A paixão pela cozinha tailandesa numa pensata pós-almoço (como sempre, delicioso) no Nam Thai, combinando pratos do menu executivo (vale muito a pena) e do regular

A cozinha indiana eu já conhecia desde criança. Conhecia é maneira de dizer, certo exagero. Sabia da existência dos curries, e da tendência ao picante da culinária do país, porque além de alguns restaurantes cariocas servirem receitas como frango ao curry, minha mãe executava muito bem esta receita. O Antiquarius, por exemplo, serve uns lagostins à moda de Goa (ou seja, ao curry) que são divinos. Restaurantes chineses existiam no Rio desde os anos 1970 pelo menos, e eu já havia visitado alguns deles, e curtido bastante a mesa giratória com vários pratos comunitários. E os japas viraram moda a partir do final dos anos 1980. Tinha alguma experiência com as receitas do extremo Oriente, mas faltava algo muito importante: a Tailândia. A cozinha tailandesa só se apresentou para mim através de reportagens que tratavam do pioneiro Koh Pee Pee, que abriu as portas em 1989 na Praia do Rosa, em Santa Catarina, e chegou a Porto Alegre em 1997, onde está até hoje (no balneário catarinense já fechou as portas, mas lá nós temos o ótimo Tigre Asiático). Apreciador de pimentas que sou, logo fiquei interessado nesta gastronomia de antigas tradições, baseada em ingredientes frescos, que consegue ser leve e muito saborosa na maioria dos casos, baseada na composição entre a acidez, a ardência das pimentas, o açúcar e o sal.

Para a minha alegria e felicidade, em 1997 abria as portas, em Búzios, o primeiro tailandês do Rio de Janeiro, o Sawasdee, na Orla Bardot. Nesse tempo, quando ainda valia a pena visitar Búzios no verão, e até dava para encarar em feriados (hoje, só acho mesmo bom entre maio e setembro), eu ia muito ao balneário, umas cinco vezes por ano, em média. A grana era curta, mas sempre economizei no hotel para poder comer um pouquinho melhor. Quando estive lá pela primeira vez, não muito distante da inauguração, delirei com a comida do chef Marcos Sodré, a quem vim a conhecer anos depois. Não me lembro exatamente do que comi na ocasião: nem sequer havia entrado para a faculdade de jornalismo, escrever sobre comida não era sequer um sonho e não andava com bloquinhos de anotações nem costumava a fotografar pratos. Mas eu me lembro, sim, que comi magnificamente, coisas com tamarindo e altos graus de pimenta, camarões, curries vermelhos e verdes (novidades para mim)… Frutas, pescados, especiarias se combinavam em receitas fantásticas. Acabei me apaixonando pela cozinha da Tailândia.

Nam Thai - salão

Pois o Nam Thai acabou chegando um pouco mais tarde em minha vida. Inaugurado em 1998, em Petrópolis, a casa de David Zisman desceu a serra em 2001, quando eu já estava muito mais familiarizado com a cozinha tailandesa. Virei frequentador. Fui algumas vezes, enquanto a situação financeira ia melhorando com o passar dos anos.

Hoje eu sou um grande fã do lugar. Nem muito grande, nem muito pequeno, no tamanho exato para estar sempre sob os cuidados do chef. Isso, é claro, quando ele não está viajando pela Ásia, estudando, ampliando as fronteiras da cozinha do restaurante, que hoje explora receitas de outros países da região, como Cingapura. Agora mesmo David está arrumando as malas, e vai se mandar para a China. Sei que vem coisa boa por aí.

Mas, antes disso, no finalzinho do ano passado, estive na casa da rua Rainha Guilhermina para provar o menu executivo, e a mesa passeou também por pratos do cardápio regular.

Como das outras vezes, impecável.

 Nam Thai - Ceviche de vieiras

Começamos de maneira gloriosa, experimentando o ceviche de vieiras em molho de abalone (R$ 36), do menu regular, um espetáulo…

Nam Thai - Vinho Basa Rueda

… ainda mais delicioso ao lado do ótimo branco espanhol Basa, de Rueda! Tim tim! Vieiras bem frescas, molho potente, mas sem mascarar o pescado. Minha Nossa Senhora, como curti.

Nam Thai - trouxinhas

Também do cardápio oficial, pedidos as trouxinhas de frango e coentro com molho picante (R$ 22) . Resultado: uma casquinha crocante e seuinha envolve um recheio leve e saboroso, conjunto que deve ser mergulhado rapidamente no molho condimentado, que faz toda a diferença. Adoro.

Nam Thai - pastel chinês de porco e cebolinha com molho de shoyo e gengibre

Do menu executivo (que custa R$ 44, para entrada prato e sobremesa; R$ 35, para prato principal e entrada ou sobremesa; e R$ 30 só pelo prato principal) nós pescamos, para a entreda, os pastéis chineses de porco e cebolinha com molho de shoyo e gengibre, uma espécie de guioza que não passa pela chapa, servido encharcado no caldo ralo e de sabor intenso. Como eu gosto disso.

Nam Thai - Torres Viña Esmeralda Catalunya 2011

Mudamos de vinho: geladinho chegou o Torres Viña Esmeralda Catalunya 2011: branquinho perfeito para os dias mais quentes desse verão. Beba frio, por favor, e em boa(s) companhia(s). Que beleza!!! Adoro os brancos espanhóis.

Nam Thai - lulas salteadas com curry de Cingapura e vegetais

Fizemos uma pequena festa, um swing de pratos, e todo mundo provou o que o outro tinha pedido. Para os principais, do menu executivo, escolhemos as ótimas lulas salteadas com curry de Cingapura e vegetais. Muito bom! Leve, muito saboroso, ótimo mesmo para uma tarde de verão, quente como era aquela.

Nam Thai - Lombo de peixe no vapor com chutney de chili e gengibre sobre acelga e shiitake

Eu, que pedi o lombo de peixe, no caso um lindo robalo (acho), preparado no vapor com chutney de chili e gengibre, sobre uma porção de acelga e shiitake, achei que tinha me dado bem na escolha.

Camarão com quiabo do Nam Thai

Até que chegou o prato de minha amiga: era, simplesmente, o camarão indonésio, com quiabo, folha de limão, coentro em pó em limão. Vai por mim: por R$ 30 (preço do prato principal do menu executivo, se pedido sozinho), é das melhores coisas em cartaz na cidade nesta faixa de preço. Uma delícia. No final, fiquei até com vergonha, de tanto que lancei o meu garfinho ao prato da amiga, ainda que a ideia fosse dividir, acho que abusei…

Estava atrasado para o trabalho. Era sexta-feira. Em dezembro. O trânsito na Lagoa… você pode imaginar. Saí correndo, sem sobremesa ou café. Foi uma pena, porque adoro, e muito, as sobremesas do Nam Thai. Estão também entre as melhores do Rio, entre outras razões porque não são muito doces, quase sempre leves e refrescantes.

Fica para uma próxima. E que seja breve.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro:clique aqui.

Anúncios

Uma resposta to “A paixão pela cozinha tailandesa numa pensata pós-almoço (como sempre, delicioso) no Nam Thai, combinando pratos do menu executivo (vale muito a pena) e do regular”

  1. karla Says:

    Eu amo o Nam Thai, esse lugar é fabuloso!!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: