Churrascarias rodízio: (meu) modo de usar, e fazer valer a pena o investimento

A picanha no espeto do Porcão: indispensável

Sou um adepto das churrascarias rodízios, embora tenha pavor de bufês, sistema que só admito para saladas e frios. Por isso convivo muito bem com Porcão, Fogo de Chão e Oásis, e acho que o Celeiro é, de longe, muito longe, o melhor (e mais caro) restaurante a quilo da cidade.

Meu ritual em um ambiente desses quase não muda, para fazer valer o investimento que varia entre cerca de R$ 40 (na Novilho de Ouro, em Teresópolis) e uns R$ 100 (Porcão Rio’s e Fogo de Chão). Sento-me, peço uma água e a carta de vinhos. Geralmente peço uma tacinha de espumante, ou de um branco, para acompanhar o prato que monto na primeira – e única – visita que faço à mesa de bufê. Nunca sequer olho o que existe nos rechauds, senão por pura curiosidade. Pego um palmito carnudo, uns aspargos e cogumelos, quase sempre um pedaço de algum queijo. Procuro por um carpaccio, e também reparo se há uma boa salada de polvo. Escolho um bom azeite, e rego com cuidado.

De volta à mesa, chamou o maitre. Pergunto as carnes especiais da casa. E digo que não é preciso que nenhum garçom venha até mim com espetos. Prefiro ir escolhendo os cortes, que de preferência, e  quando possível, sejam assados na hora do pedido. Para acompanhar geralmente é só farofa na manteiga e cebola empanada. Molho à campanha, jamais (gostaria, sim, de um bom chimichurri).

Quando estou na Fogo de Chão certamente vou abrir os trabalhos com uma boa morcilla, embutido que amo, e não é fácil encontrar por aqui, lamentavelmemte. A picanha, seja ela no espeto, seja ela a chamada “nobre” é indispensável. Hoje em dia sempre encontramos uma prime rib, e essa é sempre uma escolha certeira, que deve ser assada na hora do pedido, inteira. Delícia, delícia. Bife ancho, ojo de bife e bife de chorizo têm presença incerta nesses sistemas, mas sempre vale a pena perguntar por eles.  Maminha e fraldinha eu realmente adoro. Vamos subindo de patamar na escala de sabores, e quem sabe não é bom dar mais uma visitada às carnes anteriores antes de nos atracarmos às caças: javali e avestruz quase sempre tem, e a capivara pode ser encontrada em lugares como a Novilho de Ouro, em Teresópolis (vale demais a pena provar). Aqui cabe bem um shoulder steak, aquele corte da parte dianteira do boi, novidade lançada no ano passado pela Fogo de Chão, e que começa a aprecer em outros lugares, como essa mesma Novilho de Ouro, em Terê. Na reta final vejo o estado do fran rack, aquelas costeletas de cordeiro, que podem ser o céu, quando macias e com sabor mais suave, ou o inferno, quando fibrosas, com pouca carne e muito osso e, pior dos mundos, com sabor muito forte. Se estiverem boas, vou pedindo mais. Caso contrário, posso revisitar algum corte já pedido, para encerrar com paleta de cordeiro e o costelão. Eventualmente ainda dá para escolher uma última carne.

Assim, realmente acredito que rodízios valem a pena. Para carnívoros, é claro.

 

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6 Respostas to “Churrascarias rodízio: (meu) modo de usar, e fazer valer a pena o investimento”

  1. Jorge Khauaja Says:

    Bruno,
    Mais uma vez, ótimo post.
    Queria deixar duas perguntas: o preço excessivo cobrado pelas churrascarias (100 é só a “entrada”, com bebidas e 10% vai para, pelo menos uns 150!) vale realmente o investimento? Com esse mesmo valor não se comeria uma boa carne em outros lugares? Claro que o conceito do rodízio é provar uma variedade de carnes, mas tem que ser tão caro??
    Um abraço,
    Jorge Khauaja

  2. Pai 1 Says:

    Realmente, o ideal é ir pedindo às carnes, em vez de seguir o roteiro da churrascaria, mas esta é uma opção que, com pouquíssimas exceções, exige muita paciência e “negociação” com os garçons. Sinceramente, não gosto de ir a um restaurante, às vezes pagando (muito) caro, para ter que batalhar um atendimento ao meu gosto, razão pela qual rarissimamente vou a rodízios…

  3. Júlio Castro Says:

    Por todos motivos já apresentados continuo na Majórica. O Lamas reformulou – se para melhor.Vale uma visita .

  4. Dri Says:

    Pela primeira vez aqui no blog, concordo com os preços praticados. Mesmo R$100 eu não acho um assalto em uma churrascaria rodízio. Para mim, o propósito de um rodízio é experimentar grande variedades de sabores e texturas, algo apenas comparável a um menu degustação (e com direito a repeteco infinito). E todos nós estamos carecas de saber que não existe menu degustação no Rio por R$100.

    Atualmente eu tenho gostado muito da Churrascaria Palace, que além de ser do lado de casa, tem promoções bastante interessantes e, glória das glórias, ostras frescas (que podem ser gratinadas mediante pedido). Encontrar ostras no Rio já é tarefa dura e, quando encontramos, facilmente a dúzia custa de R$50 para cima. Só isso já pagaria o “investimento” no rodizio…

    Além disso, no meu caso churrascaria é o jeito mais simples de satisfazer a vontade do namorado de comer japonês (que eu não curto) sem que eu tenha que ficar procurando opções quentes (geralmente meia boca) pelos cardápios.

    Finalmente, confesso que tenho alguns pontos fracos que não contribuem muito na valorização do meu dinheiro: batatas fritas (ao inves das cebolas, geralmente meio muxibentas), pasteizinhos de catupiry e queijo grelhado. Fora isso, meu percurso pelo buffet/carnes é basicamente o mesmo do Bruno, com pedidos individuais pro maitre, entremeados com uma ou outra fraldinha e mignon ao queijo. NHAM

  5. Felipe Barreto Says:

    Bruno, gostaria de escrever sobre seu blog nos canais digitais do projeto Marca RJ. Se trata de uma iniciativa para resgatar valores inerentes ao estado, como inovação, estilo e paixão. Acredito que seu blog reflete esta proposta muito bem e quero que nosso time editorial entreviste você. Se você tiver interesse nesta conversa, por favor me escreva pelo email felipe.barreto@casadigital.com. Um abraço e parabéns pelo blog.
    Barreto

  6. Fabiano Faraco Says:

    Bruno, realmente eu vou as churrascarias e nao aproveito o melhor, somente ao final, quando já estou praticamente satisfeito de tanto os garçons ” descerem ” todo tipo de carne ” comum” é que solicito um corte especial. Vou seguir sua dica, inclusive harmonizado com as sugestões publicadas na enoteca. Inclusive vou conhecer a Novilho de Ouro nesse final de semana. Abraços.

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