Uma tarde no japonês Naga, no Village Mall, ótima novidade importada de São Paulo: sequência de sushis de fazer suspirar

A sequência de pratos apresentados pelo sushiman Fábio Seiji vinha em alto nível, com uma seleção de saquês da mesma envergadura. Tatakis preciosos abriram o caminho para sushis e sashimis impecáveis, além de iguarias como vieiras, ovas e ouriço. Quando ele serviu a dupla de sardinha, puro sabor marinho, concentrado, intenso, gordo, percebeu a minha alegria antes mesmo de pegar o bolinho de arroz coberto com uma fatia do peixe. Ele já sabia do meu encantamento por esta espécie que muitas vezes é desprezada aqui no Brasil.
– Quando você comentou que gosta de tartare de sardinha, de ouriço e de enguia, eu entendi o seu paladar – disse-me o sushiman, que me serviu uma das melhores degustações de sushis de toda a vida.

Naga 1 - fachada

Confesso que fui visitar o Naga, recém-inaugurado no Village Mall, na Barra, com uma alta expectativa, pelo que já havia escutado e lido sobre ele. Mas, ainda, assim, foi uma tarde ainda melhor do que eu poderia imaginar. Cheguei cedinho, logo que a casa abriu, e fui o primeiro cliente.

Naga 3 - balcão

O salão é moderno, bem iluminado e com o maior refrigerador de pescados que já vi na vida, repleto de peixes e frutos do mar de bela aparência.

Naga 6 - equipe

Quando pedi ao Fábio Seiji (o da esquerda) para fazer  uma foto dele, gostei da sua atitude, de valorizar o seu time de ajudantes, posando com todos eles. Cozinhar é um trabalho em equipe, e chefs que entendem isso, e reconhecem o mérito de todos, tendem a ser os melhores. Repara na gigantesca centolla, que chama a atenção na vitrine refrigerada, cheia de gostosuras.

Naga 4 - saquê 1

Fomos papeando, e dei carta branca para ele montar um menu, listando algumas preferências. As sardinhas, o ouriço, o toro, é claro… Para começar, o Mutsu Otokoyama Chokara Junmai, um belo saquê, seco e forte, com final de boca longo, …

Naga 5 - saladinha

… preparou a boca para o primeiro dos muitos bocados: uma saladinha de repolho com tomate e um ótimo molho de cenoura.

Aos 34 anos, Fábio chegou ao Rio para abrir o Naga tendo duas décadas de experiência como sushiman: sim, ele começou aos 14 anos.

– Queremos apresentar coisas novas, menos rolinhos califórnia e menos salmão e atum para explorarmos os pescados aqui do Rio, além de outros ingredientes menos comuns, como ouriço. Mas não é fácil, temos que fazer com calma, respeitando o gosto dos clientes. Mas, aos poucos, vamos apresentando iguarias menos óbvias – diz ele.

Naga 7 - saquê 2

Empunhando o segundo saquê, o Jozen Mizunogotoshi Junmai-Ginjo, em degustação conduzida pelo maître da casa, Jhun, também importado de São Paulo, com a bebida sendo servida em copos de vinho, como deve ser …

Naga 8 - tataki no balcão

… recebi com imensa alegria o tataki, com três variações sobre o mesmo tema. Peixe-serra, polvo e uma parte nobre do atum, quase um toro (da esquerda para a direita).

Naga 9 - tataki no balcão - close

Merece um close.

Merece um close ainda maior, pelo ângulo reverso. Tudo lindo, tudo delicioso, conjunto abrilhantado pelo saquê perfumado, floral, seco e delicado, e pelo molho ponzu, feito com shoyo, limão, laranja, saquê, gengibre, nabo e pimenta dedo-de-moça.

Então, começou uma sequência de sushis de tirar o fôlego, duplinhas irresistíveis. Primeiro, de pargo (esquerda) e lírio, cortes brancos e frescos, com sabores delicados.

Naga 13 - saquê 3

Então, outro saquê se apresentou: o Nanbu Bijin, outro exemplar seco e delicado, produzido artesanalmente.

Naga 14 - sushis de linguado e olho-de-cão

Foi paixão à primeira vista. Foram paixões à primeira vista.  Primeiro, com a duplinha de linguado (esquerda) e olho-de-cão.

Naga 15 - sushis de robalo e olho-de-boi

Depois, com a duplinha de robalo (o branquinho, à esquerda) e olho-de-boi (o mais rosadinho, quando a carne começou a ganhar cor e sabor mais intenso).

Naga 16 - vieiras

Eu diria que o saquê Nanbu Bijin viveu um lindo caso de amor com essas duas etapas. Mas foi quando ele se encontrou com as veiras, delicadas e de sabor intenso, pontiagudo, pelo tempero de limão siciliano e do sal vermelho do Havaí, que o cupido flechou os nossos corações. Por pouco, não me levantei, e saí cantando pelo salão como a vida é bela. Ainda bem que o saquê ainda atuava com moderação, então eu me contive, para alívio dos demais clientes que já lotavam o salão àquela altura.

Naga 17 vieiras - close

Mais de perto, por favor, porque vale a pena.

Naga 18 - ouriço com limão

Já estava encantado pelo Naga. Imagine, então, a minha reação quando chegou o uni, ou seja, o ouriço-do-mar, com seu sabor marcante, realçado pelo limão e pela pitada de flor de sal de Guérande.

Naga 19 - sushi de centolla e lagosta

O negócio foi ficando sério e surpreendente. Hora dos crustáceos. Assim, vi que não era só para enfeite aquela linda centolla da vitrine refrigerada. O caranguejão também vira um ótimo sushi. E quando chega em dupla, então, ao lado de um exemplar de lagosta, a coisa fica ainda melhor.

Naga 20 - saquê 4

Hora de trocar novamente o saquê. E à esta altura, era tanta informação, que acabei não anotando o nome da marca. Anotei que é de Kobe, e que tem sabor seco e frutado, e que foi dos melhores saquês que já degustei. Vou tentar recuperar o nome, mas se alguém souber, por favor, pode depositar a informação na caixa de comentários, e o blogueiro agradece.

Naga 21 - saquê 4 - close

Mais de perto.

Naga 22 - sushi de toro

E fomos em frente. Duplinha de toro. Ai ai ai…

Naga 23 - sortes de toro

Então, ele me mostrou o caminho que o peixe faz, começando com as suas partes mais nobre, indo para os sashimis (esquerda), e depois passando para os sushis, com cada parte do animal, com cada espécie, cortada de maneira diferente.

Naga 24 - dupla de sushi de sardinha

Ainda estava relativamente longe do final. Foi quando as minhas preces foram ouvidas, e a plaquinha de madeira que repousa sobre o balcão, com wasabi e gengibre, recebeu uma duplinha das mais esperadas daquela magnífica tarde: eram sardinhas, fresquinhas, depositadas sobre o bolinho de arroz. Vibrei.

Naga 25 - Dupla de sushi

Em seguida, mais uma duplinha, que acabei esquecendo de anotar. Mas, pela aparência, e pelo que me diz a minha memória, era um peixe-serra. Estava impecável, e isso eu me lembro muito bem.

Naga 26 - ovas de salmão

Depois, ovas de salmão, como se fossem prelúdio…

Naga 27 - barriga de salmão com limão siciliano

… da barriga deste mesmo peixe, com toque de limão siciliano.

Naga 28 - dupla de ovas - masago e jalapeño

Mais ovas. Dois tobikos, como são chamadas as ovas miudinhas. No caso, temperadas, e coloridas, com jalapeño e wasabi. Para dar um tapa no sabor, instigando a boca para a reta final.
Naga 29 - saquê 5

Porque havia, ainda, mais um saquê, que igualmente deixei de anotar o nome. Fato é que ele cumpriu lindamente a sua missão de escoltar os pratos derradeiros.

Naga 30 - enguia

A enguia, que me fez sorrir de alegria. Composição equilibrada, o sabor intenso, a alta concentração de gordura do peixe, quebrado pelo molho adocicado. Coisa de doido.

Naga 31 - rolinho

Um rolinho, de shari, o arroz de sushi, com mais enguia, ovas e abacate envoltos em folha de nori.

Naga 32 - atum com foie gras

E logo veio uma daquelas combinações infalíveis. Atum com foie gras, e em execução perfeita.

Naga 33 - sashimi de  toro

O último ato, encerrando com chave de ouro, foi o sashimi de toro, corte do atum que é a glória marinha.

Naga 34 - licor de ameixa

Último ato salgado. Porque encerramos como se deve encerrar uma refeição japonesa, ao sabor do licor de ameixa tradicional.

Naga 35 - coleção de saquês

Ainda dei uma espiada na estante repleta de saquês, junto ao bar, na porta da casa. E fui embora encantado, pensando em quanto quanto pode ser leve, surpreendente e saborosa um almoço “carta branca” no balcão das melhores casas japonesas, caso do Naga, que já chegou conquistando o meu coração.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

8 Respostas to “Uma tarde no japonês Naga, no Village Mall, ótima novidade importada de São Paulo: sequência de sushis de fazer suspirar”

  1. Felipe Says:

    Mto bom! mas qto foi essa brincadeira?

  2. Isabela Bastos Says:

    Já ia mesmo esta semana, mas depois de ler seus comentários fiquei mesmo convicta de que tenho que experimentar!

  3. Carolina Tannure Says:

    Gostaria muuito de saber quanto foi também! A matéria me deu ainda mais vontade de conhecer, certeza que vou amar!

  4. Thiago W. Says:

    É caro! Mas a experiência vale cada centavo! E com certeza é mais barato do que viajar para o japão e comer sushi de verdade! Depois do Naga, comer esses enrolados entupidos de cream cheese fica difícil!!!!
    A maioria dos restaurantes japoneses do Rio só tem 3 tipos de peixe, salmão, atum e dourado, no máximo um namorado pra fazer uma graça! Tudo comprado da Frescato, e muito provavelmente congelado! E como falei, tudo com cream cheese! Triste!

  5. joão agbriel Says:

    quanto custou a refeição relatada acima?

  6. Lilian Says:

    Poxa, mas ninguém vai dizer quanto custou esse almoço? Estou com água na boca, morrendo de vontade de ir, mas preciso saber + ou – , não precisa ser exato, quanto vou gastar, por exemplo: varia de R$ a R$. Amei. Obrigada Lilian

    • brunoagostini Says:

      Um jantar no Naga vai custar entre R$ 100 e R$ 200 por pessoa, em média.

      • Lilian Says:

        Uau, Obrigada Bruno, é que fizeram tanto mistério que achei que custasse uma fortuna, com certeza compensa muito provar o que esse restaurante oferece. Muito obrigada.

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