Roberta Sudbrack e Castello di Ama: um encontro grandioso de cores, sabores, aromas e formas

Jantar na Roberta Sudbrack é sempre um acontecimento. Entro na casa alaranjada do Jardim Botânico de peito aberto, com a alma soltando rojões de alegria e felicidade. A língua vai adormecendo, entorpecida pela possibilidade do que virá. As pupilas se dilatam. Comida é linda. O coração acelera.
Sudbrack Ama
Essa poderia ser apenas uma frase simples, composta apenas de sujeito e verbo no tempo presente.
Mas, na verdade, foi apenas uma encontro entre a maior chef do Brasil, a Roberta, e um dos maiores nomes do vinho italiano: Castello di Ama

Foi ontem
eu dormi
mas ainda sonho
com a mesa
os amigos
a viagem

Canjica quente
Ova fria, alaranjada e salgada
Folhas miúdas a dançar
No barro escuro
baila o dill
baila o broto
de beterraba


Taça rosa, vinho claro
cavaleiro
cavalo

Primeiro encontro
paixão
abre alas
o rosato, o amarelo
a explosão laranja
bolinhas de mar


Os gigantes descansam…

Peixe vermelho
De carne branca
Como uma mulher nua
quase crua
Deitada no sofá de veludo, de lentilhas
ervas e flores são o batom
capuchinho
coentro
broto
amargo e perfumado
tom sobre tom
da mulher

Casada com o vinho
branco

Negro é o Pinot
Nero
Chiuso
Uso e abuso

Ravióli de vento
espuma de tomate
com linguiça
banho de queijo

beijo
a batata de algodão, nuvem de tubérculo
Tomates vão
manjericão

Serve o vinho, serve, meu amigo

Serve o vinho, irmão

No aquário do prato fundo o arroz nadava em seu próprio amido, caldo espesso pela untuosidade da codorninha tenra e despedaçada, boiando no escombro de sabores
Codorniz
Optamos pela colher, carregando à boca a massa rica, que ganha ainda mais grandeza e profundidade quando abraça o vinho
Tinto
Colorindo a receita, dando um nó, amarrando prato e copo, corpo e ato
Fato
Comer é compartir

Seve o vinho, meu amigo

Serve mais
um pouco
um copo

E aceito o choro
e gargalho
de alegria
quase choro
de emoção

Cair de queixo na queixada
Fazer farinha na enxada
No tacho do tucupi
Roberta Ama
Castelo

Tinto e amarelo
eu quero

o canelone de maçã
uma ponte
crocante
ligando a farinha de pistache
à borda do prato
sobre o lago de doce
de leite

penúltimo ato

só falta um prato
brigadeiro
de colher
de café

Roberta Ama
e resume o encontro: “pura emoção”
Concordo

amei

amém

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

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