O novo cardápio do Le Pré Catelan, com preços mais baixos, e o chef patissier que acaba de chegar: o último jantar antes das férias de Roland Villard

Na última terça-feira o chef Roland Villard saiu de férias.
Tive a honra de jantar com ele, na table du chef, a mesa que fica dentro do seu escritório, na cozinha, na última noite de trabalho antes de um mês de descanso. Honra e privilégio.
Porque, além da comida, e da sempre agradável companhia do chef, e sua igualmente agradável assessoria de imprensa, a Vanessa, ele ainda me revelou algumas novidades. Boas novas.
Mas vamos por partes
Jornalista, por natureza, é um perguntador. Mas, logo que cheguei, vi que eu seria o entrevistado daquela noite.
– Brunô, o que você pensa dos preços dos restaurantes no Rio?


Boa pergunta. E bastante pertinente neste momento. Vou poupar o leitor da minha longa resposta, que fiz comendo pão com manteiga, ora molhado no pote de azeitemas, em suma, duas coisas me parecem claras. Uma: os restaurantes caros vão continuar caros, acompanhando o ritmo da inflação e o aumento da renda das pessoas, e o interesse crescente pela gastronomia. Duas: novas casas, dedicadas a servir comida de ótima qualidade a preços mais acessíveis e ambientes mais informais, um pouco deslocados das áreas mais caras da cidade vão pipocar no Rio pelos próximos anos (Botafogo e Copacabana se destacam nessa seara, com endereços como Irajá, Entretapas, Ambre, Zot, Meza e alguns outros).
Resumidamente acredito nisso.
– Aqui não temos parâmetros de preço. Em Paris, por exemplo, um restaurante com uma estrela Michelin custa 100 euros, com duas, 200, e com três, 300. Os que aspiram conquistar uma, cobram ali pelos 50, 60 euros, e servem uma comida de alta qualidade. E ainda temos os bistrôs, as brasseries, onde se come muito bem, por cerca de 20 euros, até um pouco menos. Aqui é uma loucura, não temos referência de preço – desabafa o chef, que está entre os que eu amis admiro, com quem adoro compartilhar uma mesa, para falar de comida, da vida, de vinhos.


Então, ele me revelou a primeira boa nova, e nós apreciávamos o amuse bouche: um rolinho de rosbife, com grana padano, rúcula e um toque de azeite, e um creminho delicado de alho poró.
– Estou abaixando o preço do cardápio. Agora, temos entradas a partir de R$ 45, e pratos a partir de R$ 72 – conta o chef. Tem até estrogonof.
Antes, entradas custavam todas R$ 80, e os pratos principais, R$ 100,  e as sobremesas, R$ 35.
– Às vezes a pessoa quer comer pouco no jantar, conversar, beber um vinho. Quero que mais pessoas venham conhecer a minha comida, que possam vir mais vezes -diz Roland.


Serviu-se, então, o tartare de tomates com azeita e rillete de atum com um molho pesto, e um toquezinho de redução de vinho do Porto. Leveza, delicadeza, frescor.


Quando o maitre Jean-Pierre trouxe o gostoso Sauvignon Blanc, minha boca salivou…


… ao ver o prato de vieras grelhadas servidas sobre um ótimo espaguete negro na tinta de lula, com “talharim” de pupunha e uma delicada bisque. Ulalá!!! Belo par com o vinho, cítrico, rico, exibido. Amante das vieiras, agradeci.


Peito de pato com molho agridoce de vinho tinto servido com bolinhos de aipim recheados com coxa de pato confit. Comia sentindo um leve sorriso no rosto.


E lá fomos nós. Primeiro, nos abraçamos ao empanado de costela de javali com taglioni ao perfume de trufas.


Com o magnífico purê defumado de batata baroa, clássico da casa.

– Eu adoro a carne de javali. Esta demora três dias para ficar pronta, do momento em que ponho a carne para marinar até assar, desfiar e servir. Tô te servindo uma versão menor, com apenas um quarto do javali empanado – diz o chef.


Quando chegou o primeiro doce, uma bola de chocolate branco, que foi derretendo…


… com a calda de chocolate…


… que acabou cobrindo tudo (ou seja: framboesa, mousse de chocolate e sorvete de baunilha), ele anunciou:
– Temos um novo chef patissier, substituindo o Dominique Guerrin. É um argentino, Ariel Lettieri. Estou gostando muito. Você tem que ver o carrinho de sobremesas – exalta Roland o seu novo pupilo.
O cara é mesmo bom.


A île flottante, leve e delicada, com creme inglês perfeito, não me deixa mentir. Para valorizar a receita, um sorvetinho de caramelo.

Também era pura delicadeza o vacherin com sorvetes de manga, morango e baunilha, com um suspirinho maneiro.


Essa sobremesa de pêra, com um disco de massa que conjugava crocâcia, sabor e delicadeza foi quando ele se apresentou.
Ah, sim: não fotografei o cardápio de sobremesas, mas elas custam R$ 26 ou R$ 28.

Sim, o cara é bom. Principalmente na hora de fazer os doces. Os pães ainda não alcançaram o nível do Dominique.


Só faltava o café, e  os petit four sempre deliciosos ali.
Merci.
Bon voyage, chef!

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Agora, o novo menu.

Entradas.

Principais (carnes e aves).

Principais (pescados).

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

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8 Respostas to “O novo cardápio do Le Pré Catelan, com preços mais baixos, e o chef patissier que acaba de chegar: o último jantar antes das férias de Roland Villard”

  1. flavioveloso Says:

    Que bacana Bruno. Table du Chef! Quem diria jantar em uma mesa de “escritório”, rodeado livros e pranchetas, ao lado de um baú do tesouro em forma de uma geladeira velha pudesse ser tão saboroso. O Roland é uma figura. Fotografa-lo sempre é divertido.

  2. Dri Says:

    Fiquei com água na boca, de tudo… Mas tenho algumas dúvidas: Esses pratos que vc comeu, são as versões normais do menu ou reduzidas para menu degustação? O cardápio normal também tem um menu degustação ou é só o amazônico que tem degustação?

    Estou pensando em investir meu dinheiro nesse fundo de baixo risco… =P

    • brunoagostini Says:

      Boa pergunta, até vou acrescentar no texto uma coisa que o Roland falou sobre o javali: ele é quatro vezes maior na versão normal. Acho que as entradas e sobremesas são do tamanho normal, enquanto os principais (pato e javali) são versões diminutas. No mais, adorei o encontro ontem, e acredito que valha o investimento, sim. Quem sabe até você não negocia com o sommelier de levar um vinhaço? 🙂

  3. Pedro Landim Says:

    Emocionante, Bruno. O exemplo de Roland só pode vir mesmo de alguém de sua estatura. E sobre as novas regiões: olho na Praça da Bandeira, na Tijuca…

    • brunoagostini Says:

      Meu camarada! Claro, tô sabendo, e frequento a Praça da Bandeira, inclusive cogito hoje almoçar no Aconchego Carioca. Ou no Rampinha… Abraços

  4. Júlio Castro Says:

    bruno,vc vai gostar do rampinha,depois conta.

  5. monica maciel Says:

    Oi Bruno, será que vc pode informar o preço do jantar na table du chef, para evitar um susto depois? No site deles consigo fazer a reserva mas não há preços…

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