Bráz Fora de Série 2012, edição Sicília: mas que saudades da ilha, onde os ingredientes parecem abençoados

Metade cebola, metade alcaparra (com azeitonas, alice e alho): minhas favoritas

Voltei da Sicília completamente apaixonado. Pela ilha. Mais exatamente, pelos ingredientes da ilha.
Os peixes são algo quase sobrenatural. Os tomates que assam ao sol tórrido, realçando seu açúcar, potencializando os seus aromas. As cebolas adocicadas e ácidas, em perfeito equilíbrio natural. As azeitonas vistosas, brilhantes, flácidas.
A ilha comprova a tese corrente nos dias de hoje: ingrediente é tudo. Matéria-prima vale mais que a técnica. Não há saber ou tecnologia que prevaleça sobre o que a Natureza nos dá.
Voltei tão apaixonado pelos ingredientes sicilianos que fquei feliz quando soube, em primeira mão, ainda durante a viagem (mas sem poder divulgar) que a edição desta ano do Fora de Série Bráz, uma deliciosa iniciativa da rede paulistana de pizzarias, que traz ao Brasil ingredientes especiais, garimpados cuidadosamente na Itália. Matéria-prima de excelência, que é usada na elaboração de algunas sabores especiais, que ficam em cartaz temporariamente em todas as casas da rede, no Rio e em São Paulo (acaba quando terminarem os estoques. Previsão? Por volta do dia 20 de agosto).
Assim, depois de um encontro com os Douro Boys, e um montão de amigos, acabei sugerindo que a gente fosse encerrar a noite jantando na Bráz. Houve quem sugerisse o Entretapas, outros indicaram o Antiquarius, e quase fomos parar também no Irajá, três casas que, como acho que deve ser fácil já ter percebido, eu adoro imensamente.
Mas, além da saudade da Sicília, havia a questão da sazonalidade: o menu Fora de Série tem vida curta, como muitas das boas coisas da vida. Como muitas da melhores, aliás.
Rapaziada convencida, lá fomos nós.
Aquele chope realmente não me convence. Acho uma bobagem aquela coisa de torneira para espuma, outra para o líquido: é uma espécie de xixi com chantily. Deveria haver uma opção aos que não gostam, como eu. Chope bom mesmo é o do Adonis, o do Amendoeira, do Bar Brasil, que são cremosos sem precisar recorrer ao expediente, basta controlar a pressão, e ter uma boa e longa serpentina.
Fora isso, adoro a Bráz. E, mais ainda, a Sicília.
Foi um lindo encontro.
Além de pedirmos uma maçarico, aquela cobertura clássica que combina pimenta, linguiça e cebola, escolhemos quatro dos cinco sabores disponíveis.

Metade cebola, metade alcaparra (com azeitonas, alice e alho): minhas favoritas, agora vistas pelo ângulo inverso, valorizando a gloriosa “cipolla di giarratana”

Primeiro, mesclamos a sensacional “cipolla di giarratana” com “caperi di salina”. A primeira é uma cebola em conserva de abalar as estruturas de um cidadão, como eu, apaixonado por esse ingrediente muitas vezes incompreendido, mas sempre necessário na cozinha. A pizza é de uma simplicidade franciscana. Massa, molho de tomate san marzano, mozzarella e a tal cebola, com um toque de tomilho fresco. Quase saí dando piruetas ao provar. O segundo sabor, “caperi di salina”, leva o nome de uma famosa alcaparra produzida na ilha de Salina, na costa norte da Sicília. Um desbunde. Sal e sabor. Para completar, a cobertura leva, ainda, alice e lascas de azeitonas pretas, além de molho de tomate em quantidade maior que a habitual, alho fatiado e bastante orégano. Houve, na mesa, quem achasse ruim, excessivamente salgado. Para mim estava glorioso. Prato salgado, sim, como muitos devem ser. Traz até nós o mar da Sicília, que salga os ingredientes para os conservar. Assim nascem essas alcaparras, essas azeitonas, esse alice. E desce mais chope!

A de pomodoro di pachino vale a pena, enquanto a de pancetta di suíno nero dei nebrodi me pareceu gorda demais, e rançosa

A outra pizza que escolhemos foi metade “pomodoro di pachino” e metade “pancetta dei nebrodi”. O primeiro sabor estava à altura da grandeza dos ingredientes da ilha, revelando um tomatinho-cereja semi-seco sensacional, saboroso, intenso, delicado, carnudo. Uau. Já a pancetta não me encantou. Tudo bem que se trata de um bacon, mas achei muito gordurosa a pizza, e senti um sabor meio rançoso no bacon.
Ficou faltando a “ragusana”, feita com esse tradicional e antigo queijo siciliano, feito com leite de vacas, maturado em cavernas, com sabor intenso e picante. De maneira que, logo logo, volto lá, já que a Sicília é mais distante, para provar a ragusana, e de quebra revisitar o pomodoro di pachino, o caperi di salina e a cipolla di girratana. Ah, se volto.
Mas aí, da próxima vez, acho que vou ficar com os vinhos da Sicília, também selecionados para o festival, da Tenuta Regaleali, nas montanhas, no coração da ilha, onde passei momentos incríveis há cerca de três meses. Temos um branco, um rosado e um tinto. Queria pedir os três. Quem me acompanha?
Completam o pacote de sabores sicilianos azeite, o Extra Primo D.O.P Monocultivado, da Frantoi Cutrera, um sorvete da Diletto, de chocolate com laranja siciliana, edição especial para o festival, e o Averna Amaro Siciliano.
Ah, mas que saudade da Sicília. Ainda bem que a Bráz é logo ali, no Jardim Botânico.

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Uma resposta to “Bráz Fora de Série 2012, edição Sicília: mas que saudades da ilha, onde os ingredientes parecem abençoados”

  1. Julieta Says:

    Fato q eu vou correndo!!! Tocou no meu ponto fraco, tanto sobre as pizzas quanto sobre os vinhos Sicilianos, que voltam comigo nas viagens a cada ano em maior numero de garrafas que os toscanos… To salivando aqui, ainda bem que é só jantar e eu não corro o risco de ir “repetir” o almoço!

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