Ecos do carnaval: notícias, análises e confetes a respeito do tríduo momesco

O carnaval pegou fogo e a Quarta-Feira de Cinzas faz jus ao seu nome. Distante da folia momesca, acompanhei de perto a situação.  E concluí: o carnaval do Rio está muito chato, acho que Veneza é o canal.

Primeiro, os blocos.

Vi um pessoal fazendo macumba no Posto 8. Era a Umbamda de Ipanema.

Nesta mesma área, um grupo de drag queens mijões foi pego com as mãos na massa, e com a boca na botija.

O Céu na Terra virou um verdadeiro inferno.
O prefeito Paes, acertadamente, porque isso aqui não é Bahia, proibiu cordas nos blocos. Mas, ufa, os cordões estão liberados. Bola Preta e Boitatá agradecem.

Me Beija que sou cineasta só é frequentado por assistentes de câmera, e olhe lá.

O Monobloco está muito grande, carregando multidões. Mesmo assim, acho que não devia usar cárter de som.

Agora, uma análise da Sapucaí.

A comissão de frente está claramente em baixa. Bundas brilharam mais do que peitos na Avenida.

A Mangueira brochou.

A Beija-Flor vai ficar chupando néctar, e a Ilha vai morrer na praia.

Com desfile fracassado, Paulo Barros tá na lama.

O bom e velho Salgueiro, guerreiro, e sua bateria furiosa, não deu as Caras na Sapucaí.

Notícia de bastidores: Com Viradouro, Porto da Pedra e Cubango, Niterói planeja lançar o seu desfile independente. Niemeyer já foi contactado, e assina o projeto da Passarela do Samba Araribóia.

Também fiquei atento ao carnaval em outras partes do país.

Como é triste ver o desfile da Mocidade Alegre.

Em São Paulo, o MEC estuda fechar as escolas de samba, que não ensinam adequadamente.

O carnaval de Recife é mais legal em Olinda.

E em Salvador, a pipoca é um saco…

Falando sério, um pouquinho, para encerrar.

A Mangueira fez bonito, e o tempo é relativo, como se sabe.

Se a Vila Isabel, desfile impecável e único samba verdadeiramente bom deste ano junto com o da Portela, não ganhar a Liesa deveria ser interditada.

A Portela falando de Madureira foi um desfile histórico, e lindo.

De alguma forma, os enredos patrocinados deveriam ser banidos.

E foi um acerto da TV Globo passar os defiles da Série A, antigo Grupo de Acesso, para o Rio de Janeiro. Império Serrano, Viradouro e outras agremiações tradicionais mexem com o coração dos cariocas, e fazem desfiles melhores que os paulistas. Não fazia o menor sentido a transmissão dos desfiles do Tietê, sexta e sábado. Até que enfim, bom senso.
Afinal, quem quer ver Mocidade Alegre, Gaviões da Fiel, Rosas de Ouro e companhia, Vai-Vai para o Anhembi. Ou não gosta de samba.

Evoé.

Mas e o Papa, hein. Conseguiu emplacar manchete e foto principal n’O Globo mesmo na edição de Terça-Feira Gorda. Não me lembro de outra vez que o alto da primeira página de um jornal carioca não tinha foto de carnaval neste dia.

Malandrinho o pontífice.

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3 Respostas to “Ecos do carnaval: notícias, análises e confetes a respeito do tríduo momesco”

  1. Cleber Coelho Says:

    Prezado Bruno,

    O Carnaval, na sua essência, sempre foi uma bagunça meio organizada .Alegra milhões de foliões país afora, principalmente àqueles que deram duro o ano inteiro e, de alguma forma, se vingam alegremente de políticos, entre tantas outras coisas, através de suas fantasias.

    Como tudo na vida, ou como tudo que sobe, desce, como as escolas de samba, é muito provável que num futuro, não muito distante, as grandes escolas se mirem nas do grupo de acesso e corrijam esses problemas visíveis em função de suas grandezas, ou sabe-se lá, evoluam para sociedades carnavalescas, como as de um passado não tão distante.

    Por quatro dias a folia momesca, inferniza a vida de muita gente e em contrapartida, leva alegria a milhões, não é mesmo?

    Trens, ônibus e metrôs lotados o ano inteiro nas grandes cidades do país, engarrafamentos monumentais diariamente, tudo isso tornam pequeno o preço que se paga para tanta alegria nessa festa. Eu penso assim.

    Estive no Boitatá e lá só vi alegria, muita gente bonita, festiva e muita criança. Sentei num dos bares do Arco do Telles, na “Confraria do Chapéu Panamá”, administrada pelo nosso amigo Cesar Fraga – você pode ver a entrevista dele no Jô Soares sobre esse chapéu; é só colocar o nome dele e do Jô no Google – , fiz amizade com gente de São Paulo, Minas, Ceará e até um casal de russos. Nem vou falar da Portela. Rsrsr. Uma tarde inesquecível.

    Prezado Bruno, adoro as sua matérias, dicas de bares restaurantes, etc., mas essa matéria passou a impressão que você anda meio triste, e esses nossos administradores nos dão motivos de sobra para isso, não é verdade?

    Mas, no Carnaval, precisamos dar um tempo no stress, mandar a tristeza embora, como diz a música , e aproveitar . Do alto dos meus sessenta e oito anos, dou à você, querido Bruno, o mesmo conselho que dou aos meus filhos, hoje empresários de sucesso: aproveitem mais a vida, brinquem mais, façam jus a tanto trabalho que tive e que vocês tiveram para estar onde hoje estão. As mazelas do Carnaval, são tão pequenas diante da sua grandeza e importância…

    Tem uma máxima que diz o seguinte: “não existe mulher feia, você que bebeu pouco”. Carnaval é mais ou menos isso, não?

    Desconfiar de convicções formadas ao longo da vida e se permitir olhar com os olhos dos outros, foi pra mim um grande aprendizado.

    Bruno , querido, foi só um desabafo que tem o propósito de levantar o seu astral, que algum santo desavisado deixou pairar sobre a sua cabeça. Rsrs.

    Um grande e afetuoso abraço,

    Cleber Coelho

    Rio de Janeiro

    • brunoagostini Says:

      Cleber, obrigado pela leitura e pelo comentário. Não é nada disso. Adoro o carnaval desde criança, sempre vou adorar. Adoro o samba, as escolas de samba, os blocos, tudo isso. Meu carnaval, longe da festa, foi delicioso e tranquilo, e não vejo tristeza nisso. Ao contrário. Foi um carnaval muito feliz, e o texto é só uma brincadeira. Hoje acordei feliz e bem humorado, mesmo tendo que trabalhar, e acho que este post reflete isso. Um abraço.

  2. Cleber Coelho Says:

    Bruno, amigo. Uma correção.

    Na verdade entendi que a ausência de nossos administradores de Carnaval, sejam diretores de blocos, escolas de sambas, prefeitos, etc., em função da importância da festa, tenha deixado você triste, e não você triste com a festa. Num dos parágrafos eu cito essa preocupação.

    Um brinde! Bom trabalho!

    Sds.

    Cleber

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