Archive for novembro \28\UTC 2013

“Quero cantar ao mundo inteiro a alegria de ser rubro-negro”: vermelho e preto é Flamengo, e ponto final

28/11/2013
Reprodução da TV: a nação rubro-negra pode comemorar

Reprodução da TV: a nação rubro-negra pode comemorar

 

Nada representa mais um clube de futebol do que as suas cores.
E a identificação delas dá a grandeza de uma dessas instituições do futebol brasileiro.
O Flamengo é rubro-negro. O mundo sabe que o Flamengo é rubro-negro. O Vermelhe-e-Preto se confunde com a Nação. No Rio, em Nova York, em Londres, em Dubai ou em Tóquio, o o planeta sabe que o manto sagrado é rubro-negro, sabe que Vermelho-e-Preto é Flamengo.
Pobres dos torcedores dos clubes de cores sem caráter. Não falo do Barcelona grená. Falo do Vasco, do Botafogo, do Corinthians, da Ponte Preta, do Bragantino, do Ceará e tantos e tantos clubes alvi-negros Brasil a foto. Preto e branco é a foto, preto e branco são muitas coisas. Vermelho e preto é Flamengo.
Piores ainda são os tricolores. Tricolor é o Fluminense, é o São Paulo, é o Grêmio, é o Bahia, é o Santa Cruz, são muitos, são milhates, lhes faltam identidades.
O tricolor carioca, por exemplo, tem as cores da Itália, e quando vemos a sua bandeira, ela nada mais é que uma fâmula italiana, com escudo aplicado, mesmo que as faixas seja horizontais, e que o branco seja uma linha fina, em alguns casos. As três cores, me perdoem, só traduzem “tradizione”.
O vermelho e o preto, não. O vermelho e o preto são o Flamengo, aqui e alhures, em quaisquer galáxias. Rubro-Negro é Flamengo.
E ponto final.

 

P.S. – Escrevi este texto na semana passada, durante a primeira partida da final da Copa do Brasil, lembrando do que é, de fato, ser um time grande, único. Obrigado, meu Mengão. Eu gosto de você.

Philippe Moulin e Livia Guerrante juntos no Térèze, no Hotel Santa Teresa: o equilíbrio entre inovação e tradição, experiência e juventude

23/11/2013
Aconteceu exatamente há uma semana. Para ser preciso, uma semana e uma hora.
Convidado para conhecer o novo chef do restaurante Térèze, no Hotel Santa Teresa, neste bairro simpático, e o seu menu, convoquei o meu amigo Pedro, o Mello e Souza, que também atende pela sigla PMS. Meu camarada, editor do site Talheres, Cheguei, e das revistas Eatin’ Out e Casashopping, entre outras, e habitual colaborador do caderno Ela, d’O Globo, meu companheiro de mesa favorito, pela alegria em compartilhar as coisas boas da vida, e pelo amplo conhecimento de causa, porque poucos também sabem tanto sobre gastronomia quanto ele, que não à toa está escrevendo – trabalho de duas décadas – uma enciclopédia sobre o assunto, a maior jamais produzida neste planeta. Pedrão, como eu disse, é meu amigo, meu irmão, e até um ídolo.
Pois eu marquei o almoço para às 13h, mas pegamos um megaengarrafamento na Lagoa, mesmo no início da tarde de sábado, e levamos uma hora de Ipanema até lá. Acabamos chegando às 14h. Tarde de sol, mas com calor moderado, nem parecia novembro.
O hotel é um gay-friendly, de modo que o porteiro nos recebeu perguntando se chegávamos para o check-in, ou se tínhamos reserva no restaurante.
Era só um almoço  de trabalho entre amigos.
Atravessamos o jardim tropical. Clima de festa na piscina, champanhe e música rolando, descemos as escadas e foi realmente muito gostoso, a primeira delícia daquele sábado, entrar no salão bem refrigerado.
Térèze - Livia Guerrante
A graciosa sommelier Livia Guerrante se encarregou do serviço, com eficiência e elegância, e beleza, o que, se não é fundamental, ao menos é sempre bom.
Térèze - Amalaya
Ela jogou, de certo modo,  na defensiva, apostando em vinhos desses que são certeiros, com um ou dois lances mais ousados, escolhendo um percurso enogastronômico equilibrado. O primeiro acerto da moça foi logo este Amalaya 2012, um branco argentino vigoroso, surpreendente corte de Riesling e Torrontés produzido nas alturas da região de Salta, que combina frescor e potência aromática, cheio de fruta, como maçã verde,  e especiarias, como gengibre, uma beleza.
Térèze - couvert
Foi com ele na taça que tudo começou alegremente, com o couvert que tem a grandeza da simplicidade. Cesta de pães quentinhos, tapenade e manteiga com um toque de flor de sal. Para mim, mais que suficiente para iniciar uma grande refeição.
Térèze - tartare de salmão 1
Se o o couvert e o vinho já estavam tratando de deixar a mesa feliz, a chegada do tartare de salmão fresco, com espuma de coco e raiz forte, com molho de pimenta chipotle e guacamole apresentou muito bem as credenciais do chef francês Philippe Moulin – que assumiu a cozinha da casa, mantendo a conexão do lugar com o país. Casado com uma brasileira, ele veio do México – chegou com indicação do Claude Troisgros -, e trouxe na bagagem um tempero típico da terra da tequila.
Térèze - tartare de salmão 2
Além da pasta temperada de abacate, e da pimenta porreta, ele espalhou brotinhos de coentro, reforçando a sua influência chicana. A espuma de coco dava leveza ao conjunto, e a pimenta emprestava a sua eletricidade, enquanto o guacamole tratava de dar untuosidade, e o aro de massa crocante dava o contraste de textura. E o vinho brilhou, arredondando isso tudo, jogando acidez na brincadeira, e a sua complexidade de sabores. Casamento perfeito, que me fez vislumbrar uma refeição brilhante, como de fato aconteceu.
Térèze - foie gras 2
Do mil folhas de foie gras com pão de especiarias, tipo terrine, coberta com fina camada de geleia de vinho do Porto e  um vinagrete trufado, posso dizer que foi das melhores receitas que já provei com o fígado gordo. E aí, a Livia novamente apostou em um vinho bem ajustado à receita, mas desta vez me surpreendeu, servindo um Chandon Brut Rosé, espumante brasileiro desses que honram a nossa fama nesta categoria. Um prato cheio de sabor, rico, com texturas diferentes, contrastes… Ela tinha muitas possibilidades de escolha, e o espumante rosado, com seu frescor, sua cremosidade e corpo levemente taninoso conseguiu encarar com galhardia o foie gras, temperando a receita com sua explosão de frutas vermelhas, e limpando a boca, seguidamente, para a garfada seguinte, criando um processo gustativo cheio de nuances.
Térèze - foie gras 1
Gostei, e ainda achei bonito.
Térèze - lagosta
Um tartare, um foie gras e, seguindo uma trajetória segura e certeira, chegou uma lagosta. Bem, não era uma lagosta qualquer. Olha para isso.  Posso dizer, foi um dos melhores pratos que comi este ano, em toda a sua simplicidade e grandeza. Foi, também, uma das melhores lagostas que já provei, grelhada à perfeição, na casca e temperada com sal grosso, como deve ser, com um lado tostadinho, e o outro quase cru, criando diferentes camadas de sabor. Comeria umas 15 dessas. Talvez 20. Ao lado, uma cumbuquinha com risoto de moqueca, e um molho “beurre blanc” jogando o sabor às alturas, me fazendo lembrar o ditado inglês: “Everything gets better with butter”.
Térèze - Pouilly-Fumé
Sim, tudo fica melhor com manteiga. E, neste caso, ficou ainda melhor, mas muito melhor, por conta do vinho servido, o Pouilly-Fumé Mademoseille de T 2011, um lindo Sauvignon Blanc “du Château de Tracy”, mineral, cítrico, profundo, transformando a lagosta em algo ainda mais divino. Pensei até em encomendar uma missa de ação de graças em homenagem à dupla lagosta-vinho.  Fez por merecer o louvor.
Térèze - cordeiro
Pois, como dizia, o cardápio tem raízes clássicas, seguindo um percurso impecável. Assim, o que poderíamos ter na próxima etapa que não um cordeiro? Pois, sim, foram as suas costeletas que chegaram à mesa. O prato, chamado “churrasco de cordeiro” tinha aqueles bifinhos colados ao osso, em crosta de castanha, com molho de pimenta verde e menta, polenta branca e batata-doce picante, novamente trazendo influências apimentadas do México, em comunhão com o tradicional corte francófilo do carneiro bebê, de carne saborosa e delicada. Novamente, o ponto de cozimento da carne, como acontecera com a lagosta, chamou a atenção. Miolo rosadinho, suculento, como manda a regra. Foi um delírio.
Térèze - Jean-Luc Colombo Les Abeilles
Porque o churrasco de cordeiro foi elevado à condição de sensacional não apenas pelo ponto e qualidade da carne, mas também pelo vinho escolhido. Rhône, e a Shiraz, de uma maneira geral, são a mais perfeita companhia para churrascos, de uma maneira geral, e para o cordeiro, de modo mais específico. Então, um belo cordeiro no prato, com um lindo Rhône da taça, no caso o Jean-Luc Colombo Les Abeilles 2011, um Côtes do Rhône que é garantia de felicidade plena e absoluta.
Foi uma alegria.
Fazendo um resumo rápido do almoço: todos os pratos estavam muito bons, e os vinhos escolhidos realçaram cada receita, sem se sobrepor ou se intimidar, criando um resultado delicioso. Se eu tiver que pensar em uma refeição perfeita, essa certamente está entre elas. Um circuito com quatro pratos, com perfil clássico, explorando ingredientes de caráter distinto, numa sequência de tirar o fôlego. Foi assim, sob esse entusiasmo, que nasceu a ideia, que pretendemos repetir outras vezes.
– Pedrão, porque não combinamos de escrever um post cada um, e publicarmos juntos? Vamos armar de fazer isso?
Aí, assim, acertamos de publicar hoje, sábado, às 13h. O meu está aqui, o post do Pedro está lá no Talheres, Cheguei (para ler, clique aqui neste link).
Térèze - chef Philippe Moulin
Ao final, o chef veio até a mesa, para saber como foi. Não contive o meu entusiasmo, mas desconfio que Philippe Moulin não tenha conseguido, mesmo com meu discurso elogioso, entender o quanto eu gostei do almoço. E a mesma ideia tenho a respeito do trabalho da Livia, que deu suporte à altura à cozinha. Gosto de chefs criativos, de receitas inovadoras, da cozinha ultracontemporânea. Mas, para mim, felicidade à mesa é muito mais isso, um cardápio de base clássica, com poucas intervenções inteligentes, deixando os ingredientes se mostrarem. A comida como ela é. Essa foi uma das grandes refeições do ano, e se tem uma coisa da qual não posso me queixar é dos restaurantes que frequentei neste 2013 que está terminando (ainda bem). E esse almoço no Térèze, pela qualidade da comida, pelos vinhos servidos, pela companhia à mesa, e pelo sol brilhando lindamente lá fora, foi um dos melhores.
Térèze - pâtisserie de cupuaçu 2
E eu já tinha isso em mente quando chegou a sobremesa, uma composição de cupuaçu, com uma infusão de capim-limão do jardim, com um toquezinho de cachaça, dando aquele temperinho brasileiro ao final. Um doce pouco doce, como eu prefiro.
Térèze - café
Veio o café. E uns macarons de chocolate a acompanhar.
Térèze - árvore na parede
E, na hora de ir embora, ainda dei de cara com esta obra de arte, feita em conjunto por homem e natureza. Como, pensando bem, uma grande refeição. A Natureza entrega os ingredientes. O chef, o enólogo e o sommelier tratam de transformam essa matéria-prima em algo sublime.
Bravo!!!!
Valeu, meu amigo Pedro.

Obrigado, Livia Guerrante.

Merci, Philippe Moulin.

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Que exquisito: ao completar três anos, Entretapas lança novo menu com iguarias deliciosas como língua, rabo de boi e rins

19/11/2013

Linguarudo que eu sou, fiquei muito animado quando soube que, na esteira das comemorações pelos seus três anos, o Entretapas lançaria um novo menu, batizado de “Que exquisito!” Apaixonado por pratos com língua, amante da rabada, fã incondicional dos rins e das morcillas, e de tantas miúdos, embutidos e outras iguarias que – sabe-se lá porque quais razões – sofrem de preconceito por parte do brasileiro, esse povo que só quer saber de filé mignon, peitinho de frango e posta de peixe (sem espinha, por favor).
O nome é uma boa sacada, e quem não gosta de boas sacadas? Nos países de língua hispânica, “exquisito” é gostoso, saboroso. Aqui no Brasil, é estranho, como são esquisitos para muita gente esses ingredientes, que em outras partas são iguarias finas.

Entretapas - língua
Linguarudo que sou, como já escrevi aqui mais de uma vez (para ler, clique aqui e aqui), tive um momento de rara alegria ao provar a “lengua en salsa”, uma das receitas desse novo menu, que já nasce clássico. Bifinho, quase como escalopinhos,d e língua foram cozidos, acho eu, para então serem empanados em massa leve e delicada, para serem servidos em molho denso, encorpado, saboroso, com base de vinho. Foi o destaque da noite. E, entre tantos pratos do Entretapas que me fazem virar a cabeça, este já garantiu um lugar na lista de preferidos, junto com delícias com os “huevos rotos”.

Entretapas - bacalhau
Pois as novidades são muitas. Junto com esse menu, o chef Jan Santos deu uma boa mexida em todo o cardápio. E a casa está cheia de novidades fresquinhas. Tem bacalhau confitado em um molho agridoce, feito com mel, azeite e cebola com um toque de passas,…

Entretapas - lulas

…tem lulinhas chapeadas, grelhadas sobre uma leito de legumes salteados com azeite de oliva e mel, preparo finalizado com azeite verde, de oliva extra-virgem temperado com salsinha e alho.

E umas croquetas de frutos do mar, e uma barriguinha de porco confitada, cujo nome oficial é “panceta lacada con cremoso de queso”, a barriguinha suína cozida com legumes e  laqueada com mel e vinagre de Jerez, acompanhada com creme de queijo de cabra. Uma loucura.

Entre os pratos que já conhecia de edições especiais, estão o “conejo con chocolate”, prato ibérico de referências mexicanas; e o “volcán de morcilla”, um estrondo de sabor, uma erupção deste embutido que tanto amo.
E ainda tem mais. Um lombinho de porco recheado, como rocambole, saboroso, delicado, com a casquinha crocante e um recheio envolvente.

Entretapas - riñones
Sou um louco por Jerez, aquele vinho fortificado espanhol, e assim a minha alma se encheu de entusiasmo ao saber que esse novo cardápio, que entrou em cartaz ontem, teria um mais de uma receita combinando usando a bebida. Foi um delírio provar o rabo de boi com molho de Jerez, e também os riñones al Jerez, a sublimação dos rins, a intensidade do sabor, a textura macia, a cremosidade do molho.
Dizem que em time que está ganhando não se mexe, o que é uma grande bobagem. O Entretapas é vitorioso, está ganhando, e logo vai ganhar um irmão, o Ibérico, que abre as portas entre o final deste ano e o começo de janeiro, no Jardim Botânico, com cardápio novamente espanhol, mas dessa vez com espírito um pouco mais de restaurante, e menos de bar. Ou, como bem definiu o chef “Vai ser um menu ‘com tradição’, onde vou explorar a cozinha clássica espanhola, mas podendo fazer ou uma outra concessão, ou ou outro prato de perfil mais autoral, mas sempre seguindo esse espírito”. Pois é possível imaginar o quanto eu quero visitar a casa em gestação. Mas o fato é que o Entretapas está ganhando, e mexeu no time. E eu, pessoalmente, gosto muito disso. Porque sempre que vou até lá tem algo novo acontecendo. Foi assim como a fabada, com as edições temáticas do “Como na Espanha”, com foco na cozinha de certas regiões do país; e é desse jeito agora, com o “Que exquisito”.

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Pub Escondido, CA: cervejas e hambúrgueres em Copacabana

10/11/2013

Há dez dias eu fiz um post sobre os melhores hambúrgueres da cidade. Ficou faltando um. Quando escrevi o texto, para a revista Conceito A, o bar Escondido, CA, ainda não tinha aberto as portas. mas quando eu coloquei a reportagem no ar, a casa já estava funcionando. Mas eu não sabia que, além de suas 24 torneiras de chope, outra especialidade do lugar – que pertence aos mesmo donos do ótimo bar Colarinho, em Botafogo, paraíso cervejeiro – são os hambúrgueres. São nada mais, nada menos, que 15 receitas diferentes, entre versões clássicas, e outras de perfil mais original, por eles chamados “Hambúrgueres Gourmet” (o cardápio completo, frente e verso, está no pé deste post).
Como se esses 39 motivos não fossem suficientes, na noite de sexta seria plugado o primeiro barril de chope Paulaner na casa, agora que eles estão sendo importados. Recentemente eu estive na Alemanha, para participar da Oktoberfest de Munique, a convite da Casa Flora, que traz para o Brasil este ícone da cultura cervejeira. Ou seja, eram 40 motivos para ir até lá. Na verdade, 41, porque o amigo Humberto Carcamo, que representa a importadora no Rio, também estaria lá (além disso, ele já tinha visitado o bar, e me tentou dizendo que tinha comido ali um dos melhores hambúrgueres do Rio).
Coberto de razões para ir até lá, eu fui.

Escondido - Paulaner
Para começar, uma Paulaner, claro, para matar as saudades de Munique. Depois, ainda pedi mais uma.

Escondido - Inconfidentes Burguer
O pessoal pediu uma versão entre os “Gourmet”, o chamado Inconfidentes Burguer, com queijo da Serra da Canastra, bacon feito no melado e couve frita, além de molho com redução de barbecue, picles de pepino e batatinhas rústicas, com casca, para acompanhar.

Escondido - Cheddarburguer
Depois, já apreciando uma Hopium, uma APA produzida especialmente para a casa pela Confraria do Marquês, pedi o meu hambúrguer. Até por ser a primeira visita, fui numa das versões clássicas, que para mim é das combinações imbatíveis. Fui no Cheddarburguer, com o próprio queijo que lhe dá o nome, além de bacon, cebola caramelada no shoyo, alface e tomate caqui grelhado, acompanhado por picles de pepino, onion rings, que eu geralmente gosto mais do que batata frita, e um molho de maionese de leite caseira.
Como o Humberto havia dito no dia anterior, um dos melhores hambúrgueres da cidade. E já que não entrou na matéria de dez dias atrás, aqui esta lá, brilhando em carreira solo.

Escondido - lista de cervejas
Agora preciso voltar. Há outros 14 hambúrgueres para provar, muitos petiscos (que tal, por exemplo, uma “roupa velha” de cordeiro com molho de hortelã ou uma tábua de queijos brasileiros?) e várias e várias cervejas, como dá para ver no quadro negro que exibe as opções do dia…

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Agora, o cardápio (para ampliar, clique na foto).

Escondido - cardápio 1

Frente, com os hambúrgueres….

Escondido - cardápio 2

… e verso, com petiscos, pratinhos, saladas, sopas e sobremesas.

Curti.

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Vem chegando o verão (ou Capricciosa lança uma linha de pizzas “Al Crudo” para a estação mais quente do ano)

09/11/2013

Não se engane, não. O verão começou. Hoje. Apesar do invernico que vivemos nos últimos dias, os termômetros vão começar a subir severamente a partir de agora, como reza a tradição carioca. É sempre assim. Faz um calorzinho em outubro, depois temos os últimos dias frios do ano, no começo de novembro, normalmente, e depois um quase-inferno térmico se instala na cidade. Acontece o mesmo em maio, com o veranico, prenúncio da chegada efetiva do inverno, mas que inverno? O inverno das tardes ensolaradas, com temperaturas civilizadas, 25 graus, e noites deliciosas, ali, com os termômetros na casa dos 20 graus, às vezes até um pouco menos – e aquele friozinho gostoso que faz nas serras, Teresópolis, Mauá, Lumiar, com seus 10 graus, às vezes com o termômetro beijando o 0 grau, depedendo da área. Tecnicamente o verão só começa em dezembro. Mas as escolas de samba já estão em processo de ebulição, as temperaturas vão subir, e o clima de final de ano já está instalado na cidade. É aquela coisa Marina Lima: vem chegando o verão, um calor no coração. Só peço desculpas pela rima pobre, mas é isso aí. Roubo as estrelas lá no céu, numa noite e meia desse sabor. Pego a lua, aposto no mar como eu vou te ganhar.
Gosto do verão carioca, apesar de tudo. Entre outras razões, porque as altas temperaturas inspiram mudanças de hábito. A caminhada matinal acontece mais cedo, e num dia de sol, às 8h já faz calor, e um mergulho na água gelada das correntes antárticas que lambem a nossa costa é a glória, um dos maiores prazeres desta vida. Gringos alegram o Rio, de Ipanema e Copacabana, à Lapa e Madureira. O chope fica mais gostoso. O sol se põe no mar, em Ipanema. E o carnaval tá chegando. E, ainda antes dele, também tem aquela deliciosa semaninha de recesso no trabalho para a festas de fim de ano. E tem tender com laranja, no Natal, e cordeiro com arroz de lentilha e cebola frita, no réveillon. Tem champanhe. Enfim, apesar de vivermos numa torradeira, existe alegria no verão, é possível ser feliz no Rio de Janeiro entre novembro e março, quando as águas de março fecham o verão, às vezes – quase sempre, ultimamente – chegando até abril, lavando as nossas almas.
No verão, também apreciamos outros cardápios. Tudo bem que eu gosto de beber vinho branco no inverno, e um tinto no verão, até os mais encorpados. Tudo bem, ainda, que aprecio o frescor das saladas nas noites mais frias de julho, e não dispenso uma feijoada pré-carnavalesca, condimentada com muita pimenta e torresmo, mesmo no maçarico das tardes de janeiro e fevereiro. Dobradinha? Pode mandar. Caldo de mocotó com um copinho de cachaça da boa, pra rebater? Também topo. Fabada no Entretapas? Delícia.
Mas não resta dúvida de que no verão fica ainda mais agradável beber vinhos mais leves e refrescantes, menos alcoólicos. Do mesmo modo, torna-se muito mais gostoso comer coisas mais leves, com mais azeites, vegetais e peixes, menos cremes, carnes, e menos gordura. É tempo de preparar coisas como um lindo churrasco vegetariano, de inspiração mediterrânea, tarde feliz na casa de amigos que já virou até post lá na Enoteca. Vamos regando a vida com muito Sauvignon Blanc, Riesling e Viognier, ou um bom rosado. Celebramos o calor brindando com a alegria das borbulhas, as garrafas imersas no balde de gelo. Ou uma bela cerveja. Ou um chope.
deve ter sido com isso em mente que a pizzaria Capricciosa do Jardim Botânico acaba de lançar um trio de pizzas. Adorei a novidade no cardápio da minha pizzaria preferida, linha batizada de “Al Crudo”, que acabou inspirando essa longa introdução sobre o antagonismo das duas estações extremas, o verão e o inverno.
Eu serei capaz de comê-las alegremente numa noite fria, porque espero que o trio não saia de cartaz depois do verão, assim como não saiu de cena o mozzarella bar, tendência mundial hoje em dia, a combinação dos queijos leves e frescos com muitos antipasti de vegetais, umas foccacias, uns azeites, uma farra que – igualmente – fica ainda mais saborosa no verão, com um bom vinho branco ao lado, de preferência italiano, um Vermentino toscano, ou quem sabe algo das ilhas, Sicília e Sardenha, e sua influência marinha irresistível, seu caráter vulcânico e mineral, seus cítricos.
Mas não resta dúvida de que as três deliciosas novidades são ainda mais saborosas nos dias mais quentes, para um jantar leve, com vinho branco na taça, garrafas no gelo.
Um dos segredos é a massa, leve e aerada, resultado de farinha fina e fermentação prolongada, de um ano, que lhe dá textura delicada. Vai ao forno alto rapidamente, sem tomate ou queijo. E logo então, momentos antes de chegar à mesa, ainda quente, recebe as coberturas, com ingredientes crus.

Capricciosa - pizza al crudo di tonno
Se eu fosse te recomendar apenas uma das três seguramente seria “tonno”, com uma rúcula pequena e de sabor intenso, com amargor delicioso, com carpaccio de atum fresco, alho-poró em rodelinhas, azeite e limão siciliano. Eu ainda botava mais azeite.
Ó, que alegria.

Capricciosa - pizza al crudo - carpaccione
Seguindo o mesmo estilo, a “carpaccione” também tem aquele leito de rúcula, mas o complemento é com carpaccio de carne bovina, queijo grana padano e alcaparras. Mais azeite, por favor. E pode moer um pouquinho de pimenta-do-reino. Sim, pode servir mais uma taça de vinho branco.
Não provei o terceiro sabor, chamado “Basilicata”, feito com presunto de Parma, burrata di báfala, azeitonas pretas e manjericão fresco, de modo que tenho três razões para voltar. Quero experimentar a “Basilicata”, na verdade, eu preciso experimentar, e também quero voltar a comer a tonno e a “carpaccione”.
E, no mais, um bom verão a todos.

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Agora, deixo um recorte do cardápio, com os preços, e também do Bruschetta bar.

Capricciosa - cardápio

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A Sudbrack da Rua de Santana: a cozinha aconchegante de Mirka Lage, do Cuisinart, que trabalhou com a chef do melhor restaurante do Brasil

08/11/2013

Cuisinart - painel

“Hoje eu vou almoçar na Sudbrack”. Em qualquer lugar do Rio, essa frase significa apenas – o que não é tão pouco assim, já que este é, para mim, o melhor restaurante do Brasil – que vamos comer na casa alaranjada do Jardim Botânico. Menos no jornal O Globo. No periódico que me emprega, a frase tem outro sentido, uma alegre irreverência. Para a turma que trabalha aqui na rua Irineu Marinho, “almoçar na Sudbrack” quer dizer fazer uma refeição na rua de Santana, vizinha ao jornal, no restaurante Cuisinart, da chef Mirka Lage. Isso porque, assim que ela abriu a casa, há uns dois anos, logo correu a fama de que a cozinha era muito boa, e que ela havia trabalhado com a Roberta Sudbrack (e as fotos na parede comprovam isso). Daí, para a brincadeira começar, foi um pulo, de modo que não me lembro de ter visto alguém falar que iria almoçar no Cuisinart, ou na Mirka Lage. Todos se referem ao restaurante como Sudbrack.
Fato é que eu adoro a cozinha dela, feita com notável – e nítido – carinho, uma cozinha aconchegante que bebeu na mesma fonte da Roberta, mas com um pouco menos de criatividade, jogando em pratos certeiros a isca para atrair a clientela, que muitas vezes vem de longe. Carne assada, picanha, formam cardápios excutos, que variam dia a dia, com algumas receitas ocupando dias fixos no calendário semanal. Existe sempre o “Prato da Chef”, uma receita especial, e mais uns três “Pratos do Dia”.
Todas as noites, uma coincidência novamente entrelaça a chef e o jornal. Por volta das 22h, chega o e-mail que circula entre os editores, chamado “Cardápio”, com as apostas das várias editorias de O Globo para o dia seguinte. Praticamente ao mesmo tempo, de modo que muitas vezes os e-mails ficam colados, juntinhos na minha caixa de mensagens, chega outro e-mail com “Cardápio” no assunto, mas este enviado pelo restaurante Cuisinart, com o cardápio do dia seguinte. Fato é que, dia sim, outro também, eu salivo com as receitas apresentadas, com alguns pratos praticamente fixos, servidos semanalmente em determinados dias, e uma ou outra novidades, ou pratos que são mudados, adaptados, como é o caso da carne assada, que tem fiéis seguidores, entre eles o meu amigo Aydano André Motta, fã do prato, que já fez elogios fantásticos, desses que ele guarda para fazer para alguns baluartes do mundo do samba. Aydano sabe das coisas. Mas o repórter aqui ainda não provou o prato… Toda a semana me prometo provar, às quartas, quando geralmente é servido, mas a correria do dia a dia, e uma certa preguiça de interromper o trabalho, não me peritiram ir até lá conferir.
Outro dia, teve picanha de cordeiro, marinada com mostarda Dijon, cerveja preta e tomilho, assada e servida com couscous marroquino. Deve ser muito bom. E que tal uma batata assada recheada com strogonoff sueco de linguiça e manteiga de ervas? Às vezes, tem. Ontem teve arroz de Bacalhau com ovo mollet, cebola caramelizada e azeite de ceboullete (Prato da Chef), além de escondidinho de camarão com batata baroa; penne à toscana com berinjela e filé de frango com crosta de ervas finas e legumes salteados. Se não tivesse um almoço de trabalho, teria ido provar o tentador bacalhau.
Fuçando o meu e-mail, encontrei um menu de terça-feira, do dia 10/9, com picanha na brasa com batatas assadas em aroma de alecrim e alho com arroz de cogumelos frescos (Prato da Chef), além de bombom de alcatra à milanesa com purê de manjericão ao pomodoro (já comi, e é muito bom!!!); escondidinho de camarão com batata baroa, e frango xadrez.

Cuisinart - Lagosta ao thermidor
Mas hoje não tem jeito, eu vou lá. Tinha marcado um encontro com um amigo, que não vem mais. Mas eu vou. Porque estou a semana inteira esperando este almoço. Porque sexta é dia de lagosta ao thermidor, um dos mais emblemáticos e deliciosos pratos da casa. Se quiser provar, não chegue tarde. Tô saindo agora.
Porque tem uma lagosta a me esperar.

P.S. – As fotos são do Instagram, de uma visita anterior, no começo do ano.

Atualizando o post, com um breve relato do almoço. 

Então, eis que eu chego para almoçar no restaurante, acompanhado da Carla Lencastre, minha editora. Pedimos, os dois, a lagosta, é claro (claro em parte, porque a feijoada de todas as sextas também bate um bolão). A chef peu meu pensamento.

Cuisinart - sanduíche de carne assada

Algum tempo depois, chega o garçom, trazendo dois sanduichinhos de carne assada. Quando eu me preparava para dizer que não era nosso, que havíamos pedido lagosta, ele diz:

– Um regalo da chef.

Assim, como se fosse uma entrada, provei a tal carne assada idolatrada pelo Aydano André Motta, que é mesmo sublime como ele havia dito. O sanduíche, não está no menu. Implorei para a chef colocar no cardápio regular, ou ainda que esporadicamente. Seria uma das melhores maneiras de comer rapidamente naqueles dias muito corridos, quando não temos tempo de parar. Agora, encantado com a carne assada, vou ter que voltar para comer na quarta-feira, quando é prato do dia. Acompanhado de batatas, que ficam escurecidas ao absorver o molho denso e delicioso. Imagine só.

P.S. – A foto, de novo, é do Instagram.

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