A chegada em Lima ao sabor de um rico e apimentado ceviche de ouriço no Mercado de Surquillo

Não gosto de voo noturno, confesso. Não consigo dormir, mas tento, o que só impõe mais sofrimento e torcicolo. Porém, viajando para os Estados Unidos e Europa, eles acabam sendo a melhor opção, quando não a única. Isso porque embarcamos de noite, e aterrisamos destino pela manhã, e caso não haja conexões, chegamos cedinho, a ponto de podermos aproveitar o primeiro dia da viagem, para já irmos nos aclimatando (nada pior que chegar cansado e ir para o hotel dormir ou, pior, querer fazer isso, mas o seu quarto só está liberado a partir das 15h). Aproveitando o fuso-horário de três horas a menos, o voo Rio-Lima da Avicanca decola às 6h40, e chega à capital peruana por volta das 9h30. Uma beleza.
Assim, às 10h30 já estávamos no hotel, em Miraflores. Mas por sorte não havia quarto livre pra gente, o que nos “obrigou” a sair pela cidade.

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A uns cinco minutos de caminhada lenta estava o Mercado de Surquillo, o mais importante de Lima.

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E não poderia haver melhor lugar para um primeiro contato “in loco” com a cultura gastronômica do país.

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Logo na entrada paramos numa barraca de frutas, e nosso cicerone, o chef peruano Marco Espinoza, dos restaurantes cariocas Lima, Tupac e El Chalaco, pediu uma faca e perguntou ao barraqueiro se poderia ir pegando uma frutas.

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E acabamos provando umas seis ou sete. Havia desde variedades que eu conhecia, mas apenas processadas, como a lúcuma até outras frutas velhas conhecidas em versões diferentes, como a banana vermelha.

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Provamos um tipo de maracujá, que tem a polpa docinhas e as sementes crocantes, saborosas. E a tuna. Sim, no Peru existe uma fruta chamada atum (tuna é atum em inglês). Acho que a origem do nome pode ser mesmo essa, porque a polpa desta fruta tem cor de atum. Aquele vermelho arroxeado, lindo de se ver. A fruta em si é bem saborosa, e estaria entre a goiaba e a pera em termos de sabor e textura. Curti.

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E fomos circulando e petiscando. Provamos umas belas azeitonas locais, as verdes, recheadas de pimenta rocoto, bem picante, e as pretas, carnudas.

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A variedade de milhos,…

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…batatas…

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… e pimentas é uma festa para os olhos. Só de batatas, acredite, são cerca de 2 mil variedades no Peru. Sim, 2 mil.

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De milho, são 200. De pimenta? Confesso que não sei, mas são muitas, certamente.
Encontrei nas bancas castanhas brasileiras, de caju e do Pará. Claro que não dei muita atenção…

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Um brasileiro certamente vai estranhar as carnes expostas sem refrigeração. Porcos, galinhas, corações bovinos pendurados, uma infinidade de miúdos… Dá um certo nojo, mas me fez implicar ainda mais com a nossa Vigilância Sanitária, o órgão mais vaidoso do Brasil, que se preocupa apenas em dar publicidade às suas ações, que gosta de proibir produtos locais, regionais e tradicionais, que gosta de visitar cozinhas de restaurantes caros, mas que nunca eu vi na vida investigar as pavorosas barraquinhas de comida da Central do Brasil, por exemplo (mas isso é outro assunto).
– Se fosse em Porto Alegre tava todo mundo preso – observou o arquiteto gaúcho Reinaldo Moura, que me acompanha nesta viagem.

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Em Surquillo encontramos várias barraquinhas de comida. Ceviches são feitos na hora, usando os pescados frescos (esses sim, quase sempre refrigerados).

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Meu cicerone nos levou à sua banca preferida, El Cevi Chero, a que estava, de fato, mais cheia.

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Tomamos chicha morada, e comemos aquela pipoquinha típica, com grãos maiores, e que estoura para dentro, sabe? Perfeita para acompanhar uma Cusqueña.

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Fiquei acompanhando o movimento na acanhada cozinha, dotada apenas de um fogão de três bocas. Nem estoque de pescados há.

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Pedimos algo, e uma moça vai buscar, na banca que eles mesmo mantém, a poucos passos dali.

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Saíram vistosos pratos, como um chupe de mariscos perfumado, ceviches lindos, e esse arroz de mariscos, meloso e com bela aparência.

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Os vizinhos pediram o leche de tigre, aquele caldo branco que acompanha os ceviches, feito com limão, cebola, pimenta e carne de peixe, tudo batido no liquidificador, uma deliciosa loucura.

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O lugar é simples e delicioso. Saca só o menu. Quero tudo!

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Nós escolhemos um ceviche menos popular e comum. De ouriço. Não ligue para a aparência confusa. Estava realmente uma delícia. Ainda mais quando dávamos uma carga extra de pimenta. Da boa.
Mas esse era apenas o amuse bouche. De lá, fomos almoçar no ótimo e belo restaurante El Mercado, do chef cada vez mais famoso Rafael Osterling. Mas isso, claro, é tema para outro post.

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Uma resposta to “A chegada em Lima ao sabor de um rico e apimentado ceviche de ouriço no Mercado de Surquillo”

  1. Dani Bispo Says:

    Puxa Bruno, que máximo! Estou louca para ir ao Peru, só me resta tempo. De fato seu post sobre o mercado me fez ficar com uma vontade ainda maior. Vou já no site da Avianca dar uma olhadinha rs

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