Um almoço no Ettore, salpicado de recordações da infância: a vida é mesmo bela

O agnolotti di vitello arrabiatta, com molho saboroso e equilibrado, massa verde gostosa e fresca, recheio delicioso: recordar é viver

Me lembro como se fosse hoje do dia em que fui apresentado ao Ettore.
Meu avô ainda morava em Nova Ipanema, na Barra (e a gente frequentava com alguma regularidade o Tarantella, que me parecia ser o melhor italiano da cidade, de frente para a praia, com garrafinhas de Chianti no teto, é claro que na época eu não sabia o que era Chianti, suas toalhas xadrez, um agradável clima de cantina, com TVs passando jogos do campeonato italiano, se não me falha a memória). O ano devia ser 1983. Ou 1984. Frequentar restaurantes começa a ser um prazer para mim.
Pois, então, eu me lembro bem do dia em que conheci o Ettore. Família reunida, acho que ninguém queria cozinhar, tampouco sair para comer fora. Alguma alma caridosa (acho que meu pai) foi até o Ettore, e comprou umas massas, uns molhos. O almoço dominical (tenho quase 100% de certeza de que era um domingo, daqueles chuvosos e cheios de preguiça) foi um sucesso. Desde então, tenho o Ettore num lugar querido do meu coração, ao lado dessas recordações infantis.
E o que, afinal, tem a ver o Ettore com o Tarantella? Bem, ma época eu não sabia, mas as duas casas italianas eram dos mesmos donos, vim a saber anos depois.
Pois, então, voltemos ao Ettore.
Meu pai era cliente fiel da loja do Leblon. De vez em quando eu ia lá com ele, e cheguei a ganhar uma camisa do restaurante de presente dele.
Pois a casa fechou as portas, e restava a filial da Barra. Não é moleza, ainda mais em tempos de Lei Seca, ir jantar na Barra, se você mora na Zona Sul (e vice-versa). Fui adiando, adiando….
Até que recentemente eu teria que ir à Barra resolver umas questões. Se já vou até lá, posso almoçar no Ettore, pensei. Então, entrei no site deles, para ver horários, telefone etc (o endereço, claro, eu já sabia). Eis que descubro que eles têm uma filial no Leblon. Uma lojinha, vim a saber hoje, bem discreta, na galeria da Conde Bernardotte, que abriga teatros e vários bares, como a Academia da Cachaça, o Bar do Adão e o Informal, entre outros.
Resolvi ir lá almoçar. Ainda que o ambiente não seja exatamente agradável, e que a carta de vinhos tenha só uns cinco ou seis rótulos, e que a especialidade do lugar pareça ser a comida pronta para viagem, resolvi comer por lá mesmo (o escondidinho da Academia da Cachaça ficou me tentando, mas eu já estava ali para comer no Ettore, e assim foi).
Do cardápio bastante interessante para alguém apaixonado por massas, como eu, escolhi o agnolotti di vitello (discos de massa verde recheadas com alcatra de vitela, marinada 12 horas em vinho e especiarias), mas dispensei o molho tradicional, alla parmigiana, de tomate com mozzarela, e apostei na arrabbiata (molho de tomate, pimenta calabresa e pancetta).
Estava bastante bom, ainda que na minha opinião o agnolotti pudesse ter um pouco menos de massa e mais recheio. O molho, encorpado e levemente picante, esta muito rico e saboroso. Salpiquei queijo ralado, e tive um almoço feliz. Com a simplicidade e fartura que caracteriza a cuccina italiana, e que tanto me afaga e faz bem.
Foi bom achar um Ettore novamente ali pertinho. E dá até para pedir em casa. Farei isso. Ainda quero provar a lasanha Ettore (feita com massa verde, muçarela, ricota fresca, presunto cozido e lingüiça calabresa no molho misto ), o tortellini alla mostarda e pepe verdi, entre tantos outros.
Além de um almoço agradável, vi um filme passando: o Tarantella, a infância, a sedução pelos prazeres da mesa, o avô…
A vida é bela mesmo.

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Uma resposta to “Um almoço no Ettore, salpicado de recordações da infância: a vida é mesmo bela”

  1. Júlio Castro Says:

    Tarantella aqui na Barra.Saudades.Nada de comida molecular e outras baboseiras como spray de comida.As pessoas eram mais felizes.Leio e releio blogs de gastronomia e vejo comida pouca e preço caro.E os blogueiros se achando os reis da cocada preta pois conseguem enganar todos .Vc é um dos poucos q sabe realmente reportar do Aboim aos mais caros mas não melhores.Por isso sou seu fã.Saudações tricolores claro tricolores carioca.

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