Azumi: o japa que é velho conhecido, mas sempre é capaz de surpreender


O Azumi é um velho conhecido, mas sempre me surpreendo. Apesar de repetir muitos pedidos, com frequência vou provando coisas novas, invariavelmente. Porque além do menu vasto, que muitas vezes sou incapaz de entender sem a ajuda das garçonetes, há sempre receitas sazonais. Mais que sazonais, diárias, de acordo com a pesca do dia. Sim, o Azumi tem um barco ali no Posto 6, em Copa, que sai diariamente para pescar nas primeiras horas do dia, para abastecer o japa da rua Ministro Viveiros de Castro, não muito longe ali da colônia de pescadores.
Entendeu o segredo do frescor dos pescados de lá?


Fazia um bom tempo que não ia ao Azumi. Quase dois anos. A novidade da última visita foi lagostim quase cru, fresco, delicado e intenso ao mesmo tempo. Tapa com luva de pelica, na língua. Delícia demais. A pureza do mar, a simplicidade, o êxtase. Olha que beleza. Porque os pratos do Azumi, como reza a tradição nipônica, são lindos de morrer.


Melhor ainda, e também inédito para mim, foi o formidável tartare de sardinha, Sabe quando a gente come, e fica com vontade de ficar gargalhando? Pois é. Fiquei bobo assim, feliz, com sorriso de Monalisa no canto do rosto.
Ah, então é você que não gosta de sardinha. Vai lá provar e me diz se sardinha não é sensacional, quando fresca e gorda, quando preparada corretamente, valorizando o seu caráter marinho intenso, sua gordura saudável, sua textura cremosa. Vai lá provar, vai, e me conta. Se pode ser uma maravilha para os que não gostam de sardinha, imagine para os que adoram, como eu. Ah ah ah ah, mas eu tô rindo à toa.


O trio de sushi traz à mesa o que a rede do barquinho Azumi encontrou. Fugimos, assim, da obviedade, da ditadura do salmão e do atum. Na mesma intensidade do lagostim e da sardinha, vibrei ao palitar com os hashis os delicados cortes de olho-de-boi, do vermelho e do xerelete. Sensacional.

Quando provei a cavala marinada, com direito a quiabo delicioso no prato, eu quase saí pulando pelo salão, dando cambalhotas e aplaudindo, resultado de tamanha alegria que me fez sentir como criança no circo, como atleta no lugar mais alto do pódio, como pinto no lixo. Não fiz isso por razões óbvias: iam achar que sou doido…


Mas, ainda que sejam os pescados a principal referência, o cardápio não se resume a isso. No inverno, por exemplo, é servido o rico caldo, que é derramado sobre a cumbuca que abriga ovo cozido, macarrão, carne de porco cozida, cebolinha cortada…

Mais uma novidade pra mim? O ika no kakiage, que vem a ser uma espécie de tempurá de lula com cebolinha em forma de bolinho, servido em porções de três.


Para encerrar doce e levemente, pedacinhos de laranja, cortesia da casa, e um copo de licor de ameixa, feita na cozinha dos donos, lá no apartamento da Barra, curtido com carinho por alguns meses, até ser servido pra nós, encerrando o jantar que ali é sempre divino.
Arigatô.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

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