E o Catupiry, quem diria, volta a ganhar destaque nos restaurantes pelas mãos de chefs como Felipe Bronze e Fabio Battistella

O meu primeiro encontro com  o Catupiry foi memorável, de tal maneira que até hoje não me esqueço. Aconteceu no comecinho dos anos 80, na Rua Teixeira de Melo, em Ipanema, numa antiga lanchonete chamada La Rosé, finada há mais de 20 anos, segundo meus cálculos. Uma das especialidades do lugar, além de doces bastante bons, eram os salgadinhos, com destaque para uma coxinha de frango com Catupiry, cuja genialidade da receita era a utilização desse requeijão, não no recheio, com a carne da ave, como é tão comum, mas servindo como massa, empanada levemente numa crostinha quase milanesa. Sacou? Imagine só isso.
Catupiry, houve um tempo, era um ingrediente caro. Lá em casa só aparecia em ocasiões especiais. Nos restaurantes, os pratos com Catupiry eram os mais caros. Camarão com Catupiry, por exemplo, era uma fortuna… Festas chiques, a certa altura, tinham receitas variadas com ele: frango com Catupiry chegou substituindo o estrogonofe, também servido com arroz e batata palha. E, apesar de ter sido criado na Academia da Cachaça, usando requeijão na receita, o escondidinho se proliferou pelo Brasil, quase sempre usando Catupiry (ou imitações) por cima, escondendo o recheio. Dando-se bem com camarão, carne-seca e frango, virou estrela, a ponto de várias marcas tentarem imitar o queijo, produzindo “falsificações”, tentando o mesmo sabor, formato da embalagem e, em alguns casos, até a programação visual do rótulo. Mas Catupiry só tem um.
Acontece que, partir da famosa abertura do nosso mercado aos importados, da era Fernando Collor, começaram a chegar queijos de qualidade de fora, e mesmo a produção nacional também melhorou muito.  Com o interesse crescente dos brasileiros pela gastronomia, o Catupiry, de uma hora para a outra, virou produto desprezível para muita gente: já vi chefs arrasando a qualidade do produto, e muita gente dizendo que odeia.
Mas, como sabemos, o mundo vive dando voltas. Com o Catupiry acontece o mesmo. Hoje vejo chefs jovens e talentosos, como Felipe Bronze e Fabio Battistella, apostando em receitas produzidas com ele.
oro - carioquices
Primeiro, foi o Bronze, que já no menu passado criou uma degustação de receitas inspiradas em botecos cariocas, e o clássico bolinho de camarão com catupiry da Alaíde era um dos escolhidos (para ler mais sobre este cardápio, clique aqui). Agora, ele vai além. No próximo menu ele fará uma releitura do camarão na moranga, com Catupiry. Tô louco para provar.
Barzinho - bar
Já o Fabio Battistella, em seu novo Barzinho, na Lapa, aposta em várias receitas com o requeijão. Curti muito o lugar, e fiz uma – digamos – degustação dirigida de receitas com Catupiry.
Barzinho - caipirinha de caju e limão
Para começar, caipirinha de caju e limão.  Tim tim! Saúde!
Barzinho - bolinhos de arroz com carne-seca
Primeiro, os bolinhos de arroz com carne-seca, com um toque de Catupiry, uma espécie de arancini verde-amarelo, uma adaptação da receita que faz sucesso no Meza Bar.
Barzinho - fritas com queijos
Depois, a porção de fritas coberta com queijos derretidos (incluindo Catupiry, claro, além de provolone, muçarela e parmesão).
Barzinho - frango à passarinho
Em seguida, o prato que despertou a minha vontade de escrever sobre Catupiry, e o Barzinho: uma reinterpretação do frango à passarinho, outro clássico botequeiro. Só que, ali, a receita leva a carne da ave levemente temperada no alho, e depois empanada com parmesão. Para acompanhar, uma cumbuqinha com Catupiry derretido. Muito bom.
Barzinho - escondidinho de baroa com carne assada
Continuamos o tour temático com o mais delicioso entre todos os pratos da noite: o escondidinho de batata baroa com carne assada e cebola caramelada, coberto com uma caprichada camada de Catupiry. Comeria uns três. Ou quatro. Dependendo da fome, cinco ou seis até…
Barzinho - croquete de mortadela
De quebra, ainda provei o croquete de mortadela, muito bom, ainda mais com mostarda. Pegou o croquete, clássico dos botecos cariocas de acento alemão, e misturou com o mortadela, clássico recheio de sanduba de botequim (mais ainda em São Paulo, terra do chef). Ficou bem bom.
Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro:clique aqui.
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