Fat Choi: um raro restaurante com cozinha de Macau, no Catete

 

Mesmo em Macau, absorvido pela China em 1999 depois de 400 anos de colonização portuguesa, não é fácil encontrar restaurantes que servem a cozinha típica do período de influência lusa. Imagine no Rio de Janeiro. Pois no meio do ano passado abriu as portas, no Catete, bem perto do palácio e dos seus aprazíveis jardins, o Fat Choi, que vem apresentar aos cariocas essa culinária, que tem base chinesa, um toque europeu e algumas referências a Goa, outra antiga colônia portuguesa, na Índia, que fazia parte das rotas comerciais de Macau. Tem caril de frango. Também há receita africana, pela mesma razão, já que os portuguesas iam parando na costa africana, um frango picante

Fat Choi 6 - salão

Poucos restaurantes na cidade podem ser tão autênticos. O lugar é simples e barato, decorado com fotos de Macau, imagens bonitas, daquelas divulgadas por escritórios de turismo.

Fat Choi 3 - tanque de tilápias

Na entrada, um tanque de tilápias apresenta uma das principais iguarias do lugar nadando, nadando, nadando.

Fat Choi 4 - bufê

Ao lado, no almoço, um bufê apresenta boa parte do cardápio.

À primeira vista, a cozinha é mais chinesa que portuguesa. Não resta dúvida. Se alguém me falasse que aqueles pratos são da culinária chinesa eu acreditaria, com certeza.

Fat Choi 1 - sopa e chá

Abri o cardápio (no final do post, reproduzo todas as suas cinco páginas). E recebi duas cortesias, algo bem oriental. Um chá e um caldo de frango com couve e agrião. Mesmo com o calor senegalês de terça passada, aceitei as ofertas. Quem quiser, descobri depois, pode pedir o chá frio. Recomendo, à esta altura do ano.

Fat Choi 2 - cardápio digital

 

Também manuseei o menu digital, com as fotos, uma tradição da cozinha asiática, apresentar imagens dos pratos. Várias coisas me interessaram. Veja. Aos sábados, tem feijoada macauense e, aos domingo, arroz de bacalhau, traduzindo a herança portuguesa. Terça é dia de vaca estufada, nome totalmente lusitano. Ou seja, me parece que os pratos do dia são mais coloniais, enquanto o menu regular tem raízes um pouco mais chinesas.

Fat Choi 7 - wantan frito

Pedi um wantan para começar, os bolinhos fritos de camarão. Os pasteizinhos estavam muito bons, com recheio saboroso e massa crocante e sequinha, mas é preciso ter cuidado com o molho, muito salgado.

No setor das entradinhas, encontramos rolinhos primavera, tofu frito, espetinhos de lula e camarão e… bolinhos de bacalhau. Há sanduíche. Sim, prego no pão.

Para o prato principal, eu pensei, pensei, pensei… Várias coisas despertaram interesse. Mas como estava só, e sabendo que a cozinha chinesa é muito farta, fui dar um confere no bufê. Considerando que era uma primeira visita (já estava decidido a voltar), resolvi escolher alguns pratos dali, ainda que eu pessoalmente tenha desenvolvido certa antipatia a esse tipo de serviço, que prejudica muito o resultado final quando falamos de pratos quentes (para saladas, frios, queijos e embutidos, frutas e sobremesas, ok, mas para pratos quentes tenho mesmo preconceito: não gosto, e ponto). Mas acabei decidindo pegar um pouquinho de vários pratos. E percebi a cozinha com tempero caseiro, feita com atenção, em execuções bem acertadas. Reforçou minha vontade de voltar.

Fat Choi 8 - prato do bufê

Montei o prato com vários bocadinhos. Vamos lá: de arroz com ovo e cebolinha e costelinha agridoce; iscas de filé acebolado em molho agridoce; lombo cantonês; batatinha apimentada;  carne moída cozida no vinho do Porto com batatas (o minchi, que seria o prato mais tradicional de Macau, servido com ovo).

Fat Choi 5 - mesa

Há mesas grandes, para grupos de oito a dez pessoas, e salas privativas no andar superior, mais reservadas, para grupos, com direito a jogos tradicionais, mais usados pela comunidade de Macau no Rio (sim, existe até um clube, se não me engano, na Tijuca).

Fat Choi 9 - bolo menino

Para a sobremesa, há pasteis de nata da Arte Conventual, que eu adoro. Mas acabei escolhendo algo de produção local, o bolo menino, que não leva farinha na massa.

Com duas águas, minha conta deu R$ 34. E a experiência foi válida, e bem interessante. Eu recomendo.

 

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Agora, o cardápio.

Fat Choi 10 - cardápio 1

Página 1. Petiscos, entradas, sanduíches, caldos e sopas.

Fat Choi 10 - cardápio 2

Página 2. Pratos do dia, boi, porco, frango e frutos do mar.

Fat Choi 10 - cardápio 3

Página 3. Massa, arroz, vegetais e saladas, sobremesas.

Fat Choi 10 - cardápio 4

Página 4. Bebidas, incluindo cervejas, digestivos, licores e destilados.

 

Fat Choi 10 - cardápio 5

Página 5. Vinhos.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

 

 

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3 Respostas to “Fat Choi: um raro restaurante com cozinha de Macau, no Catete”

  1. Erica Says:

    Oi Bruno, Como moradora do bairro, fiquei muito feliz de ver uma dica da região. Acho que faltam opções legais aqui por perto. Minhas preferidas ficam ali na Barão do Flamengo (tem um peruano, um japonês maravilhoso e o famoso tacacá) e o Carmelo, na correa dutra.

    • brunoagostini Says:

      Olá. Conheço os locais citados, e gosto muito. Assim como gosto de outros lugares por lá, como Majórica, Brasserie Ameno Resedá e Casa Julieta de Serpa.
      Um abraço

  2. Silvana Says:

    Bruno querido, obrigada pelo carinho e recomendação… estou feliz que tenha gostado e espero vê-lo em breve aqui nos visitando… Silvana Assumpção

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