Para entrar logo no clima local, smorrebrod de arenque, snaps e cerveja

Smorrebrod 1
Cheguei anteontem pouco depois do meio-dia em Copenhague. Fiz um check-in ligeiro no hotel Scandic, moderno e bem localizado, nas franjas do centro antigo da cidade, ao lado do Parque Tivoli e da Estação Central de trens, cercado por bons bares (incluindo o Mikkeller) e restaurantes. Para já me aclimatar ao país, fui logo almoçar em um restaurante clássico da cidade, o Aamanns, especializado em smorrebrod, os famosos sanduíches abertos tradicionais dos países nórdicos. Fiz uma excelente escolha. Mas não é bem um lugar barato: cada porção custa entre R$ 50 e R$ 60 (os praços variam entre 100 e 120 coroas dinamarquesas, que valem cerca de o dobro do nosso real).

Smorrebrod 2

 

Fui caminhando tranquilo, passando por dentro do belo (ainda mais no outono) Ørstedsparken.

Smorrebrod 6
Pedi uma cerveja local, e fui pedindo informações a respeito. Era uma ale amarronzada e encorpada, bem saborosa, de produção local, e artesanal. Vendo o meu interesse pelo assunto, ele me ofereceu uma degustação de snaps, os aguardentes aromatizados com frutas, ervas e raízes também típicos da região.

Smorrebrod 5

Um era de alcaçuz, outro de pão (sim, de pão) e o terceiro uma edição de Natal, feita “com muitos ingredientes, entre ervas, temperos e frutas”, explicou o garçou. (E, aliás, como esse povo gosta de celebrar o Natal aqui. Os pratos do período já começam a ser servidos agora, os mercados natalinos estão em várias partes, e além do snap especial, as cervejarias também fazem as suas edições especiais de Noel, receitas mais alcoólicas e encorpadas, de cor acobreada).

Smorrebrod 3
O cardápio (que posto no final deste texto) era pura sedução. Dava vontade de provar de tudo. Pedi indicações ao garçom, que me recomendou duas, com mais entusiasmo: a combinação de arenque frito (“Arenque frito é típico do Natal”, informa o cordial rapaz) com uma espécie de tartare de abóbora, com gomos de laranja, alcaçuz (outra obsessão nacional por aqui) e creme fresco, tudo isso sobre um pedaço fino de pão preto.

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Uma maravilha. O peixe, a combinação de ingredientes, a apresentação. Provei com a cerveja, e ficou bom. Mas certamente é um prato para ser acompanhado por um belo copo de snap. Casamento perfeito.

Smorrebrod 8
A outra recomendação foi o tartare de carne bovina com emulsão de ostras e uns pedacinhos crocantes de pão. O que ele não disse era que o prato levava, ainda, umas ovas amareladas de peixe, bem pequenas, que davam um teor salino e marinho ao prato, decorado com belos e saborosos trevos.
Mesmo com vontade de provar todas as demais receitas (e degustação, de 390 coroas, ou R$ 195, só é servida para um mínimo de duas pessoas. Pena.

Smorrebrod 10

Então, fui explorar outro lugar imperdível para o viajante com interesse na gastronomia (e por acaso tem brasileiro, hoje, que visite a Dinamarca sem ser um apaixonado pelo tema?). Sim, o mercado Torvehallerne (impossível pronunciar corretamente na língua deles).

Smorrebrod 11
O mercado, criado em 2011 já na esteira do sucesso da cozinha da Dinamarca, é aquela festa para os olhos de alguém que curte a boa mesa. Para os olhos, a boca, o nariz… Há muitas lojas de produtos da região, açougues,…

Smorrebrod 13

… enoteca especializada em vinhos naturais, queijaria, chocolateria, cafeteria e algumas rotisserias de vitrines vistosas (dá para comer por lá, ou fazer um belo piquenique, o que não recomendo nesta época do ano), e até uma filial da Olive & Co (que para mim pareceu meio deslocada ali), entre outras. Além disso, há alguns bares com balcões onde podemos nos sentar oara comer. Nem tudo ali, neste caso, é nórdico: tem casa de tapas (pereciam ótimas) e pizzaria (idem), por exemplo.

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Mas, para ficar no clima local, escolhi a Hallernes Smorrebrod, cuja vitrine que exibia a oferta de comidinhas da casa me pareceu muito apetitosa. Além disso, já sabia que ali é servido cerveja Mikkeller “on tap”. Uau!
Sentei na cadeira alta. Puxei papo com o atendente sobre a Mikkeller. Muito prestativo, o cara começou a me indicar bares e restaurantes próximos ao meu hotel (fui muito bem tratado aqui em todos os lugares, mas depois me disseram que fui um ponto fora da curva, que geralmente os garçons e semelhantes não são lá os mais cordiais).
Ali também havia uma versão de arenque frito (“É típico do Natal”, disse-me o que já sabia),…

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…outra com rosbife, picles de pepino, cebola crocante uma chuvinha de raiz forte.

Smorrebrod 16

Na verdade, havia mais do que uma versão de arenque, uma delas com salada de ovo.

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Falando em ovo, outra especialidade é a combinação de ovo fatiado finamente com pequenos camarões cozidos, muito tradicional. A propósito: não sei de que ovo se tratava, porque era maior que o de codorna, e menor que o de galinha.

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Confesso que não foi fácil escolher, mas fui na salada de frango com cogumelo, seduzido em grande parte pela lâmina crocante de bacon que enfeitava este smorrebrod. Fiz bem.

Smorrebrod 20
Contente naquele balcão, ainda pedi uma bela cerveja local de produção artesanal, a AZ Ale No 16, bem maltada, com pouca carbonatação, num estilo que chegou, para mim, perto de uma barley wine.
Voltei para o hotel satisfeito e aclimatado, andando pela área central (e antiga), com as suas ruas de pedestre enfeitadas para o Natal. Foi uma estreia feliz em terras e mesas dinamarquesas.

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