosa, mudava de nome de grafia: mozzarela. E ganhava especificação derivada de quem produz o leite: di bufala.
Uma coisa não tem nada a ver com a outra, senão pelo fato de serem queijos. A mozzarella de búfala é branca e leve, delicada. Com ela assamos pizzas que não precisam de nada além de bom molho de tomate, e quem sabe umas folhinhas de manjericão espanhadas depois de assadas. Fazemos saladas com base de rúcula e um bom tomate que nos levam aos céus, ainda mais se regadas com azeite e quem sabe um balsâmico. Uma burrata cremosa, versão mais fresca, alcança textura de requeijão.
A mozzarella é uma daquelas iguarias que constroem um grande prato. Um ingrediente que representa a pureza dos produtos frescos.
Quando começou a aparecer aqui nas mesas brasileiras ainda era, muitas vezes, importada. Mas a mozzarella não viaja bem. Delicada, deve ser consumida o mais próximo possível de onde é produzida. Por isso as mozzarelas consumidas na Itália são imbatíveis.
Aos poucos começamos a fabricar boas mozzarelas por aqui. E agora que temos uma linha de produção consistente a mozzarela – e as suas variantes – alcança status de estrela.


O Cipriani, no Copacabana Palace, aproveitou a reforma para dar um passo para lá de ousada: eles produzem, no próprio restaurante, a sua própria burrata, que em uma das melhores receitas do novo cardápio é envolvida por um carpaccio delicado, mostrando que enobrece receitas simples como poucas coisas. Demais.


Uma versão líquida da mozzarella estrela, desde a inauguração, o menu do Irajá, numa versão deliciosa da salada caprese.
Naturalmente as casas italianas dão mais atenção à mozzarella.
O primeiro a apostar firme na iguaria foi Danio Braga, que criou um mozzarella bar para o seu restaurante, o Sollar Búzios, que ando louco para conhecer, na Orla Bardot, no glorioso balneário que é tão mais gostoso no inverno do que no verão. Quando abriu a nova casa o chef italiano criou um mozzarella bar, como mini mozzarellas de búfala recheadas com tomate seco; mozzarella in carrozza; tranças de mozzarella; burrata com rúcula; carpaccio de tomate com tartare de mozzarella de búfala; mozzarella de búfala com presunto de parma e azeitonas pretas em azeite; mozzarella à milanesa, mini talharins com mozarela e tomates; e risotto de Mozzarela burrata “macchiato ao sugo amatriciana”, entre outras receitas.
O mais novo italiano a aderir à mozzarella de búfala, apostando firmemente na iguaria é a Cappricciosa, que há cerca de três semanas lançou um menu especial dedicada a ela, primeiramente apenas na filial do Jardim Botânico, mas que brevemente deve ir para as outras casas, em Ipanema, Copacabana, Barra da Tijuca e Búzios (não juito longe de Danio Braga, ali na Orla Bardot mesmo).


O cardápio está bem interesante, e é como se fosse uma extensão do balcão de antipasti da casa.

São quatro tipos de mozzarella: a tradicional; a affumicatta, levemente defumada, a trança, como o nome indicada, é trançada, e a burrata di bufalina, cremosa.

Podemos escolher um prato com duas, três ou quatro variedades. É quase uma obrigação pedir, ainda, uma focaccia. Salada de rúcula e trios de pestos (tradicional, azeitonas e o de tomate seco com pimenta calabresa, o meu preferido).
A nesa pode ser forrada, ainda, com presunto de Parma, alici, mortadela com pistache, salmão defumada, e outros pratinhos da mesa de antipasti. Pela primeira vez fui à Capricciosa, a minha pizzaria preferida, e não comi pizza. E foi das vezes em que saí mais feliz.
E eu que achava que muçarela era algo tão vulgar… até conhecer a mozzarella…

——————————–

Agora, o cardápio.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

Anúncios

4 Respostas to “Capricciosa lança mozzarella bar (e quanta diferença da muçarela de antigamente para a mozzarella de agora)”

  1. Paulo José Says:

    Acho que você trocou Capricciosa por Alessandro e Frederico no corpo do texto…
    Abraços

    • brunoagostini Says:

      Olá, Paulo. Muito obrigado, tens toda a razão. Já acertei. É que também gosto muito do A&F, e lá comi certa vez uma burrata inesquecível… Um abraço

  2. Dri Says:

    Eu quero! Quando será que chega em Ipanema???

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: