Novidades no Antiquarius: caldinho de bacalhau e acarajé de bacalhau

Não é difícil perceber que sou fã do Antiquarius. E as razões vão além-comida. Como em qualquer restaurante, a cozinha é o elemento principal, mas meu apreço pela casa do Leblon que tem quase a minha idade – eu sou de 1976 e ela, de 1977 – é temperado por muitos outros fatores: os históricos, os decorativos, além de muitas razões pessoais e intransferíveis, como a memória dos almoços em família na infância, o cardápio lusitano de perfil caseiro e sem frescuras, e o fato de que, apesar de ser uma casa portuguesa, com certeza, é um lar de flamenguistas, de modo que o camarão à Zicoe é um clássico do lugar, preparado em tijelinha de barro, com muito azeite, alho frito e tirinhas de pimentão. Solta um camisa 10 é a melhor maneira de pedir esse ícone do Antiquarius. que beleza.

 
Vou ao Antiquarius com certa regularidade. Com a família, para comemorar datas especiais, é o meu restaurante favorito: sempre uma refeição ali tem um quê de momento de gala ao mesmo tempo em que é o mais puro aconchego. Vez ou outra vou almoçar ali, ora com a mãe, ora com a filha, e da última vez fui com as duas. Também visito o Antiquarius em eventos de vinho: especialmente entre os produtores portugueses sempre tem alguma apresentação de safra ou novo rótulo por ali. O último desses foi o lançamento do Barca Velha 2004, quando pela primeira vez comi no restaurante uma carne-seca com abóbora, e estava sublime. Por fim, tenho a sorte de ser amigo do Pedro Mello e Souza, com quem compartilho o amor pela cozinha e pelo vinho, pelo Flamengo e pelo Rio, com um olhar, ao mesmo tempo, doce e amável, ácido e irreverente, divertido e crítico, sobre tudo isso. Na última visita, comecei com um dry martini, que está entre os melhores do Rio. Este da foto ali de cima. Perfeito.
Cada visita em família é um momento marcante: apresentar à filha os rissóis de camarão e a encharcada é algo memorável. Eu nunca como menos de uma dúzia de rissóis quando vou lá. Apreciar uma garrafa de Barca Velha nunca vai ser menos que um ato sublime. Do mesmo modo que passar a noite sentado no banco do bar do Antiquarius, comendo e bebendo, sendo conduzido pelo Pedrão. Ninguém conhece o Antiquarius tão bem quanto ele. Acho que nem o Manuelzinho, nem o Perico… ele é assessor da casa. Mas não é um assessor de imprensa, como conhecemos. Nunca recebi um release. Vez ou outra, ele me convoca. E aí, vamos lá no Antiquarius bater um papo e comer umas coisinhas?
Jamais vou resistir. Porque adoro o lugar, e mais ainda o meu anfitrião. Já foram algumas noites em que fechamos o restaurante, passando das duas da madrugada (tudo bem, que raramente nos sentamos antes das 22h, mas ainda assim é um período de tempo considerável).
Depois dos rissóis e dos bolinhos de bacalhau de praxe, abrimos um branco, e começamos a provar as novidades: o caldinho de bacalhau é uma sopa rica, com tempero de coentro, e o inconfundível sabor do peixe. Um acerto. Ao mesmo tempo chegaram ótimas linguiças, que foram emprestadas do Antiquarius Grill, e desde já estão em cartaz também no Leblon.
Em seguida o acarajé lusitano: massa de feijão-fradinho recheada de bacalhau, frita em dendê. Só é preciso acertar um pouco o ponto da massa, que ficou um pouco ressacada. Mas adorei a combinação inusitada de sabores, que pede o uso nada moderado de pimenta.
Com um belo vinho na taça…
… resolvemos revisitar dois clássicos, que sempre acompanham essas noites longas, divertidas e saborosas. Primeiro, os lagostins ao curry. Molho rico e encorpado, travessa de barro fumegante e fervente, crustáceos crocantes. Quando acaba a carne do bicho, pego a colher, e bebo como sopa o caldo rico, potente, revigorante.
Depois, as iscas de cordeiro, mal passadas, com o interior rosado, e carne macia. O molho rega os pedacinhos, realçando o sabor.
Valeu, Pedrão, meu camarada. Foi um prazer. Conte comigo sempre! 🙂
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Uma resposta to “Novidades no Antiquarius: caldinho de bacalhau e acarajé de bacalhau”

  1. Laura Cavallieri Says:

    É tudo isso e muito mais! O Pedro é “o” cara, o Antiquarius é “o” restaurante, e o Roni é “o” garçom. Que o Manuelzinho me perdoe, mas na ausência dele me apeguei aos outros da equipe – impecável, por sinal!

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