Sá, no hotel Miramar, em Copacabana: uma das melhores novidades de 2013 na gastronomia do Rio de Janeiro

Há duas semana eu estava viajando quando aconteceu a festa do Prêmio Rio Show de Gastronomia, que aliás é o maior evento do gênero no Brasil, um circuito popular, que toma a cidade com aulas, degustações, cardápios etc. Orgulhosamente faço parte do júri. Na última eleição – que pretendo comentar aqui em breve, assim que acabar esta pequena série de posts sobre a deliciosa semana gastronômica que passei com a filha no Rio – um dos meus votos mais convictos foi no peruano Lima como a “Melhor novidade” deste ano. Desde que conheci a casa, e o trabalho do chef Marco Spinoza, me encantei. A comida, deliciosamente descomplicada, a postura dele, na cozinha e no salão, e seu cuidado na escolha das pessoas que formam a sua equipe, e dos ingredientes, e esse novo sopro de modernidade com inteligência na cozinha peruana me fizeram votar no Lima sem qualquer hesitação. Foi assim, porque votei antes de ter visitado o Sá. Não tenho certeza se teria mudado o meu voto, mas certamente teria levado algum tempo pensando sobre o assunto. Isso porque o Sá, no térreo do hotel Miramar, em Copacabana, é hoje um dos restaurantes mais interessantes da cidade, e não estou só falando das novidades.
Logo que vi, há pouco mais de um mês, um post do meu amigo querido Oscar Daudt, em seu ótimo, e cada vez melhor, site Enoeventos, fiquei doido de vontade para ir conhecer o restaurante (vale a pena ler o post, clicando aqui, com boas informações e observações), que ganhou este nome porque a entrada do hotel fica na rua Sá Ferreira. Então, na noite de terça, na companhia da filha e de uma amiga, lá fomos nós, a convite da casa.

Sá - vista da Praia de Copacabana

Primeiro, visitamos uns quartos e o terraço, com bela vista da praia, espeço que espero um dia ver aberto ao público carioca, aos que não estão hospedados ali, porque o panorama é dos mais belos.
Foi uma linda noite, deliciosa, ciceroneados, e servidos, pelo Valmor Dutra, bem escolhido gerente de alimentos e bebidas do hotel, com o auxílio luxuoso do sommelier Luciano.
Voltamos ao restaurante. Minha expectativa era grande, em parte por conta do elogioso post do Oscar, que me encheu de curiosidade.

Sá - couvert

Logo de cara, o couvert me agradou. Os pães feitos na casa são variados, e uma seleção de embutidos ibéricos, e presunto cru, dá um caráter diferente aos petiscos, um tom acima da média.
Mas foi o mesmo o menu tipo “carta branca”, como dizem os franceses, que me deixou encantado com o jovem chef Paulo Góes, de 32 anos, que é filho da Maria Vitória, hoje no grupo Marina. Como escreveu o Oscar: O jovem Paulo “Aprendeu as artes e os oficios com professores de peso: Alex Atala, Claude Troisgros, o português Vitor Sobral e mais um estágio no estrelado Mugaritz, no País Basco, com o chef Andoni Aduriz. Para quem tem apenas 32 anos, já é um carreira e tanto!”
Aprendeu mesmo. Conseguiu criar um menu que é moderno e inteligente, com apresentação impecável, receitas equilibradas e bonitas, com base tradicional e alguma originalidade, um balaio de influência que reúne Itália, Espanha, França e Brasil, principalmente. As massa são feitas na casa, frescas.
Fiquei feliz, porque a Maria, que provou uma massinha com molho de queijo, realmente deliciosa, provou – e aprovou – todos os meus pratos.

Sá - vieiras e Alvarinho

Primeiro, uma dessas composições capazes de conquistar o meu coração: vieira grelhada servida com creme de couve-flor, chips de batata doce e vinagrete de maracujá. Sabor marinho, cremosidade, crocância, acidez, perfume, tudo bem combinado, tudo no ponto certo. Como se vê, bebíamos, alegres, felizes, um Alvarinho Deu Lá Deu 2011, e esses vinhos verdes vão sempre bem com pescados, emprestando acidez, leveza e notas cítricas à comida.

Sá - vieiras

Um close, porque merece.

Sá - robalo

Fomos seguindo, para a minha própria alegria, o mesmo percurso feito pelo Oscar. Depois, robalo crocante servido com molho vierge, acompanhado de purê de batata com limão e palmito pupunha assado. Bravo. Peixe cozido com delicadeza, a carne úmida, a crosta dando sabores tostados, outro purê impecável (adoro purê, e esse, com toque de limão, foi uma bela sacada, com a inteligência e a simplicidade que tanto gostamos). Tínhamos no copo um Bourgogne Chardonnay François Labet 2010, o que é sempre bom, mas me esqueci de fotografar.

Sá - lagosta

Então, foi a vez de um lindo, delicioso e original medalhão de lagosta envolto ao jamón Pata Negra com molho rôti trufado e arroz negro. A foto diz tudo. Não estou certo, sou muitas vezes um sujeito indeciso, mas desconfio que esse foi o melhor da noite.

Sá - vinho tinto Renosu

À esta altura, abrimos o Renosu Rosso, Romangia IGT, muito interessante tinto não safrado.

Sá - ravióli

Assim, bem servidos de vinho, logo chegou o ravióli de pato servido com molho de foie gras, azeitonas pretas e tomate fresco. Bravo, bravíssimo.

Sá - leitão

Fechamos o percurso salgado com o leitão assado com farofa de broa e chorizo, abacaxi grelhado e gelatina de leitão, outra solução inteligente, seguindo padrões da cozinha clássica com algum teor autoral.

Sá - sobremesas

Para a sobremesa, mousse morna de chocolate e sorvete de cupuaçu, esse combinação que sempre vai bem. Maria ficou com um sorvete de banana caramelada e calda de chocolate, e foi evidente a sua alegria ao devorar o doce. Brindamos com o Jerez Premium Pedro Ximenez Fernando de Castilla.
Foi um dos grandes jantares que diz este ano aqui no Rio. Depois, visitamos a cozinha, que tem uma ótima estrutura. E, quando fiquei papeando com o chef, nada mais me surpreendeu. Maduro, inteligente, humilde, e um sujeito doce, que me parece superdedicado e estudioso, Paulo Góes, a meu ver, é das grandes promessas da cozinha brasileira atual. Não é deslumbrado, entende da logística do negócio, da importância de se ter uma produção local de pães e massas, quando possível. O ambiente, muito limpo e organizado, uma equipe que me pareceu feliz (visito muitas cozinhas, nem sempre é assim).
Dias depois, voltei ao restaurante, desta vez para um almoço de trabalho com um hoteleiro francês. E lá estava, de novo, o chef. Sim, ele trabalha no almoço e no jantar, e ainda toma conta de muita coisa na parte da manhã e à tarde. É esforçado e trabalhador, como tinha ficado com a impressão no jantar. Boto a maior fé no Sá, e no Paulo. E no Valmor. Uma linda novidade para a gastronomia do Rio.
Naquela tarde, mudei o menu. Primeiro, gambas al ajillo, aqueles camarões grelhados com alho, azeite e pimenta, que estavam impecáveis (estou sem a foto aqui, quando estiver com ela, eu post aqui em cima).
Depois, o chamado Duo de pato, o peito grelhado e a coxa desfiada, servidos com cogumelos em massa filo, purê de cará e molho rôti de laranja (idem com relação à foto).
Novamente, saí feliz e contente com a novidade. Recomendo com entusiasmo. Espero que gostem.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

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7 Respostas to “Sá, no hotel Miramar, em Copacabana: uma das melhores novidades de 2013 na gastronomia do Rio de Janeiro”

  1. Dri Says:

    Eu podia ter casado com aquela Lagosta e estar morando até agora lá com ela… Mas desconfio seriamente que volúvel do jeito que sou, teria traído ela com esse duo de Pato. Nham nham nham!

  2. feraprumar Says:

    Bruno, visitamos o Sá por sua causa e fomos muito felizes..obrigado. ..quando voltarmos (em breve) iremos pedir essa lagosta aí…
    Mil beijos, querido!

  3. André Says:

    Que delicias!

  4. Maysa Alexandrino Says:

    Olá Bruno,
    Estou louca para conhecer o Sá. Só tenho lido elogios por aí.
    Adorei o post!
    Bjos

  5. juliana Says:

    Depois de algum tempo finalmente fui com a minha família conhecer o Sá. Estava na expectativa de uma refeição como a qual você descreveu. Mas, infelizmente o que era para ser memorável tornou-se uma grande decepção das entradas à sobremesa. O serviço foi bem atencioso devo ressaltar. Garçons experientes e educados. Dispensamos o couvert e partimos para entrada pedimos 2 entradas para serem compartilhadas em 3. No final nos cobraram 3 entradas. Os camarões VG grellhados ao chili estavam mergulhados em óleo que ofuscava totalmente o sabor do crustáceo (ou de sua amostra grátis) De VG só se for de Varginha…A salada de queijo de cabra e figos com redução da tangerina veio tão bem divida que somente uma pessoa foi agraciada com o figo. A sucessão de erros prosseguiu-se com os pratos principais. O atum oriental que pedimos mal passado veio extremamente cozido, ou seja, ressecado, duro e zero de sabor. O robalo crocante de longe lembrava esta posta alta da foto do post. Parecia um filé de linguado com uma crosta gordurosa de pão que nadava em um molho mais gorduroso ainda. Fomos informada que o molho era a base de funghi, O fungui assim como o figo deve ter sido esquecido no mesmo canto da cozinha. O palmito assado do acompanhamento simplesmente não veio e quando chegou se limitou a mais uma amostra grátis. O prato novo, que segundo o maitre, tinha entrado em cartaz naquela semana, peixe assado com folheado de tomate não fez jus a fama toda que parecia ter. O peixe mais uma vez um micro filé estava até saboroso mas o folheado de tomate com a tal massa fresca feita na casa estava mais para uma massa industrial extremamente massuda e seu frescor tinha um toque de requentado no microondas. Fomos persistentes e optamos por uma sobremesa. Um creme brulée de piña colada. Para não me alongar muito, digo apenas que o abacaxi do prato de frutas (uma das sobremesas da mesa) foi a grande estrela do almoço. Docinho e refrescante. Não pedimos café apenas a conta que como disse no início veio errada. Por algum momento pensamos que o chef não estava e por isso a cozinha desandou mas ao sairmos vimos o chef no salão…qui “SÁ’ deu de errado????

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