Copenhague, a Dinamarca e as memórias de infância…

Copenhague

Eu gostava de estudar mapas, bandeiras e capitais quando criança. Gostava de ler quadrinhos do Tio Patinhas, quando ele cruzava o mundo atrás de tesouros, e também do Tintim, esse repórter aventureiro que vivia entre aviões, barcos e trens. Com a minha avó Luzia eu via programas de turismo na televisão (lembro de dois, um na TVE e um outro que passava, se não me engano, nas manhãs de domingo, em algum horário comprado de alguma TV paulista, acho que Record, antes dos bispos: não me esqueço do patrocinador, Abreu Turismo, na verdade, como bem lembrou o Helio no comentário lá embaixo, era a Urbi et Orbi, e não a Abreu, que patrocinava o programa). Não sei porque a Dinamarca que remete à infância. E pensar neste país também é um pouco voltar ao passado.
Por diversas razões a Dinamarca sempre povou o meu imaginário, a começar pela marca de chocolates Kopenhagen, até chegar nas histórias mitológicas dos povos nórdicos, e a aptidão que eles sempre demonstraram para a navegação. Sem falar no Tivoli Park da Lagoa, batizado em homenagem àquele clássico parque homônimo criado em meados do século 19, em Copenhangue, e que também foi fonte de inspiração para ninguém menos que Walt Disney criar os seus parques de diversão, e que ainda existe, firme e forte. As fábulas infantis, as histórias de Hans Christian Andersen, A Pequena Sereia… O Lego, que hoje monto com a filha, e o Playmobil, meu brinquedo preferido quando criança. O casario antigo, algo meio conto de fadas… Existe aqui uma certa magia que me levou até a infância, a inocência juvenil, um período intenso de descobertas.
Em 1986 eu tinha dez anos quando a Dinamarca chamou a atenção do mundo com a sua seleção de futebol no Mundial do México. O time encantava dentro do campo, e a torcida, capitaneada por mulheres lindíssimas e festeiras, fazia a alegria nas arquibancadas. Que coisa bonita. Era a Dinamáquina.
Ao longo da adolescência a Dinamarca sempre pareceu um destino próximo, isso porque havia voo direto da Varig, por muito tempo, fazendo a rota Rio-Copenhague (hoje, infelizmente, precisamos de conexões).
Então chega a idade adulta, e a Dinamarca se torna ainda mais sedutora para mim. Não estou falando apenas das beldades alouradas, mas de muita coisa mais. A começar pelos cuidados ambientais. Ninguém aguenta mais nos dias de hoje tanta poluição, tanta sujeira, tanta gente sem educação. E a vida, na Dinamarca, parece fluir assim, mais verde, com poucos carros nas ruas e muita bicicleta, com uma limpeza urbana comparável à de um lobby de hotel. São exemplo de educação ambiental. O lixo é quase todo reciclável, e pelo menos um terço da energia do país vem dos ventos que sopram fortes por aqui. Talvez por isso os seus moradores tenham sido eleitos há pouco tempo como os mais felizes do mundo, mesmo encarando, no começo de dezembro, temperaturas que chegam facilmente a alguns graus abaixo de zero, com dias curtos e noites longas. Em todos os lugares que visitei fui tratado com simpatia e cordialidade.
Então, no capítulo final desta saga de construção de identidade nacional, ainda em pleno andamento, nos seduzem e desconcertam os sabores. Hoje a Dinamarca é destino de gente apaixonada pela boa mesa das mais diversas vertentes. O gourmet mais fino, que vai atrás de restaurantes como o Noma, que dispensa apresentações, e o Geranium, menos famoso e ainda melhor, segundo minhas fontes que incluem nomes como o do Boni. Lugares que servem vinhos naturais de pequenos produtores europeus. Os ingredientes locais e orgânicos, os peixes, as carnes de caça, os jovens chefs que souberam como poucos absorver a sua cultura culinária ancestral para criar algo novo, puro, original, sincero, surpreendente e vanguardista, e fazendo isso sem se esquecer de suas raízes.
E, depois, ainda como parte deste movimento de exaltação dos sabores dinamarqueses, chegaram até mim as cervejas. Já conhecia há muito marcas dinamarquesas grandes e internacionais, como a Faxe, a Carlsberg e a Tuborg, e conhecia também há um bom tempo a história da criação da Theresópolis (que contei dois posts abaixo, e deixo aqui o link). E no ano passado, talvez em 2012, quando comecei a me interessar com entusiasmo por cervejas, eu descobri as pequenas marcas dinamarquesas, como a Mikkeller – e por sorte neste momento eu ando muito atraído pelas cervejas do tipo sour ale, e já apurei que elas andam em alta por aqui.
Não precisei de muito tempo para ver como a cidade é linda e deliciosa, de muita gente simpática. E muito cara. Assim, em certos aspectos, não é que se parece com o meu Rio de Janeiro querido e maltratado? Mulheres bonitas, e cenários idem, preços altos, boa comida, bicicletas compartilhadas. Estou me sentindo em casa. Até porque, plana, Copenhague tem condições perfeitas para eu fazer o que mais gosto em uma viagem: caminhar. E, pequena, tem a medida perfeita para se fazer isso. Além de sua beleza. Ver os parques, o casario colorido do bairro portuário de Nyhavn, os canais navegáveis… Copenhague, sem dúvida, é um lugar aprazível, e eu precisei de apenas uma tarde para perceber isso.
E, nesta época do ano, com frio, tem as condições climáticas ideais para longas caminhadas (entre 5 e 20 graus Celsius eu estou feliz.), porque prefiro que agasalhar do que sair sem roupa por aí, e ainda assim ficar todo suado.
Aliás, falando em temporada ideal de visita… Eu tenho cada vez mais gostado de viajar para a Europa entre novemebro de dezembro. Não só pelas temperaturas amenas, mas porque é tempo de trufas de Alba, de muitos cogumelos, e também é temporada de caça. Se as temperaturas não me assuatam, por outro lado, os dias curtos não me agradam. São quase 8h e está totalmente escuro. Ontem, às 16h, já não havia luz natural. Isso eu acho estranho (mas tampouco gosto da claridade das 22h durante o verão que vemos na Europa).
No mais, percebe-se que por aqui o que se bebe mesmo é cerveja, e snaps, uma ampla família de aguardentes com frutas, raízes e outros temperos (provei um feito com pão). Mas isso fica para o próximo post. Porque ontem já deu para comer uns bons Smörgåsbord, e sentir o frio da cidade.

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2 Respostas to “Copenhague, a Dinamarca e as memórias de infância…”

  1. Helio Buccos Says:

    Olá Bruno! Há muito tempo acompanho o seu blog e desta vez resolvi comentar que sempre me identifico muito com seus textos. Quando criança tambem tinha fascinação e vontade de conhecer outros países, decorava os países, suas capitais, suas bandeiras, entre outras informações lendo atlas, enciclopédias, livros e assistindo a um programa de turismo na Bandeirantes (acho que era esse que você via também e não na Record), chamava-se show de turismo e o patrocínio era da Urbi et Orbi… Assistia e ficava sonhando acordado com o dia em que pisaria em terras estrangeiras. Vida longa ao blog (que fiquei feliz com o retorno) e um abraço!

    • brunoagostini Says:

      Oi, Helio. Obrigado pelas palavras. E pela correção. Era isso mesmo, UUrbi et Orbi. Escrevi Abreu com toda a convicção, mas sabia que tinha algo de errado. Misturei as avós. A outra que era chegada na Abreu, viajava sempre com eles. Um abraço!

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