El Mercado, de Rafael Osterling, em Lima: restaurante altamente recomendável, pelo ambiente, serviço e, principalmente, a cozinha

Lima é hoje um dos lugares mais atraentes do mundo para quem aprecia a boa mesa. Talvez até seja o mais interessante, sedutor e surpreendente, pelo conjunto da obra. Claro que cidades como Nova York, Londres, Paris, Barcelona e Tóquio, para ficar apenas em cinco dos exemplos mais representativos, são destinos inesgotáveis para o turista gastronômico. Mas Lima é diferente. A capital peruana tem uma identidade única e inimitável. Os grandes restaurantes do quinteto citado poderiam estar em qualquer grande cidade do mundo. Os de Lima só poderiam existir no Peru. E os nossos amigos sul-americanos souberam fazer o dever de casa direitinho. Conseguiram capitalizar muito bem a sua inacreditável diversidade de paisagens e culturas, o que se reflete diretamente na ampla variedade de ingredientes, nos estilos de cozinha, nas técnicas culinárias. E esse movimento, hoje, está mais forte do que nunca. Porque no embalo desse trabalho de valorização da gastronomia nativa, surgiram nos últimos anos uma nova geração de chefs, que anda dando continuidade e ampliando o trabalho iniciado por Gastón Acurio, que vai acabar virando presidente do país. No Brasil, as crianças sonham em ser jogadores de futebol, no Peru, em ser cozinheiros.

Um desses chefs, nem tão jovem assim, é Rafael Osterling, que ganhou projeção, primeiro, trabalhando na Colômbia, onde mantém dois restaurantes na capital Bogotá, que assim como Lima vive um momento de ouro em sua gastronomia: La Despensa e Rafael. Em Lima, são também duas casas. Uma outra unidade do restaurante que leva o seu nome, e El Mercado.
Almoçamos neste segundo lugar. Sem reservas, chegamos ao restaurante pouco antes de meio-dia e meia, quando a casa abre as portas (só abre para almoço, e fecha às 17h, como muitas cevicherias, quase todas, aliás).

El Mercado 2 - salão

O lugar é bonito é agradável. Um grande salão, arejado, com uma parte aberta, onde chama a atenção o imenso balcão, que tem várias utilidades.

El Mercado 10 - balcão

É bar, com algumas cadeiras, e também uma vistosa parrilla, de onde saem muitos dos pratos dali. Um jovem time de cozinheiros dá expediente ali, finalizando algumas receitas, naquele sempre bonito balé culinário, que aqueles sentados no balcão podem apreciar.

El Mercado 1 - salão
A decoração tem tijolinho, azulejo, madeira, palha, estampas bem escolhidas, plantinhas. Fomos os primeiros a chegar, e o salão estava assim.

El Mercado 11 - salão
Logo ficou assim.
Mas vamos seguir a cronologia dos fatos.

El Mercado 3 -batata
E voltemos ao começo. Logo que nos sentamos, foi servida uma simpática cestinha repleta de finas lâminas de batata-doce crocante, com um toque de sal. Sempre um bom começo.

El Mercado 4 - pisco

Ainda mais com um copo de pisco sour a acompanhar.
Aproveitando a mesa populosa, pedimos muita coisa.

El Mercado 5 - Ceviche Sureño

Para começar, um ceviche misto, com camarões, lulas e um peixe branco. Acidez na medida, boa dose de pimenta, tudo bem correto.

El Mercado 6 - conchas negras

Depois, um ceviche de conchas negras, um típico marisco de casca escura e carne idem, e que ainda por cima também solta um líquido preto ao ser aberto. Eu gostei, mas os peruanos da mesa disseram que encontramos outros bem melhores em casas mais simples nas cevicherias populares da cidade. E eu acredito, porque não tenho parâmetro para comparar, mas que estava bom, isso estava.

El Mercado 7 - chicharron de pejerrey
Um dos pratos que mais gostei, em toda a sua simplicidade, veio a seguir. Chama-se chicharron de pejerrey, bastões de peixe empanados e fritos, servidos com pedaços de abacate, cebola e molho tártaro.

El Mercado 8 - Causa tumbesina
Logo chegou a causa tumbesina, em formato distinto, enrolada, feita com batata amarela bem moldada, com um molho de mostarda de Dijon, e recheio de caranguejo desfiado e lagostim, e aquela escultural montagem de batata-doce finamente cortada de frita, dando aquele bem-vindo croc croc.

El Mercado 12 - rocoto
E a farra continuou ao sabor de um rocoto (um tipo de pimenta) recheado com asado de tira, com uma espécie de mil folhas de batatas, e um caldo primo da bisque, e uma fatia de queijo fresco em cima.

El Mercado 15 - chita
Meu prato preferido deste almoço longo foi um peixe chamado chita, de fazer Tarzan largar a Jane… Que peixe delicioso. Carne branca, ligeiramente gorda, com uma pele deliciosa. Foi servido com legumes grelhados e umas alcaparras. Mas quem brilhava intensamente mesmo era o peixe. Já se passaram dois dias desde este almoço. E ele ainda está entre os melhores pratos da viagem.

El Mercado 16 - mariscos
Havia, ainda, uma espécie de chupe de mariscos, uma travessa recheada de pescados, imersos em um caldo amarelo, com base em ají. Sei que espetei tentáculos de lula, camarões e vieras com coral.
Era hora do tacu tacu. Para quem não ligou o nome ao prato, esse tacu tacu é o feijão com arroz peruano. Literalmente. Mas, em vez de servir os dois ingredientes separadamente, eles fazem uma mistura, que acaba virando uma espécie de massa densa e alta, que serve de base para as mais diferentes montagens, de peixe a cordeiro. É típico da chamada cozinha criolla, que absorveu elementos dos colonizadores europeus. Tacu tacu porque, em quechua, lígua nativa, “takuy” quer dizer misturar duas coisas.

El Mercado 13

Legal, né?Provamos dois. Primeiro, um de peixe, com molho rico de mariscos, e umas vieiras a enfeitar e enriquecer o prato.

El Mercado 14
E outro de cordeiro, apresentado rodeado por um molho rico, denso, de sabor intenso e concentrado, com umas mandiocas fritas ao lado, para dar uma equilibrada em tamanho vigor gustativo.

El Mercado 17 - flan
Hora da sobremesa. Teve crema volteada de dulce de leche, uma espécie de flan com creme de chirimoya.

El Mercado 18
O crocante de almendras era uma feliz combinação de amêndoas tostadas, quebradas e carameladas, com lúcuma, manga, framboesa e nutella.

El Mercado 19
E, para encerrar, o picarón, um doce típico, espécie de rosquinha, com massa próxima dos nossos bolinhos de chuva, servida com melado de cana.

El Mercado 20 - flores
Em uma palavra: recomendo. Por todos os aspectos envolvidos: o lugar, o serviço e, principalmente, a comida.
Vou te falar uma coisa, meu amigo. Se você gosta de comida, vem correndo pro Peru.

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