Um domingo frio e legal em Copenhague ao sabor de dogão, hambúrguer e pizza

 
Depois de cinco dias de agenda intensa (sempre digo que viagem de trabalho é que nem rapadura: é doce, é bom, mas não é mole), acordei preguiçosamente no domingo. De tal modo que quase perdi o café da manhã do meu hotel em Odense, o Plaza. Cheguei às 10h30, e ao contrário do que acontece geralmente nos hotéis da Dinamarca, que interrompem o café no horário determinado, não importando se ainda tem alguém por lá, eles me perguntaram gentilmente se eu ainda queria algo mais, depois de ter feito um pratinho de salada de frutas com iogurte e granola, para compensar a esbórnia dos últimos dias. Com toda a preguiça que merecemos em um domingo chuvoso (depois do sábado de sol, a chuva voltou, com insistência), parti para a estação de trem, e ao meio-dia segui em direção a Copenhague.
Cheguei pontualmente na hora programada, às 13h15, pegando o trem que faz a viagem diretamente (depois da Estação Central ele estica até o aeroporto). Decidi, então, seguir a dica do Paulo André Pomerantzeff, gerente da marca Faxe no Brasil.
– Cara, tem um cachorro quente em frente à estação central de trem muito bom. Pode ir lá conferir, você que curte comida de rua vai gostar.

Copenhague 2
Dito e feito. Havia um movimento intenso, e não parava de chegar gente para um almoço ligeiro. Escolhi uma entre cerca de 10 opções de chachorro quente (e mais uns quatro hambúrgueres) – e ainda tem gente que come apenas a linguiça, com a mão mesmo, lambuzando em mostarda e ketchup.
– Vai querer completo, com tudo?

Copenhague 5
No melhor estilo podrão da madrugada, pedi a versão integral do sanduba. De fato estava muito bom o sanduíche, temperado com maionese, mostarda e ketchup, com picles de pepino, cebola picada e uma espécie de bacon, dando um crocante legal. Uma linguiça da melhor qualidade que transbordava do pão para os dois lado. Não sou fresco. Comi, gostei. Mas uma coisa me intrigou. O sujeito que preparava o sanduíche, trabalhador solitário naquele trailer – simpático até apesar de seu jeito rude – recebia o dinheiro, dava o troco, e com a mesma mão pegava as salsichas para meter no pão. Achei nojento. Mas que estava bom, isso lá estava…

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Dali até a minha morada nas duas últimas noites em Copenhague, o ótimo Hotel Imperial, eram cinco minutos de caminhada. Mas com chuva e frio, pareciam 20.

Copenhague 8

Deixei as coisas no quarto, amplo, confortável e moderno, e fui decidir o que fazer. Com o clima hostil, frio e muito chuvoso, não era um dia para grandes explorações urbanas (ainda que o metrô, com estação bem em frente ao hotel, cubra boa parte da cidade). Então, decidi combinar duas coisas que ando muito apreciando ultimamente: cerveja, tema principal desta minha viagem, e hambúrguer). Seguindo orientação da concierge do hotel, escolhi a cervejaria Apollo, por quarto razões principais. Inaugurada nos anos 1990, foi pioneira na produção artesanal de cerveja no país. Especializada em carnes, tinha fama de fazer um ótimo hambúrguer.

Copenhague 11

E ainda por cima, ficava no Tivoli, com entrada independente, voltada para o lado de fora, sem precisar comprar ingresso. E o Tivoli ficava pertinho do hotel.

Copenhague 13
Aquele vento cortante me acompanhou até lá, com chuva suficiente para molhar a minha mochila. Ao chegar lá, bem ao lado da entrada principal, aquela sensação de acolhimento, ainda mais quando vi as duas caldeiras de cobre que ficam bem no meio do salão.

Copenhague 20

 

Lugar simpático, de decoração simples, com muita madeira, uns metais, vidro valorizando o céu e o trânsito das pessoas na rua, o que aumentava ainda mais a sensação de conforto vendo todo mundo bem agalhasado, e você ali, de camisa e casaquinho.

Copenhague 12
Tinha que escrever um texto, então, pedi uma Pilser para matar a sede (frio dá muita sede, porque o corpo gasta muita energia para manter a temperatura, o que também dá muita fome). Ah, se toda a Pilsen no Brasil fosse assim…

Copenhague 14

Depois, fui na edição natalina, em cartaz durante este mês, escura, encorpada, saborosa, estilo que passei a viagem inteira experimentando, de diferentes cervejarias.

Copenhague 18
Texto pronto (infelizmente não havia Wi-Fi), era hora de comer. Fui no hanburguér clássico, que foi devidamente escoltado por uma Red Ale bem lupulada, que eu classificaria como uma IPA em uma prova às cegas. Carne no ponto certo, muito saborosa. Um bom cheddar inglês derretido. Uma espécie de molho de tomate, de primeira. E ainda meti ali o trio maravilha, mostarda, ketchup e maionese. Já anoitecera completamente, e eram 17h, o que – como já escrevi – jamais vou me acostumar, do mesmo modo que com o sol da meia-noite, que ainda não tive o prazer de conhecer.
Como sobremesa, pulei o doce, e pedi uma (ótima) stout de encerramento, cheia de café, caramelo e chocolate.
Voltei para o hotel. Precisava de internet para responder e-mails (estar três horas à frente do horário brasileiro é uma vantagem e tanto para quem viaja com demandas de trabalho) e subir o post que escrevera no bar.

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Simpatizei com o restaurante L’Apetitto, junto ao lobby. Sentei no bar e me pus a trabalhar, e trabalhar, e escrever, e editar fotos, e responder mensagens…

Copenhague 24
Os garçons eram todos italianos, e só se comunicavam entre si na língua natal, o que me soou muito simpático. Fui curtindo o clima, com direito a fotos em preto-e-branco: Marlon Brando me olhava de modo ameaçador.

Copenhague 21
Logo o salão começou a encher. Dei uma espiada no salão. Lotado, com direito a mesas grandes, com muitas famílias. Confesso que o Trip Advisor não está entre as minhas fontes, normalmente, mas dei só uma checada, para ver se meu jantar deveria ser mesmo ali, como me dizia minha intuição, e como praticamente me impunha o clima lá fora. Quase todos os comentários eram elogiosos: falavam das pizzas, das massas, das carnes, do serviço a la italiana (havia quem reclamasse da demora, e do estilo dos garçons). Bati o martelo. Decidi jantar ali mesmo. Terminei meus afazeres, e pedi uma mesa.
Cardápio atraente. Bem típico. Li inteiro, e terminei na dúvida: pizza marguerita ou lasanha à bolonhesa? Escolhi a primeira. Acho que domingo combina com pizza. Eu e a torcida do Flamengo, eu sei. Apesar de que uma bela lasanha à bolonhesa também combine. Aliás, cozinha italiana combina com qualquer dia.

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Pedi um Montepulciano d’Abruzzo, bem simples, para acompanhar. Tive um jantar agradável. A pizza estava boa. Nada que tenha me emocionado, mas era tudo o que eu precisava naquela noite fria. Era grande, e nem consegui chegar até o final.
Subi para o meu quarto contente e satisfeito. Bati na cama, e apaguei na hora. Sonhei com a minha casa. bateu saudade inconciente na madrugada. Ainda bem que segunda seria o último dia. E este post, o penúltimo da série (será?), escrevo no avião da KLM que me leva de volta ao Brasil (fiz escala em Amsterdã, partindo de Copenhague). Amanhã, dia 10, encerro escrevendo sobre o dia de despedida, segunda-feira, já sob as bênçãos do Dedo de Deus, e temperado pela alegria de estar de volta ao meu aconchego serrano.
Então, vamos voltar a falar um pouco do Rio de Janeiro, assunto principal deste blog, e de vinhos, tema que acabou vindo para cá com o final da Enoteca.
Porque agora só pretendo voltar a viajar no final de janeiro, curtindo as festas de final de ano e as férias escolares na maior tranquilidade, e não faltam novidades por aí.

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