Pipo: a nova casa de Felipe Bronze, restaurante mais falado dos últimos tempos, confirma a ótima fase do chef

Mesmo em um período tão fértil em inaugurações de novos restaurantes no Rio, com propostas originais, o Pipo foi seguramente a mais aguardada de todas. A nova casa de Felipe Bronze, na Dias Ferreira, no Leblon, no endereço da filial carioca do Carlota, abriu as portas há dez dias cercado de expectativas. Faz todo o sentido. Colecionando premiações, com livro lançado no final do ano passado, e quadro no programa Fantástico, Felipe Bronze vive o melhor momento de sua carreira de pouco mais de dez anos. O Oro se estabeleceu como um dos melhores restaurantes do Brasil, fazendo uma leitura original, inteligente, lúdica e saborosa  dos sabores do país, e jantar ali é uma das mais espetaculares experiências gastronômicas que podemos ter por aqui. Mas, ali no endereço do Jardim Botânico a pedida são os menus degustação, com preços a partir de R$ 170, o que assusta muita gente (para ler o último post que fiz sobre o restaurante, clique aqui). O Pipo seria uma casa de perfil mais simples e informal, com cardápio inspirado na cozinha de botecos, com preços mais acessíveis, o que contribuiu muito para todo o burburinho que envolveu a abertura do lugar, além de sua localização na rua mais badalada da gastronomia carioca. Logo no primeiro dia de funcionamento eu já vi fotos no Instagram, comentários no Facebook, com imagens e descrições de pratos absolutamente tentadoras. Salivei. Quis provar. Mas eu não tinha o que fazer… Ainda na Itália, restava escolher o primeiro dia possível para conhecer o Pipo.
Pipo 3 - salão
E este dia era hoje, na hora do almoço. Liguei para lá às 11h30, imaginando que abriria ao meio-dia, mas só ás 13h o restaurante estaria funcionando, e não aceitariam reservas, respeitando a ordem de chegada. Lá fui eu, e pontualmente às 13h cheguei, junto com um casal, e mais um sujeito de bicicleta. Fomos os primeiros clientes de hoje. Logo, às 13h15, as mesas estavam todas lotadas.  E quem passava na rua olhava o menu, mostrava curiosidade.
Claro que a cultura botequeira está presente, mas não dá para chamar o Pipo de botequim. Nem muito menos podemos dizer que se trata de um lugar barato (minha conta, sozinho, foi de mais de R$ 200). Mas, seguramente, é das melhores novidades da temporada. Eu diria uma visita imperdível. Tem basicamente as mesmas virtudes do Oro: um cardápio inteligente, com receitas bem boladas, muitas vezes mexendo com as emoções, com recriações de clássicos preparados com execução segura e bons ingredientes. Fiquei com vontade de provar o cardápio inteirinho. Não existe ali  um prato sequer que não tenha aguçado as minhas papilas gustativas. Mas, nesta minha visita inaugural, fui quase comedido (deixo no final deste post uma foto do cardápio, impresso em papel de pão, e que serve de jogo americano, mais que tentador, que me deixou com vontade, repito, de provar absolutamente tudo).
Pipo 2 - caldinho
Comecei com o caldinho de feijão coroado com espuma de couve, com duas texturas, cores e sabores. Na parte de baixo do copo americano, o caldo espesso de feijão bem temperado. No alto, o creme aerado de couve,  com sabor equilibrado, leve. Só senti falta de uma pimenta da casa, da boa, forte, para acompanhar alguns pratos, porque só tem Tabasco e um molho de pimenta biquinho, e botequeiros como eu adoram uma boa malagueta, e fica aqui o meu pedido para que isso seja providenciado logo. 🙂
Pipo 1 - cerveja
Para acompanhar, a cerveja Summer Ale, leve e refrescante, produzida Röter Brauhof, de Barra do Piraí, bela fábrica de cerveja, que faz dois rótulos especiais para o Pipo.
Pipo - chachorro Thor
Eu estava só em minha mesa, e dei sorte. Meus vizinhos eram gente de ótimo papo. Primeiro, à esquerda, um casal acompanhado de seu belo cão,  o Thor, da raça Golden Retriever, acho eu na minha ignorância canina, um já famoso frequentador de restaurantes no Rio (é bem conhecido no Entretapas, me disseram eles). Emendamos na conversa sobre restaurantes e viagens.À direita, mais simpatia e boa conversa. Em suma, gostei dos frequentadores dominicais do Pipo, e obviamente não estou me incluindo aí.
Pipo 5 - bolinho de pirarucu
Em seguida, uma releitura do bolinho de bacalhau temperado com as cores do Brasil, usando pirarucu em vez do peixe salgado de origem nórdica que se transformou em iguaria ícone de Portugal, e por consequência de botecos cariocas e restaurantes tradicionais da cidade. Para acompanhar, um delicioso molhinho de pimenta de cheiro com um toque de tucupi. Beleza pura. Bolinho sequinho, saboroso.
Pipo 7 - Pale Ale
À essa altura eu já estava empunhando a belíssima Pale Ale, igualmente produzida Röter Brauhof, de Barra do Piraí, e rotulada especialmente para o Pipo. Mais encorpada e potente, tem amargor agradável, um saborzinho floral.
Pipo 6 - pastéis
Depois, pedi uma dupla de pastel, com um sabor de cada um dos dois servidos ali, os clássicos queijo e carne. Mas não tão simples assim, claro. O queijo era de Campo Redondo (MG) e vinha com alho poró acidulado, enquanto a carne era bochecha de wagyu com pimenta biquinho, azeitona e milho. Pedi uma pimentinha para esquentar a brincadeira, e chegou o vidrinho de Tabasco, que cumpriu com louvor o seu papel, mas eu bem que preferia uma malagueta das boas. No copo havia ainda a Pale Ale, que escoltou bem os dois pratos.
Pipo - Ostrix 3
Alegre e faceiro, pedi o único prato que eu já cheguei tendo a certeza de que pediria, o sanduíche de ostra, a comida mais fotografada dos últimos dias no Instragram dos cariocas, não sem razão.
Pipo - Ostrix 4
De outro ângulo, porque gostei muito, inclusive da aparência. Era um pequeno sanduíche no pão de milho (delicioso) com ostras crocantes empanadas em farinha panko, com maionese de ostras, limão siciliano confit e cebola roxa. Muito bom.
Pipo 10 - caju amigo
Neste momento de transição, antes de escolher o prato principal, pedi o Caju Amigo, com a fruta confitada, suco dela mesma, gengibre e cachaça. Delícia. O garçom logo informou.
– Temos disponível no momento esse cajuzinho pequeno, que só nasce a cada dois anos, no Cerrado. Talvez a gente não consiga sempre, mas o resultado é o mesmo em termos de sabor. Pode comer, mas cuidado com a castanha, que é bem amarga.
Comi, estava delicioso, e fiquei com vontade de comer mais da frutinha. Caju é das minhas frutas preferidas.
Pipo 8 - carbonara
Vamos em frente.
Mas, e o que pedir para encerrar? Dúvida cruel. Mais um sanduíche? Falaram tão bem do hambúrguer de wagyu, e eu acho tão incrível a releitura que o Bronze fez do clássico do Cervantes, de porco com abacaxi. Dúvida cruel. Mas a lista de pratos, digamos, principais, em porções ligeiramente maiores, é tentadora demais. A fraldinha de wagyu que tanto me recomendaram, as lasanhas (de bochecha de boi ou de pupunha) a carbonara do Oro (esta lindeza que aparece aí em cima, em foto tirada da mesa vizinha, que era só elogios ao prato)… Um sofrimento é escolher. Ainda bem que volto logo, ainda esta semana…
Pipo 12 - Camarão com catupiry
Mas se o Pipo foi um dos restaurantes mais falados dos últimos tempos, antes de abrir as portas, e se o Ostrix, nome oficial do sanduíche de ostra empanada, foi o prato mais fotografado da história recente do Instragram em terras cariocas, coube ao camarão ao catupiry o post de louça mais badalada das últimas semanas. O prato é servido numa cumbuca que imita o formato e o rótulo clássico do requeijão mais famoso do Brasil, que vem recuperando os seus dias de glória pelas mãos de jovens chefs (como eu já escrevi neste post aqui). Para acompanhar, pedi o molhinho de pimenta de cheiro que é servido com o bolinho de pirarucu, por sugestão do casal vizinho, e fiz muito bem, ficou melhor do que o Tabasco teria ficado.
Pipo 11 - Gim Tônico
No copo, o curioso Gim Tônico, versão deste drinque clássico, com Hendrick’s, especiarias e… maxixe. Sim, maxixe. Curti mil vezes.
Pipo 13 - Bellini de taperebá
Para a sobremesa, sem fome e com sede, fui no Belém Bellini, versão amazônica do clássico drinque italiano, feito com cava e suco da fruta. Gostei mais que a versão original, de prosecco com suco de pêssego.
Em resumo: adorei, e quero voltar.
Saí contente e feliz. No caminho para casa, ainda na Dias Ferreira, quase em frente à CT Boucherie, encontrei o querido casal Fernando e Cintia, que foi destaque na coluna Gente Boa de hoje, por suas andanças pelos melhores restaurantes do Rio, e do mundo, devidamente registrados em fotos no Instagram. Foram justamente eles, no dia da inauguração, que me apresentaram pela primeira vez o Pipo através dos relatos instantâneos do jantar. Voltaram outras vezes, revisitaram o Oro, e estavam lá eles dois, serelepes, voltando mais uma vez ao Pipo. Alegaram que viram as minhas fotos do almoço, e ficaram tentados. Assim, no boca a boca, no fota a foto, o Pipo vai começando a vida em alto estilo.
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O  cardápio (para aumentar a imagem, basta clicar na foto)
Pipo - cardápio grande
Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro:clique aqui.
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11 Respostas to “Pipo: a nova casa de Felipe Bronze, restaurante mais falado dos últimos tempos, confirma a ótima fase do chef”

  1. Fernando Lucas Prudente Martins Says:

    Bruno, esse entusiamo com o qual escreve sempre nos emociona… ainda mais por saber que vc é um gourmet de primeira..daqueles que provam sem preconceitos e relatam com sinceridade profissional.. parabéns! E viva o Pipo!!!

    • brunoagostini Says:

      Olá, Fernanda. Obrigado pelo carinho de sempre, aqui no blog, e quando nos encontramos. Fico muito feliz de ter leitores amigos como você. Grande abraço!

  2. Felipe Bronze Says:

    Grande Bruno, que delicia ler essas palavras tão lindas sobre o Pipo! Ficamos todos radiantes! E promessa feita: vamos trabalhar em nossa pimenta. Já já estará em cartaz!
    Forte abraço!

  3. Dri Says:

    Quero; dupla de pastéis, Mc Pipo, Ostrix, lasanha (as duas!), carbonara, camarão ao catupiry, fraldinha. Também queria não engordar depois dessa orgia… Ai ai.

    Os vinhos, são só em taça ou tem opção de garrafa?

  4. Maysa Alexandrino Says:

    Adorei o post!
    Não vejo a hora de ir conferir esse cardápio enxuto e incrível do Pipo!
    Bjos

  5. Elisabete Says:

    ​ Bruno Agostini, gostamos muito do Pipo. Cardápio criativo e tudo muito saboroso. Sua companhia foi ótima! Saímos com vontade de voltar até esgotar o cardápio. Obrigada pela foto do seu novo amigo “Thor”. O Golden amigo dos restaurantes do Rio.
    Bete, Marcelo e Thor.

  6. Fernanda Says:

    Adorei o seu blog e a maneira como vc descreve os sabores e cores! Voltarei sempre, Parabéns e obrigada

  7. Hambúrguer gourmet: um roteiro pelas melhores versões da cidade | Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] de porco e foie gras, com ketchup de goiaba, molho que é criação antiga do chef. Já no Pipo, seu boteco chique recém-inaugurado na Rua Dias Ferreira, no Leblon, ele apresenta o sanduíche em […]

  8. Nezu Salgueiro Says:

    Moro em São Paulo, e vou no Pipo na próxima IDA ao Rio de Janeiro. Fiquei com água na boca. Parabéns Felipe.!!

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