Um jantar em família no Ten Kai, parte 2: saquês, pescados e alegrias

Provar a língua grelhada à moda japa do Ten Kai era só uma desculpa que eu e Maria arranjamos para jantar no restaurante da Paul Redfern com Prudente de Morais (para ler o primeiro post, clique aqui). No caminho, fui listando as delícias que nos esperavam.
– Maria, o Ten Kai serve uns polvos miudinhos importados do Japão, acho que você vai adorar – anuncei, mostrando com os dedos o tamanho do bicho, coisa de uns seis centímetros. – É desse tamanhinho.
Ela arregalou os olhos.
E fomos andando, e como é bom ir andando a um restaurante. E voltar, sem táxi, sem Lei Seca, sem manobrista.
Chegamos e uma mesa nos esperava no andar de cima. No balcão do térreo, encontrei um amigo, que foi buscar uma “quentinha” pra família. Era o André Paraízo, marido da Cristiana Beltrão, do Bazzar, casal querido, e de bom gosto, até na hora de comer em casa.
Japonês é chegado em um ritual. E essa liturgia à mesa começa com as toalhinhas aquecidas para limpar as mãos, que – afinal – são talher para a cozinha nipônica. Uma bobagem, mas na presença da filha, o toalha úmida e pelando é curioso adereço gastronômico, que mereceu explicação do pai.
O garçom sugeriu harmonizar o jantar inteiramente com saquê, e quem sou eu para impedir essa brilhante ideia?

Ten Kai 1 - cones

Então, começamos o ritual ao sabor de conezinhos de massa crocante recheados com salmão em cubinhos temperado com gergelim.

Ten Kai 2 - língua
Logo em seguida chegou o prato de língua, que deixei para a filha, encantada em provar pela primeira vez a iguaria, um dos pratos que sempre peço no Ten Kai.

Ten Kai 4 - ussuzukuri
Enquanto ela saboreava o órgão muscular bucal bovino eu era apresentado a um belo prato de ussuzukuri de pargo, com outro saquê. Uma beleza.

Ten Kai 3 - ussuzukuri
Maria provou. Ficou curiosa quando disse que o montinho vermelho ao centro era pimenta bem picadinha. Mas gostou mesmo foi do molho ponzu, à base de yuzu, aquela linda e deliciosa laranjinha japonesa.

Ten Kai 6 - vieiras

Quando chegaram as vieiras, reparei a cara de alegria da moça, declarada fã dessas conchinhas desde que as provou pela primeira vez, vindas direto do aquário, no Satyricon de Búzios, e isso lá se vão três anos. Sempre que posso, sirvo vieiras para a Maria, que me agradece saboreando-as com muito gosto.

Ten Kai 5 - vieiras

Só que ela prefere a parte branca, e não é muito chegada à ova alaranjada, de gosto mais forte. Assim, fiz uma divisão justa. Eu comi uma vieira inteira, e duas ovas. Ela ficou com uma duplinha de vieiras, sem as ovas. E repartimos os acompanhamentos, mas eu fiquei com a maior parte dos cogumelos e aspargos salteados.

Ten Kai 8 - Maria e o arroz
Até porque ela já tinha pedido para ela aquele arroz japonês, feito com ovo e camarão, salpicado de cebolinha, praticamente um cardápio infantil nipônico. Eu provei também, e aprovei.

Ten Kai 9 - sushis
Então, vamos chegando à reta final ao sabor do pratinho de sushis, com lula, enguia, pargo… e uma espécie de “carne de pescoço” de peixe, as aparas de uma espécie que me esqueci de anotar, com textura curiosa, algo rígido, difícil de mastigar, mas cheio de sabor.

Ten Kai 10 - sashimis
Aceleramos nos pescados crus, com os sahimis de linguado, o mais rosadinho, e robalo. Ambos frescos e saborosos. Perguntei pra Maria qual ela tinha gostado mais, e ela cravou.
– O rosadinho. Gostei mais do linguado.
Eu também, empatamos, resultado unânime.

Ten Kai 11 - tempurás
Depois, tempurás sequinhos, de lula, camarão e peixe.
– Papai, esse foi um dos melhores restaurantes que eu já fui.

Ten Kai - Maria e o brownie
E olha que ela ainda tinha tinha adocicado e boca. Para a sobremesa, Maria ficou com o brownie e eu…

Ten Kai 13 - sorvete
… fui no sorvete de chá verde com uma compota de ameixas.

Ten Kai 14 - licor de ameixa
Acentuamos o sabor da fruta com o digestivo tradicional dos japoneses, o licor de ameixas, docinho, gostosinho, que deixa o sabor na boca.
E foi com gostinho de ameixa que voltamos para casa. Sem táxi, sem Lei Seca, sem manobrista. Maria estava feliz, e eu também. Andava pulando pelas ruas de Ipanema. Mas sentiu uma falta.

– Papai, nós não comemos os polvinhos.

Reconhecendo o esquecimento, prometi nova visita para compensarmos a falha. Com direito a língua e saquê, é claro.

– A gente também pode ir no Azumi, que tem língua e polvinho. Aí, você prova os grilos caramelizados – provoquei.

– Grilos? Aí, não, papai. Grilo, não, tá bom?

Não pude conter o riso, acatando o pedido da moça. Mas os polvinhos serão brevemente devorados.

Para ler mais: Um coelho na Teresópolis-Friburgo e a língua grelhada do Ten Kai: histórias gastronômicas de Maria

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

 

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