A conexão entre Teresópolis e a Dinamarca através da cerveja (ou Estamos a caminho de Copenhague pra beber sour ales)

Saison Ipa Goiaba
Há exatos 102 anos, precisamente em 1912, nascia a cervejaria Therezópolis, na cidade com este nome, com a sua grafia antiga. A marca foi fundada pela família Claussen, de origem dinamarquesa, num momento em que a bebida preferida de Gambrinus começava a fazer imenso sucesso por aqui, com o surgimento de várias pequenas fábricas artesanais espalhadas por todo o país.
A produção da Therezópolis foi interrompida por muito tempo, até que a cerca de dez anos uma grande fábrica de bebidas da cidade fez um acordo com a família, e relançou a marca, com uma linha que foi ganhando corpo e qualidade ao longo dos anos. Abriram o complexo com bares, lojas e restaurantes, no bairro do Alto, e foram ampliando a quantidade de rótulos, lançando cervejas sazonais, que mudam a cada estação. Já tivemos o outono marcado pelo sabor de uma boa rauchbier, enquanto o inverno ganhou o tempero de uma pimentinha, duas cervejas bem acertadas dentro de seus parâmetros. A primavera, que está em sua reta final, ganhou a delicadeza de uma Session Ipa feita com goiaba, uma cerveja leve e refrescante, perfumada e muito fácil de beber e de gostar (essa belezura que enfeita o alto deste post).
Quem vem fazendo barulho com essas produções é o jovem mestre cervejeiro Gabriel de Martino, meio-irmão do primo de uma ex-namorada minha de adolescência. Mas isso não importa. O rapaz é fera, e vem mostrando grande talento, um dos mais promissores cervejeiros do Brasil, que aos 20 e poucos anos assumiu uma baita responsabilidade – conduzir uma das cervejarias mais importantes do país no momento da explosão do mercado das artesanais. E vem fazendo bonito.
Este ano, encorpou a linha com mais dois rótulos. A Jade, uma IPA que vai em sentido contrário ao mercado, que vem pegando pesado na lupulagem (eu gosto) e fez uma India Pale Ale mais leve e delicada, e me parece que a delicadeza é um traço de seu trabalho. Porque outro lançamento deste ano de 2014 que vai chegando ao fim foi a Or Blanc, uma witbier leve, refrescante, com notas cítricas características, por conta do uso de cascas de laranja na receita. Ele já tinha tirada um tanto do açúcar residual que muitas vezes deixava meio enjoativa a Irish Red Ale.
Ontem gastei parte da minha tarde por lá, saboreando a cerveja de primeira, a tal Session IPA com goiaba, e depois uma Irish Red Ale, ambos “on tap”.
Não à toa, o rapaz está na Alemanha, para um intercâmbio de mestres cervejeiros, e deixo ele mesmo contar mais detalhes (copiei de um post que ele fez nas redes sociais): “Amanhã estou embarcando para o treinamento e intercâmbio de cervejeiros que é oferecido pela Maltaria Weyermann, na maior densidade cervejeira do mundo, em Bamberg na Alemanha!
A busca pelo conhecimento, evolução e também melhorias naquilo que se faz, nunca pode parar… Então vou com tudo pra poder absorver ao máximo que eu puder!”
E esse post de hoje é para saudar o Gabriel di Martino. Mas ele também acontece porque além de ser cliente fiel das cervejas da Therezópolis, e frequentador da cervejaria Villa Sankt Gallen, eu curto esta história da família dinamarquesa fazendo cerveja na serra. E porque hoje eu estou embarcando para ir lá beber na fonte. Viajo em minutos em direção a Roma, de onde pego um avião para Copenhague, chegando amanhã na hora do almoço, ainda em tempo de começar a explorar os sabores locais. Vou visitar algumas cervejarias da Royal Unibrew, que produz a Faxe. Uma viagem altamente estimulante para um amante da boa mesa, especialmente se também for alguém que goste de apreciar uma boa cerveja. Feliz em dobro, ainda mais porque ando apaixonado por cervejas azedinhas, tipo Sour Ale, e toda a linhagem das Lambics (e sei que a Dinamarca anda fazendo coisas incríveis nesses estilos). Feliz x 3.
Não, não consegui reserva no Noma… Infelizmente, mas continuo tentando. Nos próximos dias vou contar por aqui algumas historinhas desta viagem.
Como sempre, é um prazer ter a sua companhia.

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