Copenhague, Copenhaga ou Copenhagen? (e como é divertido pensar nos nomes dos lugares)

Guia Copenhagen

Estou chegando a Copenhague, esperando minha conexão no aeroporto de Roma. Se eu fosse português, estaria chegando a Copenhaga. Mas, para boa parte do resto do mundo, incluindo aí os países de língua inglesa, seria Copenhagen. E se eu resolvesse escrever na grafia nórdica, ninguém entenderia o destino: que tal irmos a København? E ainda tem o chocolate Kopenhagen…
Um dos prazeres de viajar é aprender. Novas línguas, observar diferentes culturas, a gastronomia, a música, a literatura… Conhecer as narrativas épicas de cada nação, e também a mesma História que já conhecemos, mas de um outro ponto de vista.
Nesse aprendizado constante, a nomeclatura de países, cidades e acidentes geográficos é algo muito divertido. Sempre. Copenhague ou Copenhaga? Mesmo na língua portuguesa encontramos muitas grafias diferentes. Se um dia você estiver a caminho de Frankfurt voando pela TAP, saiba que deverás pegar o voo para Francoforte. Isso aí. Eu já soube de história de um sujeito que queria ir para Gênova. Tomou um trem para Genebra, ludibriado pela grafia fracófila, Genève.
Há debates acalorados sobre certas grafias. Nova York, por exemplo. Eu prefiro assim. New York soa pedante, enquanto Nova Iorque fica feio. Mas já vi gente defendendo com afinco esta última forma, dizendo que “se é para traduzir, que se traduza tudo”. Não acho que seja por aí.
Ainda bem, por exemplo, que ninguém traduz Rio de Janeiro. O mundo inteiro fala Rio de Janeiro. Imagine que ridículo seria no inglês “River of January”, ou ainda pior no italiano, Fiume de Gennaio… Nem imagino como ficaria em russo ou japonês. Melhor mesmo o Rio de Janeiro. Já São Paulo, como homenagem ao Santo, ganha tradução. San Pablo, San Paolo… Mas não do inglês… Saint Paul seria mesmo estranho.
Imagine, então, a gente indo um dia visitar Bons Ares? Não soa bem, parece nome de aromatizar de ambiente, e não de uma capital tão querida por nós, brasileños.
Mas não existe lógica. São Francisco, na Califórnia, ganha tradução, mas San Sebastián, no País Basco (tambpem chamado Donostia em língua local), não.
Outro exemplo engraçado é o nosso vizinho Peru. Para nós, a ave que comemos no Natal. Mas e para os americanos? Turkey, a Turquia, significa, com todas as letras, o peru que eles comem no Dia de Ação de Graças.
E a República dos Camarões, que até onde consta não tem nada que vem com os crustáceos? Cameroon, até onde sei, não significa nenhum tipo de animal (não me lembro no momento em que escrevo, do significado).
E a confusão aumenta com os países que mudam de nome. Birmânia vira Myanmar. E Belarus? Que país mesmo era Belarus? Sim, era Bielorrússia
Cada caso é um caso, e quando trabalhamos para uma empresa de comunicação devemos seguir as instruções do manual, quando ele existe. Eu que já passei pelas redações do Jornal do Brasil, da Editora Abril e d’O Globo, ainda me pego pensando em qual é a maneira correta de se escrever certos lugares. No JB cheguei a mudar a maneira como se escrevia Paraty. No começo dos anos 2000 eles escreviam Parati. Mas eu convenci com muitos argumentos. “Se nas placas dos carros está escrito Paraty, se a prefeitura da cidade usa Paraty, se os moradores acham assim mais bonito, se até o Governo do Estado, e as placas do DER estão com Paraty, porque a gente vai escrever Parati?” Pois é. Pra mim, quando tem “i” no final estamos falando do peixe parati, do carro Parati, ou até mesmo deste sinônimo de pinga, cantado por Noel Rosa “Em vez de tomar chá com torradas bebeu parati”.
Existem pegadinhas, como Cingapura, que muita gente escreve com “S”, por conta da grafia inglesa, Singapore.
Agora vem a China, querendo nos convencer a escrever Beijing em lugar de Pequim. Inclua-me fora dessa… Imagine só, comer um pato Beijin… Não consigo, acabo lembrando do brasileiríssimo doce beijinho, aquela espécie de brigadeiro branco com coco, delícia.
Muitas vezes eu uso o critério da beleza. Provença, com todo o respeito, é mais feio que Provence, a grafia francesa, replicada na língua inglesa. Fico com a segunda. Também acho estranho falar do rio Ródano. Não sei se por causa de minha enofilia que muito aprecia os vinhos de lá (viva Ermitage, viva Condrieu, viva Côte-Rôtie!!!!!), mas eu só uso a palavra Rhône, tanto para me referir aos vinhos quanto também ao próprio rio, e o vale formado por ele.
Também não me acostume do o Rio Tibre, prefiro o Tevere. Aí, vamos traduzir também o bairro? Trastibre me soa estranho…
Adoro a forma italiana de grafar os lugar, adaptada á sua língua. Assim, o México vira Messico, Moscou vira Mosca, Paris vira Parigi e Brasil vira Brasile. E a China, vira Cina (fala-se Tina, e aí eu me lembro dos comerciais da Pepsi com Tina Turner).

Por essas e outras, viajar é tão divertido e enriquecedor.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: