L’Atelier du Cuisinier: bistrozinho simpático e miudinho no Centro (e as coincidências da vida)

 

Eu não acredito em coincidências. Mas que elas existem, existem…
Outro dia resolvi almoçar em um restaurante no Centro do qual já havia lido algo positivo a respeito, numa reportagem da Luciana Fróes. Mas me esqueci do nome e do local exato, só lembrava vagamente que ficava ali, a um pulo da Presidente Vargas, perto do João de Barro, do Beco das Sardinhas, do Málaga e do Fim de Tarde, lugares querido na minha memória afetiva e gastronômica, um lugar com casario antigo ainda relativamente preservado (até quando?).
Sem conseguir achar as informações desejadas na internet, recorri à amiga, e mandei um e-mail para a Lu Fróes, pedindo socorro.
Ela respondeu prontamente: “É o L’Atelier du Cuisinier, na Teófilo Otoni. Inclusive, deve ser o assunto da minha coluna da semana que vem”.
Então, me ofereci para acompanhá-la.
E numa terça-feira fresca de maio, lá fomos nós (para ler a crítica que ela fez, clique aqui).

LAtelier du Cuisinier - salão com cozinha

Curti o lugar. Miudinho, como tantos restaurantes que adoro, no tamanho exato para funcionar com apenas quatro pessoas: dois na cozinha, chef e sous-chef, dois no salão, garçom, que depois vim a saber, era o filho do chef, e maitre (ou seria mesmo garçom).
Casa cheia, o que é um bom sinal, mas não garantia de qualidade (vejo tantos restaurantes medíocres lotados por aí, que precisamos desconfiar).
Mas o que me animou mesmo foi ver o chef  David Joubert indo da cozinha (aberta, que podemos observar das mesas) ao salão, preparando os pratos e servindo os clientes, explicando brevemente as receitas. Senti o carinho dele com o lugar.

LAtelier - amuse bouche
Amuse bouche é sempre bom para divertir a boca ao chegarmos com fome a um restaurante. E o daquele dia, um copinho (desculpe, mas verrine tá muito batido, e eu acho copinho palavra muito mais simpática) com iogurte, tomate picadinho e coentro, com um toque de azeite. Estama mesmo gostoso, fresco e leve, em toda a sua simplicidade, o que não é defeito algum.
Na hora de escolher o prato, a coincidência número 2: havia ali no cardápio do dia uma salada niçoise como opção de entrada. Explico a tal coincidência. Estava de viagem marcada para Nice, e com vontade de escrever sobre esta salada, uma bem sucedida combinação de atum, ovo, vagem, azeitona, anchova, alface e tomate. Quero fazer uma matéria tratando das versões clássicas e das reinterpretações desta receita clássica da cozinha francesa, típica de Nice.

LAtelier - niçoise 2
De modo que não foi nada difícil escolher a minha entrada. Estava mesmo gostosa, enriquecida com um gostoso toque do chef, um vinagrete de framboesa, e um pouco de alcaparras (que adoro) incorporando um aspecto interessante ao prato, com acidez e sabor.
Pedimos um Sauvignon Blanc chileno, entre outras razões porque a carta de vinhos é modesta. Cumpriu o seu papel de alegrar a refeição, limpar as papilas.
Para o prato principal, cheguei a ficar em dúvida. Carnes com molhos de cogumelos muito me apetecem. Mas havia um risoto com bisque de polvo, e esses tentáculos teimam a me agarrar.

LAtelier - filé
A escolha ficou fácil quando a Luciana elegeu para ele o filé com cogumelos, que estava bem gostoso, já que vim a provar depois.

LAtelier - risoto sendo servido
Eu fui no polvo, servido pelo próprio chef.

Le Pré Catelan - risoto 2

O risoto poderia estar mais al dente, e até mais cremoso. Mas ok. A bisque com polvo estava de fato muito boa, com sabor intenso, um toque desejável de pimenta, e com os tentáculos bem cozidos, macios como devem ser. Fiquei imaginando como pode ser útil uma bisque dessas, servida mesmo como sopa, nos dias frios, ou cobrindo uma boa massa (eu escolheria um penne), entre tantas outras utilizações que pode ter (acho que ficaria deliciosa também com um purê de batatas). Gostaria de provar a sopa, por exemplo, com uma tacinha de Jerez Palo Cortado ao lado. Acho que ficaria divino.

LaTelier - Lu Fotografando o chef
Como fez com as outras mesas, o chef veio nos servir os pratos. E a Lu aproveitou para fazer umas fotos.

LAtelier sobremesa 2
No final, encerramos com um trio de sobremesas (tortinha de chocolate, créme brûlée e um copinho de frutas vermelhas), que está incluído no menu degustação, que custa R$ 66.
Vi, na matéria da Luciana, um leitor se indignando, dizendo que a casa era muito cara, e comparando com o Olympe, que às sextas serve um menu executivo de almoço por R$ 92 (só às sextas). Bem, em primeiro lugar, os R$ 26 de diferença não são pouca coisa. E, no Olympe, vamos gastar bem mais com o vinho. São propostas diferentes. O L’Atelier du Cuisinier não quer ser o Olympe, mas sim um lugar aconchegante para se almoçar no Centro, fugindo da medonha ditadura dos bufês a quilo, e dos restaurantes imensos. Ali é um lugar para se comer com calma, com comida fresca e feita com evidente carinho e cuidado, com poucas opções a cada dia, pratos que variam sempre. Se o leitor que comparou com o Olympe se dispuser a sair do Centro para ir almoçar na Zona Sul, terá muitas, mas muitas opções (o menu executivo do Quadrifoglio, por exemplo, no Jardim Botânico, é dos melhores do Rio, e no Gero, o seu almoço dos dias de semana é a melhor maneira de se visitar a casa dos Fasano em Ipanema). E, só para não deixar o assunto morrer, é claro que o menu do almoço de sexta no Olympe é maravilhoso. Fui duas vezes (uma delas virou post aqui), e estava sublime, no mesmo nível da cozinha no jantar, e o Olympe seguramente está entre os meus cinco restaurantes preferidos no Rio, e vive um momento especialmente muito bom, como pretendo escrever nos próximos dias, dentro dessa prometida série de posts sobre as casas francesas do Rio.

LAtelier - chef na porta
Depois do cafezinho, encerramos papeando à porta, quando o chef revelou o desejo de abrir aos sábados, e espalhar mesinhas pela rua.

LAtelier - placa

Ideia que eu apoio totalmente, em nome da revitalização do Centro, que tá demorando pacas para virar verdade, em não projeto efetivo da prefeitura. Como diz outro coleguinha, o Ancelmo Goes: Vamos torcer, vamos cobrar.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro:clique aqui.

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7 Respostas to “L’Atelier du Cuisinier: bistrozinho simpático e miudinho no Centro (e as coincidências da vida)”

  1. Dri Says:

    Só pra constar, mas de acordo com o email de divulgação do almoço executivo, ele tá custando R$125,00…

  2. Júlio Says:

    Bruno,acabou seu blog ?

  3. Jorge Khauaja Says:

    ô Bruno, nem se atreva a acabar com o blog cara! Ajude a manter a qualidade da imprensa no alto! Sério, não faça esse “desserviço” para aqueles que gostam de um bom texto! Abraços

    • brunoagostini Says:

      Fala, Jorge. Obrigado pelo carinho. Vou tentar mais uma vez. Mas, realmente, dá muito trabalho fazer isso aqui, e ando com falta de tempo. Um grande abraço

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