As aventuras gastronômicas de Maria no Rio de Janeiro

Maria avaliando a vieira do Cipriani, um dos seus ingredientes preferidos

Maria avaliando a vieira do Cipriani, um dos seus ingredientes preferidos

A Maria adora viera, coelho e pato, mas odeia trufas, ainda que tenha gostado de uma massa que fiz outro dia, com uma boa manteiga trufada, salpicada de grana padano. Mas a vida não é só glamour e falsa sofisticação, então a menina assumidamente adora miojo, jujuba e Pringles.
O que importa é que ela é uma superparceira. Sempre me acompanha nas idas a restaurantes, com paciência e bom humor, disposta a experimentar as mais estranhas iguarias que eu esteja disposto a oferecer. Pode não gostar, mas prova, uma virtude sublime.
Por conta do ofício, e mesmo por prazer, frequentar restaurantes é um programa que faz parte da minha rotina, como acordar, escovar os dentes e ler os jornais. Por sorte, tenho uma filha que entende a situação, e me faz doce companhia à mesa.
Outro dia, para a minha surpresa, perguntei o que ela gostaria que eu preparasse para um almoço em casa, no domingo passado. Dei todas as possibilidades. Diga, Maria, o que mais gosta de comer, que eu vou fazer.
– Vou dar uma dica. Tem duas sílabas – ela disse.
– Hummmmm. Massa? Doce? – fui, carente de imaginação, arriscando, e ganhando sucessivas negativas.
– Vou dar mais uma chance. Começa com a letra pê – ela continuou a me dar dicas.
Como não consegui imaginar algo que ela pudesse gostar, que tivesse duas sílabas e começasse com a letra pê, desisti.
– Ai, papai, como é que você não sabe? É polvo, você não sabe que eu adoro polvo?

Caldo de Piranha - polvo ao alho e óleo

O polvo ao alho e óleo do Caldo de Piranha, em Teresópolis

Saber e sabia, mas não imaginava que seria o que ela mais gostava… Assim, diante da impossibilidade de conseguir um bom polvo para o almoço dominical, no sábado fomos almoçar no Caldo de Piranha, um belo boteco teresopolitano, que serve um dos melhores polvos do estado do Rio, na versão alho e óleo, para regarmos com pimenta de azeite (e eu ainda peço uma porção extra de alho frito).

Durante as suas férias, ela – que mora em Teresópolis – passou uma curta temporada no Rio, e aproveitamos para cumprir um delicioso roteiro gastronômico, numa série de almoços e jantares que relatei aqui, lentamente, nas últimas semanas.
Este post tem este propósito: de reunir todas essas histórias e ajudar a estimular que os pais saiam com os seus filhos para comer fora, e que apresentem para eles novos pratos e ingredientes, porque é triste ver um adulto com cardápio muito restrito porque não teve estímulos assim quando criança.
Sempre digo a ela: Maria, quanto mais coisas você gostar de comer, melhor, assim, tem menos chances de passar fome ou apertos quando te oferecerem um almoço, e vai sempre extrair mais prazer de uma refeição, que é algo que temos que fazer pelo menos três vezes ao dia ao longo da vida.
Agora, para encerrar, facilitando a navegação, deixo todos os links das aventuras gastronômicas de Maria (nem todas as refeição eu fiz com ela, mas de certo modo ela está envolvida em todos os posts), seguindo a ordem cronológicas, dos fatos e das publicações.

Uma maratona gastronômica infantil no Rio de Janeiro (ou Maria, obrigado pela companhia)

Mira, na Casa Daros: programa gostoso para se fazer em família

Um coelho na Teresópolis-Friburgo e a língua grelhada do Ten Kai: histórias gastronômicas de Maria

Um jantar em família no Ten Kai, parte 2: saquês, pescados e alegrias

O brunch do mexicano Azteka: tem huevos rancheros nos fins de semana em Ipanema

O novo corte australiano do Esplanada Grill e uma linda tarde dominical

Ráscal: com inclinações italianas e mediterrâneas, um bufê muito competente

La Mole: tudo igual, nós é que mudamos

O T-bone indecente e delicioso do Giuseppe Grill, ponto alta de um jantar, gastronomicamente falando, é claro

O menu executivo do Outback: a melhor pedida (mais barato, e com as carnes no mesmo nível)

Sá, no hotel Miramar, em Copacabana: uma das melhores novidades de 2013 na gastronomia do Rio de Janeiro

Vero: a melhor sorveteria do Brasil, e seus sabores, entre os clássicos, os etílicos e os exóticos

“Feitos à mão”: a nova coleção de Roberta Sudbrack, o artesanato do paladar

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

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3 Respostas to “As aventuras gastronômicas de Maria no Rio de Janeiro”

  1. Alfredo Eb Says:

    Com certeza as mais gratas lembranças que guardo de meu falecido pai são esses momentos de descobertas à mesa, ele me ensinando a comer ostras, molho pardo, alheiras, coisas que se descritas não atrairiam uma criança, mas ali, compartilhadas com ele ganhavam outros sentidos, e cada vez que como hoje em dia, sempre tem um quê de homenagem. Parabéns pela filha.

  2. umagarotacarioca Says:

    Adorei as aventuras de Maria rs

    Acompanho o blog para conhecer lugares legais para comer, e nesse fds fui conhecer a sorveteria Vero, em Ipanema… gostei muito, obrigada pela fica! 😉

  3. ouriquemedici Says:

    Olá Bruno Agostini, tudo bem? Me chamo Júlia Medici e gostaria de convidá-lo para uma degustação em um restaurante aqui no Rio, só que passar os detalhes por comentário é complicado. Uma mensagem também foi enviada em seu facebook, mas se puder me enviar um e-mail para que possa te responder dúvidas e passar mais informações, ficaria muito grata. Segue meu e-mail julia.medici@fizzy.com.br

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